Campanha: videoaulas legendadas para concurseiros surdos oralizados

* post da Lak Lobato lá no Desculpe Não Ouvi, reproduzido com a autorização da Lak

“A idéia é de uma amiga, Marcela, que também é surda oralizada.

Quem não tem  deficiência não sabe, mas deficiente vive ouvindo que deveria prestar concurso pelo fato de termos direito à cota. Basta a gente reclamar do emprego ou estar desempregado que falam isso “presta concurso”.

Aqui entre nós, nada contra concursos, mas acho meio chato ser a única opção além de trabalhar em ONGs, mas estamos aí. Tem gente que prefere mesmo ser funcionário público e, se é mais fácil pra gente entrar (por ter menos concorrência) por que não? Esses dias, estava conversando com Marcela a respeito, porque ela tem vontade de prestar concurso. O problema é que concursos, em geral, pedem muita matéria e fazer cursinho preparatório é a melhor saída.

Porém, aí mora um impasse: “Como acompanhar as aulas sendo surdo oralizado?”. Como eu nunca fiz cursinho, nem me arrisco a opinar a respeito, então aqui vai relato da Marcela a respeito da experiência dela:

 

“Eu me matriculei em um cursinho preparatório para concursos muito famoso aqui em São Paulo capital. Desde o começo, quando fui efetuar a matrícula, expliquei que era surda e que precisava fazer leitura labial, portanto, precisava que os professores estivessem de frente para mim quando dessem as aulas. Eles prontamente me falaram: “Claro, pode deixar, avisaremos os professores, eles vão falar olhando pra vc, o coordenador vai explicar o seu caso para cada um deles, não se preocupe etc etc.”

Isso foi na teoria, né? Antes de começar as aulas, eu pessoalmente ia falar com cada professor e explicava que eu era surda, que precisava de leitura labial, se ele poderia fazer a gentileza de falar olhando pra mim, enfim, explicava tudo. Agora, quantos daqueles professores já sabiam, de antemão, que eu era surda? Nenhum deles aparentou já estar sabendo de algo previamente. Ou seja, se eu não avisasse, ficaria por isso mesmo e fim. E a promessa da coordenação de avisar a todos os professores antecipadamente? Nada, né? Enfim… Mas voltando aos professores, todos eles, quando avisados da minha dificuldade, me respondiam: “Claro, pode deixar, vou prestar atenção a isso, fique tranquila…”

Só que, na prática, mesmo sabendo que eu era surda, na correria da aula, muitos deles falavam mais rápido do que eu poderia ou conseguiria acompanhar. Outros, pelo seu estilo de dar aulas, ficavam dando voltas pela sala… eu tinha que ficar girando meu pescoço pra lá e pra cá. Nessas horas seria bom ter um pescoço que girasse 360 graus! E quando o professor ia para os fundos da sala? O jeito era me resignar, a não ser que eu pegasse o professor pelo braço e falasse: “Por favor, fique aqui na minha frente, eu sou surda e preciso ler seus lábios.” Confesso que cheguei a fazer isso uma vez, e o professor ficou olhando para mim com uma cara de: “O quê?”. Morri de vergonha e nunca mais fiz isso.

Acho que muitos, por falta de informação, não compreendem que um surdo pode ser capaz de falar e se comunicar normalmente…

É muito difícil ser surdo oralizado. Há um preconceito velado, porque, ao mesmo tempo em que você, sendo surdo oralizado, tem mais autonomia que um surdo sinalizado, o pensamento geral dos ouvintes é o seguinte: “Você fala e se comunica, né? Você entende as pessoas por leitura labial, você é independente, se vira, então, por que você precisa de acessibilidade, se vocêentende tudo por meio da leitura labial?”

Acontece que as coisas não são bem assim… a leitura labial é falha, principalmente se um professor fala muito rápido ou tem o hábito de andar pela classe. Dificulta enormemente ter que se concentrar em ler os lábios de pessoa que não para de andar pela sala! E quando uma explicação crucial está sendo dada e o professor, bem na hora H, se vira em direção à lousa e fala virado par a lousa? Eu tenho vontade de gritar nessas horas!

Só que gritar só adianta se nós, surdos oralizados, pudermos ser ouvidos… por isso, fica aqui o meu apelo. A melhor forma de acessibilidade que consigo vislumbrar agora são as vídeo-aulas legendadas, já que, dessa forma, a liberdade do professor de dar aulas não seria tolhida e, ao mesmo tempo, o acesso à informação pelo surdo ficaria muito mais fácil…”

Aí começa aquela história: legenda é caro e difícil e blablablá. Não é bem assim. O problema é falta de interesse. É acharem que não existe demanda. Legendar não tem nada de caro.  Ainda mais se os vídeos estiverem disponíveis na internet.  Qualquer um pode baixar um programa de legendagem pela internet. Basta apenas um pouco de paciência pra copiar tudo que é dito e inserir no vídeo. No Youtube mesmo, é automático a inserção de legenda em vídeo (uma vez tendo o arquivo do texto transcrito). Só que precisa ser ouvinte pra fazer isso, senão eu mesma faria. Precisa ouvir toda a aula e copiar todo o texto pro arquivo de legenda. Não é apenas barato, como dá pra baixar esse programa de graça. É trabalhoso, porque exige tempo. Mas quantas coisas exigem tempo e assim mesmo são feitas porque pessoas precisam delas?

Então, pessoas, vamos lançar uma campanha para que haja videoaulas legendadas para concurseiros surdos oralizados? Tenho certeza que existe demanda SIM, afinal muitos de nós tem interesse de prestar concurso, não é mesmo?

Beijinhos,

Lak”

Nota minha: eu sou funcionária pública. Em 2001, fiz cursinho preparatório e nossa, que fiasco aquilo. Duvido que em 2011 as coisas tenham mudado, e concordo com a Lak de que precisamos iniciar essa campanha. Também concordo com a Marcela a respeito do preconceito velado que sofremos, pois as pessas nos olham, pensam e agem do seguinte modo: “Ah, não usa Língua de Sinais não? Então se vira! Dá um jeito!”. Qualquer solicitação de acessibilidade que fazemos (como esta, por exemplo) é vista com os maus olhos, tipo “Está querendo demais!”. Pensem em quantas crianças e quantos adolescentes que são surdos oralizados estão sofrendo quietinhos nas suas escolas e faculdades, pelo mesmo motivo. Acompanhar as aulas é tarefa complicada para nós. Se fôssemos surdos sinalizados, nos disponibilizariam um intérprete. Como somos oralizados, não nos disponibilizam nada. E aí, como fica? Acho que temos dever moral de ‘comprar essa briga’ em todas as esferas: colégios, faculdades, cursinhos.

Ah, e sobre as vagas reservadas para deficientes em concursos, se vocês notarem, geralmente é uma vaga apenas para cada cargo, ou seja, acabamos concorrendo com muuuito mais gente do que se disputássemos as vagas ‘normais’. Uma vez alguém comentou comigo que não concordava, pois um surdo oralizado, por exemplo, não tinha dificuldade nenhuma para estudar e acompanhar as aulas. Pode? Para estudar, certamente não temos, mas, para acompanhar as aulas, senta lá que a gente te conta uma looooonga história.

37 Comentários em “Campanha: videoaulas legendadas para concurseiros surdos oralizados”

  1. Julie

    Concordo com a proposta!

    Só quem passa na pele pelo “tormento” de assistir uma aula com um professor que fica andando pela sala ou então que parece um ventríloco (esses são os piores) sabe como a gente sofre.

    E se vc fala para as pessoas, é bem como a Marcela falou mesmo, um preconceito velado, “ué, mas vc fala, não usa sinais, que mais vc quer? se vira!”, eu passei por isso na minha época de escola, faculdade e um pouco no cursinho, e fico imaginando aqui que certamente tem muita criança e adolescente surdo por aí que deve sofrer calado.

    Já percebi que muitos adolescentes e crianças surdos são muuuito tímidos, e acabam sofrendo calados mesmo, ficando cada vez mais isolados dos outros.

    Nós que passamos por isso quando mais novos e que passamos ainda em algumas situações temos mais é que lutar para defender os nossos direitos. A idéia das video aulas é muito boa, e tenho certeza que tem sim, muita gente que vai procurar.

    Paula, sabe qual a minha vontade quando uma pessoa fala que eu não deveria ter dificuldades de acompanhar uma aula? não só contar tudo o que eu já passei, mas fazer a pessoa SENTIR como é, colocando um desses protetores auriculares na orelha do sujeito e deixar bem tampado, de forma que ele só escute pouca coisa e colocá-lo em uma sala de aula com um professor que anda e que quase não mexe a boca e com uma sala de aula com conversas paralelas (ambiente tenebroso para qualquer surdo, hehe), quero ver se a pessoa vai dizer que é fácil prestar atenção em uma aula.
    Puxa, escrevi muito, de novo, sorry!
    Beijos

  2. Rodrigo Nunes

    Pessoas

    Já fiz cursinho, mas foi pré-vestibular, o que não muda em nada o contexto do post. Enfim, sei o quanto é difícil acompanhar uma aula.

    No ano passado me formei em Gestão de TI, pela UNISUL, de Santa Catarina. Toda a faculdade foi realizada à distância (Educação à Distância), sendo as provas de avaliação realizadas presencialmente em todas as capitais do Brasil. E mais importante ainda: a UNISUL é reconhecida pelo MEC.

    Assim sendo, este modelo favorece a nós, surdos, oralizados ou não, pois só precisamos ler. E ler MUITO! Não existe a interação presencial (pessoal, corpo-a-corpo, chame como quiser…) com professores ou colegas. Isto é feito por e-mail, MSN e chats agendados. O material é disponibilizado para download na página da turma.

    E existem vídeos complementares ao material de leitura…. Pôneis malditos! Pôneis malditos! Naturalmente, entrei em contato com a universidade e expliquei que eu era surdo. Com uma incrível atenção e disposição, me colocaram em contato com a Vanesa Montagna, da Equipe de Desenho e Desenvolvimento de Materiais Didáticos.

    Hoje faço pós-graduação em Gerência de Projetos e todos – TODOS – os vídeos disponibilizados pelos professores passam pelo setor da Vanesa para inserção de legendas.

    Não me vejo mais em uma sala de aula, de corpo presente.

    Minha mensagem:
    Para todo problema, há uma solução. Há sim, meios (pessoas, tecnologia, processos) para resolver estes problemas que enfrentamos. Eu, particularmente, não aceito mais nenhum tipo de desculpa.

    1. Raul

      Rodrigo, por acaso sabes qual foi a solução que a UNISUL encontrou para colocar as legendas nos vídeos? Tens como me passar o contato da Vanessa?

      O site “Eu vou passar” tem interesse em legendar as vídeo aulas mas não sabe como resolver este impasse.

      Obrigado

      1. Rodrigo Nunes

        Raul

        Infelizmente não faço a menor idéia sobre quais ferramentas eles usam pra legendar os vídeos.

        Contato:
        Vanesa Montagna
        vanesa.montagna@unisul.br

        Abraços,
        Rodrigo

        1. Raul

          Valeu! Obrigado mesmo.

          Já mandei um e-mail pra ela.

          Abraços

          1. Carol Soria

            Raul, depois conte pra nós o q a Vanessa respondeu!

            Se puder, encaminhe pra o meu e-mail : carolsoria@hotmail.com

            Também tenho interesse!

            Obrigada!

  3. Lak Lobato

    Pior são as argumentações que o povo dá pra dizer que é impossivel legendar videoaulas: é caro, é trabalhoso…. Engraçado, porque seriados online tem legenda disponível pra baixar poucas horas após a exibição nos EUA. Legendas gratuitas e sintonizadas…
    A questão é que existe gente interessada em fazer esse trabalho, o que não é o caso das videoaulas de cursinho preparatório.
    Mas isso pode mudar, se houver engajamento da nossa parte de mostrar que existimos, que precisamos das aulas legendadas e que somos um número grande.
    Beijão e obrigada por compartilhar o texto.

    1. Claudia

      Lak, a questão não é tão simples, infelizmente.

      A legendagem de seriados que ocorre de forma tão rápida é feita assim: o episódio é lançado, com closed caption. Daí um grupo nos Estados Unidos “traduz” a legendagem de closed caption pra legendagem normal.

      Ou seja, retiram as frases “dog barking”, “wind blowing”, etc…

      Quando essa legendagem fica pronta, o pessoal dos outros países, incluindo o Brasil, pega a legenda e traduz pro português.

      É um trabalhão, mas não se compara com o trabalho de legendagem de uma aula, por exemplo.

      Nesse caso, é necessário fazer o transcript de toda a aula, ouvindo cada palavra e transcrevendo. Depois é preciso encaixar a legenda nos frames do filme.

      A pessoa fala uma frase imensa rapidinho e não dá pra colocar toda a legenda lá. Isso tem que ser sincronizado, resumido, se for o caso, e normalmente é.

      Em um filme ou seriado, cada frase já é estudada pra caber em um frame, sem espaços desnecessários.

      Em uma aula existem pausas, frases longas demais, palavras repetidas, etc… É o que acontece em um discurso improvisado. E isso fica impraticável no espaço de uma legenda.

      Daí é preciso contratar uma empresa pra fazer isso, o que demanda tempo e dinheiro.

      O problema é que os cursinhos não querem gastar nem tempo nem dinheiro. Eles são fábricas de fazer dinheiro, não de gastar.

  4. Greize

    Não tem dificuldade de acompanhar as aulas?!!
    Como diria a xuxa: “Aham Cláudia? senta lá”

    Fiz cursinho preparatório ano passado , estou com torcicolo até hoje. Um professor que rodava a sala igual ao sonic e falava mais rápido que bêbado.Os outros eram ótimos mas esqueciam..

    Desisti das aulas , fui estudar sozinha,mas vc perde mto, pq tem dicas que eles dão que não tem na apostila.Enfim, eu até passei em um concurso, 4º lugar, pena que só tinha uma vaga.Agora quero retornar, mas com cursinho não dá não, todo é corrido pq tem um cronograma a seguir, me resta fazer aulas particulares de algumas matérias.

    Se tivessem vídeos com Legendas, seria a ótimo.
    Se alguém souber me indica, please.
    Bjão

  5. Maria

    Foi por este motivo que não prestei o cursinho de vestibular, o que fiz foi contratar professores particulares das matérias de maior peso. O curso do 3o ano do Ensino Médio foi um fiasco, caía muita coisa na prova relacionada a o vestibular da Federal e não tinha explicações nos livros. Não sabia como responder as perguntas porque não conseguia acompanhar o que os professores falavam. Eles davam as matérias além do livro, eu busquei que nem louca nas bibliotecas, foi em vão…

    Tenho alguns amigos que legendam os videos-reportagem que gravam! Colocam as legendas em inglês e em português no youtube! Eles são uns amores!

  6. D.Damas

    Bom eu fiz um cursinho uma vez para vestibular e concurso , mas so fiz um para lembrar o que estudamos no passado , para tentar relembrar mesmo , mas tem aquelas materias que somos tremendamente ruins, um amigo surdo certa vez me perguntou assim , bom é meio dificil para nós acompanhar tudo , para nós a melhor solução é um professor particular , mas ai veio um Haaaa é caro e etc .
    Bom a idéia é boa , mas vendo por um lado que vc é ruim exemplo , olhar o edital e ver quais vão ser o conteúdo , portugues é a mae de todos os concursos sempre vai ter e sempre tem o peso maior , e o resto é muito variado , conhecimento especificos , ora matematica ora é direito civil , etc .
    Se o cidadão é ruim de portugues pague um particular , e assim por diante , investe onde é ruim , quando aprender é so manter o conhecimento , como disse concursos é sempre assim tem materias que é so leitura e nao tem segredos , mas português tem que saber quase sempre o peso é 3 ou 2 , peso muito alto , é claro que se for um concurso específico o peso será diferente. è muito importante ler o edital com atenção e montar uma estratégia de estudo voltado ao peso das provas e dificuldade do candidato.
    Portanto a idéia de um professor particular na materia de maior dificuldade é válida.
    Foi o que a Maria disse ai em cima , é uma otima solução .

    Eu sou concursado tambem , eu costumo dizer aos amigos , primeiro olhem direito o que diz o Edital do certame para ver como será , é um mito que fazer concursos como deficientes é mais fácil , eu nao concordo , vejamos porque , exemplo , se tiver 55 vagas , para o governo federal , a reserva é de 5% das vagas , para o pessoal do governo do distrito federal é de 20% , não tenho conhecimento das outras unidades da federação.
    Então ficaria assim 55 x 5% daria algo de 2,75 arredondando para 3 vagas , e para o GDF ficaria assim 55 x 20%= 11 vagas , bom porque eu acho que é mais dificil passar como deficiente, o povo pensa que´ é mais fácil , segue um exemplo , tal concurso com 80 mil candidatos, vamos dividir governo federal tem 80 mil candidatos por 52 vagas seria mais ou menos 1538 candidatos por vaga aff maria , e por outro lado vamos supor 12 mil deficientes por 3 vagas bom seria 4000 candidatos por vaga, alguns cargos é melhor fazer como “normal” do que como “deficiente’, na maioria dos casos aqui tem qeu ser como deficiente mesmo :( .
    Mas é isso ai uma hora consegue passar e ai é so alegria .abcs.

    1. Marcela

      D. Damas, me desculpe, mas eu discordo de vc, dificilmente o número de deficientes vai ser 12 mil pra 3 vagas… Acho que o número de deficientes é bem mais baixo, mas, de qualquer forma, entendi seu raciocínio.

  7. Kariny Miranda

    Olá, Paula!
    Sou assinante da Revista Sentidos e fiquei sabendo do seu site pela edição atual, confesso que estou adorando acompanhar o seu dia a dia, pois também sou deficiente auditiva -surda oralizada com perda neurossensorial moderada à severa.

    Quanto a este post, seria perfeito se tivessemos aulas legendadas!
    Sei bem como é isso… também já estive em cursinho no ínicio do semestre.
    A verdade é que sempre sentava bem em frente dos professores e quando algum professor dava aula com a voz baixa, eu me retirava da sala de aula e ia pra biblioteca estudar com o material. Minha vida academica sempre foi assim…
    O pior que aqui em Manaus, PCD’s… deficiente auditivo então… são tachados de pessoas com frescuras, infelizmente meu povo não é nda educada e gentil. Mas ainda assim sobrevivo até hoje.

    Abraços!

  8. Marcela

    Uau, a campanha veio parar até aqui? rsrsrs.
    Bom, pra quem não me conhece, sou a Marcela da história contada no post, lancei primeiramente a campanha das legendas nas vídeo-aulas pelo Orkut, depois a Lak divulgou no blog dela e por aí vai… Estou muito feliz de ver que a campanha está rendendo frutos! Paula, obrigada por divulgar. Leio sempre seu blog e adoro, só que nunca comentei antes.
    Realmente, nós, surdos oralizados, sofremos muito. Eu estava comentando com meu pai outro dia, nós surdos oralizados, sofremos muito mais que os sinalizados. Se eu fosse surda sinalizada, mal falasse e só fizesse Libras, viria um moooonte de gente dizendo: “Oh, coitadinha, vamos ajudá-la, ela nem sabe falar, é surda, coitada!”
    Mas só porque falo bem, faço leitura labial, enfim, me viro (e a gente sabe a que custo, né), as pessoas me olham e me veem 100% normal, sem precisar de ajuda nenhuma… E quando temos a cara e a coragem de expor que precisamos de ajuda, sim, as pessoas nos olham como se estivéssemos cometendo um sacrilégio! “O que, vc é tão independente, lê lábios, fala bem, precisa de ajuda pra quê? Tá me tirando, né?”
    Ou seja, acabamos tendo que nos esforçar muito mais do que os surdos sinalizados para mostrar que precisamos de ajuda, sim… precisamos, SIM! Somos oralizados, mas somos surdos! É difícil de entender, na cabeça das pessoas parece um contrassenso ser surdo, ler lábios e falar… Mas aos poucos, vamos quebrando esse preconceito.
    Rodrigo, adorei a experiência que vc contou. Vou entrar em contato com a Vanessa para saber como pode ser feita essa inserção nas legendas.
    E avante… divulguem o quanto puderem essa campanha! Não só pelas legendas, mas pelo respeito a nós, surdos oralizados.
    Obrigada, Paula!
    Ah, antes que eu me esqueça… eu acho que li por aí onde vc mora, mas não me recordo… de onde vc é?
    Beijos!

    1. Rodrigo Nunes

      Dica: a Paula mora no MELHOR estado do mundo!

      1. Marcela

        Rodrigo, por gentileza, vc poderia me escrever?
        Queria trocar umas ideias sobre sua experiência com as legendas!
        Meu e-mail é marcelajahjah@yahoo.com.br

        Abraços!

        1. Rodrigo Nunes

          Mandei um mail pra ti.

          Quem quiser se comunicar, aí vai:
          E-mail e MSN: rodrigo.nunes@live.com
          Twitter: @RodrigoTheNunes

          1. Marcela

            Rodrigo, não recebi seu e-mail, mas te adicionei ao meu msn… falamos por lá!
            Aproveitando, quem quiser meu msn: nicbeavergen@hotmail.com

            Abraços!

  9. Marcela

    Melhor estado do mundo? Hum, então é o estado de SP, onde eu moro…. hahahahaha =P

  10. Gui Chazan

    Qualquer coisa com legenda é bem-vinda! Eu inclusive tava pensando em patentear uma máquina para uso universal que legendasse todo mundo como se fôssemos avatares em bate-papo. Só falta saber fazer uma geringonça dessas.

    Ideias a parte, essa história me lembra uma que ouvi sobre uma pessoa cega na idade escolar. Essa pessoa ia pras aulas, escutava o professor e digitava em um equipamento especial pra cegos. Cada teclada fazia um barulho enorme e incomodava o resto da sala, mas a pessoa acompanhava direito a aula.
    No fim do colégio, o grupo decidiu que faria uma viagem de formatura, para uma trilha em montanhas. A cega quis porque quis ir junto, mas o pessoal já estava de saco cheio de ser incomodado pelo teclado em sala de aula por anos. “De que adianta ela ir na viagem, se não vai aproveitar?”, uns perguntaram. Outros devem ter sido solidários. O fato é que esse era um direito dela e ela foi até o fim. Não lembro o final da história hehe, posso tentar averiguar.

    O que isso tem a ver com o post? Todos têm o direito de acompanhar as aulas como for possível. Se é preciso que o professor fique sentadinho lá na frente ou pelo menos não vá até o fundo da sala, chama a atenção dele quantas vezes for necessário, junta um grupo de amigos se houver intimidade com os colegas e faz uma barreira. Cada vez que o professor for passar da barreira, vocês chamem a atenção dele, inventem algo.

    Garanto que tem ouvintes que também se beneficiarão da mudança, já ouvi muitas pessoas falando que é muito mais fácil entender pegando a informação (a fala) de frente, eles também devem estar perdendo informações, não vai ser incômodo algum pro grupo.

    Quanto ao professor falar muito rápido, isso é mais difícil de resolver, porque todos estão cada vez mais apressados. Possibilidades: chamamos a atenção dele até cansarmos ou ele aprender ou pedimos o material de um colega que está anotando tudo para dar uma olhada depois.

    Sei que vocês são concorrentes prestando o mesmo cursinho, mas mesmo assim tem pessoas que se solidarizam com isso, independente de onde for.

    Também podes tentar desenvolver alguma técnica de escrever sem olhar num laptop na aula, aí podes ler os lábios enquanto escreves. Tem alternativas, temos que nos virar como pudermos. Boa sorte!

  11. Carol Soria

    Essa foi boa rodrigo! hehe!
    Mas é verdade galera! Não somos menos surdos porque sabemos falar, ler lábios.. Não mesmo.

    Realmente tem muitas dicas que os professores falam, mas não estão presentes nos quadros, e a gente não pega..

    Eu faço faculdade de Direito e tenho um esquema.. Durante a semana assisto as aulas, sentada na frente, e fazendo leitura labial de boa.. Na sexta-feira, eu pego o caderno de uma amiga e tiro xerox das anotações dela da semana inteira, e no final de semana copio tudo. E caramba, ai eu entendo muita coisa. Essa menina, ela é o oposto de mim. Eu olho pro professor, não faço muitas anotações porque não consigo fazer duas coisas ao mesmo tempo, ou eu olho pro professor ou eu escrevo.. A minha técnica de escrever sem olhar pro caderno não dura muito tempo… Já a minha amiga, ela não olha pro professor em nenhum momento, só olha pro caderno e copia TUDO o que é falado. Até assusto! Haha

    É uma boa alternativa também.

    1. Julie

      Eu tinha uma colega de escola que fazia isso, ela até virava o rosto para a parede para escrever. Eu ficava besta.
      O bom é que a gente sempre trocava os materiais, pq eu prestava atenção o que o professor falava, mas não escrevia, então quando a gente ia estudar, trocávamos o que tinhamos entendido.

  12. Carol Soria

    Obs. Só tem uma desvantagem. Além do gasto “normal” que a galera tem com as xerox, eu gasto um pouco a mais, por conta dessas xerox extras. Vida de universitário sempre tem essas reclamações de xerox. Haha.

  13. liliane

    quero simplesmente falar que eu sou fã da paula por ela lutar por nosso direitos de ser independente ,porque não rola de pedir a outras pessoas de resolver problemas de banco , já perdi as contas das vezes que eu tive que pedir para a atendente falar mais alto porque uso aparelho auditivo e ela simplesmente desligar na minha cara ,ai que estresse como diz :pavio longo ,paciensia kkkkkk

  14. Ge Santos

    Realmente a falta de legenda é um problema.

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