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Opn™: primeiras impressões dos usuários

Após o sucesso do lançamento do projeto #goopn – vídeo mais assistido da história do Crônicas da Surdez, gente, mais de 54.000 views no Facebook – é hora de passar o bastão para que o Marcus Novello e a Daniele Kraus Machado falem sobre o Opn™! Perdeu? Então leia o post aqui 

Mas antes, quero compartilhar com vocês as minhas impressões. Estou em contato direto com eles todos os dias, e conversamos muito sobre suas descobertas e redescobertas sonoras. O que percebo é que eles estão felizes, vivendo as suas rotinas no trabalho, em casa e na vida pessoal com uma percepção mais ampla e rica do som, e isso teve a consequência linda de os fazer se sentirem mais seguros. A Dani e o Marcus me fizeram lembrar de como a minha autoestima mudou quando eu mesma passei a usar AASI’s tecnológicos, anos atrás. É incrível o que eles são capazes de fazer pela nossa audição e pelo nosso emocional! 🙂

Não só aquela segurança interna que quando ganhamos é capaz de mudar a nossa existência, mas segurança física também. Só quem não escuta entende como é difícil administrar o medo que sentimos quando não somos capazes de ouvir barulhos de alerta, quando não identificamos carros que não vimos passando, quando não escutamos as pessoas nos chamando…

Percebo que a Dani e o Marcus também estão reconfigurando alguns medos antigos que foram presentes da surdez, especialmente, o medo do telefone. Até não muito tempo atrás, telefone me dava calafrios, suador e um coração acelerado de brinde. Quando reconfigurei esse medo depois de voltar a ouvir, foi como se tivesse fechado uma grande ferida, e isso me deu paz.

Ver essa dupla tão merecedora construindo essa paz através da tecnologia do Opn™ me enche de alegria. Não só por eles, mas também por todos vocês que acompanham o #goopn e vão se encorajar a testá-lo – e, se não ele, outro aparelho auditivo. Plantar no coração de cada um de nós que precisa de aparelhos auditivos que a mudança que eles trazem não tem preço é meu objetivo maior. A reabilitação auditiva salva vidas e recoloca as nossas almas no lugar. O resultado disso é termos mais disposição e coragem para correr atrás dos nossos sonhos, sejam eles pessoais ou sonoros!

MARCUS

 

Quando fui chamado para participar desse projeto, fiquei muito animado. Uso aparelho auditivo desde a minha infância, então esse universo sempre fez parte do meu dia a dia: marcar audiometria, comprar pilhas para o aparelho, ir à fonoaudióloga ajustar frequências…

BrainHearing™

O que mais me impressionou no Opn™ foi a conectividade com a Internet, com o celular e o BrainHearing™. Como assim quem escuta é o cérebro e não o ouvido? Fiquei muito intrigado. É assim: se considerarmos apenas o ouvido como a peça chave na audição, não levamos em conta que é o cérebro que processa a informação que recebemos do ambiente e seleciona, de todos os sons, o que vamos escutar em primeiro plano. Escutar é um processo cognitivo e não mecânico. Sempre que não captamos algum som em uma conversa, por exemplo, cabe ao cérebro preencher essa lacuna interpretando o contexto das outras palavras para entendermos o que foi dito. A tecnologia BrainHearing™ facilita esse processo cognitivo selecionando sons mais relevantes para o cérebro, ao invés de aumentar o volume de todos os sons à nossa volta.

Conectividade

A conexão com a internet e o celular facilitam as atividades do dia-a-dia em um nível que eu jamais teria imaginado. Fazer uma ligação nunca foi um problema para mim, mas poder escutar direto no aparelho auditivo a voz de quem está do outro lado da linha é libertador. Não precisei fazer malabarismos com o telefone para encaixar diretamente no microfone do aparelho. Adeus também à microfonia e à amplificação de todos os ruídos à minha volta. Agora atendo minhas ligações em paz e tranquilo!

Orquestra Sinfônica

Eu queria testar todas as funcionalidades do Opn™ em um ambiente extremamente desafiador: uma orquestra sinfônica. Não é à toa que esse programa dá um frio na barriga de quem tem perda auditiva. A primeira pergunta é: será que eu vou escutar tudo? Cada orquestra tem diversos integrantes tocando instrumentos de frequência, ritmo e volumes diferentes. Tudo ao mesmo tempo agora. Comprei ingressos para a minha família e assistimos um concerto na Sala São Paulo, na capital paulista. Eu já tinha assistido concertos nessa mesma sala e queria testar se notava alguma diferença entre Opn™ e os aparelhos auditivos anteriores.

 

Assim que a música começou, senti a diferença. Eu conseguia distinguir com mais facilidade cada instrumento que ia surgindo. Fiquei impressionando com a facilidade de localizar cada som e, pasmem, conseguia escutar todas as notas separadas e distinguir duas notas quando eram tocadas juntas. Fiquei emocionado por sentir na pele o que a tecnologia faz em nossas vidas: ela nos transforma, conecta e leva a patamares que não chegaríamos antes.

Direcionalidade

Na mesma semana eu estava andando em uma rua super movimentada com a minha mãe e uma cena me chamou a atenção: um menino de 5 anos usando implante coclear estava no colo do pai, brincando e rindo. Fiquei emocionado com o carinho entre os dois e a forma como o pai enxergava a perda auditiva do filho: como se não fosse nada demais, bastava usar um aparelho que o ajudasse.

Atravessamos a rua e ficamos mais próximos deles. No mesmo instante passa uma menina assobiando e imediatamente o menino pára, olha para ela, olha para o pai e começa a assobiar também. Se ele não usasse aparelho auditivo, não estaria conectado à essa realidade em que a menina assobia e ele escuta. O menino permaneceria em uma realidade paralela onde esse momento de troca de carinho e experiências jamais aconteceria.

Parei para refletir na beleza desses momentos e me dei conta que eu também não estaria nessa realidade! Se eu não estivesse usando o Opn™ provavelmente todas essas nuances passariam despercebidas, porque, com a direcionalidade 360 graus tenho acesso aos assobios de quem está por perto – e olha que minha perda nos agudos é bem acentuada. Graças à tecnologia e aos gadgets nós estamos mais e mais conectados a uma rede em que todos interagem entre si. Este aparelho auditivo vem me surpreendendo desde o dia em que eu comecei a usá-lo.

Nunca tive problemas no trabalho por usar aparelho auditivo, mas o Opn™ trouxe uma facilidade por não amplificar todos os ruídos do ambiente. A tecnologia seleciona o som que é mais importante escutar em uma determinada situação, demandando menos esforço para conversar com uma pessoa próxima sem interferência de outros ruídos.

O maior impacto foi na percepção da minha própria voz. Por usar aparelho auditivo, sempre me escutei em um tom maior que as demais pessoas, dando a impressão de que eu falava baixo. O Opn™ permitiu que eu escutasse a minha própria voz de forma mais clara e em um tom mais próximo ao real.

DANIELLE

 

Quando meus AASI’s novos foram ligados, entendi o que era a redução de ruídos, e comecei a sentir o que era ouvir sem esforço, sem os ouvidos me lembrarem a todo momento “Ei, você está de aparelhos“. Aquele rádio chiando desapareceu. Nos primeiros minutos com o Opn já foi possível ouvir um ônibus fazendo a curva atrás de mim, na esquina, e saber exatamente a sua localização, vindo da esquerda para a direita. Agora tudo que eu olho tem seu respectivo som, em seu respectivo lugar.

Redução de ruídos e entendimento de fala

Quando gravamos o vídeo e pelas minhas costas o fotógrafo disse “Vira mais pra cá, por favor” e me virei para o lado certo, meu cérebro fez ‘click’; eu estava confiando nos meus ouvidos! Sorri de realização, por algo tão simples para outros, mas grandioso para mim.

No meu primeiro dia no trabalho com o Opn™: cadê o ruído de fundo? Agora os sons são de carros passando, máquinas ligadas, passos, martelos de construções, cada coisa em um local diferente. E através de paredes de gesso consigo identificar um pouco melhor as vozes dos meus colegas de trabalho. No silêncio total de antes das 7 da manhã consegui identificar o que minha colega disse através da porta de madeira.

Dentro do ônibus, o barulho do motor mudou bastante, descobri que a chama no fogão de casa faz barulho, e fiquei apreciando uma panela borbulhando com toda a atenção como se fosse a primeira vez que via aquilo! Ouvi e identifiquei pela primeira vez desde que uso aparelhos auditivos o barulho da chuva.

Faculdade

No meu primeiro dia na faculdade com o Opn™, na sala de estudos notei um passarinho cantando bem alto lá fora. Comentei com meus amigos: “Nossa, temos um novo visitante, e que canta bem alto, hein?” E eles responderam: “Sempre teve, Dani“. Aí comecei a “rebobinar” na minha mente o último ano com os AASI na faculdade: eu ligava só durante as aulas, ao estudar desligava porque os barulhos de fundo para mim eram só ruídos. Desliguei por uns instantes e não acreditei: não ouvia nada mesmo do passarinho! Foi um choque de realidade, como se tivesse descoberto de novo que não escuto! Não desliguei mais o aparelho nesse dia…

 

Aula prática de Conversão Eletromecânica de Energia: uma matéria em que ouvir o professor é tão complicado quanto o próprio nome da disciplina. Estava bem ansiosa pelas aulas práticas, porque quando os professores apontavam para os circuitos/peças e falavam ao mesmo tempo, eu nunca conseguia olhar o que eles apontavam – estava fazendo leitura labial. Mas agora, está bem mais fácil entender as explicações com o motor ligado, e olhando para o motor em vez de fazer leitura labial!

Pela primeira vez quase esqueci de tirar meus AASI’s na hora do banho: como o som é muito natural, só notei ao tirar a blusa que passou nas orelhas e então o barulhinho me lembrou. Ufa! No mesmo dia minha mãe comentou que a comunicação em casa melhorou bastante, que até estranhou não ter que repetir tantas coisas. De noite, ao assistir vídeos de músicas no youtube, notei uma compreensão muito melhor do inglês, principalmente consoantes, em que tenho mais dificuldade. Pequenas vitórias.

Música

Ouvir música direto no aparelho me dá uma sensação incrível! A compreensão ao telefone melhorou bastante também (embora ainda perca algumas falas quando ele faz o “bip” de mudança para o modo auto-fone)

 

 

Eu toco piano, e com o Opn™, cada vibração de cada corda ficou mais nítida, e o mais incrível foi notar a localização das teclas, se o som vinha da direita ou esquerda. Aceitei um desafio: pela primeira vez, tocar em público em um evento. Antes, claro, um pequeno discurso falando da deficiência auditiva, relação com a música e sobre aceitação, usar aparelhos, o que levou o público às lágrimas.

Dia desses havia um cantor de rua, com sua caixa de som e muitas senhoras idosas ao redor apreciando o show. Parei pra apreciar também. Momento mágico. Sem os “degraus” e os “pequenos cortes” que eu sentia antes, nas músicas ao vivo. Creio que isso se deve à velocidade de escaneamento do ambiente que o AASI possui.

E o mais importante: o Opn™ não melhorou só o meu mundo, melhorou também a vida daqueles que me cercam! Meus amigos estão tendo menos dificuldade para falar comigo, me enviam vídeos porque sabem que eu vou ouvir e entender melhor; meus pais estão felizes que estou participando mais das conversas, e muitas situações que antes eu fugiria para não conversar, agora eu enfrento! A conexão com as pessoas mudou minha rotina e minha autoconfiança. A confiança nos ouvidos aumentando, sentimento de que os limites estão se expandindo e posso ir em qualquer lugar.

 

O que acharam? O primeiro mês de uso de aparelhos auditivos costuma ser tão tenso, né? Mas após ler este primeiro relato da Dani e do Marcus, cheguei à seguintes conclusões: a atitude positiva perante as mudanças e a vontade de extrair o melhor de qualquer situação que a surdez nos impõe, se somadas à tecnologia, têm um poder transformador incalculável.

Tenho certeza de que nos próximos meses eles irão superar desafios muito interessantes que nem imaginavam que conseguiriam. O próximo post da série #goopn entra no ar dia 16 de julho. Fiquem ligados! 🙂

52 amaram.

Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010, e também escrevo o blog Sweetest Person desde 2007. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 34 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

8 Comentários

  • Gente, o OPN1 é maravilhoso. Estou usando há 1 mes e foi a melhor coisa da minha vida
    Sou de Campina Grande/Pb e adquiri na OTOMAIS em João PEssoa/PB. Só uma dúvida,
    o ajuste do OPN1 dessa dupla maravilhosa foi feito aonde? Utilizou o mapeamento de fala que tb foi objeto de postagem aqui no crônicas, que é feito pela Dra. Luciana Garola? Na IVA auditiva.

    Estou doida para saber esse detalhe

    clarissa

  • Interessante a Paula explicou e foi falado alguns detalhes sobre essa tecnologia que ajuda e soma nas necessidades da audição

  • Estou encantada com essa serie! Vivendo e me emocionando com vocês. Parabens prlas conquistas! Marcus, tenho um filho prematuro de menos de dois anos que usa AASI desde bebezinho. Gostaria de trocar experiências com você . Abs

  • Nossa! Q legal, deu vontade até de usar esses aparelhos. Tenho perda auditiva de grau severo nos dois ouvidos e atualmente não uso nenhum aparelho, vou me virando na leitura labial e alguns vestígios auditivos, como sempre fiz. Sempre me emociono vendo a superação das pessoas e sonho em quando chegará o dia q irei me superar.

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