*depoimento de um leitor
“Oi Paula, tudo bom? Queria contribuir com minha experiência faz tempo, mas faltavam detalhes… espero que possa ajudar!
Tenho surdez bilateral profunda devido à Doença de Ménière. Fui perdendo a audição progressivamente, passando de moderada a severa e finalmente a profunda. Com 8 anos, já não escutava nada e usava 2 AASI retroauriculares.
Eu era um dos melhores alunos no colégio devido ao meu foco nas aulas. Sentava bem na frente e os professores eram sempre alertados no início do período letivo a falar de frente pra mim. Eu não me distraía pois não participava de conversas alheias, era mais fácil ler o lábio dos professores e (quase) sempre me interessava pelo conteúdo dado nas aulas.
Até que chegou a um ponto que o pai de um amigo, também surdo e dois anos mais velho que eu, disse: “Meu filho teve muita dificuldade de acompanhar o 3º ano, especialmente as aulas de Física. Mesmo que o professor tivesse sido alertado a falar olhando pra frente, ele também falava de costas e pela complexidade da matéria (Física Quântica), qualquer informação perdida poderia ser valiosa.”
Chegava a mim nessa época (2001) a informação de um “ouvido biônico“, o IC. Disseram que eu poderia ouvir muito melhor com ele, mas assim como acontece com qualquer mudança, a princípio relutei em aceitar fazer a cirurgia. Acreditava que assim perderia minha individualidade, que “seria igual aos outros”.
Esse pensamento infantil não durou muito tempo. Percebi que eu poderia usufruir do IC e facilitar minha vida. Afinal, o professor de Física seria o primeiro desafio a ser compreendido. Quantos outros desafios surgiriam ao longo do tempo?
Fiz a cirurgia de IC no final do 1º ano do Ensino Médio, com 15 anos. Sofri um pouco no começo, pois ouvir pela 1ª vez dói – o nervo auditivo estava em frangalhos, precisava ser estimulado no começo. Ouvir um sussuro logo de cara foi como tentar suportar 1 tonelada… caí no choro.
Hoje em dia (23 anos, 7 de implantado), consigo ouvir tudo que se passa ao redor, entendo algumas pessoas sem precisar de leitura labial, entendo inclusive bigodudos e usuários de aparelho dentário pelo som, minha voz se tornou mais clara*, os benefícios foram inúmeros. Graças ao IC, desenvolvi maior autonomia e fluência em línguas estrangeiras, até arrisquei viagens sozinho ao exterior.
*sigo o lema “você fala o que ouve“. Ouvindo melhor, pude falar melhor também
Optar pelo IC, auxiliado por um AASI no outro ouvido, foi a opção mais acertada que já tomei.”
Eu não sou uma grande conhecedora do assunto Implante Coclear. Mas muitas pessoas com as quais converso que já fizeram a cirurgia usam aparelho auditivo junto com o IC. Acho importante deixar claro aqui no blog que temos opções. Nem os aparelhos auditivos nem o implante conseguem ajudar a todas as pessoas, mas eles são as duas opções disponíveis, hoje, para que possamos ouvir. Cada caso é um caso. E só quem pode nos orientar é um otorrinolaringologista e um fonoaudiólogo de confiança.


Sim Paula vc foi mto pertinente no final.Nem tdos, infelizmente,mas que tem opções tem.Qto ao leitor, sucesso. Tenho uma prima implantada, hoje com 9 anos.No ínicio também teve problemas, o que a mãe dela fala é, que é fundamental um apoio psicológico, tanto para o implantado qto para a família.No processo, antes durante e depois.
Hj ela esta bem feliz , com IC.Abraços
Acho que os transplantados não acetam o natural, preferem a auto mutilação. Pq IC é uma agresão fisica, só para fingirem ser pessoas normais.
Louvo os Surdos que usam LIBRAS esses sim aceitam sua identidade e lutam pela diversidade. Nao querem parecer o que nao sao.
Desculpe se ofendi, mas é o que penso.
Liliane,
Não é transplante. É IMPLANTE coclear.
As pessoas que fazem o implante ou que gostariam de fazer se pudessem (eu incluída, mas no meu caso, não posso fazer) não estão interessadas em ‘aceitar identidade’. Estão interessadas em ouvir e ter qualidade de vida, conseguir se comunicar com qualquer pessoa em qualquer língua em vez de apenas de comunicar com um grupo restrito de pessoas apenas em LIBRAS.
Cada um, cada um.
O que é melhor para ti, pode não ser o melhor para mim, e vice-versa. Mas menosprezar ou ridicularizar as escolhas alheias, isso é triste – e desnecessário.
E penso que um implante coclear não tem absolutamente nada a ver com ‘auto-mutilação’. Se você fosse cego e pudesse usar a tecnologia a seu favor para voltar a enxergar, deixaria de fazer isso em função da ‘identidade’?
Enfim, desculpe se ofendi, mas é o que eu penso também.
Um abraço.
Bem legal o depoimento. O implante varia muito de uma pessoa para outra. Particularmente, não senti dor nenhuma no nervo, mas a parte em que o imã fica grudada à cabeça, ficou dolorida uns dias hehehe
Eu acho maravilhoso o som do implante, pra mim, a pureza e clareza que ele é capaz de reproduzir me faz louvar a tecnologia. Que maravilha poder ouvir de novo, estar conectada ao universo sonoro, curtir cada sonzinho natural ou produzido. Amo o implante coclear com todas as minhas forças!!
Muito bacana da sua parte publicar esses relatos, Paula.
Beijinho sonoro
Lak,
Parabéns pelo primeiro ano com o implante!!!
Que muitos outros anos felizes e sonoros venham aí!
Beijos!!
A leitora liliane, vc não ofendeu, só expressou sua opinião.É seu direito.Tdos tem direito.Se o surdo quer usar a LIBRAS, tdos devem respeitar, aparelhos tb, se veio essa nova tecnologia o IC, tb devem ser respeitados.Tdos continuam surdos, mesmo os Implantados, qdo desliga , a pessoa continua surda , ela só ouve mto melhor os sons com ele.Não finge nada, usufrui…
Vejo que tem muita polêmica e falta de informação.Qdo se teve no Brasil o 1o transplante de coração tb foi polêmica horrores.Eu creio que Deus criou tdo, deu sabedoria aos médicos tb, o caso de querer ou não fazer deve ser escolha de cada surdo não?!!O IC é coisa nova, tem 10 anos acho, e daki 10 anos??Tem riscos? sim. Tdos podem? Não.Mas a escolha deve ser respeitada sempre!!
E também que se divulgue mais informações aos surdos em tudo!
Tudo isso é para melhorar a vida dos DA, libras, aparelhos, leitura labial, agora IC, tdo só acrescenta!!
Abração
Bom, tenho um irmão surdo, 6 anos, implantado quando tinha apenas 1. Ele frequenta a fono desde os 8 meses de vida. O que vejo e me irrita é essa história de que o IC é ‘antinatural’. Concordo com a Paula, o IC é qualidade de vida, amplia as possibilidades do surdo para além das LIBRAS. E se é possível ouvir, porque não fazê-lo? Mas, como opinião cada um tem a sua, só o que podemos fazer é respeitar o outro e ponto.
Só uma correção, o implante coclear chegou ao Brasil em 1977. Lá fora, se não me engano, era estudado desde os anos 1950 ou 1960. Então, não é uma coisa nova.
Acabei de me formar em Jornalismo e durante a faculdade escrevi algumas matérias sobre IC. A mais recente foi publicada no blog de Jornalismo Científico do meu curso, aqui: http://jcientifico.wordpress.com/2010/06/30/audicao-tech-2/.
Muito bom o blog(o Sweetest Person também)!
Vou voltar sempre.
Abraço,
Sara.
seja bem-vinda aqui sarita!!!
bom dia, minha filha de 11 anos irá fazer o implante agora em feveriro so que ela diz que não é surda, embora os exames e avaliação final concluem que sim. acredito que por ela só te ouvido alguma coisa por meio de protese auditiva a faz crer que isso é ouvir. eu acrdito que sua vida irá melhorar muito, quero uma opinião estou errada em obriga-la fazer o implante ou devo deixar assim, será que mais tarde ela não ira se arrepender de fazer o cirurgia
por favor quero um conselho das pessoas que ja forAM IMPLANTADAS