Respeito é bom…

*depoimento de uma leitora

“Hoje estou me sentindo muda. Muda por que acredito que todo mundo tem o direito de escolher o que quiser. Estou indignada por que muitas pessoas não entendem que quero ter o direito de escolher pra quem, onde e quando eu quero falar sobre a minha deficiência auditiva.

O que você acha? A maioria acha bobagem. Imagina, quando inicio uma conversa com alguém, meu marido ou alguém da minha família entra na conversa e diz: “ela não escuta direito, tá?”

Que coisaaa! Deixa que eu falo? Não fico brava, mas fico pensando que EU deveria falar, não é? Como acredito que quando convivemos com alguém temos que falar tudo o que gostamos e o que não gostamos, fui falar com toda a educação que eu preferiria falar e escolher o momento de falar da minha surdez.

Ahh… é pura frescura.”

NÃO acho frescura, estou pedindo respeito. Certo que talvez tenha perdido algumas coisas, passado por antepática, grosseira e sei lá mais o que… Mas o que adianta informar se algumas pessoas ainda acham que a gente está querendo chamar a atenção, que apenas escuto o que eu quero (essas piadinhas), ficam testando se a gente é surda mesmo. E também não quero sair por aí com uma faixa na testa: “Fale mais alto, desculpe não sou grossa, sou surda! Pô!”

É a minha vontade, acho que não é um defeito, mas apenas algo particular e quero escolher o momento e a pessoa que vai saber. Por favor, me digam que não sou uma antissocial (é assim na nova ortografia?) intragável.  Acredito que não!”

Querida leitora,

Eu sinto a sua dor! Demorei um bom tempo até aprender a me impor com as pessoas a respeito disso. Na verdade, onde eu mais me irritava era no trabalho – na família, graças a Deus, não passei por isso, mas, com alguns amigos, sim!! No trabalho, várias vezes (trabalho há quase 10 anos no mesmo lugar, e isso acontecia nos primeiros anos) eu estava atendendo normalmente uma pessoa, ouvindo e entendendo o que a mesma dizia, sem problema algum de comunicação, quando chegava uma colega por trás e dizia em alto e bom tom: “Ela não escuta, viu? É surda!”. O sangue fervia!! Se eu estivesse numa situação em que meu interlocutor estivesse repetindo várias vezes alguma coisa e eu não entendesse, até agradeceria a ‘ajuda’, mas, da forma como era feito, era um desrespeito tremendo SIM. E o pior era que sempre me aprontavam essa quando eu estava atendendo algum moço super bonito! Olha a maldade! Rsrsrsrs!! E a gente sente na hora se a energia é boa ou ruim, ou melhor dizendo, se a pessoa fez isso com boa intenção ou com a intenção de menosprezar você diante do outro. Não acho, de forma alguma, que alguém tenha o direito de anunciar a minha deficiência sem o meu consentimento – já comentei aqui no blog uma vez que penso isso inclusive por questões de segurança.

Fora do trabalho, já passei por isso com algumas ‘amigas’ (muy amigas) também. E o engraçado é que as situações SEMPRE envolveram momentos em que eu estava num papo ótimo com algum moço interessante. E afirmo isso categoricamente porque já estive em situações em que as ‘amigas’ podiam me salvar – conversando com outras mulheres, por exemplo – porque eu não estava entendendo o que a pessoa me dizia, e não falaram nada!! Estranho, não? Me pergunto se não é uma atitude meio sádica de algumas pessoas, no seguinte sentido: você está se comunicando com alguém que não nota nenhum ‘defeito’ visível em você (alô, surdez, a deficiência invisível) e isso causa uma vontade incontrolável numa pessoa maldosinha de apontar o dedão bem na sua cara e mostrar “ô, seu burro, olha o defeitão que ela tem!”.

Bom, essa é a minha opinião, a respeito das situações que já vivi e costumo viver.

Nessas horas, temos obrigação moral de abrir a boca e informar que não queremos que tal fato se repita. Se você não fizer isso, pode ter certeza de que irá se repetir ad eternum. Mesmo que a família não faça por maldade, a verdade é que ela não tem que fazer. Somos nós que temos o direito/dever se fazer isso quando julgarmos necessário. Ou alguém sai anunciando todo dia por aí aos quatro ventos “oi, sou deficiente!”. Acho que não, né? É uma coisa tão, mas tão pessoal e íntima, que não acho que alguém além de mim possa usar essa informação quando bem entender. Exemplo: hoje, aqui no trabalho, atendi uma senhora muito querida. Quando pedi que ela assinasse um documento, a mesma me informou “sou analfabeta“. Que tipo de pessoa eu seria se saísse usando essa informação a respeito dela sem que a mesma me pedisse?

O que vocês pensam sobre isso? Já pros comments!!

2 amaram.

24 comentários em “Respeito é bom…”

  1. Julie

    Concordo plenamente com vcs, não tem coisa mais irritante do que as pessoas que sabem da nossa deficiência ficarem anunciando para as outras pessoas.
    Infelizmente passei por coisa assim também com algumas “amigas”, mas como eu sou esquentadinha, já cortei logo no começo, afinal só vou dizer para alguém que não escuto se eu sentir necessidade, na família eu já deixei bem claro que não gosto e o povo só faz isso quando eu realmente preciso ser “salva” de alguma situação complicada.
    Eu fico brava com as pessoas que acham que só pq nós temos uma deficiência, temos que anunciar aos quatro ventos, acho que é um direito nosso só falar isso quanto quisermos, afinal quem não tem nenhuma deficiência, os ditos “normais”, não ficam anunciando seus defeitos para as pessoas que acabaram de conhecer. Estou errada em querer o mesmo tipo de privacidade?
    Nós não podemos é deixar que essas coisa se repitam, se não gostamos, temos que falar mesmo.

  2. Fabiane Cardoso

    Concordo também com vcs, não sou surda, mas tenho amigos surdos e trabalho para os surdos e sei dessas “falta de respeito ” com eles.

    As pessoas que se dizem “normais” parecem que sentem prazer em anunciar as deficiências ou defeitos dos outros, talvez quem sabe se acham ” perfeitas” ou superiores as outras pessoas.Na verdade essas pessoas “normais” são medíocres,imaturas até invejosas.

    Também é fruto de nossa cultura que prega a idéia de que vc precisa ser perfeito …perfeito segundo padrões pré-estabelecidos plea sociedade preconceituosa que te julga pela roupa que veste,pelo que vc come, pelo trabalho que escolheu,pela opção sexual,pela revista que vc lê, pelos amigos que tem, pela música que escuta, por tudo … assim o que temos no nosso interior parece nao ter valor…

    Acredito que os surdos têm sim que se impor,tem q falar que em primeiro lugar são PESSOAS, quem tem nome,trabalho, família,tem sentimentos… não podem ter vergonha de mostrar quem são.
    Apoio e incentivo os surdos a qualquer manifestação que valorize quem são e o que pensam!!

  3. Lak Lobato

    Concordo em gênero, número e grau. Quem fala que sou surda sou eu. E quando me convém. Minha mãe e marido estão carecas de saber disso e não tomam nunca a iniciativa, a menos que seja imprescindível (tipo, num caso extremo de alguém estar me xingando pelas costas já e eu não notar, o que é raríssimo de acontecer). Mas, fora isso, não falam…
    Amigos, se falam, tomam tal esporro na sequencia, que não ousam falar de novo.
    Não gosto quando avisam que ‘vai chegar uma surda aqui’ quando começo um curso ou um emprego novo. Sou eu quem chega primeiro, não a surdez. Ela não pode ser a primeira impressão que a pessoa tem de mim, porque primeira impressão marca mesmo e sempre serei ‘uma surda que…’ não importa o que eu faça.
    Não tenho vergonha da minha condição, não escondo meus aparelhos, não disfarço meu sotaque. Não me incomodo com perguntas, tenho prazer de explicar. Se olhou demais meu aparelho, tomo a iniciativa de perguntar se a pessoa está curiosa. Também fico curiosa com essas coisas…

    Mas sou EU, sempre EU, quem toma a iniciativa de tudo. Do contrário, me sinto invadida.
    Até porque tem dias que estou antipática mesmo e quero mais é que achem que sou antipática e não deficiente auditiva. Desculpe, não tenho obrigação de ser legal sempre.
    Compartilho e MUITO essa indignação quanto a pessoas bem intencionadas que mais atrapalham que ajudam.
    Sabe o ditado “De boas intenções o inferno está cheio?” pois é!
    Abaixo a invasão!
    Beijocas

    1. Rodrigo Nunes

      “Sou EU quem chega primeiro, não a surdez”…
      Cadê o botão CURTIR?!
      Lak, sua LINDA, gostei pacas da tua frase.

      Paula:
      Ia ser uma vitória épica se dissessem pro “boy magia” que tu estás atendendo no balcão:
      “Ela é surda, viu?!”
      E ele responder:
      “Eu também sou… FORMOU!” (Douglas feelings)

      Quanto à questão de respeito, até alguns anos atrás, eu sofria bastante com isso, pois não reagia e não impunha limites. Fui aprendendo aos poucos, pedindo com educação, que esse tipo de coisa relatada pela dona do depoimento não se repetisse mais.

      E olha que funciona mesmo. Chega a ser engraçado como as pessoas (algumas, é claro) respeitam isso depois que eu, energicamente (veja bem, eu disse energicamente, não grosseiramente), pedi que não se repetisse.

      Minha “Bibi Castellani” – notaram o vício por novela? – sempre respeitou minha independência. Já a minha mãezinha querida e septagenária…. essa sim, custo a adestrá-la. Ela ama meter os pezinhos pelas mãos e dizer para as pessoas: “Ele não escuta…”. /o\

  4. rodolpho

    fala pessoal, óia eu aqui trá veis!
    concordo com vcs.
    ninguém vai sair por aí, com uma plaquinha na testa escrita: cuidado: surdo. kkkkk
    o mesmo comigo. eu não enxergo, mas não vou sair por aí gritando “ei, sou cego!”
    se bem que já fiz isso na fila do mc donalds mas porque eu estava sem bengala. falaram pra mim: fai ser ruim, e você esqueceu a bengala. pensei: ah é? dou meu jeito, e saí pela fila gritando: dá licensa que eu sou ceguiiiiiiinho! resultado: a fila andou mais rápido e deu tpra comer meu lanche sem problema, se eu não tivesse gritado demoraria mais. kkkkkkk
    mas fora isso, eu também não saio por aí gritando que sou cego, e tal.
    bom, é isso aí. agora… fui!

  5. Deni

    Realmente, eu acho um desaforo alguém vir com essa “boa intenção” para cima de mim!

    Pior ainda, são algumas coleguinhas bem intencionadas que toda hora, ficam “ah! você não tá ouvindo, mas…blábláblá…” eu perguntei???

    Mas como sou esquentadinha mesmo, e não admito que se intrometam na minha vida: amiga, colega e até mesmo chefe, se ousarem vir com essa de me anunciar a “surdez” e não a minha pessoa, levam um esporro tão grande que é apenas uma vez! Na real não tenho muitos problemas desse tipo, pois não dou muito espaço para as pessoas. Eu já vou impondo a minha pessoa e personalidade, muitas vezes sou taxada de antissocial, ahhhh… me poupem!

    O problema é MEU e compartilho com quem EU acho que deve saber.
    Enfim, que cada um cuide de seus problemas!

    Bjin,

    PS. Em relação a minha família e amigas de verdade não me incomodam, só me salvam dos apertos mesmo e mesmo assim com discrição e delicadeza!

  6. Maria

    Nossa, isso é ruim mesmo! Eu graças a deus não passo por estas situações das pessoas falarem por mim, exceto minha mãe! O meu caso é um pouco diferente, explicarei mais pela frente…

    Tem dia que eu nem quero anunciar a surdez pras pessoas pra não ter que explicar tudo sobre o assunto por preguiça, prefiro que pensem que sou gringa pelo sotaque e aparência! Teve uma mulher com quem eu conversava há muuuuito tempo nos eventos que frequentava e ela não acreditou que eu fosse surda quando eu comentei, eu jurava que ela sabia disso através de amigos em comum!

    Mas quem anuncia que sou surda é a minha mãe, quando as pessoas tentam falar comigo e eu não respondo por estar distraída, ai ela avisa para eu não parecer que sou mal educada por ignorar as pessoas!

    Uma coisa que me deixava encucada nos tempos de escola, era que a escola INTEIRA sabia que eu era surda e eu não conhecia nem 1% do pessoal da escola. Sempre quis saber o que andavam falando de mim, o pessoal de outras salas me diziam que os professores falavam de mim para a turma em que davam dando aula e eu nunca soube do que falavam de mim! Todo mundo me conhecia e eu não conhecia ninguém!

  7. Juliana Moreira

    Realmente é irritante.
    Aconteceu comigo várias vezes, e quase todas foram no trabalho.
    Não sei o que há na cabeça das pessoas, imagine o cenário: somos 4 em uma sala de reunião, fechada, sem interferência, um próximo ao outro em uma mesa redonda. Perfeito, visão “panorâmica”, não há obstáculos para leitura labial! Todos participamos ativamente da conversa. O papo começa a ficar corrido, as pessoas começam a falar mais rápido, visto que um ponto ali parecia mais simples mas continha muita informação. E eu fui acompanhando tudo, perguntando, tomando nota. O ritmo até estava bom, parecia que ia acabar rápido. De repente alguém começa a “se perder” na reunião (eu acho que esse colega estava com sono), e em vez de admitir, ou pedir para falarem mais devagar (esse colega já fazia umas perguntas que dava para ver que estava “boiando” na conversa), “lembrou” que há uma surda na sala, e solta essa: “pessoal, vamos falar mais devagar pra ela poder acompanhar”. Como se naquele momento eu precisasse! Deixa que eu falo quando eu precisar, afinal, tenho boca e falo, não é?

  8. Bianca

    Boa Tarde, é isso mesmo que a gente não merece passar por isso. Bom, não me recordo se passei nisso ou não, mas graças a deus atualmente todos me respeitam e só eu que tomo iniciativa de contar que sou surda mas as vezes nem precisa contar até porque minha voz indica que sou o que realmente sou,rs. Só conto para as pessoas que devem mesmo saber, ou seja, se é mesmo o necessário, por exemplo se a pessoa está me entendendo completamente bem e eu falo normalmente de boa sem dizer que sou surda, pra que? né, já que está rolando bem. E por outro lado, quando encaro a pessoa meio confusa e não estiver entendendo ai sim conto o que tenho com prazer.

    Beijos! Paula, parabéns pelo seu blog que está cada vez mais incrível. ^^

  9. Greize

    Nossa isso é mto chato, acontecia comigo direto, mas no começo era com boa intenção pq meus amigos e família nunca tinham lidado com uma Deficiente auditiva.

    Mas um dia me apresentaram um moço, assim , a pessoa falou meu nome e :”Olha é ela é deficiente auditiva”. O cara virou as costas.Perdeu o bobão.Conversei um tempão, com o irmão dele que me deu a maior atenção.hihihih

    Não foi por mal,pq essa é minha amiga mesmo,mas aos poucos fui aprendendo a me impor .Antes ficava com medo de ser chata ou indelicada.Mas com o tempo percebi , que não quero placa na testa, já estou falando aos poucos, pq tb alguns fazem na maior boa vontade com intenção de ajudar(não sabem nada de surdez), mas já estou vendo o lado negro da força.
    E mulher , vou te contar, tem algumas que são bem “bocudas ” isso sim.Afff.Rsrs.
    Abaixo a placa!!!

  10. Silvia

    Concordo com todo o texto e todos os comentários. Tem dia que não estou legal, com a Lak falou, ou quando quero desviar de alguma cantada indesejada, vou logo dizendo que sou surda e me fazendo de desentendida huahauhahua…
    Mas na maioria dos dias, só quero respeito. Minha família mto raramente aponta minha deficiência… a não ser a título de informação mesmo… por ex dias atrás eu estava num vôo e a garotinha ao lado puxou conversa, aí expliquei a ela que eu uso um ‘aparelhinho’ atrás da orelha para ouvir e tal.. mas que consigo me comunicar bem… então conforme a situação eu sou objetiva até para que os outros tomem consciência a respeito da deficiência, e quando perguntam sobre o implante, como é, o que faz, explico de boa, mas sem pretensão de que a surdez seja o centro das atenções ou de ser vista como uma pessoa que ‘superou’ a deficiência, uma espécie de ‘mulher maravilha’ rsrsrs.
    Às vezes me preocupo em certas situações sabendo que estou passando a impressão de ‘orgulhosa’ ou ‘antipática’, mas e daí??? Há gente que é assim o tempo todo e não vê nenhum problema nisso. Aliás, meus verdadeiros amigos sabem como sou, e é isso o que conta pra mim =) os demais, pensem o que quiserem… hehehe.

    1. Rodrigo Nunes

      Crianças entendem MUITO MELHOR que adultos, por mais que ela não compreendam o que significa ser surdo e o que é um aparelho auditivo…

      O problema são os dito “adultos”, que se comportam pior que criança birrenta dos programas da Super Nanny.

      1. Maria

        Queria tanto me dar bem com as crianças, mas elas reagem de uma maneira tãaaao diferente dos adultos que me deixa sem saber como lidar com elas! huahua Tenho um priminho que tinha uns 5 anos na época e explicaram pra ele que eu era surda, e o garotinho esquecia disso e vinha cochichar no meu ouvido e eu pedia socorro pros parentes por perto! Teve uma época em que ele só fazia mímica porque nós não conseguiamos entender um ao outro.

        E quase todas as crianças perto de mim, na rua, ficam em encarando quando eu começo a conversar com alguém. Elas estranham o meu sotaque e ficam prestando atenção para entender o porquê de ser assim! Teve umas que falaram que eu não falo português e sim outro idioma!

        Elas são muito indiscretas por serem curiosas e inocentes e eu tenho de explicar tuuudo pra saciar a curiosidade delas! Não tem jeito, para qualquer criança que não me conheça, sempre terei a placa na testa escrito: “Oi, sou E.T., vim de outro planeta!”, elas identificam logo pela voz!

  11. Marta Machado

    Recebo em meu email todos os relatos da Crônicas da Surdez, todos muito bons, mais este em especial mexeu profundamente comigo.Passei e passo por estas situações de ser” anunciada”, sem minha permissão,de minha deficiência auditiva por parentes e amigos.E quantas vezes gritaram comigo “tá surda?”quando estava “destraída” prestando atenção em outra conversa.Uma de minhas irmãs,chegou a chamar minha atenção porque estava “pegando mal” eu não dar atenção a todas as conversas numa roda de amigos “dela”, e que eu tinha que anunciar a todos ali, que eu mal conhecia, “olha gente, me desculpe, sou surda,não posso entender todos de uma vez”….Mas disse a ela que não faria isso, que era um problema meu e escolho quem devo falar sobre minha deficiência.Já tive funcionária em minha loja que gritou comigo me perguntando se era surda ( e ela sabia que sim),mas não tive dó.Pouco tempo depois a despedi, porque se ela não sabia lidar com uma pessoa com limitações, que dirá com os normais.Hoje estou trabalhando em casa, passei minha loja justamente porque estava difícil atender os clientes, pois tenho perda auditiva moderada bilateral(otosclerose) e precisei esperar o momento certo para a cirurgia,que será em novembro/2011.A Crônicas da Surdez me ajuda muito,pois reenvio para todos meus amigos e parentes (tenho dois irmãos com otosclerose que ainda não “aceitaram” a deficiência e fingem que são “distraídos”…rsrsrs),para que possam entender minha condição.

  12. Gê

    Gente precisamos de um código de ética ou um estatuto para nós (surdos e surdos oralizados), se não isso nunca terá fim.

    Sei o quanto sofro com essas pessoas enxeridas ao meu lado.

    Bjs

  13. Lak Lobato

    Não sei o nome da autora do texto, então peço permissão por aqui (e pra Paula também) para abordar esse assunto na minha coluna da semana que vem, no “Acessibilidade Total”. Acho que é de extrema importância levar esse debate para outros canais. Vocês me permitem?
    Beijocas

  14. Luciane Brites

    Olá Lak,

    Eu sou a autora, e fico muito feliz! Por mim está permitido.
    Bjks

    1. Lak Lobato

      Super obrigada. Pode deixar, que eu cito a fonte…. Beijocas

  15. Greize

    Maria, sou pedagoga, sobre as reações das crianças vem de como elas são criadas/educadas em casa. Se for em um ambiente aberto a diálogos, onde os pais explicam conversam então é muito mais fácil para elas, mesmo que no começo elas perguntem para saber mais.

    Curiosidade infantil, é ótimo para o desenvolvimento.
    Agora, se elas não tem isso em casa, fazem o que os pais fariam. Se os pais não sabem, lidar, nem tem informação, eles não repassam, não tem tempo ou é preguiça mesmo.

    Encontrei uma menina de 6 anos, super descolada na casa dela tudo é conversado, ela viu meu aparelho, quando eu ia explicar ela respondeu: “Já sei, é para vc escutar melhor né? Então tá vamos brincar agora?? Eu, com queixo no chão. Kkkk

    A educação é peça fundamental para tratar os outros,não adestrem.Eduquem..rs

    1. Maria

      Adorei o comentário dessa criança huahuahua

      Quase sempre estou acompanhada de minha mãe quando topo com alguma criança com os olhinhos curiosos no caminho. A minha mãe tem uma tática pra lidar com elas, manda as crianças perguntarem o meu nome sem falar algum som e eu as respondo, e elas ficam todas: “oooooh! que legal!”

      A última criança com quem lidei, a mãe dela aproveitou pra explicar pra ela o que era uma pessoa surda e o porquê de eu falar diferente e alto, etc. Isso é que educar o filho para o mundo!

  16. MONICA

    FALA SÉRIO NÉ PESSOAL!!!! COISA MAIS QUE CHATA ALGUEM FAZER QUESTÃO DE FALAR AOS OUTROS SOBRE O NOSSO PROBLEMA!! ALEM DO MAIS, A MINHA INSEGURANÇAÉ: ESTÁ FALANDO PARA ME POUPAR, ME PROTEGER, OU PARA ME MINIMIZAR DIANTE DE ALGUEM??? OH DÚVIDA!!!!!!!!!!!

  17. Ge Santos

    Praticamente todos os depoimentos são bombasticos, pois são reais, cada um que expoe o seu depoimentos, sinto que escreve com alma. O tema de hoje Respeito é bom, tudo que foi citado muitos já passaram , outros estão passando e infelizmente outros ainda passarão. Os “normais” infelizmente não tem sensibilidade com relação, o que é a surdez.

  18. Sopa de Números na Educação Inclusiva

    Olá à autora e a todos os leitores do Crônicas da Surdez! Vejam o post que preparamos, lá no nosso blog, a respeito do post “Respeito é bom”:

    http://sopadenumerosecalculos.blogspot.com/2011/08/explicitar-ou-ocultar-o-que-e-melhor.html

    Boa leitura! :-)

  19. Lak Lobato

    Enfim, levei o debate pra outras bandas: http://www.acessibilidadetotal.com.br/intimidade-auditiva/

    Beijocas

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