Passeando pelo YouTube, assisti a alguns vídeos sobre acessibilidade para surdos. Fiquei chocada e, confesso, irritada com alguns pontos. Instituições respeitadas falando bobagem e disseminando informações erradas. Quando foi que ficou decidido que os únicos surdos que precisam de ajuda/acessibilidade são os surdos sinalizados? Essa, eu perdi.
Que fique claro: eu não tenho absolutamente nada contra a Libras e contra os surdos sinalizados. Muito pelo contrário. O problema, na minha opinião, é que a mídia fez uma algazarra desnecessária em cima de uma manchete errada que foi se multiplicando exponencialmente. ‘E que manchete é essa’, vocês devem estar se perguntando. Que todo surdo usa Libras. Que todo surdo precisa de um intérprete de Libras. Que todo surdo só será feliz se fizer parte da ‘cultura surda’, tiver uma ‘identidade surda’ e utilizar a ‘língua dos surdos’. Que basta colocar um intérprete de Libras nos vídeos/programas de TV e qualquer surdo entenderá tudo o que está sendo dito. Que a ‘comunidade surda’ é única e exclusivamente composta por cidadãos que usam Libras. Que todo surdo deve estudar em escola especial.
E assim se forma e se baliza esse imaginário social a respeito da surdez e dos surdos que condiz com a realidade apenas de um grupo de pessoas que convive com a deficiência auditiva.
Alguém avisa, pelo amor de Deus, que existem DIFERENTES TIPOS DE SURDEZ?? Que nem todo surdo/deficiente auditivo sabe/usa/conhece Libras?? Que acessibilidade para surdos oralizados não tem absolutamente nada a ver com língua de sinais? Que milhares de pessoas têm e terão surdez pós-lingual e que estas pessoas não utilizam a Libras para se comunicar mesmo que não escutem?
Eu, portadora de deficiência auditiva neurosensorial bilateral severa e irreversível, usuária de AASI e oralizada, me sinto discriminada sempre que fico sabendo de políticas de acessibilidade para surdos que atendem somente às necessidades dos surdos sinalizados. A Libras não é a minha língua, mas continuo sendo surda. Porque não mereço políticas adequadas às minhas necessidades? Só porque uso aparelhos auditivos e me comunico oralmente sou ‘menos‘ surda? Porque somente os surdos sinalizados são lembrados quando se fala a respeito de acessibilidade?
Lembro de uma vez que me convidaram para ir ao teatro e eu disse que não gostava porque nem sempre entendia o que era dito pelos atores, principalmente se sentasse longe do palco. Aí a pessoa me disse “mas podemos disponibilizar intérprete de Libras“. “Mas não uso Libras, será que não poderia ter algo tipo um closed caption da peça?”. E a resposta: “Ah, aí você já tá querendo demais!!!”. Intérprete de Libras, sem problemas. Closed caption é querer demais. Ok, fazer o que?
Às vezes me pergunto se isso não ocorre porque, além da surdez ser uma deficiência invisível, ela é ainda MAIS invisível em surdos oralizados. Sinto como se as pessoas sentissem necessidade de enxergar algo de errado em você para sentir compaixão ou acharem que você merece algum tipo de ajuda. Só que, cá entre nós, acessibilidade não é FAVOR. É um direito.
Tive a oportunidade de ler um ótimo artigo na Rede Saci (cliquem aqui para ler também) e fiquei aliviada de saber que não sou a única que pensa assim. Como foi muito bem dito neste artigo, é uma ‘exclusão que ocorre dentro do próprio grupo de excluídos‘.
Em outro artigo, no blog Acessibilidade para Surdos, li o seguinte: “O Executivo da Empresa Viable, Alexandre Grade, citou que 93% dos surdos brasileiros conhecem pouco a Língua Portuguesa e por isso é necessário o uso do vídeo chamada para comunicar em LIBRAS pois nos Estados Unidos e Europa que todos comunicam em Língua de Sinais através de vídeo chamada e distribuídos gratuitos para pessoas surdas”.
O único comentário que me permito fazer a respeito desta colocação é o seguinte: OOOOOI???? Qual é a fonte da informação de que 93% dos surdos brasileiros conhecem pouco o português? Imagino que a pessoa que disse isso faça parte do grupo que considera surdo apenas o indivíduo que se comunica exclusivamente através de Libras. E me pergunto qual deve ser a sensação de conhecer pouco a língua do país onde se mora – mas, mais que isso, creio que para ser um cidadão independente e obter uma boa colocação no mercado de trabalho, um bom conhecimento do português é o mínimo indispensável.
Enfim…
Surdos oralizados e surdos sinalizados possuem diferentes necessidades quando se fala em acessibilidade. Nenhum dos dois grupos é melhor ou pior que o outro e muito menos mais ou menos surdo que o outro. Estamos falando de seres humanos, de deficiências. Desinformação ou disseminação de informações erradas são inadmissíveis quando se trata dos direitos das pessoas com deficiência. Não quero discutir o que é certo/errado, bom/ruim para cada um – cada surdo tem o direito e o dever de cuidar da própria vida e fazer suas escolhas linguísticas. O ponto da discussão aqui é que surdos oralizados têm tanto direito à acessibilidade quanto os sinalizados. Isso é indiscutível. E é também patético que se tente menosprezar as opções de vida de quem possui a mesma deficiência que você.
Outro ponto que considero uma tremenda discriminação diz respeito à lei que isenta de IPI e ICMS as pessoas com deficiência que compram carros. Até mesmo os deficientes que não conduzem veículo automotor estão contemplados pela isenção mas os deficientes auditivos não!
O que vocês pensam a respeito disso tudo?



Vc fala assim JUSTAMENTE por não conhecer ou ñ ser participante da Cultura Surda!
Olá Karoline,
Vc entendeu o propósito do post?
O tema é acessibilidade.
Fazendo parte da ‘cultura surda’ ou não, tenho o mesmo direito que aqueles que fazem parte dela.
Ou você acredita que somente os surdos sinalizados têm esse direito?
Olá Karoline
Eu não conheço nada sobre a Cultura Surda. Tu poderias, por favor, argumentar mais sobre ela?
Teu comentário aqui foi muito curtinho e não agregou nada à discussão proposta pela dona do blog, que fala sobre acessibilidade para todos os deficientes, não somente para surdos sinalizados.
Eu sou surdo oralizado, uso aparelho auditivo e não sei Libras porque nunca precisei dela pra me comunicar. Já tive vontade de aprender, mas nunca tive necessidade. Devo ser menos favorecido por isso?
Este é o ponto da discussão.
Um beijo pra ti.
Conhecer a Comunidade Surda não obriga ninguém a preferir a Líbras como forma de comunicação. Ela pode ser ótima para quem prefere, mas vai continuar havendo quem não prefira e goste mais do português escrito.
A vida não é tão dualista assim, pra afirmar que se você não está com eles, está contra eles.
Você pode respeitar e não querer fazer parte.
E vai continuar precisando de adapatções de acordo com as próprias necessidades.
Não existe apenas um tipo de deficiente auditivo.
Karoline,
Estamos tratando aqui da falta de acessibilidade para surdos ORALIZADOS. Não entendi por que você falou isso. Se a acessibilidade para surdos sinalizados está encaminhando bem, ótimo. Mas nós, surdos oralizados, temos direitos tanto quanto surdos sinalizados. E merecemos esses direitos.
Conheço muito bem esse problema. Sou surdo bilingue e prefiro legendas ao invés de Libras.
Quanto a isenção de IPI na compra de carros para surdos, existem 2 projetos de lei no Congresso. Faltam pouco para serem aprovados, se os políticos quiserem.
Yuri, vc tem mais informações sobre esses projetos?
Sabe me dizer quem é o autor deles?
Muito obrigada por compartlhar essa informação aqui!
Sim, tenho.
Seguem links dos 2 projetos:
http://www.senado.gov.br/atividade/materia/detalhes.asp?p_cod_mate=83932
http://www.senado.gov.br/atividade/Materia/Detalhes.asp?p_cod_mate=83083
Se disponha! Virei fã do seu blog pois enfrento mesmo problemas relatados aqui.
Abs,
Yuri
Show de bola, Yuri!
Valeu pelos links! Agora é acompanhar e fazer pressão.
Realmente, existe alguns projetos. Mas enquanto não aprovarem o ‘Estatuto da Pessoa com Deficiencia’ (que está defasado, pois é de 2001 e muitas associações de PcDs discorda dele e, por isso, o Estatuto não passa, já que não aceitam fazer mudanças e do jeito que está, não está do agrado da maioria das PcDs) o resto dos projetos de lei ficam sendo barrados.
Complicado, né?
Esse post é maravilhoso e vou comentá-lo por partes.
1. Falei na minha coluna do Acessibilidade Total hoje sobre isso. Que surdos oralizados precisam de legenda. E que não é impondo que mudem a lingua com a qual se comunicam que se promove acessibilidade. Aprender Libras é um direito, não uma obrigação. E sendo um direito, tenho o direito de não querê-la e preferir português escrito e a leitura labial.
2. Acessibilidade é dar acesso a cada um da maneira como ele precisa. Não tentar moldá-lo a um padrão. Se for assim, promover acessibilidade é completamente desnecessário, pois já existe um padrão pras pessoas que não tem deficiência e as minorias que se virem.
3. Ontem, vi alguém dizer que ‘informação errada é melhor do que informação nenhuma’. Uma ova! Informação errada é tão ou pior que a ignorância, porque da total falta de informação, não se forma conceito nenhum. O preconceito, por sua vez, vem de informações equivocadas.
4. Divulgar as necessidades dos usuários da Libras, a Cultura Surda e a própria Libras é um direito! Mas isso não se faz tentando omitir que muita gente não vive através dela. Especialmente porque boa parte dos oralizados são surdos adquiridos. E qualquer ouvinte pode se tornar surdo oralizado, mesmo que ele aprenda Libras fluentemente. Por isso, é absolutamente necessário que se divulgue a existência dos oralizados e suas necessidades SIM! Se uma pessoa perde a audição amanhã, possivelmente irá querer continuar tendo acesso a língua que sempre usou, independente de usar ou não a Líbras.
5. Esses “93%” da noticia que você leu foi uma deturpação de uma amostra do Censo de 2000. Dizia que 93% dos 700 mil surdos até 24 anos estavam fora da escola. Só que não dizia até que idade estudaram, qual o tipo de educação que tiveram, nem que tipo de surdez tinham (se era congênita ou adquirida, pré, peri ou pós lingual). Também não dizia respeito aos maiores de 24 anos. E o mesmo Censo de 2000 dizia respeito a 6 milhões de deficientes auditivos. Quantos faltam nessa amostra de 700 mil pra completar os 6 milhões e poder alegar que realmente 93% da população surda só fala Libras? Alias, quem garante que os tais 700 mil fora da escola há 11 anos realmente aprenderam Libras fluentemente? Divulgar achismo como estatística válida é uma piada!
6. Se a gente foca no nosso lado, estamos sendo preconceituosos. Isso é justo? Enquanto isso, nossos direitos vão sendo atropelados e ignorados diante a mídia…
Está certo que em vez de puxar a sardinha pro nosso lado, temos que divulgar a diversidade. Mas, é preciso enfatizar que nossas necessidades são distintas e que adaptar tudo apenas através na Líbras não serve.
No mais, parabéns pela coragem de expor essa sua posição. Existe uma egrégora de que temos que ser compreensivos com as necessidades dos sinalizados, porque outros tem mais dificuldades. Ora, nós também temos as nossas. Essa postura exigida não é de respeito, mas de conivência!
E termino meu longo comentário com uma citação: “O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.” Martin Luther King
Beijinhos
Lak,
Vc falou tudo!!!
Nós temos que falar sim sobre a diversidade, mas também devemos mostrar que por sermos diversos temos necessidades diversas. E é injusto tentar colocar pessoas com tipos de deficiências auditivas diferentes, de causas diferentes dentro e um molde, isso não é incluir os todos os surdos, mas excluir uma parcela grande de surdos que preferem a linguagem oral.
Nós não podemos realmente ficar calados quanto a essa injustiça. Infelizmente dão muita ênfase aos usuários de Libras, por ser conveniente, e por eles estarem muito mais organizados que os oralizados, há uma maior pressão da parte deles para garantir os direitos. Mas temos que ficar atentos quanto às distorções de estatísticas e outros dados que podem levar as outras pessoas ao erro. Informação errada é pior que a ignorância mesmo.
Beijos
Paula,
Concordo contigo. Eu tbm sou deficiente auditiva neurosensorial bilateral moderada a severa e irreversível, oralizada, usando AASI, e não faço uso de Libras. Acho injusto as pessoas acharem que todos os surdos desse país são apenas os sinalizados, e as pessoas que perderam a audição após ter aprendido a falar?
Será que nós somos obrigados a nos virar para conviver com as outras pessoas usando a linguagem oral e sem as adaptações a que temos direito também? ou seremos obrigados a aprender Libras para sermos considerados surdos?
Me desculpem, mas acho que assim como as outras diversas formas de deficiências tem seus subtipos, a surdez é da mesma forma. O fato de muitos surdos usarem a linguagem oral não os torna menos surdos que os sinalizados, e justifica sim, os oralizados ficarem insatisfeitos com as acessibilidades apenas para os sinalizados.
Afinal, nós também não entendemos completamente o que aparece em vídeo sem uma legenda, e se usamos a lingua portuguesa como forma de comunicação, não entendemos também os intérpretes de Libras que aparecem no vídeo, justamente por não fazermos uso dela.
Acredito que para promover a acessibilidade, devemos fazer para todos os envolvidos e não apenas para um seleto grupo dentro de um tipo de deficiência.
Queria saber tbm de onde saiu essa informação dos 93% dos surdos brasileiros que conhecem pouco português, só se esse número seja relacionado aos surdos sinalizados, ainda assim é muito estranho, pq a maioria dos surdos que conheço são oralizados e conhecem e muito bem o português.
Puxa, escrevi muito, mas o tema rende muitos argumentos.
Acessibilidade para todos os tipos de surdez, isso é o justo!!!
Beijos
Julie, eu respondi no meu comentário, que está logo acima do seu, qual foi a fonte usada pra esses 93%. Dá uma olhada…
Beijocas
Eu vi depois que eu publiquei o comentário. Obrigada!
Desculpe hehehehe… é que eu cacei a fonte desse dado e fiquei chocada! Acho que todos vão querer saber.
Adorei o post, Paula! Temos que realmente ir á luta! Como a Lak disse, o que preocupa é o silêncio dos bons!
AVANTE!!!!!!!
faaaala pessoal.
gostei da idéia do post e pra variar, vim aqui dar meu pitaco e encher o saco. kkkkkk brincadeira.
bom, bora lá.
não vou falar nada sobre acessibilidade pra surdos, porque não intendo dessa área, vamos dizer assim.
mas a falta de informação é muito grande.
antes de conhecer a lak, o blog dela e tudo mais, pra mim era assim: todo surdo é mudo, e só usava aparelho auditivo quem ficava surdo depois dos 60, 70 anos, por aí. eu nem sabia que existia o ic, por exemplo.
enfim: até… sei lá que dia que eu conheci o blog da lak, e por ele, esse aqui, eu não sabia que existia isso de surdos oralizados e tals.
é a mesma coisa com os cegos, muita gente, quando eu falo que sou cego, perguntam logo se pra eu mexer no computador, o teclado tem que ser em braille.
não foi o caso daqui no comentário de ontem, mas muita gente pergunta, e eu tenho sempre que explicar que é um teclado igual ao de todo mundo, a adaptação é só quanto ao lietor de tlea. instala no pc e, como diz um amigo meu, adeus mamãe. kkkkk
bom, é isso aí, agora vou embora. hehehe
Temos o direito de sermos curiosos! Queremos aprender mais sobre o mundo e só assim podemos evoluir!
Ah, falando de acessabilidade de cegos, você tem cão-guia? Se sim, como conseguiu um? Uma amiga minha está precisando de um e não sabe onde arrumar um por falta de informações e também não tem dinheiro para comprar e treinar o cachorro…
xi, cão guia tenho não. bem que eu queria. parece que aqui no brasil tem como arrumar, não sei direito. se quiser, procuro pra você passar pra sua amiga, beleza?
É realmente um absurdo e também fico irritada com isso! É preciso ter muita paciência para explicar para as pessoas pela milionéssima vez sobre a existência dos surdos oralizados. Temos de fazer a nossa parte de nos mostrar para o mundo. Pouquíssimas pessoas têm convivência com os surdos ou conhecem pelo menos 1 ou mais surdos. Todo mundo que eu conheço só me conhece como pessoa surda e mais ninguém de qualquer tipo!
Sempre passo por esta situação com as crianças, como que eu falo alto e com sotaque muito carregado, as crianças me olham com os olhinhos inocentes cheia de curiosidades. Quando eu noto que as crianças estão me encarando, chamo elas e explico que sou surda e porque falo daquele jeito. E a minha mãe faz com que as crianças brinquem comigo de falar sem som. É uma maneira de educar as crianças, mostrando os tipos de pessoas diferentes que existem!
Falando do comentário equivocado do empresário, independente de ser a informação do ano 2000, muitos ainda pensam assim: que um surdo não sabe português, não sabe conversar. E colocando mais lenha na fogueira: de todos os deficientes na hora de contratarem para trabalharem, os surdos é o que mais demonstram imaturidade emocional e profissional para as empresas; consequentemente queimam a cara para nós oralizados que sabemos sim português! E não estou falando de achismo não! Já conversei com muitos profissionais de RH, que me relataram a grande dificuldade que eles tem de inserirem o surdo sinalizado no trabalho, não por falta de intérprete, mas por não saberem ler/interpretar um simples memorando, que por sinal é em PORTUGUÊS! (não estou generalizando, mas é a dura realidade!) eu mesma presenciei casos assim.
Por outro lado, os sinalizados já estão bem representados há tempos com as associações e federações que vem lutando para terem seus direitos reconhecidos; os oralizados me parece que apenas recentemente, estamos nos descobrindo que somos muitos… (me corrijam aqui se estiver errada)
Portanto é nosso dever não ficarmos calados e mostrar as diferenças, o que não dá para fazer é perder tempo, de ambos os lados, em defender Libras ou oralização (apesar do meu próprio comentário, parágrafo acima) pois vai da adaptação que mais convém a necessidade de cada um!
Bem… a dificuldade é a mesma para sinalizados e oralizados: não ouvirmos!
Em resumo: necessidade e direito é uma coisa, comunidade é outra, todos podem conviver de forma coesa respeitando as suas diferenças.
bjs,
Falou e disse, Paula! Eu geralmente não confio nos dados estatísticos, claro que depende, mas nesse caso, é uma “pesquisa” muito superficial. E como Lak disse, eles não levaram em conta vários aspectos importantes. Pior, geralmente quando colocam esses dados nem avisa quais aspectos foram e não foram contemplados. Simplesmente “joga” como se fosse algo incontestável. 93% não falam direito português? Piada, né? É triste ver como disseminam essas informações falsas e pessoas que não convivem com surdos, seja de qual tipo, vão achar esse fato verdadeiro. Nós temos é que nos expor, divulgar muito na internet, isso como tu tá fazendo, Lak, SULP e muitos outros, para que tenham consciência de que há diversidade na surdez e que temos necessidades diferentes dos surdos sinalizados. Se eles podem ter uma janela de intérprete, por que a gente não pode ter CC? Quero ver se alguém se atreve a responder por que a gente não precisa disso… Tem gente que ainda diz que não adianta de nada AASI ou IC se a pessoa ainda necessita de legendas. Santa paciência…
Beijos, Paula.
Olá! Hoje foi a primeira vez que vejo esse blog, fiquei apaixonado pela matéria, nasci ouvinte, perdi a audição com 8 -9 e rápido comecei usar AASI uso até hoje (uso desde março/1996) a exatamente uma semana (27/julho) fiz a cirurgia do Implante Coclear (realizei meu grande sonho), e serei ativado no dia 26 de agosto.
Em 2003 comecei a aprender libras (embora nunca precisei e nem sou fluente), conheci muitos surdos sinalizados, e participo um pouco da comunidade surda, mas isso nunca me fez desistir de ouvir, eles são pessoas maravilhosas, desde que respeitem minha condição.
Abraços!
Show de bola, Marcelo!
Que tal nos deixar a par depois que tu ativares o IC? Eu tenho bastante interesse em entrar na fila pra implantar também, mas ainda estou na fase de coleta de informações e relatos.
Abração.
Rodrigo, eu tô fazendo cobertura completa do caso do Marcelo hahaha
Paula, não tenho deficiência auditiva e nem convivo cotidianamente com quem tenha.
Apesar disso amo seu blog (os dois, aliás) e cursei Português como Segunda Língua na Universidade de Brasília por dois anos (não concluí o curso) e pude perceber o quando o foco para acessibilidade aos surdos dá-se apenas aos sinalizados.
O objetivo da graduação é ensinar português a falantes/usuários de outras línguas, incluindo-se nesse campo estrangeiros, indígenas e surdos sinalizados.
Ocorre que, em virtude do curso, aprendi que Libras é uma língua como qualquer outra, com estrutura própria e com a qual as crianças nascidas surdas podem ser alfabetizadas. Isso significa dizer que Libras é a primeira língua (ou seja, a língua materna) destas pessoas.
O mesmo não acontece com os surdos que foram alfabetizados em português. Sendo o português a língua materna destes surdos, porque obrigá-los a saber/aprender Libras????
E se o mesmo se desse em relação aos surdos sinalizados? Se fosse imposto a eles que aprendessem de qualquer jeito o português??? Seria considerado discriminação, preconceito, ignorância, violência. Por que o contrário não é também considerado absurdo.
Qualquer pessoa ouvinte, como eu, pode vir a se tornar surda um dia.
Serei obrigada a saber Libras pra ser considerada deficiente??????
Só pode ser considerado paraplégico ou tetraplégico quem nunca dispôs das pernas????
O preconceito aos surdos oralizados é TÃO ABSURDO QUANTO o preconceito contra os que são surdos sinalizados!
Nem todas as pessoas têm aptidão para aprender uma determinada língua, e com libras não é diferente. Nem todos se adaptariam a aprender mandarim se fosse preciso! O mesmo ocorre com as línguas de sinais. Mesmo quem é sinalizado mas não foi alfabetizado em língua de sinais, por mais fluente que seja, nunca vai ter disposto da fase de aprendizagem infantil da língua. Do mesmo modo que pessoas que falem inglês fluente nunca terão a plasticidade da língua das pessoas que aprenderam a língua quando crianças, alfabetizadas em inglês.
Me perdoe a extensão do comentário, Paula, mas não é justo privilegiar um grupo dentro de outro muito maior.
Fico muito chateada em ver o descaso das pessoas que disseminam estas posições equivocadas.
Um grande abraço e obrigada pelo desprendimento de compartilhar sua história conosco, leitores.
Beijo! = *
Acho muito importante a “discussão”, a explanação dos pensamentos e idéias de cada um, sendo essa pessoa portadora ou não de alguma deficiência. Isso fomenta a necessidade de buscar a real informação.
Quantas coisas absurdas vimos e ouvimos todos os dias? Apenas por falta de conhecimento. Por comodismo em aceitar as “verdades” ditas por aí.
Eu não possuo nenhuma deficiência (pelo menos não as conhecidas), mas convivo com surdos, cegos, cadeirantes, portadores de paralisias, desde muito criança. E mesmo assim, desconheço muitas coisas a respeito das necessidades dessas pessoas.
Trabalho com professores de libras, e realmente, é impressionante o desconhecimento da Língua Portuguesa da maioria deles. Isso é fato, é coisa que eu vejo, que presencio, mas que de maneira nenhuma generalizo.
Atendemos vários alunos das redes estadual e municipal com baixa visão, onde a maioria deles está perdendo a visão gradualmente, quando disponibilizamos o ensino do braille, muitos deles se negam a aprender, primeiramente como fator psicológico (não vou adentrar o assunto), e depois preferem os livros gravados (produzimos material pedagógico para os alunos baixa visão e livros em braille para cegos), há vários recursos digitais para tal.
Digo isso porque o ponto dessa discussão que me tocou foi justamente no fato da comunicação. Como o surdo pode se comunicar e se fazer entender?
E o meu aluno, que em pouco tempo irá perder totalmente a visão, se ele só usar das ferramentas digitais, livros gravados, o próprio Mec Dayse, se ele só “ouvir” como ele vai aprender a escrever corretamente?
Há vários pontos em discussão, e há vários caminhos a serem percorridos quando da acessibilidade, esta que para mim, ocorre quando há opções para o deficiente, quando há caminhos que ele possa seguir diante do que ele julga melhor para ele, sem obrigações, ou imposições. Oferecendo a eles os meios para que possam chegar, seja na padaria da esquina, num teatro, ou qualquer lugar que ele queira ir, como ser HUMANO que é.
Me desculpem se falei alguma bobagem.
Abraço a todos.
Ótimo texto, melhor ainda é que vivemos neste mundo e sabemos que tudo isso infelizmente é verdade….
Parabéns pelo post.
Mônica Mendonça.
Super bacana o Blog http://cronicasdasurdez.com/discriminados-somos-nos/ . Crônicas da Surdez. Vale a pena ler !
Falou tudo!!! Estou cansado de ficar explicando paras as pessoas que existem diferentes tipos de surdez. Nós temos que divulgar mais para as pessoas.
Abraços,
MRR
Marcel R. Ramos
As vezes quero closet caption porque não sei Libras rs
Isso é um absurdo em não compreender que há diversos
tipos de surdez. Ooo mundinho arcaico.
Sou como a autora, uso aparelho e oralizo de boa,
mas só sei o alfabeto em libras rs
Lindo o texto.
Otimas argumentações.
Essa matéria, Discriminados somos nós, e todos esses comentários deveria ir para Brasilia, sair em jornal de grande circulação, para que saibam que nós existimos, temos que lutar para que tenhamos uma sociedade justa, com direitos iguais.
Chega de discriminação, chega de silêncio!!
caaaaaaaaaaaraca, passei por esse momento recentemente no Rio. Eu, meus amigos surdos e um único ouvinte. Fomos ao cinema assistir Harry Potter 7 e quando soube o preço inteiro é caro então um dos meus amigo surdo disse que nós temos direito comprar ingresso meia por sermos surdos e tem carterinha para isso.Ai já eu não tenho carterinha especial e ele teve ideia de eu falar libras para provar que sou surda mas falei que não precisa pois vou dizer se não acreditar mostrarei meu aparelho. Ai na hora de comprar ingresso, falei e o cara de boa me deu ingresso meia. hehehehe.
Pois acho isso absurdo o que diz no post, porque independentemente libras e oral sempre seremos surdos e temos ter direitos iguais.
Como faremos para isso mudar, gente?
Oi, Bianca! Não sabia que existia carteirinha especial, novidade total pra mim! Pode passar mais informações sobre ela pra mim, como faz, onde faz, o preço, etc. Obrigada!
Linda,
Olha,acho sabes que eu leio o Blog pois meu marido tem baixa audição e está progredindo.Não usa aparelho,a perda é baixa, mas mesmo assim, eu me pegava irritada de repetir!Então venho aqui,para entender e descobrir.Obrigada.
Quanto a essa discriminação entre pessoas surdas,acho que deu para ver no primeiro comentário deixado aqui que acontece.
Tenho um filho cego de um olho.Ele é vidente,e não pode aprender Braille,mas é legalmente deficiente e tem direitos de deficiente.A linguagem de cegos só acontece para quem é cego total,ou no máximo em 10% de visão.A “ïnclusão”do cego hoje,é feita pelo governo, que oferece vagas atravéz da isenção de impostos na admissão do deficiente em empresas em geral.Mas continua sem educar o cego,o que deixa as vagas em descoberto por absoluta falta de capacitação do indivíduo com deficiência visual.
Então nos pergunto:Que raios de inclusão é essa?Com a surdez não deve ser diferente. Tem que haver um jeito de incluir educando.Enquanto as deficiencias não puderem ser atendidas em todas as escolas,não haverá conhecimento entre os eficientes(vamos dizer assim)para de fato incluir o deficiente na sociedade.Temos ignorância de sobra e governo interessado em falta.Com essa equação assim montada,as políticas de inclusão são só maquiagem,e a maioria das vezes ajudam apenas uma parcela dos deficentes,no caso da cegueira, apenas aqueles que tiveram sorte e condições de estudar.(Na maioria das cidades, existe apenas uma escola de cegos,geralmente situada em bairros distantes, não sei como funciona não ouvintes)
E pense bem, não seria mais fácil e discreto uma close caption que um tradutor de libras??Mesmo?
bjo
oi, ana.
só vi seu comentário agora.
bom, você diz que seu filho é cego de um olho, enxerga do outro e não pode aprender braille.
olha, eu acho que ele pode aprender o braille seim. claro que ele não vai precisar, acho, porque não sei se ele tem visão total no outro olho, mas emfim… claro que se ele tiver 100 por cento de visão no outro olho ele não vai precisar do braille, mas ele pode aprender o braille sim.
Paula, admiro muito teu jeito de expor as ideias. Consegues ser agressiva e defender teu ponto de vista, sem desmerecer ninguém.
Pelo que vivencio, poucas são as pessoas que conhecem surdos. E quando conhecem, é só uma pequena parcela dos diferentes tipos de surdez que tem por aí. Como bem sabemos, generalizar é um erro.
Entendo e compartilho da tua revolta quanto ao post citado. Muito dessa pesquisa dos 93% deve ter sido feita em base do achismo, como disse a Lak. E como uma maioria esmagadora da população não tem opinião formada, acabam assimilando a informação errada. Realmente, seria bom alguma matéria de esclarecimento, circulação em jornal grande como sugeriu a Gê.
Esse blog é um ótimo lugar para discussão. Mas se quisermos a conscientização coletiva dos direitos dos surdos oralizados, temos que sair do blog – digo, do papel. Temos que mostrar a cara para o mundo.
CONCORDO!!!!!
Seria de extrema utilidade se todos os que comentaram nesse post contatassem os jornais de grande circulação de suas cidades e sugerissem essa pauta!!!
Quem não se mobiliza, ops, se comunica, se trumbica!!
Vamos lá gente??
Bom gente, veja abaixo o comentário que enviei para um Jornal aqui da região do grande ABC/Paulista. Espero que publiquem.
Assunto: Sugestão para publicação de matéria
Para: online@dgabc.com.br
Data: Sexta-feira, 5 de Agosto de 2011, 4:06
Bom dia!
Estou entrando em contato para sugerir uma matéria sobre Acessibilidade Direito de todos.
Existem DIFERENTES TIPOS DE SURDEZ e nem todo surdo/deficiente auditivo sabe/usa/conhece Libras.
Portadores, de deficiência auditiva neurosensorial bilateral, moderada/severa e irreversível e usa aparelho AASI e oralizado, não tem acessibilidade.
A acessilidade é dada somente para surdos sinalizados.
Há muitos surdos não sinalizados e sim oralizados, mas são surdos, e continuarão sendo surdos.
Portanto, surdo é surdo, seja sinalizado ou oralizado.
Discriminados somos nós: Esse foi o tema do Bolg Crônica da Surdez, o qual faço parte com meus comentários, e achei interessante esse tema para desmistificar o que sabem sobre surdez. Só quem é surdo oralizada sabe como é ser surdo oralizado, e a sociedade precisa saber os diferentes tipos de surdez.
Meu post no Cronica da Surdez.
Gê
3 de agosto de 2011 em 11:18 pm | Permalink | Responder
Otimas argumentações.
Essa matéria, Discriminados somos nós, e todos esses comentários deveria ir para Brasilia, sair em jornal de grande circulação, para que saibam que nós existimos, temos que lutar para que tenhamos uma sociedade justa, com direitos iguais.
Chega de discriminação, chega de silêncio!!
Grata aguardo uma resposta favorável.
Gedália Santos
Obrigada, Gê.
Temos mesmo que nos mobilizar de todas as formas possíveis, o interesse é nosso!
Bjos,
Olá pessoal, sempre acompanho blog e adoro ler por aqui, sou def auditivo bilateral, ouço mais ou menos bem e uso um lado aparelho auditivo, mas sou oralizado falo bem e normal como uma pessoa normal, falo sem dificuldades, portanto nunca estudei escola especial muito menos nem sei Libras só sei basico alfabeto, e alguns gestos básicos bom dia, oi e outros, no entanto eu tbm já passei por situações em que me pergutam se quero um tratamento especial em algum lugar como por exemplo no teatro que a dona do blog recusou o interprete. Realmente algumas pessoas me notam aparelho auditivo ficam com medo de falar comigo achando q sou surdo e mudo, e quando falo eles se assustam q não sabiam que eu era mudo.
È Fabricio ai é onde mora o nosso problema, somos surdos, mas, porém, oralizados. Temos que batalhar para que possamos realmente obter os nossos direitos.
Por sermos portadores de uma deficiência invisível, tudo se torna difícil, e quando somos oralizados, da a impressão de mentirosos, vem na cabeça dos ouvintes que não entendem do assunto surdo/mudo, como que não escutam e falam????
É isso que a sociedade e as autoridades precisam compreender a nossa existencia com deficiencia/ complexidade.
Espetacular essa matéria.
Bem redigida e muito bem argumentada.
Parabéns!!
Precisamos fazer q matérias como essa alcancem o maior número de pessoas possíveis.
OI Pessoal, conheci o espaço e pude ler todas as mensagens, e gostaria se me derem liberdade de opinar também!!!
Bem, esta é uma luta de tempos para que a sociedade em geral entenda o que é acessibilidade, inclusão, garantia de direitos, e tudo o mais que já sabemos.
Essa luta é nossa, digo nossa, porque participo de Conselhos de Pessoas com Deficiência da minha cidade e do meu Estado, participei das duas conferências nacionais, que podemos chamar de marco histórico no segmento.
Mas infelizmente tudo que discutimos, falamos e votamos, nada disso foi além daqueles dias. Vários debates são realizados, a formação de novos conselhos, pois é importantíssimo que cada Município tenha seu conselho de direito da Pessoa com Deficiência constituído, Núcleos regionais, para que cada vez mais e mais pessoas possam saber sobre as deficiências e levar o assunto a ser discutido mesmo no Público e Privado. Pois para a maioria das pessoas só tomam conhecimento do assunto quando acontece bem perto delas, e não deveria ser assim, pois acessibilidade é para todos!!! Eu mesma não tenho deficiência alguma, mas quero acessibilidade urbanística, arquitetônica, de comunicação, de transporte, etc, pois sou cidadã com os mesmos direitos de todos e acredito necessário o acesso a tudo, bens comuns a todos nós!!!
Quanto a discussão dos surdos posso ser suspeita ao falar, pois meu contato é na maioria com surdos oralizados, o que todos já comentaram não implica na verdade ser um “Pecado” neh, ou seja, ser surdo e ser oralizado, pois lendo tudo acima, tem horas que parece neh? Mas acredito no ser humano e nas suas habilidades, na sua vontade de lutar, e acredito que quando é imposto ter que conhecer ou usar libras fere o direito individual de cada um, fere o ser no mais profundo do humano que possamos ser, nada que é imposto é legal, pelo contrario faz mais mal.
Então a todos vocês que sinto que lutam por uma identidade dentro do mundo sonoro que todos nós sem exceção fazemos parte, não desanimem nunca, não deixem de expor suas ideias e fazer o barulho que for necessário para que todos possam conhecer todos os lados de cada situação. E lembrem-se ser diferente é ser NORMAL – D ” EFICIENTE” é nisso que acredito.
Obrigada a todos pela paciência em ler, um beijo e contem comigo no que precisarem.
[...] Esse texto é da Paula Pfeifer e o debate foi originalmente publicado no blog Crônicas da Surdez. [...]
Oi, Paula!
Eu trabalho com surdos e com Libras, além de ter D.A. Acredito que o problema é que as pessoas não entendem o grau das perdas e o que acarreta. Trabalho com Libras com surdos profundos e acredito sempre que a oralização e a Libras não são excludentes. Tenta-se uma ou a outra. Ou pode-se usar as duas! O que realmente importa é que o surdo se comunique desenvolva seu pensamento e sua linguagem, seja oral ou gestual. Realmente, o princípio que rege as leis ainda é baseado no “surdo-mudo”, então, não há compreensão de que, mesmo falando, nós temos sérias dificuldades para perceber o som. Eu, com o aparelho e sem muito ruído, consigo escutar bem. Caso acabe a pilha do aparelho ou tenha muito barulho…ih…um horror!
As pessoas sempre me dizem: nem parece que tu não escutas! Mas eu tenho muita dificuldade para escutar. Infelizmente, ainda há muita ignorância e descaso quanto aos tipo de perda e necessidades de quem tem perda auditiva.
Há uma padronização da surdez, o que é muito errado. Todos temos direito de escolha!
Olá Paula. Hoje encontrei seu blog por acaso. Sou ouvinte e professora de LIBRAS. Estava procurando no Google por “discriminação” para fazer um trabalho, porém procurava discriminação nas relações étnico-raciais, por aí cheguei no seu blog e por ser um assunto condizente com minhas práticas parei um pouco o trabalho para ler o post. Achei muito interessante suas colocações, eu como professora de LIBRAS e frequentadora da Comunidade Surda, estou em constante luta pela acessibilidade, e hoje me dei conta que vocês, surdos oralizados,que têm suas especificidades (diferentes dos surdos sinalizados) estão merecendo mais atenção por parte do pessoal que trabalha à favor da acessibilidade para surdos. Eu mesmo, por estar focada na LIBRAS, acabo não me dando conta que muitas políticas de acessibilidade não estão contemplando os surdos oralizados. Te parabenizo pela iniciativa, e a partir de hoje pensarei mais nas especificidades dos oralizados durante minha prática. Trabalho em uma escola, e meu foco é a inclusão de surdos, no momento não tenho aluno surdo oralizado, mas já é bom ir pensando nas suas especificidades, para que a acessibilidade seja garantida no caso de futuramente vir a ter algum aluno surdo oralizado.
Por curiosidade fui ver quem era a autora do blog, já vi sua carinha por SM (morei lá 7 anos) e tbm já dei umas espiadas no seu outro blog. Mais uma vez parabéns pela iniciativa.
Que mundinho pequeno!
Seja bem-vinda ao Crônicas!
Bjo,
Olá Paula, Foi muito bom encontrar seu blog por um acaso! Sou ouvinte e estou estudando libras. Eu também estava procurando no google assuntos sobre discriminação, porque hoje eu vi discriminação com surdos, fico triste com isso, mais não posso mudar as pessoas sozinha. Alguns meses atráz um colega me disse: tá ficando louca mexendo essas mãos? Eu falei para ele conversar com a pessoa surda que eu estava conversando; ele me disse que não sabia MEXER AS MÃOS, e ela não iria ouví-lo. Eu olhei bem nos olhos dele e falei: Mais ela é surda e te entende muito bem, fale olhando para ela! ele ficou muito sem graça e nunca mais brincou comigo sobre isso.
Tenho uma amiga surda ela me surpreende a cada dia. Eu falo para ela que ela é uma benção de Deus. Ela é uma surda oralizada e sinalizada
Terminou um curso no SENAI.
E sempre dou conselho para ela fazer uma faculdade. Ela é uma benção em minha vida.
Ela usa carteirinha especial para: trem, ônibus e metro. Assim como outros surdos que conheço. Então eu falo para ela pra que carteirinha especial para vocês?
Me desculpem se falei algo que não deveria ser falado.
tenho perda auditiva a partir de 2khz-80db e 3khz -90db bilateral e simetrico. ouço mas não entendo a fala preciso de campo visual ver os lábios. o problema é que tinha o cartão da gratuidade por 3 anos e agora o orgão de transporte municipal cancelou meu cartão alegando que minha perda é pouca para para ter esse direito. fiz pesquisa e descubrir que se calcula a perda pela media das frequencias conforme o conselho federal de fonoaudiologia e com a minha perda é 20db-500hz e 30db 1khz a média dá 55db, ou seja, maior que 41db.
o fato é que sou oralizada e eles alegam que sei me comunicar.
Me senti discriminada. Eles não entendem que existem diferentes tipos de grau de perda e o meu é severo a partir de 2khz e afeta a inteligibilidade da fala. Tenho laudos médicos do sus comprovando minha deficiencia. que devo fazer? abraços
Contate http://www.ibdd.org.br e entre com um processo, ou vá até o Mnistério Público da sua cidade.
Isso é discriminação, quem são eles para julgar se um surdo merece ou nao um beneficio que lhe é garantido por LEI porque é oralizado ou não?
Vá atras dos seus direitos, isso é um absurdo.
Paula, sou a Rafa, mãe do Tom que tem 5 anos e é exatamente como vc!Portador de perda auditiva neurosensorial bilateral severa e irreversível e usuário de AASI e totalmente oralizado . Conheci seu blog através da queridíssima LAK e estou impressionada e apaixonada com tantas coisas novas que estou descobrindo ! Sou nova nesse mundo, estou engatinhando nas descobertas e confesso que estou um pouco assustada com tantas coisas que tenho visto sobre essa diferença criada entre surdos sinalizados e oralizados!
Em todo caso , acredito e quero muito direitos iguais para qualquer deficiente auditivo! Pq essa separação? Quer dizer que só pq meu filho fala é menos surdo e menos detentor de direitos do que o surdo que usa libras exclusivamente? A acessibilidade deve ser para todos!
Seja EXTREMAMENTE bem-vinda ao Crônicas, Rafa!!
Depois me manda um email, que seria super ter um depoimento teu aqui!
Um beijo,