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Opn™: review do quarto mês de uso do aparelho auditivo

Como lidar com a iminência do final do projeto #GoOpn, no qual a Dani Kraus e o Marcus Novello compartilharam conosco todos os detalhes das suas experiências com o uso do aparelho auditivo Opn™, da Telex Soluções Auditivas? Confesso que estou me sentindo como as mães que precisam deixar seus filhotes baterem as asas e ganharem o mundo – se bem que isso eles já estão fazendo, e muito bem!

Esse mês, ambos contam sobre a experiência arrepiante de voltar a poder curtir música, uma paixão que estava adormecida para ambos! 🙂

Danielle Kraus Machado

Já tiveram a sensação de experimentar uma comida nova, e pensar “Uau, como eu não provei isso antes?” É assim que me sinto todos os dias ao colocar o Opn™ pela manhã, e ao retirar pela noite, sinto falta. Como vivi tanto tempo achando que ouvia bem? E como é possível que antes, com tanto cansaço no final do dia, eu não tenha procurado melhorias? Tenho certeza de que vários outros usuários de aparelhos auditivos também sentem o mesmo.

Depois dessa mudança na minha vida, se uma pessoa me diz que está insatisfeita com a audição, já pergunto o que ela vai fazer hoje mesmo para melhorar! Porque todos nós já sabemos: reclamar não recupera ouvido algum, o que melhora é fazer esforço na adaptação com novos sons, é se desafiar, é falar com a família sobre as dificuldades e o que vocês podem fazer para se comunicar melhor.

Me diverti muito nesse último mês voltando a fazer algo que me lembrou o início da adolescência: conversar na webcam com amigos de longe! Que nostalgia! Usei o ConnectLine TV no notebook, e assim pude reviver aquelas lembranças! Quem usa aparelhos auditivos entende a dificuldade que é entender falas através de caixinhas de som, né? Mas com o Opn™ e ConnectLine TV pude conversar com os sons muito naturais, via bluetooth, e ainda ouvindo minha própria voz, emoção pura!

 

 

O desempenho em locais com péssima acústica está sendo ótimo: em uma entrevista sobre a campanha por legendas foi possível conversar dentro da sala de cinema, algo que antes era tão difícil! Outro lugar complicado: dentro de ônibus (realidade dessa vida de universitária). Mas me senti tão realizada por conseguir entender uma conversa entre três mulheres ao meu lado, e elas estavam falando sobre implante coclear! Pedi licença e participei da conversa, e elas ficaram maravilhadas com as informações que trocamos ali naquele período tão curto, sobre AASI, IC, e principalmente priorizar qualidade de vida e não só preço.

Quem usa aparelhos auditivos sabe que às vezes temos “surpresas auditivas” só nossas, que nos deixam felicíssimos, e uma dessas surpresas foi ao visitar novamente o Palácio Cruz e Souza (em Florianópolis, SC). Subo as escadas, sinto algo diferente, presto atenção e descubro que estou ouvindo uma melodia, bem aguda, ecoando pelos cômodos. Uma caixa de música antiga, mecânica, de madeira e ferro. Sempre soube que ela estava ali, mas não sabia a música linda que tocava. Nas minhas idas anteriores era tudo silencioso. Algo tão antigo produzindo som e algo tão tecnológico me permitindo ouvir; duas épocas tão diferentes, tecnologia antiga, tecnologia nova, conectadas através dos tempos pelo som! 🙂

E um detalhe que fez diferença esse mês: devido a um tratamento com remédios minha audição ficou oscilante, mas com o controle individual de volume, com um toque no celular posso controlar o volume só no direito, ou só no esquerdo, gerando muito mais conforto, me permitindo fazer as atividades normais do dia a dia e aproveitar normalmente as aulas.

E por falar em aulas: quem diria que eu entraria em uma aula de dança de salão? Se me perguntassem há um ano eu diria que jamais faria isso! Mas é quando nos desafiamos que os melhores momentos e realizações acontecem. Minha amiga me chamou para participar, aceitei e tem sido tão legal! Facilmente reconheço os sons graves ou agudos das músicas, e algumas partes das letras em português, mesmo sendo em um ginásio, com acústica não tão boa assim.

Quando alguém me pergunta sobre os meu aparelhos, eu digo “É o Opn™”, e explico que “open” significa “aberto”, e esse nome é perfeito porque abriu meu mundo para muitas oportunidades, amizades, lugares novos e atividades que antes causavam receios.

Não sou a única a ter certeza que qualidade de som e conectividade mudaram minha vida. Minhas amigas da faculdade me falam frequentemente sobre como eu mudei, como estou falando melhor e interagindo mais. Nível de realização foi muito grande ao ouvir de uma delas a frase “Dani, você conversa mais com a gente. Antes parecia sempre tão distraída, não ria muito, e muitas perguntas você não respondia, ou indagava com um “Aham”, e a gente sabia que você não tinha escutado. Você mudou muito mesmo!”

Da mesma forma que ouvir bem é algo que os outros notam, ouvir mal é algo que também aparece, e muito. É uma deficiência invisível quando olhamos de longe, mas na convivência é ela que nos torna invisíveis, como se não estivéssemos ali, vivendo aquele momento.  A cada realização vem junto a gratidão, e me lembro da Paula, do Marcus e da equipe da Telex, lá no primeiro dia. Tanta expectativa, emoção, e uma ansiedade que logo deu lugar a tantas surpresas maravilhosas, e que não acabam por aqui. Aprendi muito nesses meses com o Opn™, aprendi o quão importante é buscar qualidade sonora, e como vale a pena se desafiar cada vez mais nesse mundo tão cheio de sons!

Marcus Novello

Antes de embarcar nessa aventura do projeto Opn™, pensei em todos os desafios cotidianos que eu enfrentava com a perda auditiva. Pensei em salas de aulas lotadas, restaurantes barulhentos, ruas movimentadas, conversas em viagens, pessoas me chamando de longe e som em filmes. Essas foram as situações que me chamaram a atenção em todos esses momentos vividos como usuário de aparelhos auditivos desde criança.

Ao longo desses meses de uso, fui surpreendido pela tecnologia, pela qualidade do som e por algo que eu jamais imaginaria que voltaria à minha vida: o prazer de escutar música.

Recordo-me de ganhar um Walkman, na época em que usávamos fitas-cassete, e escutei muito a trilha sonora dos Power Rangers. Pudera! Eu tinha seis anos. Depois foi a época do Discman. Eu comprava CDs novos e aguardava os lançamentos das minhas bandas favoritas. Também fiz muitas aulas de música na escola e me interessei desde cedo por bossa nova e outros clássicos brasileiros. Na adolescência, passei a acompanhar com o iPod.

 

 

Ao terminar o colégio e ingressar na faculdade, comecei a correr na praia diariamente. Durante as férias eu chegava a correr três vezes ao dia – de manhã, de tarde e à noite. O que sempre estava ao meu lado nesses momentos? O fone de ouvido. Até então a música era frequente na minha vida, mas nunca nessa intensidade. Escutar as minhas bandas favoritas, enquanto corria com a brisa do mar, me recarregava e me fazia ir além. A cada corrida a minha velocidade melhorava.

Já escrevi em alguns posts o quão importante é ter um acompanhamento de um fonoaudiólogo. Faço audiometrias anualmente e, após um ano correndo todos os dias com fone de ouvido, veio a constatação: a minha audição tinha piorado muito.

Como a minha perda auditiva foi por conta de um antibiótico que eu precisei tomar devido às complicações pós-nascimento, ela sempre se manteve estável. Não havia piora desde a minha primeira audiometria. Porém, aquele ano foi diferente, e passado o susto, fiz o que eu tinha que fazer: parei de escutar músicas durante as corridas e no trajeto para a faculdade. As bandas favoritas saíram da minha mente e a rotina já era diferente. Alguns anos depois eu nem acompanhava mais os hits do momento. A presença constante se tornou uma ausência e deu lugar à indiferença…

Assim que o Opn™ foi ajustado às minhas frequências e eu soube da funcionalidade Bluetooth, o primeiro instinto foi escutar uma música. Foi uma emoção muito grande e todos perceberam o meu sonoro “UAU” assim que a música começou a tocar nos meus ouvidos.

No primeiro mês, fui a uma orquestra sinfônica para testar toda aquela tecnologia que me falaram. Será que era isso tudo mesmo? E não é que era? No segundo mês, fiz uma viagem com amigos e escutei algumas playlists no telefone. Foi nostálgico.

A tecnologia me trouxe algo que eu jamais esperaria. Ao longo desse período vi o quanto a música era uma paixão que estava adormecida e eu não tinha nem me dado conta. Assim como a Dani falou no primeiro vídeo, o nosso maior sonho é que a vida tivesse trilha sonora. Agora eu posso dizer que finalmente encontrei a minha.

Para ler todos os posts com review do aparelho auditivo Opn™, clique aqui.

17 amaram.

Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010, e também escrevo o blog Sweetest Person desde 2007. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 36 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

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