Crônicas da Surdez

Museu do Louvre em Paris: deficientes auditivos não pagam ingresso

Lembram que tempinho atrás publiquei um post contando que não paguei para entrar no Museu do Louvre? Pois é, inventei de atualizar uns plugins do blog e o post foi pro beleléu. Como sei que isso interessa a muita gente, encontrei duas fotos que tirei nesse dia. Quem deixou algum dos valiosos comentários naquele post, peço encarecidamente que deixe de novo neste – lembro que alguém comentou que estava em Paris e tinha feito uma infinidade de passeios e visitas a pontos turísticos sem precisar pagar ingresso.

 

A foto acima mostra o lugar através do qual pessoas com deficiência (e um acompanhante) entram no museu, livre de filas e de espera.

 

Eu estava na fila para comprar nossos ingressos quando li o cartaz desta foto. Quando chegou a minha vez, perguntei pro moço que me atendeu se havia algum desconto para quem tinha deficiência auditiva. Aí ele começou a sinalizar pra mim e ficou meio boquiaberto com o fato de que eu não usava língua de sinais e falava como ele. Resumo da história: ele insistiu que eu e a minha avó fôssemos com ele até a entrada ‘especial’ porque a lei me garantia esse direito. Primeira vez na vida que não paguei um ingresso por ser DA. Sei que isso é um assunto que divide opiniões, mas o objetivo não é discutir o caso, apenas contar para aqueles que querem aproveitar esse direito e fazer uso dele. 😉

7 amaram.

Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010, e também escrevo o blog Sweetest Person desde 2007. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 36 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

14 Comentários

  • […] levou até uma entrada especial e explicou que PCD e um acompanhante têm entrada gratuita – aqui tem post de 2012 sobre isso. Fiquei com aquilo na cabeça e, como li em vários lugares sobre isso, cheguei ao Museu Rodin […]

  • Olá Paula, primeiramente parabéns pelos textos, li vários e me identifiquei com muita coisa. Tenho uma pergunta, sabe me informar se na visita aos museus franceses é necessário levar laudo médico para comprovar a surdez?
    Obrigada,
    Ana Paula

  • Eu uso aparelho auditivo nos dois ouvidos, com perda moderada em um e severa em outro ouvido. Porém falo perfeitamente, será que também tenho direito? Como falo perfeitamente será que tem que levar algum atestado médico ou só os aparelhos nos ouvidos é suficiente.
    Quero aproveitar e dizer que adorei sua publicação, pois realmente temos pouquíssimos benefícios pela deficiência e prejuízos que só quem tem a deficiência sabe como é .

  • Karen, como eu faço essa carteirinha que me identifica como deficiente auditivo? Que documento oficial pode declarar que dou DA? Por onde começo? Obrigada.

  • No Brasil, os espaços públicos como museus, parques, os ingressos são gratuitos, basta apresentar um comprovante que é deficiente.
    Nos cinemas e teatros, também apresenta um documento que você é deficiente auditivo e daí, paga meia entrada.
    É só reinvindicar os nossos direitos.

  • Não brinca!
    Fiquei de cara agora. Estive por lá em maio deste ano, fui na porta do Louvre e dei meia-volta porque não queria ficar o dia todo (ou uma tarde toda) enfurnado dentro de um prédio. Mas já que era de graça, até injeção na testa rs…

    Ficarei mais atento a este tipo de coisa.

    Em tempo: fico admirado com o suporte para os deficientes, estimulando a interagir com a sociedade e não ficando de canto.

  • Como comentei no post anterior que foi apagado acidentalmente, eu entrei de graça nos museus de Lisboa! Eu não sabia dessa lei, descobri por acaso.

    Tinha resolvido ir ao Museu de Cerâmicas, e meus pais para interagir com os portugueses, foi contando para o moço do balcão que eu era surda. Aí este moço chegou até mim e disse: “tenho uma surpresa para você!!!” e estava com uma coisa escondida na mão dele. E me mostrou um papelzinho branco, com a mão ainda tampando alguma coisa. E meio que fez como se fosse um show de mágica, e mostrou que no papel estava escrito “zero euro”. Achei o máximo o jeito que o moço brincou comigo, aquilo fez o meu dia. Depois desse dia, fui no oceanário e falei que era surda pro caixa, e me deram um ingresso grátis (ainda bem!!! porque o ingresso era caaaro).

    Eu acho justo que os museus nos dêem os ingressos de graça porque dentro desses museus existe um serviço de guia por fone para ouvintes, o que a gente não pode usufruir, então vejo isso com uma forma de compensação.

    Quando estava em Londres, eu tentei ganhar algum tipo de desconto em ônibus de turismo, que também tem fone de guia. Mas a atendente exigiu uma carteira que comprovasse que eu era surda. Nunca vi este tipo de carteira, já pesquisei e não achei nada sobre o assunto na União Européia. Olha que eu sou italiana, já perguntei pro consulado italiano e ninguém sabia de nada! Nem achei também no site do órgão italiano que representa os surdos ( http://www.ens.it )

    Já entrei de graça nos museus de Paris, mas não como surda e sim como estudante de design!! Eles dão ingressos de graça para estudantes de qualquer profissão que venha da arte. Vi muitas pessoas jovens dentro do museu fazendo desenhos das estátuas e outras obras. Achei suuuper interessante este tipo de incentivo à cultura. Só precisei mostrar a carteirinha da faculdade onde estava escrito a minha profissão em curso da época.

    Sei que o Vaticano também dá ingresso de graça para os surdos e deficientes físicos. Mas não pegarei este ingresso porque não tenho coragem de enfrentar a fila quilométrica, prefiro comprar pela internet mais pelo conforto. De acordo com o site, tem que pegar uma fila especial, preencher uma papelada no caixa e esperar a autorização do pessoal. O Vaticano treinou um grupo de guias para surdos e cegos. Só que os guias falam em sinais italianos, senão eu iria querer contratar este serviço! Uma pena!

  • Que ironiaaaa
    “Com recursos do Ministério do Turismo…” e depois “o serviço é disponibilizado mediante pagamento…”
    Como é? Não somos nós que mantemos o Ministério do Turismo, via pagamento de impostos???

    • Pois é Silvia, uma vergonha! O mesmo se aplica se um turista estrangeiro decide visitar nossos museus e verifica que precisa pagar para ter acesso a um tradutor. Shaaaaaameeeee!!!

  • Gente, que diferença se compararmos o “serviço” prestado pelo Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro! http://www.museuhistoriconacional.com.br/mh-s100.htm

    “Serviço de áudio guia e multimídia com linguagem em libras – Com recursos do Ministério do Turismo, o Museu Histórico Nacional oferece serviço de áudio guia em três linguas (português, espanhol e inglês) e guia multimídia com linguagem em libras (Linguagem Brasileira de Sinais) para deficientes auditivos.
    São 40 equipamentos de audio e dois especiais, com tela de TV para os deficientes auditivos. A duração do áudio guia em português é de 1 hora e 23 minutos. A versão em espanhol tem a duração de 1 hora e 11 minutos e a em inglês 1 hora e 5 minutos.
    O serviço é disponibilizado ao visitante no valor de R$ 8,00 (oito reais).”

    Ou seja, você ainda precisa pagar R$ 8,00 por um serviço que deveria ser gratuito!!! E fora o ingresso né? #prontofalei

  • Paula, a respeito do assunto dividir opiniões, eu penso o seguinte: por lei, olhando a questão da acessibilidade, no caso de visita de um portador de deficiência (seja ela qual for), ao museu, este deve fornecer opções – se o deficiente está sozinho, e é cadeirante, um funcionário do museu deve guiá-lo; se for usuário de linguagem de sinais, deve ter intérprete e por aí vai. Neste caso, acho o máximo que o museu ofereça entrada gratuita para o deficiente e seu acompanhante, pois pense bem: caso o deficiente estivesse sem acompanhante um funcionário do museu deveria acompanhar a visita. Eu fui com uma amiga ouvinte, a vários museus em Paris sem pagar nem pegar fila, neste caso ela é minha intérprete… ou seja, faz um trabalho que em sua ausência uma pessoa do museu teria de fazer. Nada mais justo do que ela também não pagar.

    • Eu sempre pedia verificava se davam desconto para estudantes, nunca pensei em pedir diretamente descontos para surdos.

      Bom, minha visão não é das melhores também, aí esse cartaz deve ter passado despercebido.

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