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Diagnóstico de surdez em bebês e crianças

Foto: Shutterstock

Encomendei este post à Norma Fidalgo, fonoaudióloga maravilhosa do Rio de Janeiro que é muito conhecida entre os otorrinos e pacientes pela sua especialidade em BERA e no diagnóstico das perdas auditivas em bebês e crianças.            

Bebês e crianças e a perda auditiva

“Ao longo de minha vida profissional como fonoaudióloga e audiologista muitas vezes me deparei com a difícil tarefa de fechar o DIAGNÓSTICO DAS PERDAS AUDITIVAS em neonatos e crianças. A dificuldade dos Testes Subjetivos como audiometria comportamental em crianças de pouca idade ou as que por diversas razões não conseguem cumprir as etapas do exame com clareza e confiança, deixam muitas delas sem o diagnóstico preciso e pais extremamente aflitos.

Será que meu filho ouve bem? Ele não está falando por que não escuta? Está sempre desatento e é preciso chamar várias vezes para atender! – são muitos os questionamentos, e acaba-se por levar muito tempo para uma conclusão que é extremamente importante para o desenvolvimento de seu filho.

A importância da audição para o desenvolvimento geral da criança já é muito divulgada, mas é o desenvolvimento da fala e da linguagem que mais preocupa. Sabemos que audição sem alteração no primeiro ano de vida é fundamental, uma perda leve pode acarretar grandes problemas no futuro.

Triagem Auditiva Neonatal

A Triagem Auditiva Neonatal nos possibilitou selecionar quais bebês precisarão ser encaminhados para o diagnóstico audiológico precoce. Vocês podem estar pensando, o “Teste da Orelhinha já é diagnóstico!“. Mas não é.

O Teste da Orelhinha É um exame para selecionar quais são os bebês que deverão ser encaminhados para a avaliação diagnóstica da audição. No Brasil o teste para triagem auditiva mais utilizado é a pesquisa das Emissões Otoacústicas (EOA) devido ao seu baixo custo, simples execução e bom desempenho, mas para algumas crianças ele não deve ser a primeira escolha.

Na presença de indicadores de risco para perda auditiva, o Potencial Auditivo de Tronco Encefálico Automático – PEATE (A) deve ser a primeira opção de avaliação, devido à possibilidade de perdas auditivas que passam nas triagens com uso das EOA. Então elas não são confiáveis? São muito confiáveis, mas para crianças com baixo risco para perda auditiva.

As recomendações internacionais e nacionais (Diretrizes de Atenção da Triagem Auditiva Neonatal – 2012) orientam que os bebês de baixo risco que falharam no Teste das EOA deverão fazer o reteste em até 30 dias e caso ocorra nova falha deverá ser realizado o PEATE (A). Continuando a falha será encaminhada para diagnóstico.

Apesar do consenso internacional, ainda encontramos muitas crianças que, por falhar no Teste da Orelhinha, continuam a serem testadas através das EOA por todo o primeiro ano de vida ou as crianças de alto risco que só foram testadas com as EOA e não desenvolvem fala e linguagem dentro do esperado – aí surge a dúvida de alguma alteração de audição. Não esquecendo que a perda de audição pode surgir em qualquer idade. A criança de alto risco para perda auditiva deve ser acompanhada por mais tempo.

A avaliação audiológica

A avaliação audiológica não é a realização de um único exame. Ela compreende uma bateria de testes que quando cruzamos seus resultados chegamos a uma conclusão. Para os neonatos e lactentes a EOA, Timpanometria Específica, Avaliação Comportamental, PEATE Automático, PEATE Clicks, PEATE Frequência Específica, PEATE Via Óssea e Potencial Auditivo de Estado Estável são alguns utilizados. Nem sempre são necessários todos, mas com um exame isolado não fechamos o diagnóstico.

O encaminhamento para o diagnóstico é importante para a eliminação ou não da possibilidade de perda auditiva; o diagnóstico e a intervenção precoces são o objetivo maior. Quanto mais cedo as decisões e providências forem tomadas melhor para a criança mesmo nos casos de perda auditiva temporária (condutivas), melhor.

Passada a fase da Triagem Auditiva Neonatal, a necessidade da realização do PEATE (BERA) muitas vezes causa uma grande apreensão nos pais. A solicitação desse exame ocorre para auxiliar no diagnóstico das perdas auditivas uni ou bilaterais de qualquer tipo, grau e configuração, para detectar neuropatias auditivas e alterações retrococleares, dentre outros. Ele fará parte de uma bateria de testes, principalmente quando não for possível a conclusão através das avaliações subjetivas.

É necessário que a criança esteja dormindo para a realização do mesmo, movimentos musculares interferem nos traçados dificultando a sua realização. Com o avanço da tecnologia, equipamentos que conseguem diminuir essas interferências já estão no mercado, mas o ideal é que seja feito sob sono natural ou sedação. Quanto maior a criança maior a dificuldade para realização.

Para realizar o exame é necessário a colocação de eletrodos e fios na testa e lóbulos das orelhas, o que pode assustar a criança, mas é indolor e não invasivo. Após a colocação e avaliação dos eletrodos, os estímulos (sons) são emitidos e registramos os potenciais que deverão ser analisados.

É possível a realização no consultório sem sedação desde que algumas orientações sejam seguidas. Essas devem ser discutidas e acordadas com os pais.

A realização do PEATE em domicílio já é possível para as crianças que tem dificuldades de dormir durante o dia.

Quando o sono natural não é possível a sedação é recomendada, e orientada que seja realizada por profissional capacitado de preferência em ambiente hospitalar. Começados os procedimentos, o tempo médio de duração é uma hora.

O PEATE é fundamental em inúmeros casos

A falta do diagnóstico pode levar a prejuízos incalculáveis e terapias equivocadas. Sua realização e a combinação dos resultados traz a segurança de um diagnóstico mais preciso. Mas a combinação dos resultados é que nos dá mais precisão.

32 amaram.

Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010, e também escrevo o blog Sweetest Person desde 2007. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 34 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

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