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Novidades no mercado de aparelhos auditivos em 2016

Fonte: Katherine Bouton  (tradução livre minha)

Prevejo coisas boas para as pessoas com deficiência auditiva em 2016, especialmente no campo da tecnologia, onde novos tipos de produtos para melhorar a audição estão surgindo. De fato, como o Washington Post publicou recentemente, a indústria de aparelhos auditivos está no meio de uma ‘profunda ruptura’ – dos AASI tradicionais para AASI mais baratos, aparelhos sem necessidade de prescrição médica – que tornará mais fácil e mais barato para as pessoas com surdez conseguirem ajuda

Mas primeiro quero falar de uma tendência surpreendente: o mercado de AASI nos Estados Unidos cresceu 9% em 2015, apesar das questões controversas sobre preços – um AASI custa em média U$2.300 – e da escassez de audiologistas. O aumento das vendas pode ter tido a ver com o AASI Halo da Starkey e com o LINX2 da Resound – ambos trabalham com  iPhones e smartphones, permitindo que os usuários regulem eles mesmos o som dos AASI em certos ambientes e deixem essa configuração salva.

Outra ótima notícia é a esperada chegada da gigante de tecnologia Samsung neste mercado – a marca entrou com o pedido de patente de um dispositivo chamado EARCLE. Seis grandes marcas dominam o mercado de AASI, e a entrada de um dos maiores fabricantes de eletrônicos do mundo certamente fará os preços caírem.

Mas a notícia quente mesmo tem a ver com os PSAP’s (Personal Sound Amplification Products). Esses dispositivos custam entre 300 e 500 dólares e amplificam o som diretamente no ouvido. Por serem vendidos como eletrônicos, não são regulados pelo FDA e não precisam de prescrição médica. Existem bons produtos, como  o Soundhawk Smart Listening System de 300 dólares, lançado em dezembro de 2014. O The Wall Street Journal o chamou de ‘ear wearable’, algo como ‘para vestir no ouvido‘.

Mais dispositivos como esse virão. Pensem no filme futurístico de Spike Jonze, HER, que mostrou um computador que falava direto ao ouvido. “O ouvido é o novo pulso”, escreveu o guru tech Nick Hunn, tomando para si o crédito por cunhar o termo ‘hearable’ (algo como ‘para usar ou vestir no ouvido’). Ele prevê que dispositivos para usar no pulso, como o Fitbit, estão com dias contador. Em breve tudo será usado no ouvido.

Steven Brown, ao escrever para a Wired.com, explicou porque esses ‘rastreadores de atividades’ migrarão para o ouvido e se tornarão dispositivos de audição bem como monitores fitness: “Os wearables não estão fazendo sucesso porque os consumidores não estão dispostos a mudar o seu comportamento para acomodar o produto“. Ele sugere que os consumidores já estão acostumados a usar algo no ouvido – fones de ouvido, aparelhos auditivos, dispositivos de bluetooth – então porque não combinar ouvir música com monitorar os exercícios? E um dia quem sabe até com um computador falante…

Mas nem todo dispositivo de audição é desenhado para o ouvido. O designer belga Bruno Vereecke criou uma lâmpada para ajudar pessoas com perda auditiva a escutar melhor numa mesa de jantar. A mulher e o filho dele têm deficiência auditiva, e ele queria algo que permitisse que os membros da sua família conversassem melhor uns com os outros. O resultado é uma lâmpada pendurável desenhada para absorver ruído, tornando mais fácil escutar a fala humana. As pessoas que testaram perceberam uma melhora de 15% nos sons que conseguiam ouvir. A lâmpada também pode ser customizada de acordo com cada perda auditiva.

Minha idéia favorita apareceu semana passada no Consumer Electronics Show em Las Vegas: o DiamondZ True Wireless Bluetooth headphone feito pela Monster Inc. Parece uma ametista de 40 quilates aninhada no ouvido. Ele não tem a intenção de corrigir a audição, é só um dispositivo de bluetooth. Mas fabricantes de aparelhos auditivos, atenção: nos dêem jóias para usar nos ouvidos e as vendas de vocês baterão recordes!!

37 amaram.

Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010, e também escrevo o blog Sweetest Person desde 2007. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 34 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

11 Comentários

  • Adorei conhecer esse blog…desde terça de madrugada minha vida mudou completamente….dormi bem e acordei com um zumbido horrível no ouvido direito…o diagnóstico é de surdez súbita…perdi muito da minha audição e espero poder usar o aparelho auditivo em breve….obrigada por tantos esclarecimentos…

  • Gostei muito do texto. Também preocupada como os demais acima. Mas, gostaria de pedir ajuda para vocês: com aparelhos auditivos não consigo usar telefone porque dar ruído, tão alto que é preferível tirar. Sem aparelho escuto mal e tenho medo de forçar ainda mais a minha audição. Assim as empresas não entendem minha situação e me consideram incapaz por não usar o telefone.Como solucionar isto?!? Alguém tem alguma sugestão?

  • Gosto da matéria, porém me preocupo com a questão da venda de amplificadores de som sem indicação médica e sem acompanhamento de um audiologista. Aliás, temos alguns amplificadores no mercado e alguns pacientes que adquiriram pela internet ou compraram fora (devido o baixo custo) e não obtiveram sucesso, pois bem sabemos né audiologistas, que a questão não é somente o volume.

  • Extremamente preocupante ,trabalho a vinte anos como audiologista e acho criminoso venderem amplificadores como se fossem aparelhos.Quem trabalha com audição sabe que até mesmo um aparelho ruim ou não regulado corretamente pode lesar ainda mais a audição dos pacientes.
    Sem falar na quantidade de pessoas muito jovens que perdem a audição cada vez mais cedo por uso de fones de ouvido.É fundamental para o sucesso da reabilitação auditiva o acompanhamento de um profissional especializado.

  • oii Paula, acompanho sempre suas reportagens e gosto muito! Tenho um filho que teve meningite aos # meses de vida.Devido essa meningite bacteriana a cóclea dele calcificou.Estive com ele em São Paulo qdo ele estava com quase 2 anos para saber do implante.Os médicos na época me informaram que devido a calcificação da cóclea não seria possível o implante.Porém a 3 meses um médico de Ribeirão Preto me informou que agora essa cirurgia é possível, pois eletrodo teve algumas mudanças e consegue perfurar a cóclea calcificada.Gostaria se possível se vc sabe algo sobre isso.

  • ola !!! como sempre amo suas reportagens,
    mais uma duvida que me preocupa é o fato desses dispositivos não terem prescrição medica e nem ajuste de audiologista podem vim piora a audição de quem já tem algum problema e o pior o fato de serem amplificadores de som e ser vendidos como eletrônicos poderá aumentar as perdas auditivas ou ate causar problemas auditivos?????

    • Não concordo a usarem nada sem prescrição médica ou fonoaudiológica, por mais avançada que seja a tecnologia. Existem profissionais qualificados que sempre lutaram e se dedicaram há anos pelo melhor na Audiologia.

    • Extremamente preocupante o uso desses dispositivos, o audiologista irá regular o aparelho de acordo com a perda auditiva, para não causar incomodo e principalmente não prejudicar ainda mais o sistema auditivo. O uso desses dispositivos podem causar até mesmo uma PAIR (perda auditiva induzida pelo ruído) que é a perda auditiva do trabalhador, por exemplo.

      Além disso muitas pessoas sem indicação para adaptação irão fazer uso de algo que não é adequado á ela deixando o diagnóstico de lado, de repente a pessoa esta com um tumor na orelha e acha que é apenas uma perda auditiva devido á idade, essa pessoa nunca terá o tratamento adequado.

      Hoje existe adaptação de aparelho auditivo, cirurgias pelo SUS, é demorado tem bastante burocracia mas ainda é a melhor opção para quem não pode comprar.

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