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Alonso Moreira: Aparelho auditivo aos 74 anos

Alonso Moreira, psiquiatra, 74 anos.

O post de hoje tem a participação de uma pessoa muito especial: meu sogro Alonso Moreira. Acompanhei-o durante todas as idas à fonoaudióloga quando ele decidiu partir para os aparelhos auditivos, e pedi este depoimento a ele pois foi a primeira vez que vi alguém da idade dele se adaptar tão bem e tão rápido a um par de AASI. Aproveitando que minha querida vó Tereca também começou a usar aparelhos, vai um recadinho já que sei que ela é minha leitora assídua: “Vó, tô de olho, tem que usar todos os dias!!” 🙂

“Tenho 74 anos. Há cinco ou seis comecei a ter uma perda auditiva pópria da idade. Ela foi se instalando progressivamente e de modo tão sutil que eu, a princípio, nem notei. Quando comecei a me dar conta dela eu sempre a negava ou atribuía a responsabilidade às outras pessoas ou às circunstâncias. Se me diziam: “Você não ouviu o celular?”, eu podia falar: “Não porque vocês estão fazendo muito barulho”. “Você não ouviu a campainha tocar?” eu retrucava: “Não porque a televisão está muito alta” etc. Mas eu notava que já não acompanhava com facilidade a conversa das pessoas, sobretudo quando estavam em grupos e, assim, me isolava das conversas.

Eu dizia para mim mesmo e para os outros, em tom de brincadeira, que assim eu deixava de ouvir muita besteira. Mas as pessoas próximas, sobretudo familiares, reclamavam que eu não as escutava e não entedia bem o que diziam. Às vezes perguntava pelo que elas haviam dito havia pouco; outras vezes repetia algum assunto que havia sido abordado e que eu não tinha conseguido acompanhar. E tudo isso porque eu “fingia” ter entendido. Quando as pessoas alegavam a minha deficiência eu sempre prometia que ia fazer uma audiometria e usar aparelhos auditivos.

Durante muito tempo, fui “enrolando”, até que uma neta muito querida me deu o cheque-mate. Ela acabara de ler que o déficit auditivo apressava a demência. “Vô, por favor, use aparelhos”. Mesmo assim, “enrolei” por mais algum tempo. Por fim, resolvi. Fiz nova audiometria na SONORA e parti para a Phonak de Copacabana. Foi fantástico. Desde o primeiro momento em que me colocaram aparelhos de prova, notei uma grande melhora. Não só passei a ouvir sons que já não ouvia como a compreender melhor a conversa das pessoas ao redor. Senti alguma diferença apenas nos primeiros momentos e logo me adaptei a elas e sequer as percebia mais.

Os aparelhos se adaptaram tão comodamente aos meus ouvidos que hoje em dia às vezes tenho que levar as mãos a eles para me certificar se os estou usando ou não. Por outro lado, são tão discretos que as pessoas que não sabem que os uso nem os notam e mesmo as pessoas mais próximas às vezes têm de perguntar: “Você está de aparelho?”. Enfim, hoje lamento não os ter usado antes. Não digo que todas as pessoas terão os mesmo resultados. Afinal, existem diferentes tipos e graus de deficiências auditivas e diversos modelos de aparelhos auditivos. A orientação de um médico otorrinolaringologista sem dúvidas ajudará muito. Vale a pena tentar!”

39 amaram.

Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010, e também escrevo o blog Sweetest Person desde 2007. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 34 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

3 Comentários

  • Bom dia Paula,
    Recentemente constatamos que meu sogro está com uma perda auditiva considerável. Não tenho certeza se é a porcentagem de perda ou do que ainda tem, mas é 65% em um ouvido e 50% no outro. Ele já sofre alguns anos com os sintomas do Mal de Alzeimer, que se agravaram a um ano após duas perdas na família. Tem 75 anos. Minha sogra orçou os aparelhos, que custariam 7 mil reais. Além de não termos esse valor, estamos em dúvida se ele vai se adaptar aos aparelhos. Afinal ele pode até esquecer o que é aquilo na orelha e jogar fora ou danificar. Minha sogra ganhou um aparelho que era de um amigo que faleceu. Mas eu fico receosa se usar apenas um não será pior e até mesmo se dará para ajustar pra ele. Não sabia esse fato que seu sogro citou, que problema auditivo pode agravar o problema dele… Muitas dúvidas! Desculpa o textão, mas se puder dar qualquer sugestão será bem vinda.

  • Foi muito válido o seu depoimento, pois tenho uma irma com amesma idades e o mesmo problema mandei ela le o seu depoimento agora ela vai se tratar, ja esta com otorrino marcado. obrigada pela ajuda.

  • Boa tarde me chamo Graziella e venho acompanhando a um tempo o Blog, fico vidrada em cada depoimento que leio aqui, meu filho esta na adaptação do aparelho, porem, esta sendo bem difícil por que ele ainda é um bebê tem apenas 1 ano e 11 meses, eu coloco ele tira, o pai coloca e ele arranca e assim vai a nossa luta…rsrsrsrs
    Tenho um pouco de preocupação por que o caso dele é Neuropatia Auditiva ele tem surdez de grau moderado a severo e ainda tem microfonismo coclear, eu gostaria tanto de entender como ele recebe as informações na cabecinha dele sabe, como ele ouve os sons, porque os médicos me falaram que ele ouve um pouco e o caso dele não seria de implante, mais meu medo é: E se ele não se adaptar ao aparelho? Porque pelas informações que leio e ate o que eles me repassam é uma corrida contra o tempo…
    Se alguém que passa ou já passou pela mesma situação que eu estou passando puder me ajudar ou dar mais informações eu fico imensamente agradecida, as duvidas são tantas ainda!

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