Deficiência Auditiva Fonoaudiologia Histórias dos Leitores

A história da Aline: surda oralizada e estudante de Fonoaudiologia

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“Meu nome é Aline, sou uma jovem de 24 anos, tenho uma família linda e pais que me apoiaram durante toda minha vida, além disso, tenho perda auditiva neurossensorial de grau severo na orelha esquerda e profundo à direita, segundo meus pais e o médico que me atendeu, eu já nasci com a deficiência auditiva e a causa da surdez é desconhecida, e hoje decidi contar uma pouco da minha vida para vocês, sou oralizada e atualmente estou aprendendo LIBRAS para me comunicar com outros surdos que não fazem o uso do Aparelho Auditivo ou Implante Coclear e têm a LIBRAS como primeira língua.

Tudo começou quando meus pais perceberam, por volta, dos 2 anos de idade, que eu não ouvia nada. Então resolveram fazer uma consulta com um Otorrinolaringologista, que me encaminhou para uma cirurgia, a qual não adiantou e disse aos meus pais para me colocarem numa escola de surdos, pois eu não iria falar. Meus pais não aceitaram o comentário deste profissional e resolveram procurar outro especialista, quando então, conheceram uma Fonoaudióloga, Silvia Ristow, que realizou a minha avaliação auditiva e me encaminhou para São Paulo.

Ao chegar em São Paulo, meus pais encontraram a Fonoaudióloga Anna Maria Roslyn Jensen, onde a mesma diagnosticou que eu não havia perdido totalmente a audição, mas que eu escutava somente os sons mais altos, foi então que tudo mudou e uma nova fase iniciou… Comecei a usar aparelho auditivo da WIDEX e a Fono pediu para meus pais que saíssem comigo pelo centro de SP para que eu pudesse escutar os sons que antes eu não escutava. Há quem diga que não é possível, mas eu lembro dos primeiros sons que ouvi… O barulho do avião, da chuva, dos passarinhos, do metrô, dos ônibus, carros e muitos outros que chegaram a me assustar. A pedido da Fonoaudióloga de SP retornei a Brusque, para então começar a terapia Fonoaudiólogica com a Fonoaudióloga Silvia. Comecei a realizar a terapia todas as terças e quintas feiras e retornava para SP a cada 6 meses ou 1 ano.

Por volta dos 5 anos de idade comecei além da terapia Fonaudiólogica, terapia com a Educadora Especial Márcia Lamaison, que reforçava o que eu aprendia na escola… E assim foi até os 12 anos de idade. Continuei então, apenas na terapia fonoaudiólogica, até os 14 anos de idade. Terminei o colegial com 17 anos, como qualquer ouvinte, e prestei vestibular para Fonoaudiologia na PUCSP.

Passei, porém meus pais não queriam que eu fosse para SP nesta época, preferindo que eu fizesse outra faculdade aqui, como Pedagogia ou Administração. Fiz 6 meses do curso de Pedagogia pela UNIFEBE e não gostei, pois no fundo do meu coração sabia que não era aquilo que eu queria, acabei desistindo e consegui entrar para o curso de Fonoaudiologia da UNIVALI em 2010.

Atualmente estou no 8º período do curso de Fonoaudiologia, trabalho como estagiária do SAPS (Setor de Atendimento à Pessoa Surda) com crianças que usam o aparelho auditivo ou Implante Coclear. Depois de usar vários aparelhos auditivos da WIDEX, SIEMENS, A&M, voltei a usar o aparelho auditivo da WIDEX neste ano de 2014, que foi meu primeiro aparelho pelo SUS. Nunca deixei de usar os aparelhos que tive… O motivo? Eu amo usar! Não consigo ficar sem eles, pois com eles escuto, identifico os sons, e graças à tecnologia dos meus novos aparelhos, estou conseguindo compreender e escutar sem fazer leitura labial.

Posso dizer que tive a honra de aprender a falar, ouvir, me relacionar com o mundo dos sons, pois com certeza se não fosse toda essa batalha, talvez hoje eu não falaria tão bem (é o que dizem), ou mal falaria papai e mamãe. Foram muitas lutas e conquistas que tive durante essa jornada, por este motivo eu não desisto fácil das coisas que quero… Sou persistente e faço valer à pena aquilo que é conquistado. Sou feliz, realizada, independente, batalhadora, e eu tenho um sonho, que é proporcionar qualidade de vida para crianças surdas. Quero trabalhar com habilitação e reabilitação auditiva em crianças. Amo terapia, Fonoaudiologia clínica, e não me vejo trabalhando em outra área que não esteja ligada à audição e linguagem.

Acredito que todo mundo tem algo especial para oferecer dentro de si, e o meu lado especial é esse: ensinar, reabilitar, escutar, entender o outro que está tendo uma dificuldade muito diferente da nossa. E cabe a mim, como profissional, auxiliar o próximo a ter uma vida independente e feliz.

Quero deixar uma singela mensagem: “Todos nós possuímos algum tipo de deficiência, mas isso não impede que sejamos capazes de vencer. Você que conhece alguém que possui alguma deficiência, seja humilde, ajude o próximo. Ajudar não custa nada, torna-te mais humano. Mostre que você é diferente e que pode ajudar essas pessoas a se tornarem cidadãos mais atuantes, vencendo barreiras e sendo mais felizes!”

82 amaram.

Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 36 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

14 Comentários

  • Oi Aline muito feliz por vc ter vencido e ser essa pessoa maravilhosa sua história é imspiradora gostaria do contato da Dra. Ana Maria por favor.

  • Oi Aline me emocionei muito com a sua historia parabens por toda sua luta e por vc ser essa mulher forte q nao desiste dos seus sonhos. Meu filho se chama Heitor tem 3 anos e vai fazer implante coclear dia 04/10 e me sinto muito perdida em relaçao a terapia pq não encontro pessoas especializadas na area e as que sao querem inserir libras e no momento preciso de uma fono para oraloza lo. Se vc puder me indicar uma fono q seja um anjo nas nossas vidas como vc teve na sua vida tambem. Fico as veze muito perdida sem saber o que fazer no ano q vem ele vai para o EMEI e na diretoria de ensino q fui me orientar sobre uma professora auxiliar para ajuda lo eles me informaram q ele é surdo e tem q ir p uma escola de surdoa mais nao concordo com isso ele é surdo mais tem o direito de ouvir e falar como todos nós e vc foi um exemplo disso. Parabéns

  • Oi Aline tudo bem?? Meu nome é Bia, tenho 24 anos, eu tb tenho surdez bilateral severa a profunda de nascença, eu tb fiz acompanhamento fonoaudiológico com Anna Maria Roslyn Jensen desde o 2 anos de idade até aos 11 anos de idade. Sou do interior de SP eu fazia fono duas vezes por semana com outra fono da minha cidade e eu sempre ia para SP todo mês para a consulta com a Anna Maria. Tb sou usuária de aparelhos auditivos da Widex (nunca usei outra marca). Há dois anos atras me reencontrei com a fono Anna Maria depois mtos anos sem vê-la e ela foi uma pessoa mto importante da minha vida sem ela não teria chegado até aqui, pois qdo fui diagnosticada falaram que eu teria estudar na Apae e a fono Anna Maria sempre dizia aos meus pais que eu poderia ser como outras pessoas normais e ser alguem. Conclusão: agora sou Enfermeira formada, tenho o meu emprego, moro em cidade grande e (mais ou menos) longe dos meus pais (rsrs) e sozinha e sou bem independente!
    🙂

    • Querida Bia! Tudo ótimo e com você?

      Fiquei muito encantada e feliz com seu relato. E mais feliz ainda por você relatar que é independente, e feliz, precisamos de mais pessoas como você nesse mundo! Sim, com toda a certeza, a Anna é um amor de pessoa, estarei voltando para SP e me encontro sempre com ela, com aquela voz grossa e doce. Você tem facebook? Qualquer coisa me procura no face da Anna Maria Jensen, estou lá (Aline de Souza)

      Beijos grande!

      • Obrigada pelo carinho Aline, eu não tenho facebook mas se quiser me seguir no instagram é @biacarriel e passo meu whats no email se quiser 🙂
        Manda um beijão pra dona Anna Maria, ela sabe quem eu sou, fala que é a Bia de Cerqueira César

  • olá

    É como a Aline questionou, que nem todo mundo tem a mesma perda… também uso aparelho da Widex tanto que estou no segundo aparelho e a adaptação foi bem tranquila para mim.
    Abraços

  • Oi Dival, tudo bem?! Então meu primeiro aparelho foi Widex, mas usei o aparelho da marca A&M por 8 anos, no começo é realmente estranho, os sons parecem muito alto, abafado, mas é questão de acostumar mesmo, ano passado troquei o Aparelho da A&M por Widex Bravíssimo 38. Como eu sempre digo, nem todo mundo tem a mesma perda, cada um tem um tipo de perda, grau de perda, e para mim o WIDEX e A&M foram os melhores, testei da PHONAK na qual para mim não serviu, mas para outras pessoas serviram. Cada um acha o aparelho adequado para o seu tipo de perda. Qualquer coisa estou a disposição. Abraço!

  • Linda historia Aline, mas fiquei surpreso por voce dizer que usa aparelho da Widex, pois minha surdez é semelhante a sua , e parece que não existe mais aparelho para mim, e no momento não uso nada, ando muito desligado e triste por isto.
    Portanto me passe as dicas deste aparelho e os que servem ainda para vc.
    Grato

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