Crônicas da Surdez

Mais sobre acessibilidade para surdos oralizados

O post sobre acessibilidade para surdos oralizados em bancos teve muita repercussão, e a consequência disso foi abrir uma discussão que já deveria estar em voga há muito tempo. Vários ouvintes vieram falar comigo dando dicas de como ‘contornar’ o problema, sugerindo ‘atalhos’ que eu poderia usar quando precisasse de algo em banco. E isso me fez refletir muito. Eu não quero atalhos. Eu não quero depender de mais ninguém para tratar dos meus assuntos financeiros. E acho que nenhum surdo oralizado deveria.

A sensação que tive, ao conversar com muitos ouvintes sobre isto, foi de que eles se sentem um pouco constrangidos pelo meu pedido de acessibilidade. Vários fizeram comentários do tipo ‘treine alguém próximo para fingir que é você‘. Se você é ouvinte, como se sentiria tendo que fazer isso? Tendo que bancar o McGyver em situações bizarras?

Vamos supor que eu seja assaltada na rua, à noite. Tenho um celular na mão, mas o ladrão levou minha carteira. Se o banco tiver um atendimento emergencial por SMS, em 3 minutos consigo cancelar os meus cartões. Como nenhum banco tem, fico de mãos atadas, sem poder fazer absolutamente nada. Vamos supor que eu esteja sozinha em casa, num final de semana. Acessando a internet, descubro que clonaram meu cartão de crédito e estão fazendo compras no meu nome. Se o banco tiver um chat para surdos oralizados 24hs, em 5 minutos eu resolvo o meu problema. Como não tem, só me resta ter um ataque cardíaco. Ou bater na casa do vizinho pedindo para que ele ligue para o 0800 e finja que sou eu. Tem cabimento isso???? Este ano, quando eu estava viajando pela Europa e minhas malas foram extraviadas no aeroporto de Paris, a única opção que eu tinha para acionar o seguro do Mastercard era ligar para o 0800. A minha sorte foi que eu estava viajando com uma colega, que conseguiu ‘driblar’ a atendente do 0800 e explicar o meu caso. E se eu estivesse sozinha?? Como pediria para um francês se passar por mim no 0800 do Mastercard? Como acionaria o seguro? Impossível, porque o Mastercard não possui nenhum chat 24hs no site e muito menos atendimento especial por email. Não se atenham à situações em que temos condições de nos dirigir à uma agência bancária. Pensem nas situações em que estamos sozinhos, em horários e dias em que elas não estão abertas. Ou seja, todos os dias da semana das 16hs até às 10hs do dia seguinte, e 24hs nos finais de semana e feriados.

Dá para perceber o quanto uma pessoa surda oralizada fica de mãos atadas? O quando esse “0800 especial” é uma furada sem precedentes? A única utilidade do “0800 especial” é para quem tem esse telefone TDD obsoleto em casa e é uma pessoa iluminada que só tem pepino com bancos e cartões de crédito quando está na comodidade do seu lar. Os outros 99% da população surda oralizada que se exploda. Simples assim.

Enquanti escrevo este post, recebi um email da C&A, através da operadora dos seus cartões, a Ibicard. Enviei um email a eles explicando o meu caso – inclusive adicionei o link do post sobre falta de acessibilidade – e dêem uma olhada na resposta que acabo de receber (solicitei que cancelassem o meu cartão C&A, pois na cidade onde moro não existe a loja, nunca uso o cartão, mas ficam me cobrando anuidade):

“Prezada Paula,
Agradecemos sua mensagem e para que possamos orientá-la com sua solicitação, pedimos que entre em contato com nossa Central de Atendimento:

Regiões Metropolitanas 4004 9555
Outras Localidades 0800 979 9555

Permanecemos à disposição.

Atenciosamente,

Enedir Carvalho
Central de Atendimento.
** ibi. Viva a diferença **”

É ou não é uma piada o “Viva a Diferença” no final do email??? Esse tipo de situação que causa, além de raiva, uma frustração absurda.

Por isso, estou aqui pensando que devemos seguir outro caminho. Recebi emails da Febraban e do Santander informando que estão repassando minha reclamação para o setor responsável e entrarão em contato. Hoje enviei email para a Ouvidoria do Banrisul. Acontece que são dezenas de bancos e operadoras de cartões e, cá entre nós, eles não têm interesse em mudar essa política de ‘acessibilidade’. Como só fazer barulho não vai adiantar, eu estou muito disposta a seguir a via judicial. Exigir que a Justiça faça o nosso direito ser cumprido.

Por isso pergunto: vamos nos movimentar e entrar em contato com o Ministério Público dos Estados onde moramos e também com o Ministério Público Federal? Não sejamos ingênuos de achar que as instituições financeiras terão boa vontade e serão rápidas em resolver esse problema. Estou agorinha enviando um email para o Ministério Público do Rio Grande do Sul, mostrando este post e o anterior, e perguntando o que é possível fazer, judicialmente falando.

Ou a gente se mobiliza, ou vamos ficar até o fim da vida tendo que pedir favores às pessoas próximas e nos vendo em situações complicadas que não conseguiremos resolver sozinhos. Ou melhor, vendo o nosso DIREITO de acessibilidade ser completamente descumprido.

2 amaram.

Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010, e também escrevo o blog Sweetest Person desde 2007. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 36 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

47 Comentários

  • Caros,

    Segue, abaixo, uma boa notícia!

    Solicitei ao Senador Pedro Taques uma lei

    Incumbiu-me o Senador Pedro Taques de expressar a V. Sª os agradecimentos pela sugestão apresentada e informo-lhe que apresentou Projeto de Lei, no Senado Federal, cujo teor encaminho-lhe, em anexo.

    SENADO FEDERAL

    Gabinete do Senador Pedro Taques

    SENADO FEDERAL

    Gabinete do Senador Pedro Taques

    PROJETO DE LEI DO SENADO Nº , DE 2012

    Altera a Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000, para dispor sobre a acessibilidade no serviço de atendimento ao consumidor dirigido à pessoa com deficiência visual e auditiva nas instituições financeiras.

    O CONGRESSO NACIONAL decreta:

    Art. 1º O Capítulo VII da Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000, passa a vigorar com a seguinte redação:

    “CAPÍTULO VII

    DA ACESSIBILIDADE À COMUNICAÇÃO, INFORMAÇÃO E SINALIZAÇÃO

    …………………………………………………………………………

    Art. 19-A. As instituições financeiras e as operadoras de cartão de crédito deverão oferecer serviço de atendimento ao consumidor com meios de comunicação acessíveis à pessoa com deficiência visual ou auditiva.

    Art. 19-B. Para o atendimento das pessoas com deficiência auditiva de que trata o art.19-A, serão utilizados métodos que permitam a comunicação plena de forma universal.

    Parágrafo único. Entre os métodos de que trata o caput deste artigo, poderão ser utilizados:

    I – a internet, com atendimento online;

    II – o cadastramento de pessoas da confiança do usuário, mediante documentação registrada em cartório, para representar, em casos de emergência, o consumidor com deficiência nos atendimentos por meio de telefones 0800.” (NR)

    Art. 2º Esta Lei entra em vigor cento e vinte dias após sua publicação.

    JUSTIFICAÇÃO

    Existe, hoje, uma indignação em relação à acessibilidade para pessoas com deficiência auditiva nas agências bancárias. No caso dos surdos oralizados, essa indignação é ainda maior.

    Vale informar que os surdos oralizados são pessoas com deficiência auditiva que, apesar de não ouvirem nem mesmo com aparelhos, falam normalmente (ainda que com sotaque típico) e se comunicam valendo-se da leitura labial. São pessoas que perderam a audição depois da aquisição da fala mediante a audição (também chamados de surdos pós-linguais) ou cujos pais acreditaram na oralização por meio da fonoterapia. O que os diferencia dos deficientes auditivos de graus mais leves é justamente o fato de serem incapazes de discriminar a fala auditivamente, mesmo utilizando próteses auditivas. O surdo oralizado raramente entende Libras. Ele precisa, sim, de legenda, uma vez que, geralmente, tem facilidade de leitura e tem o português como base linguística. Surdos oralizados usualmente se comunicam pela leitura labial.

    Dentro desse universo, as opções que alguns serviços de atendimento têm oferecido ao público com deficiência auditiva é o telefone especial conhecido por TDD ou TS. Na verdade, são muitos os serviços de atendimento que colocam um serviço 0800 conectado com esse aparelho. Só que, apesar de as empresas oferecem o 0800 especial por meio do TDD, o consumidor comum não o possui e a maioria esmagadora dos deficientes auditivos e de fala também não o têm em casa. Assim, o atendimento das pessoas com deficiência auditiva fica inviabilizado.

    Muitas vezes, a solução tem sido a fraude: um parente ou um amigo se faz passar pela pessoa com deficiência para receber atendimento por telefone. Essa situação é ainda mais séria quando a pessoa com deficiência não tem alguém próximo em quem confiar. Nesses casos, a pessoa fica a mercê de pessoas desconhecidas, às vezes inescrupulosas.

    Com o objetivo de sanar essa falha do atendimento da pessoa com deficiência auditiva, portanto, apresentamos esse projeto de lei, para o qual espero contar com o apoio dos nobres parlamentares.

    Sala das Sessões,

    PEDRO TAQUES

    Senador da República

  • Poxa!!! nesse exato momento precisei do chat da SPtrans e não funciona (mas o botão está lá só pra inglês vê), renovação do bilhete único que estourou o prazo e não chegou. Só tem telefones pra ligar…. ou eu vou lá ou peço pra minha filha ligar…..só tenho essas opções……..pelo amor Paulinha, faça um abaixo assinado do Ia pó ao Chuí.
    Bjão

  • Oi Paula…abriu um shopping aqui em Barretos/SP,tem salas de cinema,umas 3,mas acredita que TODOS os filmes são dublados…nossa…meu namorado é ouvinte e odeia filmes dublados,já mandei e-mail para a administração do shopping e continua na mesma,o que vc me sugere?Bjus

  • Parabéns pela matéria e iniciativa. Vamos à procura de nossos direitos para ACESSIBILIDADE. Surdos oralizados ou não, Deficientes Auditivos, Implantados não só em relação a Bancos e Cartões de Créditos, mas também Bombeiros, Polícia, e outros serviços de primeia necessidade…
    Arnaldo/Rio
    IC Unilateral, AASI no outro Ouvido

  • Liguei novamente no 0800 do Santander…nada foi resolvido e o atendente disse que era para eu ligar para a Superlinha…nossa, fico furiosa.

    Ele ficou de me ligar em 5 dias úteis. E eu falando: “Por favor, eu não posso usar o telefone, vc poderia me mandar um e-mail?”

    Será que é tão difícil assim? Não aguento mais me irritar com o banco Santander.

  • Um panelaço ajudaria muito, faríamos o maior barulho.
    – Heim?! barulho, que barulho?
    – Eu acho que ele disse bagulho…
    – Que bagulho?! Não tô entendendo mais nada, e pra que estas panelas?

    Sério, alguém já exerceu a sua CIDADANIA? Não digo ir lá e votar e tchau! Me refiro em cobrar quem nós elegemos, inclusive descobri que um candidato eleito por mim tem um site para lembrarem dele com notícias e tudo o mais, uma maravilha, só não tenho como entrar em contato…

    É uma ótima ideia fazermos pressão, mas temos que ter uma base para afinarmos o discurso. Tem algum advogado para nos dar uma orientação e como proceder para fazer um abaixo assinado? É imperativo que a FEBRABAN tome, não só conhecimento, mas providências acerca da situação.

  • Nossa Paula! Eu acompanho o “Crônicas” a um bom tempo, mas é raro eu postar. Tenho depressão grave por conta da minha deficiência auditiva.

    A minha 1ª audiometria foi em 2005. Em 2004 que percebi que não estava ouvindo direito. Tenho 28 anos.

    Ouvia perfeitamente na minha infância…até hoje, nenhum, NENHUM médico mesmo sabe o que eu tenho…já fiz todos os exames possíveis, e nada.

    Além disso, há um ano e meio comecei a ter zumbido. Com tudo isso caí em uma depressão profunda.

    Sofro preconceito diariamente…no trabalho, na faculdade e com meus amigos.

    É muito difícil para eles entenderem que eu escutava antes e não escuto mais…e como eu consigo entender o que eles falam na minha frente e não entendo o que eles falam no telefone.

    Sinto preconceito até com os surdos SINALIZADOS. Tem uma moça que trabalha na mesma empresa que eu que é surda sinalizada. Ela fica comentando que eu não sei LIBRAS etc…

    Bem…tenho grande dificuldade nas aulas, peço para os professores não ditarem a matéria, pois não consigo escrever enquanto olho para eles ( faço leitura labial)…mas como estou no último ano de faculdade, acho que não adianta mais…já falei para todo mundo sobre isso, e não teve jeito. Ninguém se importa mesmo, ninguém respeita…é isso que eu tenho que entender.

    Tive um “inside” com esse tópico sobre acessibilidade a surdos oralizados em bancos.

    Eu estou passando por grandes problemas com o Banco Santander.

    Preciso alterar a data de vencimento do meu cartão de crédito. Algo muito simples. Porém, para surdos oralizados está um verdadeiro drama.

    Como haverá alteração da data do meu salário, preciso alterar a data de vencimento do meu cartão de crédito. Como tenho MUITA dificuldade de falar no telefone, fui até a AGÊNCIA para solicitar a alteração.

    Recebi a informação de que isso não é possível ser feito na AGÊNCIA. A única forma de fazer essa solicitação seria ligar para a Superlinha do Santander n: 40043535. Nesse número eu não consigo escutar nada.

    Teria que ligar então do meu celular que dá para aumentar o volume da ligação. Porém, o atendimento da Superlinha é trágico. Demora no MÍNIMO uma hora para que vc resolva qualquer problema.

    A secretária eletrônica manda vc discar dezenas de números e aguardar…

    Como poderei, eu fica durante horas no celular para fazer uma solicitação?

    O pior é que o SANTANDER tem um número próprio para deficientes auditivos 08007627777. Tentei resolver meu problema através desse número ( ligando do celular). E para minha surpresa, esse número não resolve NADA. é como se fosse uma ouvidoria…tudo que vc precisa solicitar tem que ser pela superlinha.

    E quando eu relato que sou SURDA ORALIZADA pelo telefone, o atendente fica em silêncio um bom tempo. Ele deve estar pensando que eu estou brincando, pois “como ela é surda se está falando no telefone?”

    Até agora não consegui resolver meu problema e estou muito decepcionada, Mais ainda porque na AGÊNCIA onde isso deveria ser resolvido, recebi a resposta que é só por telefone.

    As vezes acho que as pessoas acham que eu não sou surda DE VERDADE. Acham que estou brincando, já que me comunico e falo normalmente. Mesmo explicando que eu perdi a audição a pouco tempo etc, as pessoas não levam a sério.

    Tanto que quando peço no serviço para que alguém fale mais alto comigo no telefone, recebo comentários de deboche…

    Então, a vida do Surdo oralizado está bastante complicado…as vezes acho que tenho que ficar tirando o aparelho auditivo da minha orelha e ficar mostrando para que as pessoas entendam que sou sim, SURDA, e exijo que me respeitem.

    Não sei mais o que fazer no caso do banco Santander. Descaso total.

    Desculpe Paula e pessoal pelo desabafo, mas tem horas que parece que vou explodir de tanto preconceito que recebo diariamente em todos os lugares possíveis.

    • Olá, Daniela

      Não desanime um desabafo é a melhor coisa que tu podes fazer, a situação de surdos são iguais para todos nós, como dizem, o problema são os outros.

      Eu sei o que é depressão pois convivi uns 3 anos com ela e a impressão é que nada vale a pena que é o fim de tudo, no meu caso comecei a ler e analisar o budismo, achei muito interessante tanto que em pouco tempo vi um novo sentido na vida, as preocupações corriqueiras são normais, todos temos.

      O mais frustrante é sermos dependentes de outras pessoas à nossa volta, quando temos uma ferramente muito útil em nossas mãos, aparentemente é mais fácil complicar do que simplificar, somos simplesmente ignorados, talvez porque sejamos passivos com o que acontece a nossa volta.

      • Ewerton, mas está demais.

        Vc acredita que eu tenho que aytender telefone no meu serviço mesmo sendo surda?

        E o pior, reclamaram uns dias atrás, pois coloco o toque do telefone no volume mais alto. Como vou escutar o tel com o volume baixo?

        E o pior quando eu falo que sou deficiente auditiva oralizada, e peço para falarem mais alto, não acreditam pois eu falo.

        Eu realmente estou quase explodindo de tanto preconceito em todos os lugares.

        Os professores na aula não se importam…

        Por isso eu me isolei. Não conheço surdos oralizados…então, me fechei totalmente. Só saio de casa para trabalhar e ir a Faculdade ( com muita força). Até o culto da igreja , vejo na internet agora, para não sair mais de casa.

        Como vc disse, a dependência é algo frustrante mesmo.

        Estou tentando manter uma postura mais ativa e exigir meus direitos. Mas sinto como se todos estivessem contra a mim. 🙁

        • Oi, Daniela

          Que as pessoas não tenham cérebro até posso entender,
          mas masoquismo estava fora de cogitação, nem conversando
          com teus colegas e/ou chefe a coisa adianta?

          • Dani, também sou de SP e temos quase a mesma idade. Sou surda oralizada, tenho 30 anos e sei bem o que é se sentir deprimida e impotente por causa da surdez. Já tive depressão e sei o monstro horrível que isso é. Mas consegui superar e sair dessa.
            Quero te ajudar, fiquei comovida com o seu relato, ninguém merece sofrer por ser surdo. Podemos sofrer por quaisquer motivos que sejam, mas sofrer por algo que não é nossa culpa? Sofrer porque somos como somos? Sofrer porque, além de sofremos preconceito dos ouvintes, os próprios surdos sinalizados nos discriminam muitas vezes? NÃO, NÃO E NÃO!!! Vc merece mais do que isso, Dani! Vc merece ser feliz, sendo surda, ouvinte, cega, cadeirante, tendo perna torta, sei lá, não importa!!!
            O que importa é que temos o direito de sermos felizes como somos. Não somos nós que temos que mudar para que a sociedade nos aceite, a sociedade é que tem de se adaptar a nós.
            Vamos fazer barulho, fumar um bagulho (rsrsrs), fazer panelaço, o que for, mas, enquanto isso, não se permita, jamais, ser infeliz por causa disso! Nunca, nunca, nunca, deixe alguém te desmerecer por vc ser surda! Vc não é menos que ninguém por ser surda, ao contrário, tenho certeza que vc e muitos outros aqui são mais, muito mais do que muitos ouvintes hipócritas e preconceituosos.
            Nós matamos vários leões por dia, somos corajosos, lutadores, vencedores! A cada dia que passa, vencemos uma batalha (ou várias). Não é fácil ser surda, é claro. Mas mantenha sua cabeça erguida e diga: Eu sou mais!
            Vou te escrever, quero te ajudar no que puder.
            Gente, o que falei vale para todos… jamais se desvalorizem ou deixe te desvalorizarem por conta de sua surdez!
            Abraços!

          • Não, não adianta…

            Só que eu preciso mudar minha forma de ser.

            A partir de agora, não atenderei mais telefone no meu serviço. Quem quiser atenda.

            Solicitei um aparelhinho que vende na Phonak que é acoplado no telefone normal e amplifica o som.

            Custa menos de 100 reais e a empresa que eu trabalho que tem um capital altíssimo, não se importa e não vai comprar.

            O jeito é deixar de ter tanta vergonha e ser mais exigente em relação a minha deficiência.

          • Com certeza Dani!!
            A gente não pode ficar ‘dando um jeitinho’…fazendo isso, só prejudicamos a nós mesmos.
            Dá um basta nessa falta de respeito no teu trabalho. E olha, Ministério Público está aí pra isso!
            Onde ja se viu te fazerem atender o telefone, meldels!!!
            QQr coisa, grita.
            Bjo,

      • Oi Ewerton ,tudo bem?Li que vc começou a estudar sobre o budismo,poderia me ajudar dizendo quais os livros que vc aprendeu?Estou procurando sentido espiritual para a vida,agradeço desde já a sua ajuda.

    • Dani de onde tu és?
      Eu já mandei um email gigante pra ouvidoria do Santander com os links dos dois posts e ainda não obtive resposta!
      :/
      Me manda um email que quero conversar contigo, temos praticamente a mesma idade e quero fazer o q puder pra te ajudar a sair dessa depressão!!
      Um beijo,

  • Essa dependência do telefone é uma droga mesmo… E imaginar que nós temos que usar aquele treco… Já vi esse telefone especial em alguns lugares (em shopping, inclusive), mas não faço a menor idéia de como usar…

    Mas tem uma coisa que me chamou a atenção: pelo que vi (posso ter visto errado, claro), a maior parte das reclamações são sobre o Santander. E os outros grandes bancos, como Bradesco e Itaú? Sei que o Bradesco tem algum tipo de serviço por SMS (se não me engano, é autorização de pagamentos). É pouco, mas já é um começo.

    E concordo totalmente com você! Temos que nos fazer ouvir! E fazer os outros entenderem que nem todo surdo/ deficiente auditivo usa LIBRAS! Já várias vezes fui abordada na rua por gente usando LIBRAS, achando que, só porque tenho um aparelho auditivo na orelha, sei LIBRAS… Mas a gente chega lá!

    Bj

  • Gente, estava fazendo uma intepretação da constituição e acabei enviando o artigo sem os comentários.

    Não sou advogada, se eu intepretar errado que me corriga.agradeço.

    a lei tem brecha, no inciso XII, fala-se de sigilo, nós estamos no expondo para outras pessoas passarem por nós, isso é errado, quero ser eu mesma, não quero que ninguém se passe por mim, afinal de contas todos temos direito iguais perante a Constituição Federal, então que arrumem um jeito para que os “diferentes” tenham direitos iguais.

  • CONSTITUIÇÃO FEDERAL

    CAPÍTULO I.
    DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS

    TÍTULO II

    Dos Direitos e Garantias Fundamentais

    CAPÍTULO I

    DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS

    Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

    XII – é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal;

    Não sou advogada, se tiver algum advogado que possa expressar o seu entendimento referente o meu comentário agradeço:

    Como a Lei tem brecha, vou fazer a seguinte interpretação de um trecho do inciso XII:

    XII – é inviolável o sigilo de dados e das comunicações telefônicas.
    Portanto, as vezes pessoas passam por nós devido a nossa impossibilidade de comunicação por causa da deficiencia auditiva, estão nós obrigando a passar algo pessoal nosso para outra pessoa se passar por nós. Isso está errado, quero ser eu mesma, pois, Art. 5º Todos são iguais perante a lei

  • Ei paula não tem como vc acionar o pessoal da imprensa , os que vc fez entrevistas etc ? aquelas revistas , uma maozinha deles pode aumentar o barulho.

  • Concordo que a Paula fez, é isso mesmo de chorar de raiva!!! Espero poder participar de panelaço….
    Qualquer coisa, estarei à disposição.
    Bjos.

  • Snifff…chorando de raiva! Eu te entendo PERFEITAMENTE, Paula, também sinto como você sente na sua pele! Claro, sou surda oralizada também…!
    O barulho, o panelaço, o movimento não deve parar! Estou nessa.
    Beijos.

  • Conta comigo!
    Estamos juntos nessa.

    Temos que fazer barulho e agir mesmo.

    Onde já se viu ter que pedir para alguém se passar por vc! Pior é a palhaçada que essas operadoras de cartão de crédito aprontam!

    É de chorar de raiva mesmo!

  • Eu já estou irritadíssima com os projetos de lei que pretendem defender nossos direitos e acham que todo surdo usa língua de sinais ou esse telefonão de teclado horroroso. Lendo esta postagem perdi o sono de vez, tenho vontade de soltar palavrões em vários idiomas. Mas precisamos sim fazer valer nosso direitos e necessidades e acho que a Febraban e o Banco Central devem ser bombardeados com reclamações.

  • Nossa, fico chocada com isso, no seu post anterior comentei que precisaria ir ao Santander resolver o lance da senha e da chave de segurança porque não recebi por correio, e pelo telefone m inha tia não conseguiu…tiveram que fazer um nbovo protocolo e pedir o reenvio da senha por correio, para agilizar, pedi a minha tia pra ligar no SAC e pedir como se fosse eu, porque tenho grana na conta e PRECISO, conclusão, não resolveu nada e vou ter que esperar mesmo. Sabe uma outra coisa que me irrita? Aqui aonde moro é cidade pequena, demoraram um século pra colocar nas agencias bancarias um visor com as senhas. Antes tinham que gritar, e eu como não ouvia sempre pedia por gentilieza pra passar na frente, mas nos correios ainda não tem a merda do visor e eles já foram grossos e deram uns berros comigo anteriormente quando reclamei. Juro que só não mando tomar no CU, porque sou de familia conhecida e tradicional na cidade, então por educação fico quieta, mas já prometi pra mim mesma que da próxima vez faço um B.O. em relação à falta de educação.

  • Também, pode contar comigo, já tem tempos que envio vários emails para alguns lugares, só obtive resposta de um.Vou usar, como vc deu autorização os posts.
    Sobre essa resposta ai, nem leram, olham leem no top: críticas ou sugestões e enviam uma cópia igual para todos.Triste Fato.

  • Não sei se choro ou rio…

    Você envia um e-mail a administradora do cartão explicando seu caso e te retornam solicitando que LIGUEM para os tais telefones???

    Qual parte não leram/entenderam???

    Tô te falando, é MÁ VONTADE mesmo, nem se esforçaram para verificar uma possível solução para seu caso. Resposta padrão como sempre dessas malditas operadoras!

    bjks,

  • Entrar via judicial é uma boa ideia. Primeiro vamos tentar organizar o panelaço, sermos “reconhecidos” e depois entrar com uma ação judicial.

    O legal seria que fosse uma ação conjunta. O pessoal do Forum de Implante Coclear fez isso para ter o IC bilateral que os planos de saúde estavam negando. Não sei bem como foi o processo, mas posso ver com a Sheila, a mãe da Amy.

    Vamo que vamo!

    Raul

  • Palhaçada… Exigir que você entregue seus dados bancários e financeiros pra uma terceira pessoa? Um vizinho?
    Primeiro, que a sugestão que estão dando significa fraude. Segundo, que nem aqui nem na casa da Mãe Joana isso significa ACESSIBILIDADE. Mandar você depender de outra pessoa, em vez de criar acesso pra você depender de você mesma?
    Gente assim deveria acordar surda amanhã, pra sentir na pele o que é isso! Depois volta a ser ouvinte….

    Beijocas

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