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Sem medo de ouvir

Vi um post no Grupo do Crônicas da Surdez no Facebook a seguinte frase: ‘Fui a uma reunião com esse coque e fiquei surpresa com a perguntas de por que eu uso aparelhos auditivos e nesse dia conheci um jovem que se encorajou a aceitar os aparelhos. Lembrei de quando não queria usar também, só passei a ter aceitação depois que conheci o blog Crônicas da Surdez’. Junto, uma foto linda do coque que a leitora Geisyeli estava usando. É claro que a convidei para compartilhar isso aqui conosco. 🙂

‘Aos 21 anos resolvi ir embora para São Paulo. Estava tudo correndo bem, consegui  passar em uma entrevista de emprego. Só que quando me deparei com o exame medico, foi desesperador. Quando saí da cabine de audiometria uma moça afirmou: “Você é surda!” No mesmo instante retruquei:  “Essa maquina só pode estar com problema!”

Liguei para os meus pais em prantos e naquele mesmo dia voltei para a casa deles (interior de São Paulo). No dia seguinte iniciei o tratamento. Na primeira consulta a médica já deixou claro que eu tinha sim problema auditivo. Até a minha fala era diferente. Foi o início de uma série de exames e consultas, cada vez que fazia audiometria mais surda eu estava. Depois de 1 ano e meio fui diagnosticada com surdez moderada,bilateral,progressiva e congênita

Lembrar dessas palavras hoje não me desespera, mas quando as ouvi pela primeira vez  não tive reação. ‘Você vai precisar de um aparelho auditivo para tentarmos estacionar a surdez‘, foi o que o médico me falou. Eu nunca havia sequer visto um aparelho auditivo antes e a primeira vez em que vi um já era para fazer o molde – tive uma crise de choro. Foi a partir desse dia que caiu a ficha: “Sou surda, e agora?

Fui pesquisar sobre o assunto até que achei o blog Crônicas da Surdez. Através dos depoimentos que li, vi que minha vida não tinha acabado, muito pelo contrário, estava recém iniciando. Quando o telefone tocou avisando que os aparelhos estava pronto e coloquei pela primeira vez , sai do consultorio percebi “quanto sons eu nunca tinha ouvido” era tanto passaros cantando que parei e as lagrimas tomaram conta.

Voltei na semana seguinte ao consultório tão feliz contando sobre os sons diferentes que em toda a minha vida nunca tinha ouvido…A doutora sorriu e disse: “Bem vinda ao mundo dos sons”.  Mesmo   sabendo que minha audição vai diminuir lentamente,  o dia em que ouvi os sons do jeito que eles realmente são foi inexplicável. Hoje, trabalho na área administrativa, faço cursos, minha vida social está ainda melhor. Faço questão de animar a  todos que precisam iniciar a sua reabilitação auditiva mas estão paralisados pelo medo!’

48 amaram.

Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010, e também escrevo o blog Sweetest Person desde 2007. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 34 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

2 Comentários

  • Perdi totalmente a audição direita portanto, sequer posso usar algum aparelho, detalhe com a idade estou obviamente perdendo a audição esquerda. Força e coragem para quem pode usar

  • Que bacana, muito bom se aceitar como é. Estou sempre encorajando minha menina também! A vida não termina, só se inicia uma nova etapa a ser vivida! Parabéns pela força e coragem!

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