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Bebês começam aprender a falar ainda no útero, onde escutam sons

Fonte: G1

Aos 6 meses, bebês conseguem decifrar diferenças entre 150 sons que formam todos os idiomas. Adultos sabem identificar cerca de 45 sons.

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O mais interessante é a convicção dos bebês na hora de conversar desse jeito. Como se tivesse significado o que eles estão dizendo. A gente pode até não compreender nada. Mas a ciência descobriu que eles entendem muito mais do que a gente pensa.

Quantos segredos cabem dentro de um bebê? Domingo passado (18), a gente viu que eles podem ser pequenininhos. Mas têm 70 ossos a mais do que os adultos. E isso não inclui as patelas. No Raio-X, não tem nada, é só cartilagem.

Aprendemos também que eles começam a engatinhar dos jeitos mais malucos porque essa habilidade é uma das únicas que não dá para imitar dos pais. E na hora da papinha, os bebês acabam de conquistar o direito à bagunça total. A ciência garante que isso acelera o aprendizado. Mas não é a ciência que vai limpar a casa.

Agora vamos descobrir como esses anjinhos encantadores aprendem a falar. Nossa última jornada começa ainda dentro do útero, porque o bebê ouve o que falam do lado de fora. Logo depois do parto, ele já é capaz de identificar o idioma e até o sotaque da mãe. E depois do choro, essa supereficiente arma da linguagem, os pais ganham um presente: o primeiro sorriso.

Uma habilidade inata. Bebês que nascem cegos também sorriem. E acredite se quiser: quando eles começam a rir, podem gargalhar mais de 200 vezes por dia.

Perto de um ano e meio de idade, eles fazem a maior descoberta de suas vidas: eles mesmos. Começa com o reconhecimento do próprio reflexo. E de brinde, vem os ataques de birra. Isso porque os bebês realmente acreditam que o mundo gira em torno deles. Com o tempo, felizmente, eles descobrem que se relacionar com os outros pode ser bom.

Estudos mostram que a partir dos três meses, os pequenos já conseguem identificar diferentes tipos de personalidade. Querem recompensar aqueles que são prestativos. E mais tarde, vão punir os que se recusam a ajudar. Alguns já são capazes de consolar um coleguinha e até dividir a dor com os amigos.

Cientistas do Laboratório Birkbeck, em Londres, estão constatando que, mesmo antes de falar, os bebês já entendem mais do que muita gente imagina. Com uma tecnologia que rastreia o movimento dos olhos para observar as reações a rostos e emoções. E exames para estudar as ondas do cérebro de quem está aprendendo a falar.

Os pesquisadores estão cada vez mais espantados com as habilidades ocultas dos bebês. Nós adultos sabemos identificar cerca de 45 sons diferentes que formam o primeiro idioma.

Pois saiba que aos seis meses, os bebês já conseguem decifrar as sutis diferenças entre os 150 sons que formam todos os idiomas do mundo. Ou seja, eles nascem aptos a falar qualquer língua. E começam esse aprendizado não pelo som, mas pelo formato. O formato da nossa boca ao falar cada palavra é cuidadosamente imitado.

E olha que uma única palavra exige que 70 músculos diferentes trabalhem em uma sequência precisa. O treinamento começa com aquela linguagem secreta deles. Você já percebeu que os bebês brincam de conversar. Usam entonações diferentes em palavras sem nenhum sentido. Mas novos estudos garantem: esse bate-papo significa muito para formação da linguagem.

Ella e Finn são gêmeos que acabaram de completar dois anos mas já se comunicam há muito tempo. E não pela fala. A mãe e o pai deles nasceram com surdez profunda, então a primeira língua que aprenderam foi a dos sinais.

O pai conta que quando eles eram bem pequenininhos, não pareciam entender nada. Simplesmente não respondiam a nenhum sinal. Em poucos meses, veio a surpresa. As crianças passaram a usar sinais que o pai tinha ensinado muitas semanas antes. Eles lembravam de tudo.

Estudos recentes mostram que os bebês entendem o triplo das palavras que conseguem falar. Ella e Finn aprenderam como todas as crianças: primeiro observaram, depois copiaram, ensaiaram até que finalmente dominaram a língua dos sinais.

A mãe conta que o primeiro sinal da filha foi “mamãe”, quando ela tinha apenas cinco meses. Os sinais seguintes foram decifrados por tentativa e erro. Os gêmeos agora estão indo para escola e lá aprendem a língua falada.

Os pais dizem que o fato das crianças usarem tão cedo os sinais facilitou muito a vida dentro de casa. Para eles, foi a melhor das surpresas. Para nós, é a certeza de que devemos prestar muita atenção ao que dizemos quando um bebezinho está por perto.

27 amaram.

Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010, e também escrevo o blog Sweetest Person desde 2007. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 34 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

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