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João Guilherme e a surdez moderada: um bebê que nasceu sem vida

Me chamo Ranielli, sou mamãe do João Guilherme! A gravidez dele foi muito esperada e desejada, contava os segundos para tê-lo em meus braços. O pré-natal foi perfeito, exames perfeitos, coração perfeito, ate que na 29º semana de gestação comecei a sentir muitas dores em cima do abdômen e muita oscilação de pressão. Quando cheguei na 33º semana, o João nasceu com 1.700Kg e 41cm, depois que minha placenta descolou…

Parto de emergência com mamãe convulsionando e tendo que tomar anestesia geral. Não vi meu pacotinho nascendo, chorando e não senti seu cheirinho, mais Deus sabe o que faz, pois eu não aguentaria vê lo saindo de mim sem vida, isso mesmo sem vida. João nasceu morto por conta da falta de oxigenação, mas os médicos enviados por Deus conseguiram reanimá-lo depois de 18 minutos.

Não tínhamos certeza de nada, só que tínhamos que agradecer por ele estar vivo, mesmo tendo Sepse (infecção generalizada no parto), mesmo tendo que fazer pneumotórax, por conta do pulmão não estar totalmente formado.. A cada dia de melhora na UTI nos íamos ao céu. Até que um dia a fonoaudióloga veio fazer o Teste da Orelhinha e eu via que ela tentava repetir o exame muitas vezes, só que sem sucesso. Tentamos 4 vezes em dias alternados, na última tentativa ela nos disse que poderia não ser nada sério, pois às vezes é só obstrução de líquido por conta do parto difícil. Fomos encaminhados ao DERDIC e lá começou nossa saga para saber o que o nosso príncipe tinha.

Com 2 meses e prematuro, João Guilherme era muito pequenino e as fonos tinham uma certa dificuldade em realizar os BERA, audiometria nem pensar e outros testes também não dava. Todo mês nós voltávamos lá para realizar exames e sempre nos davam esperança de que poderia ser pela prematuridade ou que ainda houvesse líquido. Por isso ele nunca mamou deitado, foi sempre sentado para evitar mais acúmulo de líquido.

O diagnóstico

Ate que com 9 meses fecharam o diagnóstico: Surdez bilateral moderada a severa“. Nosso chão caiu, choramos demais, ficamos destruídos porque não saberíamos como seria dali para a frente, não queríamos acreditar em nada daquilo, batemos o pé que os exames estavam errados e na hora de tirar o molde para fabricação do aparelho, parece que estavam cortando um pedaço do meu coração…

No dia em que ele foi colocar os aparelhos auditivos, quando foram ligados e ele escutou a voz da fono e começou a rir e bater palmilha, eu entendi que meu filho estava me dizendo de alguma forma que aquilo era o melhor para ele, que ele estava bem e que iria ficar bem se eu e o pai o apoiássemos e esgotássemos todas as alternativas para ele ter o melhor desenvolvimento possível!

E hoje entendo que meu filho é um anjo em minha vida e que devo agradecer a Deus todos os dias, pois a cada 1 minuto sem oxigenação nós perdemos 10% de massa cerebral, e meu milagre não perdeu nada – ele não tem paralisia cerebral e nenhum tipo de retardo, a única sequela que ficou foi a perda da audição. Vejo tantas mãezinhas sofrendo que me sinto privilegiada e não devo e não posso reclamar de nada.

Tudo o que está em nosso alcance para o desenvolvimento do João Guilherme nós fazemos:  terapia 2 vezes na semana, todos os brinquedos com sons e músicas, muita conversa em casa, muito estímulo, muitas historinhas. Quando completou 1 ano colocamos ele na escola. Confesso que no começo foi difícil, porque achávamos que ninguém saberia cuidar dele como nós, mas para nossa grata surpresa, a Secretaria de Educação disponibilizou 1 fono de 15 em 15 dias para acompanhá-lo na creche e assim nós vamos de degrau em degrau buscando o melhor para nosso grande milagre.

Aprendi que, para meu filho ser feliz, ouvir e falar, eu tinha que guardar meu luto e ir à luta e provar para ele e para o mundo que nós iriamos vencer mais essa.

No entanto se você passar a sua vida de luto pelo fato de não ter chegado a Itália, você nunca estará livre para aproveitar as coisas especiais e absolutamente fascinantes da Holanda” – Sobre ter filhos especiais! 🙂

 

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Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010, e também escrevo o blog Sweetest Person desde 2007. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 36 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

1 Comentário

  • Que história linda, me emocionei, é um testemunho. Parabéns por essa vitória, é uma história bem contada com gradezas de maturidade e experiencias é o mais lindo de tudo, o AMOR! Deus abençõe muito mais, pois muitas coisas lindas ainda vão acontecer, vai seguir acontecendo e sendo contada uma linda hisória.

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