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Mapeamento de Fala: imprescindível na adaptação dos aparelhos auditivos

*Post escrito pela equipe Telex Soluções Auditivas

O aparelho auditivo tem como objetivo amplificar os sons para compensar a perda auditiva. Porém, não é somente esse o desejo de uma pessoa que usa próteses auditivas. Ela deseja ouvir melhor seus amigos e familiares, e quer ouvir bem em todas as situações sociais do seu dia-a-dia. Quer ouvir na igreja, no trabalho e durante um jantar em família. O que realmente deseja é ouvir melhor a FALA, pois dessa forma terá liberdade de interagir, participar e se comunicar ativamente.

As situações descritas acima, como um jantar de família no restaurante, temos no ambiente diferentes fontes sonoras acontecendo ao mesmo tempo, como a fala das pessoas próximas e o ruído do restaurante (música, burburinho, cadeiras arrastando, barulho dos talheres, do ar condicionado…) que se misturam acusticamente. Essa mistura acústica chega no aparelho auditivo através do microfone para que possam ser amplificados posteriormente.

E são em situações como essa, que aparece a principal queixa da pessoa com perda auditiva usuária de aparelho auditivo: EU ESCUTO, MAS NÃO ENTENDO! A percepção que essa pessoa tem é que o ruído incomoda, já que ele não consegue perceber a fala com clareza e nitidez. E isso, por mais estranho que pareça, é muito comum de acontecer. O que o usuário quer é “ouvir a fala acima do ruído de fundo”.

Para que se possa ver como o aparelho auditivo está amplificando a fala, é fundamental que o Fonoaudiólogo em sua rotina clínica adote como prática o uso da verificação das próteses auditivas, hoje conhecida como mapeamento de fala.

Mapeamento de Fala

O Mapeamento de Fala é uma avaliação objetiva da prótese auditiva. Com ele poderemos ter o registro da fala amplificada, através da captação do som amplificado diretamente no conduto auditivo do indivíduo. Nele, por meio do estímulo de fala mais utilizado ISTS (International Speech Test Signal), observamos se a fala está ou não sendo amplificada em todas as frequências de acordo com a perda auditiva.

É importante ressaltar que o Mapeamento de Fala é uma ferramenta imprescindível, porém o Fonoaudiólogo deve estar capacitado a realizar os AJUSTES conforme os resultados da avaliação.

O que isso significa?

Que a avaliação para amplificação da fala é importante, mas os ajustes (no software de programação do AASI) devem ser aplicados para que o usuário do aparelho auditivo tenha o benefício da amplificação principalmente para os sons de falaAlém disso, com o Mapeamento de Fala, podemos envolver o paciente diretamente na adaptação, nos ajustes como forma de orientar e aconselhar, já que ele é a peça chave nesse processo.

Imprescindível na adaptação dos AASI, mas deve ser usado em conjunto com outras ferramentas

Porém, o que precisa ficar claro é que o Mapeamento de Fala avalia se a prótese auditiva amplifica satisfatoriamente a fala, ou seja, se o aparelho auditivo é capaz de “entregar” para a membrana timpânica nível de pressão sonora suficiente para o indivíduo perceber a fala, ter acesso aos sons de fala.

Ele não avalia a capacidade do indivíduo de compreender a fala, de interpretação dos sons e de processar a informação. Essa compreensão de fala está ligada diretamente ao processamento sonoro no cérebro e deverá ser avaliada na etapa seguinte ao mapeamento de fala. Como? Através de testes de percepção/reconhecimento de fala, com objetivo de avaliar o real benefício da amplificação, ou seja, o desempenho do indivíduo em perceber e entender o que se fala principalmente em situações complexas e desafiadoras (como em um restaurante, por exemplo) após os ajustes finos realizados com base nos achados do mapeamento.

Queremos saber o que o cérebro do indivíduo faz com a informação de fala que foi amplificada – se processa ou se tem dificuldade em juntar as informações e dar significado. Para este último caso, seria interessante pensar na indicação do Treinamento Auditivo.

Assim, o Mapeamento de Fala, mais os ajustes finos pós mapeamento e por fim os testes de percepção, juntamente com a atuação do Fonoaudiólogo capacitado, poderão contribuir para o sucesso da amplificação por meio das próteses auditivas e como resultado a satisfação de quem usa.

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Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010, e também escrevo o blog Sweetest Person desde 2007. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 36 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

2 Comentários

  • Como professor de reforço escolar, tenho ainda muito a aprender, e nessa busca já encontrei algumas respostas, 01- As pessoas surdas não são mudas. 02- O conjunto se divide em três, os acomodados, os super-protegidos, 03- Os insatisfeitos, os lutdores, os desbravadores, os pesquisadores. Com esse grupo me identifico e juntos trabalhamos na busca de metodologia de ensino e aprendizagem de idiomas, seja ele qual for. Sabemos que os materiais produzidos até o presente e a metodologia empregado não atende ao que na realidade precisa de solução. a) ditado para surdo? Não funciona. b) cobrar interpretação de textos via Libras, não funciona. c) aplicar uma metodologia acreditando que é a melhor e que tudo será resolvido, engano, não funciona. d) -Aceitar que todos somos aprendizes, buscar na Andragogia o suporte, traçar planos e metas, construir protótipos e estar disposto a mudar os planos, promover reparos e mudanças, ser parte da aprendizagem. Neste estágio: vem a grande pergunta: O que nos falta? Alunos maiores de 15 anos, maduros em seu projeto de vida, dispostos a construir e a implementar sua carreira profissional, pessoal, social com muita disposição e desejo de implementar o projeto inicial.

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