A história da Bárbara

*depoimento de uma leitora

“Olá, Paula! Com muito prazer escrevo este depoimento!
 
Sou Bárbara Neves Maia, 20 anos, nasci e resido em Teresina, Piauí. Sou deficiente auditiva bilateral de moderada a severa, não uso Libras, mas pretendo algum dia aprender. Sou oralizada e faço leitura labial.

Minha mãe descobriu que eu era deficiente ainda bebê, pois era mais silenciosa, chorava quando não entendia algumas situações, e aos dois anos fui para São Paulo fazer um exame que aqui não tinha. Lá foi detectada minha perda auditiva. Após o exame, meus pais compraram os aparelhos auditivos e a partir daí comecei a usá-los. Não se sabe a origem, talvez pela incompatibilidade sanguínea durante a gravidez – eristroblastose fetal – ou os antibióticos que eu havia tomado.

Com três anos, entrei no primeiro colégio em que estudei, depois mudei duas vezes. No terceiro deles fiquei durante toda a vida escolar.  Lá minha mãe pediu a diretora que repetisse a alfabetização, pois o colégio já estava muito adiantado e eu não havia aprendido todo alfabeto ainda. Na primeira série do ensino fundamental, tinha algumas meninas que me falavam coisas absurdas, gritavam me chamando de surda, sofri muito nesse período. Mas, depois que uma das meninas saiu, nunca mais aconteceu isso. Na verdade, não lembro de praticamente nada da minha infância. Lembro vagamente de alguns momentos que passava com duas amigas na páscoa, quando pintava os ovos de galinha, íamos para um clube e brincávamos de esconde-esconde, nadávamos, procurávamos ovos escondidos. Até que uma delas se mudou para os EUA, e a outra mudou de colégio. A partir daí, não lembro mais de nada. Tinha algumas amizades, mas na hora do recreio ficava mais com minhas irmãs e amigas delas. Até que na sexta série, conheci uma menina que morava no mesmo prédio que eu. No começo, não falava com ela no colégio, não sabia que ela existia e muito menos que morava no mesmo prédio. Numa noite, umas meninas do prédio me chamaram pra brincar no salão de festas. E foi daí que conheci Gabriela. Aos poucos, ficamos amigas, e ela acabou virando irmã. Ela dormia no meu apartamento, estudávamos juntas quase todos os dias, fazíamos trabalhos. Adorei conhecê-la. Foi com ela que eu aprendi a estudar, foi através dela que fiz outras amizades que duram até hoje. E despedidas ocorreram de novo. O pai dela foi transferido para outra cidade. Mas nunca me esquecerei dela e da sua família maravilhosa. Mas a vida é assim, como diz o papai, encontros e despedidas. A vida é uma caixinha de surpresas e acasos acontecem.

Do meu colégio, não tenho nada a reclamar, os professores eram meus amigos, sempre me ajudaram, sempre me apoiaram e deram broncas algumas vezes. Festa junina, feira de ciências, mercadinho, que tempos bons! Mas que sufoco a gente passou no ensino médio, com simulados, tarefas e a pressão aumentando com vestibular chegando. Só resolvi o que eu ia fazer no terceiro ano! Não tinha a mínima idéia do que eu faria naquela época. Decidi odontologia, pois minha irmã fazia e eu admirava muito os trabalhos delas. Passei no vestibular, entrei e, no segundo período, desisti. Não gostei, parecia que estava fora do mundo, pois era uma área muito específica. Laboratórios, relatórios, cadernos de bioquímica, histologia. Arghh! Não aguentei. Decidi então fazer Arquitetura e Urbanismo, área em que minha outra irmã é formada e muito satisfeita. Não me arrependo de ter mudado de curso, apesar de um não ter nada a ver com o outro, esse tem a ver comigo. Parece que tirei um peso das minhas costas. E eu me orgulho disso! Hoje, estou no terceiro período do curso, apesar das dificuldades que eu passo. Infelizmente ainda há preconceitos, e isso foi um choque pra mim. No colégio, nunca passei pelo o que estou passando na faculdade, as pessoas do colégio parecem ser mais maduras. Nem imaginava que pudesse ter preconceitos, e por isso sofri mais. Ainda estou em processo de superar tudo isso. Professores não são tão preparados para atender a gente. Para vocês terem uma idéia eu sou a primeira deficiente auditiva a cursar Arquitetura na instituição.  Depois que achei o seu blog, e o blog da Lak Lobato, o sofrimento que eu passo foi amenizado. Leio todos os dias os blogs de vocês. E agradeço a Deus  por vocês existirem.

E como eu disse, a vida é uma surpresa. Nunca defini deficiência auditiva como um fardo. Foi ela que me tornou a pessoa que sou hoje: forte! Eu tenho minhas “fraquezas” de vez em quando (ultimamente venho tenho tido muitas na verdade). Mas são elas que fazem uma pessoa forte, são elas que determinam sua pessoa.  Nunca diga não! Nunca diga NUNCA!”

PS: Piauí, gente!! Continuo me impressionando muito com o quanto a internet junta as pessoas que estão tão distantes, mas vivenciando as mesmas experiências de vida.

PS.2: alguém passou por poucas e boas na faculdade por causa da surdez? Eu passei! Contem nos comments!

27 Comentários em “A história da Bárbara”

  1. Julie

    Bárbara, que bom que você está fazendo o que gosta! Eu tbm mudei muito de ideia até escolher o que eu queria hoje sou feliz com a minha profissão.

    Realmente é maravilhoso encontrar esses espaços virtuais para troca de experiência e informações. Estamos sempre juntos mesmo longe geograficamente, hehe!

    Bom, passei por uns apertos relacionados à minha surdez durante meus anos de estudo, na escola sempre tinha algum ignorante que gostava de incomodar, hoje já nem lembro tamanha a insignificância da pessoa. Já na faculdade felizmente meus colegas já eram mais maduros e lidavam melhor com as diferenças, mas as vezes tinhamos alguns desentendimentos por me colocarem limites que eu mesma não tinha. Eram brigas feias, devido ao meu temperamento forte (hoje felizmente já domei um pouco).

    A surdez não pode ser considerada um fardo, não dá para ver assim, é uma condição que nos faz sermos mais fortes e crescermos mais.

    Paula seu blog está cada vez melhor!!! Beijos

  2. Mariana

    Nossa, até na faculdade? Comigo não aconteceu isso de jeito nenhum. Se aconteceu, nem me lembro. Mas na escola sim, e muito! Era língua-presa, surdinha, môquinha e afins. No começo, eu ficava chorando, mas depois aprendi a não dar mais importância a isso, do contrário, elas continuariam, né? Algumas crianças adooooram mexer com outras crianças só para se sentir o maioral!

    Não desista nunca, Bárbara! E quero ver teu nome abrilhantando no mundo de arquitetura! Rs.

    Bjs

  3. Gabi

    Babi, muito bom saber que faço parte da sua história assim!
    Você e toda sua família é muito especial pra mim :)
    saudades!

    1. Aderlane Neves Maia

      Minha filha nº4…bjs
      Aderlane

  4. Mariana

    Ah, eu sofri e ainda sofro na faculdade. Já briguei com um dos professores lá, e os trabalhos em grupo, como fica?

    Já rolou das pessoas, quando viram que vc é surda, ela finge que não entendeu e te ignora?! E depois nunca mais nem olhar pra sua cara!? Comigo, isso acontece muito! Pio que preconceito é a ignorancia viu! Isso é triste.

    Claro que tenho amigos que são gente boas, confiáveis maas são de outros cursos. Só no meu curso que eu fico sozinha!

    O curso eu nem gosto muito não. Mas já to no terceiro ano, acho que seria tarde demais pra eu largar não acham? Todo mundo aqui me falam pra eu terminar logo que tá acabando..e tals. Mas ainda não achei uma luz!
    Nem sei se termino ou largo?!? =S

    Faculdade é o melhor e pior ano da nossa vida.

    1. Mariana

      Oi, xará! Rs. Que coisa isso, deixe-me ver se eu entendi certo: quando as pessoas descobrem que você é surda, ela simplesmente se afastam e fingem q nao te conhecem? nunca vi algo tão ridículo… O.o

      Que curso voce faz? Realmente essa é “a escolha de Sofia”… Mas voce não gosta do curso por causa das pessoas ou do curso mesmo? Eu decidi terminar o curso, com o qual não me identifico mais (só gostei dos dois primeiros períodos)… e tentar outro curso, de letras… que é o que eu gosto!

      Bjs

      1. Mariana

        aah é por causa do curso mesmo, faço Administração.
        Não tem nada a ver comigo viu..to fazendo esse curso por que tem mais emprego no mercado de trabalho e também por causa dos meus pais. Mas é chaaaato pra caramba! Não suporto contabilidade, finanças essas coisas..E com as pessoas da minha sala não torna isso nem um pouco mais agradavel. Não sei se mudo de facul ou de curso mesmo..

        Eu gosto mesmo é de ciencias biologica, medicina..das areas biológicas! Minha mãe não queria que eu fizesse biologia e meu pai não acredita que eu vá fazer medicina..!

        E as pessoas aqui são uns nojos de metidos, falsos e ignorantes. Credo!
        è realmente ridiculo que as pessoas fazem viu

        Quero sair daquii! =x Tenho saudade do tempo que a minha decisão que era escolher a cor do lápis que iria pintar do desenho! haha

  5. Glícia Ferreira

    alguém passou por poucas e boas na faculdade por causa da surdez? Eu passei!

    Pois é, vamos lá… há sete meses acordei com uma maldita surdez súbita. (Fui dormir em um sábado escutando, acordei num belo domingo surda, com um zumbido horrível – tinittus!) Nos dois primeiros dias, pra falar a verdade, não dei importância, achando que aquela sensação de ouvido ‘tampado’ de quando subimos/descemos uma serra iria cessar. Aproveitando uma consulta de meu pai a um clínico geral (3 dias depois – uma quarta) resolvi me consultar. Quando narrei tudo ao médico disse minha queixa principal: SURDEZ SÚBITA NO OUVIDO ESQUERDO. Ele pega o otoscópio, inspeciona meu ouvido e diz com a intenção de um elogio: “Tá muito limpo, limpo até demais” (Sentiu o elogio?Eu não!) e pergunta (despreocupadamente) “Ah, então, o que você quer? Atestado?” Eu: “NÃO! Pode começar com uma Audiometria mesmo”. Solicitada a audiometria eis que me deparo com um problema: havia um congresso de fonoaudiologia e não tinha um fonoaudiólogo sequer pra me atender na minha região naquela semana- moro no Agreste Pernambucano (onde reina a escassez dos bons profissionais que se acumulam em Recife). O jeito foi esperar: Uma semana depois faço a audiometria e sigo para um otorrino – a cara deles era pior que o diagnóstico: SURDEZ SÚBITA UNILATERAL EM OUVIDO ESQUERDO de ETIOLOGIA IDIOPÁTICA (Leia-se desconhecida). O médico me receitou corticóide (10 dias depois!) e um remédio para labirintite que me deixava louca de dor de cabeça. Deus coloca anjos em nossas vidas e um deles chama-se Dra. Cláudia Ferreira, médica neurologista e minha prima que pediu que eu fosse urgentemente para Recife. Feito os exames (Audiometria, Bera e Ressonância Magnética): Anacusia Unilateral / Surdez Neurossensorial Severa no OE/ Ressonância: inconclusiva (Não indicava nada de Neurinoma do acústico, mas diz lá: inconclusiva) + tinittus persistente (zumbido mesmo!)
    Eis que passo a me deparar com o maior de meus problemas: a adaptação com minha realidade (família, faculdade, amigos) . Curso o 3º ano de Enfermagem (o que explica em parte o domínio de tantos nomes técnicos) e me deparei com uma realidade de ignorância e risadas constantes. Como, graças à Deus, sou muito dedicada e estudiosa, me afoguei ainda mais nos estudos desde então, mas me sinto sim muito prejudicada, acho que poderia render mais, mesmo com as minhas altas notas na faculdade.
    Me sinto ofendida, prejudicada quando me chamam pejorativamente de ‘surda’, ‘môca’… mesmo com a audição normal do OD, pois ser deficiente auditiva me limita SIM! (Sempre devolvo na mesma moeda: “Sou surda sim, e daí?” ou “Sou surda e não retardada, basta você falar pausada e mais intensamente, pode ser? Ai vou poder entender sua fala e fazer leitura labial”) quando tento assistir uma aula dignamente (sento na 1ª fila mais a direita!) e a turma teima em conversar ou em seminários com perguntas direcionadas no final: “Como posso responder/entender/compreender algo se nem escutei o que disseram?” E olhe que sou das mais pacientes quando peço para repetir algo, não temo em pedir para repetir a fala 2,3,4,5 vezes até compreender, pedir silêncio ou mesmo pedir (encarecidamente!) para escrever o que quer dizer. Sempre tento fazer que os professores percebam minhas limitações, ou peço para minhas amigas comunicarem (depende da ‘energia’ e boa vontade) aos meus professores, ou mesmo faço saber, todos os colegas sabem, família, amigos, mas sinto uma enorme incompreensão ou desdém de muitos (a maioria). Só pra citar um descaso: fui justificar a minha ausência de uma aula a uma professora (tinha ido à Recife – consultas e exames!) e ela dispara ironicamente: “Se eu fosse contar aqui quem está ‘bixado’, não daria aula…” (Pode isso meu povo?Ainda mais se tratando de uma formadora de cuidadores???)
    Se eu peço a alguns professores para repetirem a matéria pq simplesmente não escutei, sinto uma má vontade imensa- ressalte-se: por parte de alguns!
    Temo muito por minha situação em concurso público (apesar da jurisprudência, através de inúmeros mandados de segurança e afins, entender que se trata sim de uma deficiência), pois se me inscrevo na cota para deficientes corro o risco de minha inscrição ser indeferida (como há livre interpretação jurídica para o meu caso), se me inscrevo na cota geral corro o risco de não ser chamada devido a perícia médica atestar minha deficiência. (ComofazBrasil?)
    Costuma-se tratar a audição como um sentido secundário… queria eu escutar minimamente bem! Preconceito? Existe SIM! Eu me sinto terrivelmente incomodada com brincadeiras sem graça que tanto menosprezam a deficiência auditiva!!!
    É… a vida é realmente uma surpresa. Também não defino deficiência auditiva como um fardo. Ela também me torna (a cada dia superado e a cada palavra compreendida) uma pessoa mais forte, mais humana!

    1. Monise

      Oi Glícia.
      Nossa.. fiquei impressionada com a postura que descreveste dos teus colegas e professores na faculdade… assim como da Bárbara e demais comentários do post.
      Também tenho deficiência auditiva, bilateral, e sou acadêmica de Enfermagem, mas nunca passei por preconceito na faculdade… Os professores e colegas são sempre atenciosos e não me tratam com diferença pelo fato de ter a deficiência, a não ser que eu peça para repetir… assim como há a preocupação de não falar comigo quando estiverem de costas, estes cuidados que são mínimos né?! a final, partem de cuidadores e futuros cuidadores ;)
      Tens e-mail para trocarmos informações?! :)
      Me adiciona no msn: monisejacques@hotmail.com
      Sempre quis conhecer alguém que nem eu, DA e futura Enfermeira

    2. Anna

      Glicia, RELAXA, põe como opção de cota para deficientes, sim!
      Vc terá a chatura de ter que comprovar com laudos, fazer perícia, etc, mas eles não podem indeferir uma deficiência comprovada. E se indeferirem, vc pode tranquilamente chamar um advogado, oras. Geralmente no edital dos concursos consta no anexo quais as situações que eles aceitarão como deficiência. Vá sem medo de ser feliz!
      Eu sempre coloco opção de cota qd faço concurso, só para “garantir” a vaga, mas sempre tento ficar bem colocada, para poder escolher um bom lugar para ficar, etc.
      beijo!

  6. Cecília

    Eu sou irmã da Bárbara e posso falar com todo certeza do mundo que ela é uma grande vencedora, assim como todas vocês. E queria agradecer o depoimento de todas vocês e a atenção dada a ela aqui, esta sendo muito especial para ela. Sucesso pro blog!

  7. Aderlane Neves Maia

    Tenho muito orgulho da Bárbara- sei que ela é responsável por me fazer uma pessoa melhor,também. Ao descobrir sua deficiência auditiva, latguei a advocacia e fui fazer psicologia e psicopedagogia. Estamos unidos na busca por nosso crescimento e ser forte é uma necessidade que cresce a cada dia.
    Beijos à todos os anjos da guarda que acompanham a história de Babi- e o universo é o limite de seu crescimento.
    Aderlane

  8. Rodrigo Fialho

    historia comovente! arquitetura é tudo de bom. eu amo esta profissão. arte e tanto, mas o mercado nessa area. muito concorrente! boa sorte Barbara! estou na torcida

  9. Jacqueline Oliveira

    Parabéns Babi, vc realmente é uma vencedora.
    Bjssssssssss e saudades.

  10. Bárbara Maia

    Vlw pela torcida, gnt! Vou precisar! hehe…
    Preconceito é burrice. Sim, ignorância maior q essa não existe. Vamos acabar com isso, hein? O mundo precisa de gnt do bem!
    Toda a dedicação e esforço não é em vão.
    Bjoos

  11. Lak Lobato

    Barbara, que show me deparar com tua história aqui… Menina, você é incrível. Adoro nossos papos no MSN, adoro saber da sua vida e trocar figurinhas sobre surdez e cia com vc!
    Saiba que tenho um carinho enorme por você!! Você é uma guerreira!
    Beijocas

  12. Bárbara Neves Maia

    Laaaaaaak, te adooro! Eu sou e continuarei sendoo… Afinal, a gnt tem o poder de mudar nossas vidas, nós somos responsáveis por nossa atitude na vida.
    Ngm será capaz de mudar nosso pensamento a n ser vc mesmo! Pense positivo, sempre.
    Bjooos. ADOOORO VCS!

  13. Nádia Monteiro

    Barbiee, acho ótimo vc tá contando sua historia e suas experiencias.
    Voce é uma das amizades que fiz no colégio que se eternizaram e nao quero perder nunca! Preconceito é algo completamente imaturo, inacreditável que ainda existam pessoas com tal pensamento na faculdade.
    Continue como vc sempre foi: forte! E saiba que no seu trajeto existem várias pessoas que vc pode contar! Agora to morando fora mas sempre que possível a gnt entra em contato e passo por ai em the =)
    Volim Te! Saudades! bj

  14. Louise Anne Menezes

    Bem, antes de mais nada desejo que saibam que entrei nesse blog poia. Tivr acaso, estou fazendo um trabalho sobre aparelho auditivo e cheguei até aqui.
    Bem, eu tive meningite aos 9 meses o que me deixou com uma surdez bilateral, mas consegui estudar, hoje faço meu 2º pós graduação, e meus problemas com a audição foram mais por conta de ter que pedir para as pessoas repetirem o que eu não ouve dificuldades na faculdade, mas superava lendo muito. Muitas pessoas ficam admiradas com a minha persistência em não desistir, e acho que foi isso o que me ajudou. Nunca me senti uma deficiente, e isso devo a meus pais. Somente hoje, depois de 50 anos é que estou usando aparelho auditivo, e sabem de uma coisa? O mundo é muito barulhento!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Por isso, Bárbara, vá em frente, lute com todas as suas forças para alcançar os seus objetivos. Beijos, Louise Anne

  15. Rodrigo Nunes

    People,

    Eu aprendi uma coisa nesses anos todos: colocar a Lei ao nosso lado e exigir respeito citando uma palavra: preconceito. Isso é CRIME. Posso garantir a vocês que uso este argumento para exigir o respeito que mereço, embora não seja uma coisa que acontece comigo todo dia (felizmente).

    ÓBEVEO que provar que houve preconceito são outros 500, mas basta uma testemunha a favor e o panorama começa a mudar.

    Bárbara, curti um monte teu depoimento. Muito legal mesmo. Apesar da pouca idade, tu demonstrastes maturidade. Não importa se tu vais te formar em Odonto, Arquitetura ou “pastel pra fora”, mantenha esta disposição e persistência e tu não terás dificuldade de ser reconhecida.

    Abração,
    Rodrigo

  16. Maria

    Sou surda profunda, não uso aparelho, não escuto nada; falo muito bem português, italiano, inglês e alemão (tudo por fala e leitura labial). E fui uma das melhores alunas da escola. Ganhei prêmio de 2a melhor nota na faculdade.

    Se sofri preconceito na faculdade? Não, porque o segredo era sempre fazer as coisas melhores que os outros e não poderiam dizer nada sobre mim. Simplesmente mostre o seu melhor em tudo que fizer!! Isso faz com que as pessoas tenham mais respeito por você. Se alguém tentasse pisar em mim, não levava o desaforo pra casa. Rodo a baiana mesmo! Com isso as pessoas passam a te respeitar mais como pessoa e não te veêm como um coitado, mas sim uma pessoa de muita fibra e garra!

    Nas aulas, os professores não se preocupavam em passar a matéria para mim. Então eu fazia a minha parte de correr atrás do estudos, tinha um monte de livros para ler. A palavra-chave do sucesso é ler muito livro e também ler antes do professor passar a matéria! Não queria depender dos outros para aprender. Como que eu lia muito e sabia muito, acabava ensinando as matérias para os colegas.

  17. Desculpe, não ouvi!» Post » Aulas adaptadas

    [...] Quem quiser saber mais sobre Bárbara, ela publicou-a no blog da Paula Pfeifer, Crônicas da Surdez: A História de Bárbara. [...]

  18. Marina Paz

    Oi,sou Marina Paz,tive o prazer de ser fonoaudióloga de Bárbara…Foram poucos os tempos que convivemos como profissional e paciente,pois me ausentei da clínica,mas suficientes para essa princesa ficar guardada dentro da minha vida e coração…Fazia muito tempo que não tinha notícias dela e hoje ao abrir meu facebook,vi um comentário dela que ao vê suas fotos,saber um pouco mais de sua vida (esta na faculdade,fazendo um belo curso) me alegrou de uma intensidade muito forte e sincera!!!Babi,estou muito feliz por vc,as nossas vidas,as vezes nos proporciona momentos difíceis,mas eles existem para sermos pessoas mais fortes,maduras e humanas!Vc é a prova disso,és um orgulho pra mim…um beijo caloroso e cheio de saudades!!!
    Marina Paz

  19. Jurgleyde Maia

    Me chamou a atenção, que temos três coisas em comum, a cidade onde nascemos, o sobrenome e a mesma deficiência. Tenho uma deficiência que não me atrapalha muito, pois é de grau moderado e tmb não sei a causa. Mas depois de sentir dificuldades em ouvir algumas pessoas falando, às vezes peço para que repitam o que falam, resolvi procurar um especialista e não deu outra.
    Adorei conhecer sua história!
    Sucesso pra vc!
    Abraço

  20. Lucas L. S. Maia

    Oi, sou primo da Bárbara, estudei com ela e sempre a admirei como pessoa e exemplo de vida. Não sabia de alguns detalhes da sua vida que aqui foram contados, mas isso só reforçou a admiração que tenho. Ela é uma pessoa muito forte e perseverante, por isso acredito que esses obstáculos (inaceitáveis em pleno século XXI) só farão com que ela alcance o que deseja e que possa ainda fazer algo para amenizar o preconceito e ajudar os que possuem a mesma deficiência.
    Parabéns ao blog e, principalmente, à Bárbara.
    Bjos

  21. Bárbara Maia

    Olá, Jurgleyde! Vamos nos conhecer mais? Tem facebook? O meu é esse: https://www.facebook.com/bnmaia

  22. roberto gobbo araujo

    Barbara, parabéns pela sua força e dignidade.Vencedora até agora e sempre.
    Muita saúde, alegrias e realizações.

    Sou primo da Silvana, mãe da Gabriela.

    Um beijo para toda sua família.

    Roberto. Curitiba (PR)

Leave a Reply