Se alguém souber como ajudar…

*depoimento de uma leitora

“Nasci sem nenhuma deficiência. Aos seis anos de idade tive caxumba de grau profundo que durou uns quinze dias. Após esta doença, fiz todos os exames e nada foi acusado. Com sete anos, minha professora percebeu alguns sintomas como não responder à chamada, chegar muito perto das pessoas para ouvi-las… Ela chamou minha mãe e com o auxilio da direção escolar fui encaminhada ao Hospital Regional. Comecei a fazer exames frequentes, me mandaram para São Paulo, tentaram me operar, mas os riscos relatados eram grandes e meus pais não autorizaram.

Um ano depois a médica otorrinolaringologista descobriu que foi ótimo não teram feito a cirurgia, pois não resolveria nada – talvez tivesse sequelas pois meu ouvido direito não tinha mais nenhum canal ligado, todos tinham se rompido. Após essa descoberta, fiquei sabendo que tenho perda total da audição direita e audição normal da esquerda.  Na realidade nunca tive problemas com a deficiência, fui tratada por uma equipe multidisciplinar (até com psicólogos me tratei). Demorei a aceitar, não sentia muita diferença. Estudei em escola regular,  tive auxílio dos professores, sentava na frente, meus colegas de sala colaboravam. Minha mãe  foi presente e participava de tudo. Sempre tive uma rotina normal.

 Aos dezoito anos senti a minha deficiência de outra maneira! Comecei a trabalhar como estágiaria. Quando fui ser registrada não passei no exame audiométrico. Disseram que não poderiam me contratar por ter perda auditiva. Chorei muito pois gostava do escritório, mas continuei estudando. Bom, já trabalhei registrada e tive diversos trabalhos. Há cinco anos a lei de cotas está atrapalhando minha vida. Dizem que não posso trabalhar como normal (porque tenho a perda) e como deficiente não me enquadro – pois perda unilateral não consta na lei.

Vou contar uma situação que me marcou: fui a única aprovada num processo de seleção para trabalhar no atendimento ao público. Já estava com a documentação pronta e depois dos exames admissionais fui excluída do processo. Ao perguntar o porque  me mandaram ir conversar com o médico do trabalho (ele me disse que não poderiam me contratar porque não me enquadrava na lei trabalhista, tenho até um xerox do papel que me deu para darem baixa no meu processo, fiquei muito triste).

Tenho dificuldades de diferenciar sons, de conversar com diversas pessoas, de atender telefone continuamente, mas me adapto bem de forma geral! No meu trabalho como professora não senti dificuldades porque encontrei maneiras de trabalhar com o auxilio dos alunos. Um exemplo: quando é para tirar alguma dúvida e eu estou de costas, eles vêm aonde estou e param na minha frente. Não quero obter emprego pela cota, quero trabalhar dentro da lei. Não quero prejudicar ningém e muito menos ser prejudicada. Como não existe na lei a minha situação, estou pagando um preço muito alto, não consigo engrenar minha carreira profissional. Meu sonho é me especializar em deficiência e trabalhar na área educacional.

L.”

Eu costumo indicar o INSTITUTO BRASILEIRO DOS DIREITOS DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA www.ibdd.org.br para casos que envolvem uma consulta jurídica. Lá no site há toda a legislação sobre deficiência disponível no Brasil (clique aqui para acessar). Há, inclusive, um banco de dados de currículos, para quem está procurando emprego.

A lei possui várias lacunas e este é um exemplo perfeito disso. Se alguém souber algo sobre esse assunto especificamente, não hesite em deixar um comentário. E quem se sente lesado pela lei, de alguma maneira, também.

5 Comentários em “Se alguém souber como ajudar…”

  1. Tweets that mention Se alguém souber como ajudar… -- Topsy.com

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  2. Greize

    Paula APAGA meu comentario , por favor…elaborei errado.ok
    No caso é só ela buscar um advogado!E informações.bjos

  3. Demer Damas

    Sinceramente não entendi esse tópico desta leitora , mas vejamos o que diz o Decreto Decreto nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999
    E que pelo eu entendi ela tem anacusia em um dos ouvidos , portanto se enquadra sim como deficiente auditiva .

    Art. 4º – É considerada pessoa portadora de deficiência a que se enquadra nas seguintes categorias:

    I – deficiência física – alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentando-se sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções;

    II – deficiência auditiva – perda parcial ou total das possibilidades auditivas sonoras, variando de graus e níveis na forma seguinte:

    a) de 25 a 40 decibéis (db) – surdez leve;

    b) de 41 a 55 db – surdez moderada;

    c) de 56 a 70 db – surdez acentuada;

    d) de 71 a 90 db – surdez severa;

    e) acima de 91 db – surdez profunda; e

    f) anacusia;

    Mas se o problema persistir podemos tentar um deputado federal ou um senador para ” tampar os buracos do decreto” mas o problema é que o local onde ela tentou o trabalho “não entendeu o decreto ” ou simplesmente não quer contratar deficientes. ou como quiser discriminação social .

  4. Elisangela

    oi,tudo bem?
    gostei do comentario, tb tenho perda auditiva moderada cronica,devido enxerto errados nos dois ouvidos.
    Já fui descriminada em entrevista,na minha infancia chorei muito hoje seu lidar com situações desagradavel e pessoas sem compaixão ao proximo.
    A mesma pergunta sua eu tb tenho duvidas por não consigo entrar em empresas como dificiente sendo que sou.
    Essa lei de cotas deveria considerar as perdas cronicas moderada tb..estou tendo muitas dificuldades a mesma que a sua,mas enfim vamos lá!

    Ate

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