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Boost: o aparelho auditivo compatível com o Nucleus 6

Há bons meses atrás, a fonoaudióloga Luciana Coutinho me chamou para tomar um café em Copacabana. Chegando lá, ela começou a me falar sobre o Boost, lançamento da Beltone – comercializado no Brasil pela Audibel. Eu já tinha desistido dos AASI depois do excelente resultado que tive com o implante coclear. Só que o meu ouvido esquerdo ainda tinha resíduo auditivo nas frequências graves (80dB em 250Hz, 90dB em 500Hz, 90dB em 1000Hz) e eu deveria SIM estar usando aparelho auditivo. Acontece que, até então, jamais tinha conseguido uma programação bacana num AASI em conjunto com o IC. Foi aí que a Lu me convenceu: o Boost era compatível com o N6. Em outras palavras, eu poderia ouvir música sem fio ouvindo nos dois ouvidos ao mesmo tempo!! Fiquei enlouquecida com a possibilidade e aceitei o convite para testar um Boost em casa.

A grande maioria dos implantados adultos são bimodais: têm implante coclear em um ouvido e usam ou deveriam usar aparelho auditivo no outro. Mas, com o  passar do tempo, muitos desistem do aparelho auditivo no outro ouvido. Foi o que aconteceu comigo. Se existisse um AASI como o Boost na época em que mudei para o Nucleus 6, eu teria usado por muito mais tempo e, quem sabe, não teria nem sentido necessidade de fazer o segundo implante. Vocês não imaginam a minha alegria quando comecei a ouvir música com o Boost e o N6 ao mesmo tempo através do MiniMic. Meu corpo arrepiou inteirinho na primeira vez, sensação indescritível e maravilhosa. Meu ouvido esquerdo ainda estava ‘vivo’, só precisava ser estimulado. O Boost se mostrou tão potente que às vezes achava muito alto, pode? Rsrsrs! Usando os dois juntos, minha voz ficava mais poderosa e eu ouvia as vozes das pessoas de um jeito muito mais rico e detalhado – o AASI me dava graves, o IC me dava agudos, uma vez que eu peço para deixar os graves mais baixos no IC. Boost + N6 ao mesmo tempo me faziam entender que eu era capaz de ouvir ainda mais e melhor.

É claro que, como toda adaptação a um novo AASI, o início foi um pouco sofrido, já que meu ouvido esquerdo estava totalmente desacostumado a ouvir alguma coisa.  É tudo questão de tempo, uso, persistência e vontade de ficar bem. Encontrei a Luciana umas três vezes até chegar num molde e numa programação confortáveis. Demorei algumas semanas para gostar de passar o dia com ambos, e no início eu ficava com os dois apenas o tempo que aguentava. Depois de um tempinho o som já me fazia sentir bem e eu sentia falta de usar – e aprendi um truque maravilhoso, que é o de passar óleo Johnson’s no molde de silicone do AASI para que ele não machuque o ouvido.

Ele é indicado para perdas severas até profundas, e como faz parte da geração Made for iPhone, o usuário pode aumentar volume, graves, agudos; mudar de programas; checar o nível da pilha e, uma coisa muiiiiito legal, localizar o AASI perdido pela casa através do app com iPhone, iPad ou iPod Touch. Eu adorava brincar de ajustar meu AASI pelo app, e quando ia para a rua imediatamente diminuia o volume dele ou passava para o programa de ruído para amenizar.

Ótima pedida para quem usa N6 de um lado e do outro tem perda severa/profunda, especialmente nos casos em que o usuário está em idade escolar e ainda frequenta escola/faculdade – fiz uma semana de curso na ESPM usando Boost + N6 e fiquei tão feliz que já estava quase me matriculando numa pós-graduação, rsrsrsrs. Justo eu que odiava ir para as aulas na faculdade porque já não entendia uma palavra do que o professor dizia…

Pessoal, não desistam de usar AASI depois de fazer um IC, principalmente quem não tem intenção de fazer outro implante coclear. A bimodalidade é maravilhosa e nos traz muita qualidade de vida! É só questão de encontrar o aparelho auditivo perfeito, e no caso de usuários de Nucleus 6, indico o Beltone Boost de olhos fechados, porque usei e fui feliz com ele por vários meses antes da minha segunda cirurgia. Algumas características interessantes:

  • Recursos avançados de compressão de frequência e cancelamento de feedback;
  • Possui um revestimento chamado nanoblock que protege o AASI da umidade, tornando-o muito mais resistente;
  • O Audiolink (que é idêntico ao MiniMic só que com outro nome) custa apenas R$650, se você é usuário de N6, não tem MiniMic e não pretende fazer IC no outro ouvido (ou se é usuário de N6 bilateral), preço menor vai ser difícil de conseguir;
  • O acessório para ouvir TV e atender o celular direto nos AASI, nos N6 ou no Boost + N6 custa apenas R$700;
  • Made for iPhone, também se conecta com alguns modelos de Android – essa conexão permite fazer FaceTime, ouvir música, atender uma ligação – tudo direto no aparelho auditivo;
  • Beltone Boost alia design e tecnologia, tendo sido inclusive premiado nos Estados Unidos por causa do novo conceito e sua funcionalidade;
  • App Beltone Hear Plus, através do qual o paciente pode fazer ajustes variados como volume, mudança de programas, redução de ruído do ambiente e até localização dos aparelhos em caso de perda.

boost-beltone-cronicas

Façam o teste, experimentem a audição bimodal e divirtam-se! Ele é um dos aparelhos auditivos mais potentes do mercado e, para quem tem surdez severa/profunda bilateral, a indicação é ainda melhor.

36 amaram.

Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010, e também escrevo o blog Sweetest Person desde 2007. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 34 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

12 Comentários

  • Boa Tarde, sofri um acidente e fiquei com sequelas no ouvido esquerdo, perdi 4% da audição e fiquei um zumbido, estou adquirindo um aparelho auditivo Beltone, não consigo conectar meu aparelho celular, já tentei conectar pelo Bluetooth mais não encontra, o que pode ser ? Meu celular é um Galaxy A5, já tentei com um J5 tam é a mesma coisa. Obrigado!

  • Paula, eu tenho 25 anos e sou surda do ouvido esquerdo desde o meu 1 ano de idade, devido à uma meningite gravíssima que só me deixou essa sequela, graças a Deus.
    Moro em Vitória, no ES, e sempre escutei dos médicos que nada poderia fazer pois minha perda é neurossensorial, com o ouvido direito praticamente 100% (há uns anos atrás era isso, hoje na segunda audiometria já percebi que não). Eles dizem que não adianta o implante pois competiria muito com a audição saudável, mas eu sinto muita falta quando paro pra perceber a minha audição esquerda! É como se o mundo não fosse completo. Claro que me viro bem, mas não sei se poderia ser melhor. Eu passo de desligada muitas vezes, de fraca (porque involuntariamente falo muito baixo, acho que com medo de extrapolar..)
    Enfim, existe algum jeito pra que eu recupere a audição do ouvido esquerdo? Seria muito bom ouvir a sua experiência no meu caso!!
    Obrigada 🙂

    • Lara, recuperar a audição não existe, infelizmente. O implante nos faz ouvir, mas não dá a audição natural de volta.
      Acho que podes conversar com um especialista em surdez e pedir opinião, mas aqui no Brasil, pelo que sei, a indicação de IC para surdez unilateral ainda não é feita, embora no exterior, já.

      • Paula, e será que pra mim a solução BiCROS serviria? Porque meu caso parece bastante com o do relatado pelo Guto.. Mas entendi sobre a recuperação, na verdade eu queria saber se conseguiria recuperar o ouvir. 🙂

  • Belo post! Sou usuário da Phonak há 8 anos e hoje estou em fase de teste com aparelho da Audibel Beltone e posso dizer que nesses dois dias me surpreendi com essa nova tecnologia! Estou utilizando o Change RIE Premium com conectividade Bluetooth! Fiz o teste de ligação e dei muita risada, pois era uma coisa bem diferente.
    O aparelho é muito bom, com muitos recursos avançados e o legal que possui app para iphone que você possa controlar seu aparelho! Bacana demais!

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