Deficiência Auditiva

Estou ficando surdo: quando os leitores desconfiaram da surdez

Quando você desconfiou que não escutava bem pela primeira vez ou se perguntou “será que estou ficando surdo?“. Cada um de nós lembra direitinho da primeira vez em que a desconfiança bateu à porta. Comigo, foi na infância, quando uma colega de escola falou em frente a todos os colegas uma frase que jamais vou esquecer: “Professora, é só falar que a pessoa é surda que nem a Paula“. Lembro de pensar que ela era louca, e de sair correndo pro banheiro e lá chorar sozinha e escondida. Também lembro da minha tia Ia pedindo que minha mãe me levasse ao otorrino porque eu respondia “Hãn” para tudo o que ela me perguntava.

Mas eu era só uma criança. Na adolescência as desconfianças passaram a ficar ainda mais repetitivas. A pergunta: “Você é surda, hein?” passou a me perseguir. As pessoas me chamavam e eu não ouvia. A desinformação dos anos 90 me fazia pensar que surdo era quem não ouvia nada, e eu ouvia muito e me comunicava normalmente. Vivendo e aprendendo…

Perguntei lá no Grupo Crônicas da Surdez no Facebook (logo chegaremos aos 10.000 membros!!) e muitas pessoas contaram como é que desconfiaram da própria surdez. Confiram as respostas. E se você chegou até aqui pesquisando no Google sobre o assunto, fica o conselho precioso: procure um otorrinolaringologista.

 

Elisabeth

Eu nem desconfiava, mas as pessoas ao meu redor começaram a suspeitar, porque falavam e eu não ouvia! A minha ficha só caiu depois de muito sofrimento, e negação!

Emanuella

Minha filha desconfiamos há 8 meses quando ela começou pedir para aumentar o volume da TV e quando falávamos com ela ela nunca atendia. Quando questionávamos por que, ela falou: “Mãe, eu não escuto você falar!

Zezé

Eu fiquei surda de uma hora pra outra. Porque foi medicamento ototóxico. Tomei o medicamento e fiquei surda e com zumbido e tontura quase que imediatamente. Foi horrível, me lembro exatamente como foi.

Carol

Meu filho é autista, então achava que era por causa do autismo a falta de resposta. Aos dois anos meu pai me fez ir num otorrinolaringologista e então fizemos o  BERA, que resultou na surdez profunda bilateral.

Geizon

Quando comecei a escutar parecendo que estava com ouvido trancado, pensei que era cera, mas não era!

Marcelo

Quem desconfiou da minha surdez foi a minha professora da primeira série. Chamou minha mãe e pediu para me levar ao otorrino .

Karol

Quando fui atender o celular no ouvido esquerdo, não ouvi nada, e troquei de ouvido. Aí eu comecei a perceber que não estava ouvindo com o esquerdo, com o tempo a audição do ouvido direito foi diminuindo até acabar tudo, me deu um desespero só me lembro de ter desmaiado na hora e depois acordei completamente surda, daí em diante eu nunca mais ouvi…..

Pedro

Quando a professora do Pedro mencionou que ele não participava mais da rodinha de música. Ele adorava a rodinha e cantava muitas músicas, era ativo nessa hora, depois passou a ignorar completamente.

Karina

Nunca desconfiei e nem ninguém ao redor. Descobri por acaso em um exame admissional para uma empresa que tinha que fazer o exame de audiometria.

Yukico

Quando fui trabalhar no Japão. Toda vez que o chefe me chamava, as colegas ao lado é que me avisavam

Andrea

Percebi que estava começando a ficar surda em uma viagem que estávamos descendo a serra e eu não conseguia escutar a música tocando

Débora

As pessoas mais próximas é que achavam que eu estava surda.Tinham q repetir tudo q falavam pra mim.

Claire

Para mim foi uma pedagoga quando tinha oito anos na fonoterapia por causa da linguagem errada

Maria

Descobri que estava perdendo a audição quando os zumbidos começaram a incomodar, na primeira audiometria já veio o diagnóstico de otosclerose, aos 23 anos de idade.

Lu

Quando meus amigos conversavam e entendia tudo errado, ficavam rindo de mim e eu não sabia o porq! Ai caiu a ficha

Ana Paula

Na verdade eu mesma desconfiei na primeira vez em que fiz uma audiometria em uma faculdade, foi mais como teste, mas não tive diagnóstico. Depois de alguns anos foi minha chefe que percebeu pois era médica e nessa época eu trabalhava em uma empresa de saúde, na mesma hora em que não ouvi um som no computador ela marcou um otorrino pra mim. Então veio o diagnóstico da perda auditiva mas não tive orientação nenhuma sobre acompanhamento, o médico só me disse que provavelmente em 10 anos eu precisaria usar aparelho. Depois desse prazo é que procurei saber como estava, pois a gente acostuma a não ouvir e eu não tinta noção disso.

Maria

Quando eu tinha um ano de idade, a minha mãe chegava em casa e sempre dizia: “A mamãe chegou!!” e eu não olhava para ela e continuava brincando. Só reagia quando a via na minha frente. A partir disso ela começou a desconfiar e resolveu me testar. Me pôs no meu quarto escuro para não vê-la e bateu as panelas, eu não esbocei nenhuma reação! Então me levou ao otorrino.

Eduardo

Quando era criança, as pessoas me chamavam e eu escutava ou tudo embolado (sem sentido) ou como se estivesse dentro dum poço.

Cassia

Quando os alunos falavam e eu não compreendia o que eles estavam falando. Eu tinha que chegar bem perto deles para entender.

Luciana

Um dia falando ao celular, notei que o esquerdo não ouvia nada, passei o celular pro direito e segui a vida, não dei importância, fiquei surda do esquerdo há mais de 10 anos….e agora quando o direito começou a falhar que fui atras de médico ver o que era… e ai descobri a NF2.

Virginia

Quando eu estava na escola e o pessoal começou a ter celular. Aí os outros adolescentes tinham uma mania de tocar um som bem agudo que os adultos não ouviam. Nunca entendi porque do nada todo mundo começava a rir, até que me avisaram que tinha esse barulho (e eu não ouvia).

Sônia

Quando comecei ir à escola aos 6 anos de idade. Minha professora alertou minha mãe sobre o meu problema: Ela tinha sempre que repetir quando falava comigo

Mileny

Ao final dos meus 8 anos de idade, uma professora falou pra minha mãe que eu só escrevia vogais no caderno, confundia muito as consoantes e sugeriu que eu fosse levada a um otorrino. Aos 9 fiz minha primeira audiometria e fui diagnosticada 

Neuza

Depois da aposentadoria,.dando uma aula numa Casa Espírita, percebi que não ouvia as perguntas(ou melhor não entendia) feitas pelos alunos sentados na última fila.

Bete

Quando criança eu puxava cadeira pra perto da TV. Minha mãe me levou oftalmologista e comecei a usar óculos, mas continuei fazendo o mesmo. O pediatra aconselhou a minha mãe a levar no otorrinolaringologista. Fiz audiometria, através desse exame constou a deficiência auditiva moderada.

Monica

Na sala de aula quando alguém tinha que me avisar que tinha alguém me chamando

Andrea

Aos 16 Anos minha tia me chamou gritando meu nome na rua e eu não ouvi. Dai ela pegou no meu pé dizendo que eu sou surda que devia ir ao médico. Até que fui e sou mesmo.

Lucilene

Estava internada tratando tuberculose, quando falei para o médico que estava escutando muito baixo então ele respondeu : “logo passa”, e assim estou esperando até agora

Wagner

Quando comecei a fazer faculdade e não conseguia ouvir o som do estetoscópio.

Patricia

Quando não conseguia participar mais da brincadeira “Telefone sem fio” na escola. Em casa, ouvir a TV era com o ouvido grudado nela.

Silvane

Meus irmãos que falaram para minha mãe : à Mana acho que está ficando surda , nos sentamos no sofá para olhar TV e ela senta no chão bem na frente e ainda levanta todo volume!

Christa

Quando era adolescente. Mas mesmo crianças eu às vezes não escutava me chamarem, sentar no fundo da sala de aula, não gostava de desenho animado. Provavelmente porque não entendia às dublagens.

Marina

Minha mãe desconfiou quando eu tinha uns 4 meses. Minha irmã mais velha, quando era bebê, durante o sono no berço ela virava em direção ao som (porta) e que ficava no lado oposto da luz (abajur). E na minha vez, fazia o contrário, eu virava em direção a luz e longe do barulho. Aí com 6 meses minha avó aconselhou minha mãe procurar otorrino porque eu não olhava quando tocavam campainha, batiam porta, me chamavam, etc

Suenne

Na faculdade, tinha que sentar na frente pra entender melhor o que falavam os professores. Se sentasse atrás, escutava, mas não entendia absolutamente nada. E minhas amigas zoavam bastante tb qdo falavam e eu respondia ahãm, toda hora!!!

Regiane

Na adolescência. Na escola me perdia quando a professora ditava a matéria para os alunos copiar. Toda hora pedia pra um colega repetir e com isso alguns brincavam dizendo que eu estava surda, no entanto a brincadeira era séria, realmente eu estava perdendo a audição.

Mariana

Minha mãe percebeu quando eu estava quase fazendo 9 anos, quando fui perdendo minha audição aos poucos. Ela chamava e eu não respondia, pensou que fosse pirraça minha, até que eu fui perdendo ainda mais.

Aparecida

Quando uma pessoa me pediu um copo de água e eu não ouvi. E ele achou que eu não peguei porque não quis. Daí comecei a me observar. Tinha 13 anos.Só foi aumentando, hoje tenho 58 anos, só agora comecei usar aparelho.

Patricia

Sempre conversava com minha filha estando num cômodo e ela em outro. De repente, ela parou de me responder quando estava de costas…fiz vários testes falando coisas que eram de interesse dela, mas realmente se não estivesse de frente ela não respondia mais. Ela tinha 2 anos e meio.

Lu

Depois q tive meu filho. Eu morava em um sobrado e por estar recém operada optei por ficar na parte de cima. Minha mãe passou uns dias comigo e toda vez que o telefone tocava no andar de baixo ela me avisava que estava tocando. Foi quando me perguntei o porquê ela ouvia e eu não. Fiz exame de áudio logo em seguida e constatou uma perda grande.

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Leia o post “Será que sou surdo?”

11 amaram.

Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 36 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

2 Comentários

  • Durante o ano de 2012 tive a impressão que estava ouvindo menos, mas não tinha ideia do que de fato estava acontecendo… foi só ao término de um relacionamento de dois anos, qd no calor do momento a pessoa me diz: “Vc vai ficar sozinho Dailton, pq vc não acreditou que eu gostasse de vc, e pq ninguém quer ficar c/ uma pessoa surda”. Foi só aí que entendi que estava ficando surdo (e solteiro – rsrs).
    ??

  • Eu não sabia que não ouvia do lado esquerdo. Me sentia limitada pois só podia atender ao telefone de um lado, sendo diferente dos outros. Era criança. Só percebi que não ouvia quando comecei a namorar. Somente após os sessenta anos , quando comecei a perder um pouco da audição no ouvido direito é que comecei a usar aparelho. Médicos não sabem por que perdi a audição do esquerdo, minha mãe nunca notou.

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