Crônicas da Surdez

Minhas impressões sobre o EIA

Passeei bastante pelos corredores do EIA. O pavilhão de expositores estava lotado de stands de todas as marcas de aparelhos auditivos e implantes cocleares que existem no Brasil. As fonos ficavam ‘presas’ nas conferências/palestras/apresentações de trabalhos (restrito para elas, não participei) e, nos intervalos, vinham todas para o pavilhão dos stands socializar.

Imaginei que as fonos iriam aos stands para conhecer as novidades tecnológicas e saber dos últimos lançamentos para os seus pacientes, mas confesso que isso me surpreendeu um pouco. Todas as marcas oferecem brindes, como canetas, chaveiros, ecobags, etc. O que notei é que todo mundo estava mais interessado nos brindes do que em qualquer outra coisa. Ok, quem não gosta de um brinde?? No stand da Siemens, onde eu fiquei, observei no máximo umas cinco fonoaudiólogas que estavam interessadíssimas nos produtos e tecnologias. Isso não é uma crítica, é uma constatação – resultado de alguns anos de faculdade de Ciências Sociais, e dos trabalhos de campo de Antropologia e suas rigorosas observações.

Conheci algumas fonos muito apaixonadas pelo que fazem, que contavam com o maior entusiasmo histórias de pacientes que se deram bem com seus aparelhos auditivos. E ouvi muitas outras falando coisas super ‘politicamente incorretas’ e precisei me segurar para não soltar o verbo. Teve uma que, falando sobre uma paciente, soltou a seguinte pérola: “Pobrezinha, tão bonita, dá pena de ver ela ter que se enfeiar com aparelho auditivo“. Sabe quando você fica em três tons de bege?? Pois é.

Fiquei o tempo todo me perguntando porque diabos não existem pessoas com deficiência auditiva trabalhando nessa indústria! É uma indústria feita e direcionada para nós, e é realmente uma tremenda burrice que nenhum deficiente auditivo (usuário de AASI e IC) faça parte dela. Tudo é feito, administrado, pensado, elaborado e criado por pessoas…que ouvem!!! Não tem cabimento. As empresas e marcas deveriam contratar pessoas que NÃO OUVEM para trabalhar com elas, para dar feedback sobre serviços e produtos, para explicar para seus funcionários e fonos como é o mundo das pessoas que vivem sem som.

Falta esse FATOR HUMANO na indústria dos aparelhos auditivos e implantes cocleares – e também na área de saúde, vulgo otorrinolaringologia e fonoaudiologia. Não somos meros consumidores, somos pessoas, temos cérebros, somos bem sucedidos no que fazemos. Não faz sentido que tudo isso seja ‘dominado’ exclusivamente por pessoas que ouvem. Aliás, se alguém souber de alguma marca/empresa que tenha algum consultor ou executivo com deficiência auditiva, por favor, trate de me contar, pois desconheço a existência disso. Falta também o fator PAIXÃO. Observei muitas pessoas totalmente desanimadas com o fato de estarem ali. E isso me fez perceber o quanto a indústria como um todo perde por não ter a colaboração de talentos humanos que não ouvem e que são apaixonados por este tema, pois vivem e convivem com ele. Não vale a reflexão??

Procurei por pessoas lá dentro que também usassem aparelho auditivo. Não encontrei. Observei as orelhas de todos os funcionários dos stands de todas as marcas e também não encontrei ninguém que usasse AASI. Não vi ninguém com implante coclear. Procurei nos stands algum indício de que as marcas estivessem interessadas no lado humano da surdez e também não encontrei nada que me fizesse acreditar nisso – nenhuma menção a sites, blogs, pessoas com deficiência auditiva, apenas menção a produtos. Acho que eu era a única pessoa lá dentro com deficiência auditiva. Raciocinem comigo, não é estranho?? É claro que os profissionais são mais do que aptos a conversar e trocar idéias sobre os aparelhos e seus benefícios, mas não seria enriquecedor para eles mesmos (fonoaudiólogos e pessoal das marcas que vendem AASI e IC) trocar idéias e conversar com as pessoas que efetivamente usam esses produtos na vida real?? Não consigo parar de pensar nisso. Sinto como se fôssemos qualificados apenas para assinar um cheque e comprar os produtos, aos olhos das pessoas que os vendem. Ah, se elas soubessem…

Por fim, vi muitos livros interessantíssimos (vou postar sobre eles já já) e CD’s de treinamento auditivo. Procurei por todos nos sites das livrarias virtuais que conheço, mas não estão disponíveis. Imagino que seja preciso adquiri-los diretamente com as editoras. Além disso, não encontrei nenhuma grande novidade em termos de aparelhos auditivos – sei que estou devendo informações para vocês sobre o aparelho à prova d’água que permite até mesmo ouvir música debaixo d’água que a Siemens lançou em Chicago no mês passado, mas ele precisa passar pelos trâmites burocráticos brasileiros (leia-se Anvisa e afins) antes de ser lançado aqui, o que deve acontecer em alguns meses.

Gostaria de agradecer à Siemens por duas coisas: pelo convite (pude me ‘infiltrar’ nesse universo e elucidar várias dúvidas que sempre me acompanharam) e por se preocupar com esse fator humano da surdez sobre o qual eu tanto falo. Afinal, se não se preocupasse, eu não estaria lá dentro divulgando com tanta liberdade este blog sobre deficiência auditiva. E meu enorme muito obrigada também às fonos que foram falar comigo e me contar que conhecem o Crônicas e o indicam sempre para os seus pacientes e familiares.

PS: esqueci um ponto importante. Participei da cerimônia de abertura do EIA. Não havia tradução simultânea para LIBRAS (apesar dos aparelhos de som de ultima geração e do telão) e muito menos closed caption no telão. Acessibilidade, pra quem?

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Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010, e também escrevo o blog Sweetest Person desde 2007. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 36 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

42 Comentários

  • No comentário acima, faltou a data de compra do aparelho: junho de 2006, portanto, menos de 5 anos. A marca é Hansaton e o tipo é Dixy Power.

  • Excelente seu blog. As observações são procedentes. Quero relatar um fato. Estamos reféns da indústria de aparelhos auditivos. Minha mãe usa um aparelho digital desde fazendo revisões periódicas na empresa que os vendeu. Há +/- 6 meses o aparelho foi para revisão e voltou não funcionando direito. Fomos até a loja e a informação recebida é de que o aparelho estaria “vencido”. Procuramos o otorrino que recomendou nova audiometria. Constatou-se que o problema é de configuração do aparelho, ou seja, não está configurado adequadamente, não havendo, portanto, necessidade de um novo, visto que o existente dá conta das necessidades da minha mãe. Aí começou a Via Crucis. Da loja para o otorrino e do otorrino para a loja. Já procurei serviços de audiometria aqui em Porto Alegre. Ou não fazem trabalho de configuração ou estão ligados às empresas que vendem aparelhos auditivos. Se oftalmologistas não podem indicar óticas, se médicos não podem indicar farmácias, como os fonoaudiólogos estão vendendo aparelhos auditivos? São eles que examinam, eles que dão os preços, eles que dizem as condições de pagamento! O que fazer diante disto?

    • BOM DIAS PAULA…CONCORDO COM VC HOJE EM DIA AS EMPRENSAS OU OS PROFISSIONAIS MÉDICO E FONOS SÓ PENSAM EM LUCRA, NUNCA EM NOSSO BEM ESTAR, AMEI A SUA MATÉRIA PARABÉNS HA VOU PENSQUISAR SOBRE OS APARELHOS SIAMENS…

      ABRAÇO CLENILDA

  • Olá Paula, sou fono, fiz faculdade e mestrado na área de audiologia ai em SM (só para constar adoro esta cidade!! hehehe), conheci seu blog atravéz de uma colega, a Marina, e hoje trabalho na Comunicare, em POA, com os AASI da Siemens. Bom em primeiro lugar, tenho que concordar com você sobre os comentários a respeito da nossa profissão, infelizmente é lamentável ver este tipo de coisa acontecer, ver como existem profissionais completamente relapsos com relação a própia profissão.
    Em segundo lugar, gostaria de te parabenizar pelo blog, é ótimo, para mim é muito bom saber as tuas experiências, como tu te sente usando os AASI e novas tecnologias, sempre comento com os pacientes, com as outras fonos, uso de exemplo e indico teu blog!!! Parabéns!!!

  • Paula acredite …..ninguem queria me contratar por causa da minha deficiencia ou dos meus aparelhos …..sim cheguei a tentar fazer eventos …..se fiz 2 foi muito …” bonitinha mais com aparelhos nem pensar ” …mais ou bilingue e entendo do assunto ……NAO esses aparelhinhos nao estao no padrao ( os meus sao intracanal ) ….aff eera exatamente isso o que eu ouvia ..aww tah 🙁

    POr falar em trabalhos ……Ultimo trabalho que eu fiz fiquei chocada e super triste ..cheguie ate ficar depressiva …( exagero meu mais fiquei ) pelo fato da dona da loja no Shopping Bourbon Pompeia Sao paulo Capital me mandar embora porque descobriu que eu era SURDA …hmmmm?? depois de 8 meses trabalhando mais de 8 horas sem registro em carteira ..resolveu fazer o exame medico ( um pouco tarde neh ) mais enfim a resposta que eu ouvi foi : nao quero ter problemas com funcionario com problemas !!

    Acho que falta no Brazil nao e profissionais e sim EDUCACAO ..se ao menos estivessem preparados para saber entender as causas ….e conhecer mais o universo de cada deficiente ……certeza as vendas dobravam e a ignorancia aos poucos regredindo !!

    Bom ..como viajo muito ..vejo profissionais com deficiencia e com aparelhos nas feiras e eventos ….sim profissionais como fonoaudiologos tbem..o que eee um alivio ..pelo menos no exterior !!

    Mais entendo perfeitamente o que vc passou ….e espero que esse quadro inverte ..nao por uma justa causa ..mais por motivo de PROGRESSO humano !!!

    E isso ^^

    • Bah… Isso é preconceito descarado e desmedido, JF!

      Eu tenho dúvidas a respeito de empresas que publicam vagas para deficientes e não as preenchem por falta de qualificação de mão-de-obra. Pois bem, fica a pergunta: “Quem fiscaliza isso?”

      É muito cômodo uma empresa simplesmente não contratar, alegando falta de qualificação. Será que isso ocorre mesmo? Eu canso de ver vagas para PPD’s no caderno de empregos do jornal de maior circulação no Sul do país, entretanto fico com um pé atrás (só um pé, porque se eu colocar dois, caio de boca no chão… ok, essa foi fraca.) pois não há como saber se ao menos houve algum processo seletivo idôneo.

      Concordo contigo quanto à reclamação geral: falta de profissionais, VÍRGULA! Falta de consideração e compreensão, isso sim. Complemento também com a falta de comunicação e de conhecimento das pessoas ouvintes, perante nossa condição física.

      Enfim, JF, o teu caso deveria ser discutido e investigado. Comprovadamente, tu exercias tua função numa boa… De repente te dispensam após um laudo médico? Não conheço a Lei nesses casos, mas eu seria muito a favor de buscar orientação por causa desta experiência constrangedora.

      Abração, Rodrigo

    • J.P.. bom dia também já passei por esse tipo de humilhação..aff ninguém mereçe isso…concordo com vc o que faltam são profissinais com educação e ética, se eu fossem vc procuraria ajuda profissional, pelos seus direitos isso não podem ficar assim …boa sorte

      abraço

  • muito bom o seu post, amei a sua sinceridade ! Eu ia para esse evento com minha mãe mas não podia por causa tinha aulas da minha faculdade! :s Agora na próxima se você for, me avisa !

    abraços!

  • Acho que a respeito de close caption nas televisões programas entrevistas é muito importante para as pessôas que ouvem mal, usam aparelhos pois não é tudo que se entende , AGORA AS TVS. DE CANAL PAGO ESTÃO DUBLANDO MUITOS FILMES E CANAIS SÓ COM DUBLAGEM MAS DEVERIAM TAMBÉM COLOCAR LEGENDA INCLUSIVE EM FILMES NACIONAIS POIS ASSIM O PUBLICO SERIA MUITOOOO MAIOR, esta é uma reividicação muito impotante para se fazer, então como fica??? os canais dublados que tinham legendas não vejo mais mas continuo pagando a mesma mensalidade, ACHO QUE DEVERIAMOS FAZER ALGUMA COISA A RESPEITO, reclamando, pois assim não esta bom mesmo…..

  • Duas observações do testo que amei e assino embaixo:
    1) muitas fonos não trabalham com surdos e deficientes auditivos. Não tem práticas com indicação de aparelhos.
    2) Os extremos são perigosos: agora da-se ênfase na Libras e esquece de todo o resto. Modismo, embalo….. Temos que previlegiar todas as opções e escolhas.

    abraços

    Roseli

  • D.Damas, cada plano de saúde tem suas regras mas o aparelho audtivo entra na categoria próteses, então com indicação médica os planos de saúde cobrem prótese auditivas assim como implantes cocleares. Mas cada pessoa tem que saber como funciona isso para seu plano de saúde específico.
    Pelo SUS também se consegue aparelho auditivo ou implante ou cirurgia de otosclerose, se for indicação médica.
    As “camisinhas”contra umidade e suor são ótimas e eu compro diretamente nos EUA, me mandam por correio. Na primeira compra peça uma caixinha completa com a pecinha para colocar a capa, nas seguintes compras peça só o refill. O produto chama Super Seals e precisa ter cartão de crédito internacional tipo Visa, etc.
    http://www.justbekuz.com

    • Olá SôRamires, foi uma informação bastante útil , estou checando informações do plano de saúde sobre essa possibilidade , de fato sim tem essa opção , conforme plano contratado , estou esperando via contratual da empresa para ver se tem possibilidade real de adquirir um nessa forma . muito grato pela informação 🙂

  • Uso aparelhos auditivos há mais de 40 anos, e para ter cobertura de 70% do custo por parte de meu plano de saúde tenho que apresentar sempre 3 orçamentos de empresas diferentes.
    E o que quase sempre vi é que os fonoaudiólogos acabam trabalhando mais como vendedores de aparelhos auditivos do que profissionais preocupados com nossa saúde auditiva.
    Há anos pesquiso sobre ajudas técnicas para surdos e deficientes auditivos e quase sempre percebo que não há atualização desses profissionais, apenas conhecem o lançamento das marcas para as quais trabalham.
    Um exemplo, capinhas de látex para proteger retroauriculares da umidade e transpiração, muitos fono me disseram que não conheciam.
    A mesma coisa com o amplificador de indução magnética “hearing loop”, as empresas preferem vender os FM que servem a um único usuário em lugar de investir no Hearing loop que é de uso coletivo.
    E o escândalo que é a venda de telefones amplificados e outros equipamentos?Me pediram mais de 200 reais por um telefone que comprei por 50, mesma marca e modelo.
    É revoltante, tanto é que faço meus aparelhos e exames em outro pais, onde sou muito bem tratada, pago preço justo e tenho direito a informação atualizada e propostas culturais como cinema, teatro, palestras e conferências, concertos com amplificação especial para quem usa aparelho auditivo ou implante.

    • Olá SôRamires, tenho algumas dúvidas , é a primeira vez que vejo alguem conseguir aparelhos via plano de saúde , se possivel pode explicar como funciona toda essa burocracia para adquirir aparelho pelo plano de saúde .
      Quanto as camisinhas para os aparelhos eles nunca vão divulgar isso , é de interesse deles que o aparelho do cidadão estrague para ter uma graninha/comissão sobre o conserto , eu tive um pequeno problema no meu aparelho e o pessoal nem mesmo olhou o aparelho para ver onde estava a pane e me cobraram R$ 1.200 reais, claro que nao paguei , parece que reina a desonestidade no ramo, por sorte encontrei um profissional que me cobrou R$ 0,00 , reais, o cidadão disse para mim , isso nao foi nada , esta ai o seu aparelho funcionando.

  • Amei o texto vc falou tudo, e concordo com a Lak, não estou surpresa, cada vez mais lendo, vendo filmes e estudando sobre o assunto, vejo o “lado negro da força”.Mas tem a luz, é lutar para eles nos OUVIREM.
    bjus

  • Que que isso , eu jurava que era o lugar que mais se contrata deficientes auditivos para a linha de criação /montagem/eletronica/designers/tecnologia .
    E nao tem funcionarios com deficiencia auditiva numa linha de montagem de aparelhos isso é estranho , eu imaginei que seria como uma montadora de automóveis, o que o cara precisa , como é que , cor , desempenho , conforto , se não tem deficientes auditivos como é que testam as maquininhas ? não é possivel que nao tenha aquele cara que é o “test driver”, para o engenheiro perguntar e ai , o que achou , o que precisa melhorar etc .
    Um local sem tradutor libras e sem closed caption é realmente incrível . bola pra frente 🙂

    • Nas linhas de montagem eu não sei, mas lá no evento, não encontrei ninguém, embora tenham me informado que existem implantados trabalhando numa empresa que fabrica IC! Inclusive o Walter, um deles, deixou comentário aqui nesse post contando sobre isso.

  • Paula, muito bom o seu post. Porém acredito que existam algumas ressalvas.
    Eu acredito no poder do Capital. Todos nós temos contas a pagar e para isso precisamos vender nosso peixe e muito bem, entendo também como usuário de AASI, que não compramos um produto e sim qualidade de vida…
    O que mais me repudia é o fato de existirem profissionais mal preparados para trabalhar com o “produto” que tem. Na ultima vez em que fui comprar um AASI, fui em praticamente todas as empresas do mercado e o que vi, com algumas exceções, foi um total despreparo dos profissionais ao manusear os softwares dos aparelhos e isso para mim é pior do que o vendedor que só visa o lucro, pois além de te deixar inseguro quanto a sua qualidade de vida, posso dizer que mesmo apesar das particularidades de cada AASI, eles são bem semelhantes independente da marca, logo uma boa programação faz toda a diferença.
    Parabéns, mais uma vez!

    • É verdade, nem todos conseguem acompanhar a tecnologia e sabem nos fazer aproveitar todas as coisas incríveis que alguns aparelhos oferecem em termos de tecnologia.
      O foco deveria ser, além de vendas, treinamento!
      Abração,

  • Minha sobrinha é surda, tem sudez profunda bilateral, ela trabalha em um escritório de contabilidade desde os 16 anos e é registrada, hoje ela trabalha na área fiscal, o pessoal ensinou todo serviço para ela, na maior paciencia, escrevendo tudo e tentando da melhor forma possivel passar a aprendizagem para ela, hoje ela tem 20 anos, e adora o que faz.

  • Paula,
    Vc tem muita razão quando fala da falta do fator Humano nesse setor. Infelizmente existem muitos profissionais que não dão o devido valor às outras pessoas, fico muito triste com isso.
    E concordo contigo quando vc fala que deveria ter os DA nas empresas e indústrias da área. Só a gente que usa a tecnologia é quem sabe como é na realidade.
    Aguardo as informações sobre os livros, os cds de terinamento auditivo e sobre o aparelho a prova d’agua (isso é um sonho de consumo!!rs)
    Bjus

  • Ah, “tão bonita, mas tão surdinha, coitada” é tão comum… Eu fico revoltada com isso! O que leva a pessoa pensar assim, hein? Sei que é coisa de gente de mente pequena, mas queria realmente entender isso. Desculpa a grosseria minha, mas é realmente uma babaquice sem tamanho.

    Bjs,
    Mariana

  • É, Paula, você está certíssima. Essas empresas só visam o lucro, parece que é o ÚNICO objetivo deles… e também falta paixão não somente em fonoaudiólogos como também em quase todos os profissionais! Triste realidade!

    Bjs,

    p.s.: aguardando as indicações dos livros! Eu adoro!

  • Paula,

    Amo o que vc escreve, realmente vc tem o dom da escrita!!! Parabéns pela sinceridade dos seus escritos!!! Vc é um exemplo e acredite influencia a todos nós para deixarmos nossos complexos de lado e lutarmos pelo nosso espaço!!! Ana Caroline Rocha

  • Olá Paula,

    Em seu texto, você pediu para receber informações sobre as Empresas que têm em seu quadro de funcionários, deficientes auditivos.
    Como já comentou a nossa amiga Lak, a Politec – Importação e Comércio, tem, dentre seu grupo de funcionários, 3 usuários de Implante Coclear, sendo um deles bilateral, que sou eu mesmo.
    No stand do EIA-2011, em Maceió, esteve presente todos os dias um colega de trabalho meu, usuário de IC unilateral.
    Acho importante as Empresas deste setor terem em seu quadro de funcionários deficientes auditivos, pois são eles que têm no dia a dia a experiência prática da reabilitação auditiva através de AASI, IC, BAHA e outras próteses auditivas.
    Como Consultor Técnico, eu tenho uma aula preparada, onde falo sobre as minhas quatro fases de vida: ouvinte normal, surdo com deficiêncisa auditva severa, usuário de IC unilateral e depois, bilateral.
    Se você quiser saber um pouco mais sobre a nossa área de Soluções Auditivas, acesse: http://www.politecsaude.com.br

    Um abraço,

    Walter Kuhne Jr.

  • POIS É, QD VOU LEVAR MEU APARELHO PARA MANUTENÇÃO , TAMBEM ME PERGUNTO: PQ AQUI NESTE LUGAR NÃO TEM UM FUNCIONARIO USUARIO DE APARELHO??
    ACHO QUE SERIA ATÉ UMA FORMA DE INFLUENCIAR OS QUE ESTÃO COMEÇANDO A USAR AGORA, E NINGUEM MELHOR QUE UM USUÁRIO PARA EXPLICAR OQ É USAR, PORQUE USAR, ENFIM….
    SOMOS APENAS PARTE INTEGRANTE DAS COMISSÕES DE VENDAS!!
    ISSO ME CHATEIA MUITO!
    SÓ PQ FUI OLHAR UNS APARELHOS NOVOS COM INTENÇÃO DE FAZER O DO LADO ESQUERDO, A FONO VIVE LIGANDO QUERENDO AGENDAR CONSULTAS!
    SERIA PREUCUPAÇÃO COM MEU BEM ESTAR OU COM O BOLSO DELA???
    BJS PRA VCS

  • Só por Deus, mais uma vez constatado que somos meros ” consumidores” de aparelhos auditivos.

    Quando será que terão alma, para pensar com alma sobre as pessoas que tem problemas auditivos?

    As vezes penso e me preocupo, com relação a esse interesse em vender aparelhos, ou seja, vender, por vender, sem atentar que estão lidando com ser humano.

    Aparelho auditivo é saúde, quando acertamos com o fono e os aparelhos para o nosso problema.

    Bjs

    • Eu acho que existem sim profissionais preocupados com a nossa saúde tanto auditiva quanto mental mas, infelizmente, o que mais existe são profissionais que se focam apenas no enorme lucro que a venda de aparelhos auditivos gera.
      Atrás das orelhas existem pessoas!
      Beijos,

  • É triste ver como a indústria esmaga o fator humano. Quando o fono me disse que precisaria usar aparelho auditivo, foi logo me entregando o cartão da pessoa com quem eu DEVERIA comprá-lo… Eu representava apenas a comissão dele naquela hora. Resultado: continuo com um zumbido infernal do ouvido, algumas limitações… mas sem aparelho. Ainda busco um profissional que possa me dar mais que um diagnóstico, que possa esclarecer todas as minhas dúvidas…
    Bjs

  • Paula, não sei pq não fico chocada com a sua constatação que não existe deficientes auditivos trabalhando na industria de aparelhos… Somos mera fábrica de dinheiro e mais nada.
    Mas sei que a POLITEC (a empresa que importa e distribui os aparelhos da Cochlear aqui no Brasil) tem implanados trabalhando lá sim. Tive o prazer de conhecer dois deles pessoalmente quando estive na revisão.
    No mais, esse post será sumariamente copiado pro DNO amanhã (com fonte, claro).
    Beijocas

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