Crônicas da Surdez Deficiência Auditiva

A surdez e os novos namoros

Foto: Shutterstock

Conversei sobre a surdez e nossos novos namoros com uma leitora das antigas que eu admiro muito. Aí acabei matutando sobre esse assunto, e vi que dá para entender porque tantas pessoas que não escutam preferem se fechar num grupinho de pessoas com as quais se sentem confortáveis e não sair mais dali. Sim, é confortável, tranquilo e não causa stress. Só que, cá entre nós, qual é a graça? A gente fala tanto em diferença e na hora do pegapacapá acha melhor ficar entre iguais?

Os novos namoros

A cada relacionamento que chega ao fim (fazer o que, né!) nos deparamos novamente com aquela missão um pouquinho desagradável, que é contar para uma pessoa nova sobre nossa deficiência auditiva e suas peculiaridades.

No meu caso, em 100% das vezes foram pessoas que ouviam normalmente – nunca me relacionei com alguém que tivesse o mesmo problema. Embora pareça uma baita bobagem, é difícil não bater um receio. “Vai entender numa boa?”, “Vai sair correndo?”, “Vai saber lidar com isso?”, “Vai ter paciência”?, “Vai me olhar como se eu fosse um alien?”, “Vai ficar constrangido?”…São as perguntas clássicas que ficam passando pela nossa cabeça.

Comigo já aconteceu cada uma! Lembro de uma vez – já devo até ter contado aqui – em que um carinha pediu meu telefone. Quando dei o número pedi que só me mandasse SMS, não ligasse. Aí tive que ouvir um discurso da criatura, que me acusou de ser casada (pode???) e estar falando pra ele mandar SMS só pro meu ‘marido’ não saber.

Só Jesus na causa, como diria aquela personagem da novela das 8. Outra vez, quando contei que não ouvia bem, a criatura em questão ficou uns 10 minutos tipo “ahhh não mente”, “ahhh fala sério”, até acreditar. Peloamor!!! Enche o saco, mas acontece e muito.

Porque é que temos tanto receio, afinal?

No meu caso, demoro pra decidir se uma pessoa nova merece ou não merece saber demais sobre a minha vida nesse quesito. O que é que um namorado novo precisa ter para lidar numa boa com a deficiência auditiva? Paciência.

Sejamos honestos, é preciso uma dose enorme de paciência para se relacionar com alguém que não ouve bem. Isso envolve repetir algumas coisas quando for necessário (sem fazer cara de bunda e sem reclamar, rsrsrs), aprender truques básicos como não querer bater papo no escuro, aprender o mínimo aceitável de leitura labial (se virar expert eu me apaixono e caso! hahaha) e, porque não, ajudar a transformar esse peso em leveza.

A surdez me lembra o título daquele livro famoso, “A insustentável leveza do ser“, cuja principal lição é a de que devemos aprender a transformar o peso da vida em leveza. E não é isso que fazemos todo santo dia ao reunir forças para não nos estressarmos (tanto!) com o fato de que não ouvimos perfeitamente? Que delícia quando conseguimos encontrar alguém que nos ajuda com isso.

É primordial que a gente se sinta confortável e 0% constrangido com tudo o que disser respeito à DA quando nos relacionamos com alguém. Já recebi centenas emails de leitores do Crônicas reclamando do comportamento de namorados(as), maridos e esposas.

Eu jamais conseguiria me relacionar com uma pessoa que me fizesse sentir mal ou envergonhada/sem graça em função disso – cairia fora no ato. Há quem consiga, mas, honestamente, acho isso uma tremenda falta de amor próprio e um desperdício de tempo.

Me contem sobre as experiências pessoais de vocês?

56 amaram.

Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010, e também escrevo o blog Sweetest Person desde 2007. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 34 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

48 Comentários

  • ~A minha sustentavel leveza do ser~ foi quando em uma das ferias de verao que passei em Pi;arras/SC, ainda jovem, conheci um cara que quis me namorar.
    Ele, com sotaque gaucho, achou que eu era argentina por causa da minha diccao (sotaque hahaha) e nao eh que ao explicar que a minha diccao era por causa da surdez ele nao acreditou? Tentei mas em vao!
    Nesta epoca eu nao usava aparelho auditivo (talvez seja esta a razao)
    Como nao adiantava convence-lo, deixei rolar “este namoro” tambem porque sabia que era apenas “uma aventura de verao” que valeu a pena!
    Vivendo e aprendendo sem medo! kkkk

    OBS> As palavras aqui citadas sem acentos etc [e por causa do meu computador atrapalhado, viu gente Espero que entendam!
    Bjs Paula!

  • Meu nome e Ju .tenho perda de audição nos dois ouvidos .E me sinto justamente assim como muitas pessoas descreveram.Meu marido me abandonou ,por causa da surdez.Estou fazendo tratamento pra depressão. Mas o pior é o zumbido .São vários sons e chiados ao mesmo tempo.Não encontrei nem um tratamento que pudesse me ajudar.O que ajuda um pouco são os calmantes.uso aparelho no ouvido esquerdo.Se alguém puder me indicar um ótimo especialista agradeço.

  • Boa noite a todos !
    Também sou DA, minha perda é profunda, e também é bilateral. Descobri que tinha problemas auditivos com uns 15 anos.Estou pesquisando novos aparelhos para comprar, os que eu usava já não servem mais.
    Evito sair com outras pessoas, porque tenho dificuldade de acompanhar a conversa. Nunca fiquei com ninguém com problemas de audição. E sim, já fiquei com algumas garotas, mas nunca namorei, tenho muita vergonha disso, e já estou com 30 anos, não tenho problema com a aparência. Mas, as garotas tem vergonha de estar com alguém que não ouve direito, acham estranho você ter que pedir para repetir e ficar olhando os lábios. Ainda consigo ouvir, mas em ambientes com muita gente preciso fazer leitura labial. Até os 19 anos, nunca liguei muito para o problema(DA), mas depois disso, quando comecei a trabalhar e fazer faculdade e me interagir mais, passei a ter mais dificuldades, inclusive no lado sentimental. E no momento, estou à procura de uma namorada, e gostaria que alguém me indicasse um site, bate-papo e até mesmo uma balada, um local onde tenha outras pessoas com DA.
    E se alguém quiser conversar, responda nessa coluna que entrarei em contato.
    Obrigado.

  • Adorei seu blogue. Que bom me identificar com algumas coisas. E ter ao meu lado um namorado que tem paciência! Rs.. Bjs!

  • Olá Paula.

    Conheci hoje o blog e estou achando super interessante! É sempre bom saber acerca de histórias de pessoas que tem D.A . Tenho 18 anos (com cara de 15 anos, rsrs), e tenho a minha perda auditiva, severa aprofunda, e o meu alto grau miopia reflexos enfrentados a época do meu nascimento. E tenho vários amigos ouvintes que são especiais pra mim. Mas.. No ano passado tive problemas sérios na escola, pois umas meninas ficaram com inveja de mim, só porque eu sou especial de todos os professores da escola que me tratam bem, da minha beleza e mais uma coisa… O meu relacionamento.. Eu tenho um namorado muito especial, inteligente, gentil, estudioso, brincalhão, me cuida, me ajuda, me ama e tem paciência comigo. Rsrs. Hoje em dia faz 3 anos e 1 mês de namoro. ? Quando ru conheci ele, fiquei com pouco tímida, mas acabei dizendo sobre a minha D.A. E ele ficou numa boa. Sempre nos falamos pela SMS, ou pelo facebook.

    Rs. Bem, é isso que tava querendo comunicar sobre esse post!
    Parabéns viu?! Adorei!!!

    Grande beijo, Gabriela.

  • ADOROS TODOS REALATADOS AQUI,EU ME INDENTIFICOS IGUALMENTES,POIS CASEI POR 16 ANOS COM PESSOA NORMAL EU COM APENAS 20 POR CENTOS DE AUDICAÕ E EU ACHAVA QUE ERA FELIZ E COM TEMPOS PERCEBI ERA POR INTERESSES POR DINHEIROS A EX ME TROCOU POR FAZENDEIROS 30 ANOS MAIS VELHOS E APOSENTADOS ETC E NESTE TEMPOS NUNCA MAIS FUI O MESMOS,FAZ SE 9 ANOS SEM UMA COMPANHEIRA ESTOU GUASE FINAL DE VIDA E NEM NINGUEM PRA COMPARTILHAR,ACHOS QUE OS SURDOS SOMOS DESCRIMINADOS ,DESCULPES DESABAFOS NAUM VEJOS LUZ,,,,,,,,,,,,

  • Olá Paula,

    Conheci hoje o blog e estou achando superinteressante! É sempre bom saber acerca de histórias de pessoas que tem D.A. Tenho 23 anos, e tenho perda bilateral neurossensorial moderadamente severa desde a infância, mas sou surdo oralizado. Uma das principais incógnitas que eu tinha a respeito da deficiência era a respeito de relacionamentos amorosos de pessoas que possuem D.A., especialmente com pessoas que não têm o mesmo problema. Pelo comentários que li aqui, vi que há muitas pessoas que apesar de terem D.A. conseguem relacionar-se sem grandes problemas. O meu caso é um tanto diferente. Acho que a surdez não seja a única responsável, mas certamente contribuiu. O fato é que embora esteja com 23 anos, nunca consegui relacionar-me com ninguém. A minha timidez contribuiu bastante para isso. Hoje, entretanto, percebo que a D.A. pode ter potencializado essa timidez, esse medo de me expor, de revelar meus interesses. Some-se a isso o fato de não ter tido amigos próximos durante toda a vida, talvez pela dificuldade de comunicação (não de me comunicar, pois minha fala é normal) com outras pessoas. Sempre tive de fazer tudo sozinho, e todas as iniciativas que tomei foram à minha conta e risco, ou seja, de forma não muito bem pensada. Nem preciso dizer que fracassei. Atualmente, ocorre algo de curioso comigo: uso aparelhos há oito anos, e nunca tive vergonha deles; mas agora, todas as vezes que estou usando ou tenho de colocá-los sinto-me inferior aos outros. Acredito mesmo que o fato de ser D.A. talvez tenha sido considerado pelas pessoas com as quais tentei me relacionar e que, no final, não quiseram. Cada vez mais, penso em desistir de vez.

    Bom, isso é um pouco da minha história. Desculpe o desabafo rsrs… mas achei tão bacana esse espaço onde as pessoas contam acerca de suas histórias que resolvi falar um pouco da minha experiência, ou sobre a falta dela.

    Parabéns pela iniciativa do blog!

    Abraços,

    Luciano.

  • Já aconteceu comigo quando fui falar com uma garota ela viu meu aparelho , e começa a tentar cortar o papo ,depois você nota que ela comenta com outras que você tem o problema auditivo >Já me relacionei muitas vezes ,essas as quais me relacionei tinham paciência de se comunicar por SMS ou mesmo pelo Facebook .Mas muitas descartam o relacionamento por causa da deficiência .

  • Olá Paula.
    Adorei este post, aliás adoro seus posts. Estou acompanhando o seu blog recentemente. Cada post que leio me fortaleço. Sou DA bilateral profunda.Sou uma manteiga derretida, toda vez que abro o blog começo a chorar. Estou superando esta diferença a cada dia com a leitura destes depoimentos. Sou mae de dois filhos lindos e divorciada. Eu nunca assumi a minha deficiencia com as pessoas que relaciono, seja na escola, trabalho e vizinhos. Sempre me relacionei com pessoas ouvintes. Não conheço pessoas DA pessoalmente, apenas meus familiares. Vejo que não estou sozinha. O seu relato descreve exatamente o que eu vivencio. Paciência é fundamental para qualquer relacionamento, principalmente para DA. Bjs.

  • Tenho deficiência auditiva e me identifiquei muito com o seu texto, essas perguntas sempre passam na minha cabeça, evito falar com pessoas pq me preocupo se as vou irritar, se elas vão gostar de mim, a DA me deixa insegura com relação as pessoas.

    O lado bom de ter DA, é que evito ter de ouvir besteiras e posso saber quem são os verdadeiros amigos e o verdadeiro amor. ^^

  • Olá,

    Não sou DA, mas o amor da minha vida é. Encontrei esse site há alguns dias,e achei simplesmente incrível. Paula, parabéns pelo belo trabalho.
    Soube da deficiência da minha namorada logo quando a conheci. Ela se comunica bem,apesar da grande perda. Logo mais quem sabe ela contará aqui no blog da história dela.
    Temos muito amor e cumplicidade, isso faz com que a confiança seja grande. Estamos juntas há quase 5 anos, e em todo esse tempo estive do lado dela. Desde consultas com a fono, até conversar normalmente com ela sem o aparelho, fazendo leitura labial. Nunca havia me relacionado com alguém com DA, mas confesso que não há nenhuma diferença pra mim. Apenas sei que devo ter mais paciência, e digo mais paciência, porque paciência temos que ter em qualquer relacionamento.
    Como disse anteriormente, encontrei o CS há algumas semanas, e cada post que leio me fascina mais. Cada novo relato me ensina mais como lidar com tudo, como ser cada vez mais companheira, enfim. Gostei muito, e estou acompanhando todos dias encantada.

    Abraços,

    Aiana Benedito

  • na verdade se relacionar coma as pessoas lá fora é muito difícil,na escola e principalmente no trabalho,sinto dificuldades de me relacionar com os colegas de trabalho por conta disso….as vezes não quero aceitar mas sinto que não tenho vergonha,quando acontece algum constrangimento não deixo passar,rebato de formas desagradáveis,então isso não me faz bem,sinto que estou me distanciando dos amigos e entrar em novas amizades também,não sou antipática,mas as vezes deixa parecer por algumas pessoas que sou outra pessoa,não queria pra mim.entrar em uma roda de conversa,isso(é um bicho de sete cabeça pra mim)e eu não queria que fosse assim,queria encontrar uma solução…………..

  • Realmente se relacionar é muito difícil, bom pelo menos pra mim foi desde que tive surdez profunda em 2010. Uso aparelho bilateral desde 7 anos e nunca tive problema até me casar e perder toda a audição. Cansei que ficar perguntando o que esta acontecendo, e acho que me isolei do “mundo”, agora amigos que me relaciono bem melhor do que marido, filha, família e amigos, são os colegas da internet

  • Gostei muito desse texto, tem tudo a ver com amor próprio e aceitação de si mesma.
    Para mim é extremamente difícil na hora de falar sobre a deficiência em um novo relacionamento.Realmente não é prá qualquer um ,se relacionar com uma pessoa que não ouve bem, exige altas doses de paciência.
    Mas acho que o mais importante e que ajuda muito na relação, em primeiro lugar, é vc se aceitar, aceitar sua deficiência e gostar de vc mesmo. Ter amor próprio, por que se vc mesma não gostar de vc, quem vai gostar???
    É essa a minha luta no momento, tentando me aceitar, melhorar a ato -estima, enfim, dando valor para minhas qualidades, tentando não enxergar apenas as limitações.

  • oi gente como vai ,achei muitos interessantes cada depoimentos e de cada historias lindas eu sou deficientes auditivos etc e mesmos assim nada impede eu ser bons joalheiros,professos de patinacaõ artisticas e que esse ultimo treinei minha ex como campeas e ja foi pra tv fausta~o no gelo etc,e estou separado faz 7 anos pena que todos que termos esse problemas naõ somos bens vistos e excluidos da sociedades humana normal estou atras de uma servas de deus quero casar de novo e ter uma vida normal é meu sonhos sou ser humano como qualquer um mas tristes pelas adversidades humanas e quem concordas comigo vamos amarrrrrrrrrr

  • sou deficiente auditiva desde quando nasci, uso aparelho nos dois ouvidos converso normal, mas as vezes fico com vergonha do aparelho as pessoas ficam olhando e nem disfarça sem contar as outras que perguntam pra que eu uso. tem muitas pessoas que não sabem do meu problema e quando falo elas não acreditam.

  • Oi, gostei muito de ler os relatos dos DA, faço parte há 44 anos, com perda bilateral severa, uso aparelho desde então, sei das dificuldades e das superações, sou mestra na leitura labial,um santo aliado, porém acho que o mundo em geral não oferece nenhuma facilidade para o deficiente auditivo, até os canais legendados são limitados, enfim há muito o que melhorar para garantir que tenhamos mais acessibilidade.

  • Boa tarde, pessoal!
    Primeiramente adorei esse blog , descobri a pouco tempo mas já esta me ajudando MUITO nessa minha nova fase que também gostaria de compartilhar com vcs.
    Tenho 23 anos, e desde criança tenho perda auditiva moderada bilateral. Tenho duas irmãs do primeiro casamento da minha mãe que também são deficientes auditivas (minha mãe teve rubéola). Minha irmã mais velha usa aparelho nos dois ouvidos, é casada, e a outra do meio tem surdez profunda e é muda. Posso dizer que minhas irmãs são um exemplo de vida, principalmente a do meio, que é totalmente independente, mora sozinha, é formada e pós graduada e está estudando para prestar concurso para ser professora de ensino especial para crianças surdas, e nunca desanimou de seus sonhos por conta da surdez.
    Voltando um pouco pra falar sobre mim, nunca tinha ido procurar um aparelho para usar, até porque achava que não era necessário, pois mesmo algumas vezes não entendendo o que as pessoas diziam, eu levava minha vida numa boa sem problemas. Mas então entrei no mercado de trabalho e percebi, depois de ser chamada de “devagar” por uma colega de trabalho, porque muitas vezes não escutava as pessoas me chamando, que precisava ir atrás de QUALIDADE DE VIDA. No mÊs de Janeiro/2013 fiz uma pesquisa em várias empresas e optei por comprar um aparelho Microcanal CIC somente para o lado esquerdo. Estou há quase 2 semana com ele, e até o momento somente meus pais sabem. Eu sou noiva, estou junto com ele há 4 anos, tenho muito amigos, adoro sair, pegar uma baladinha, tomar uma cervejinha, mas ainda não passei pela fase de aceitação. Sei que é totalmente vergonhoso ter vergonha de si mesmo, mas pra mim já foi muito difícil procurar ajuda para comprar um aparelho, e estou encarando isso um grande avanço. Estou trabalhando para me adaptar ao uso do aparelho e de aceitar o meu problema, e posso dizer com 100% de certeza que foi a melhor decisão que tomei na vida! Tenho certeza que com o tempo vou aceitar isso e ter coragem de contar pro noivo, amigos, chefe, colegas de trabalho e etc.
    Mas o que quero dizer é que muita gente tem problema de audição e pela vergonha não correm atrás de qualidade de vida. Isso não tem preço!!! Estou super animada por estar ouvindo sons antes desconhecidos (e olha que o volume não esta 100% ajustado, pois estou na fase de adaptação do aparelho), imagina quando eu conseguir comprar outro aparelho para usar no outro ouvido!
    ENTÃO PESSOAL, NÃO DEIXEM A VERGONHA IMPEDI-LO DE TER QUALIDADE DE VIDA E DE LEVAR UMA VIDA NORMAL! Estou trabalhando nisso e tenho certeza que vou conseguir superar , mas infelizmente ainda tenho receio do que os outros vão pensar. Essa é uma fase nova da minha vida e com certeza leva tempo pra vc se acostumar com a idéia, mas não é impossível!
    Grande Beijo a todos 😉

  • Olá
    Me identifiquei muito com vc, pois tbm sou surda oralizada, faço uso do aparelho auditivo, posso dizer que ainda tem pessoas que levam susto quando a gente declara que não ouve tãoooo bem, que precisa falar pausadamente, tive uma amiga que teve a kra de pau de me dizer que o kra que eu gostava, que não me assumia por causa da minha deficiencia e olha que falo no telefone e tal, e eu disse pra ela, que se ele não me quisesse assim, não serviria pra mim, sendo que já sabia desde o começo. Bom, ainda existe esse preconceito, como se fosse contagiosa, eu só lamento pra essas pessoas bobas e mesquinhas.

  • olá..
    Esse texto seu me descreveu por completo,ficou como se vc estivesse me vigiando e contando isso rsrs
    Perdi a audição quando tinha 15 anos e ja começei a usar aparelho,era dificil arrumar alguem que tivesse paciencia com essa minha nova fase,saber se comunicar comigo e tudo mais,hoje ja tem 4 anos que uso aparelho ,e só agora que encontrei alguem muito especial,que tem paciencia,que faz esforço pra que eu o entenda,ele me respeita e acha o máximo a minha capacidade de desenvolver tantas outras qualidades sem a audição,é maravilhoso ter alguém assim né?!! tem horas que até esqueço que não escuto hehe .
    Beijo pra vc ,conheci seu blog agora e ja to adorando viu!!

  • Nossa, encontrei a sua página no melhor momento de minha vida, há nove anos descobri que tenho uma perda auditiva e nesse tempo ela era de leve a moderada, hoje está severa, tudo o que vc escreve acontece comigo, e eu nunca pensei em procurar paginas na internet para compartilhar esses sentimentos!!!!
    Nesse momento estou passando por uma situação bem delicada, nao consegui me adaptar com meu primeiro aparelho agora estou aguardando o segundo modelo ficar pronto, e minha audição deu uma caída muito forte nesses últimos dias… complicado, porém, ao ler os seus posts, me deu uma força nova para enfrentar essa “batalha”, o que mais me incomoda é por causa da minha profissão, dou Professora de Biologia para o ensino médio, e é muito dificil lidar com os alunos sendo portadora de DA, pois eles nao tem paciencia comigo, dificil a comunicação, fico com receio de fazer atividades interativas com medo de não conseguir acompanhar o que os alunos me falam… e assim vai… no relacionamento amoroso, enfim é difícil, ele não tem muita paciência comigo, mas agora esta aprendendo a ter.
    Nossa foi Deus que me mandou para a sua página.
    Estou adorando, minha auto estima aumentou muito hoje!!!!

    Obrigada e que Deus abençoe!!!!
    Beijos

  • Li o post e adorei. Há dois anos me relaciono com uma menina que é surda. E lembro q no inicio foi bem complicada a parte de comunicação e ai apelamos direto para o celular, digitando mensagens interminaveis numa conversa. Mas ai nos cansamos de ter de ficar digitando o tempo todo e começamos a encarar essa dificuldade. Hoje, nos entendemos perfeitamente bem. Tanto, que me esqueço que ela é surda e as vezes quero sim conversar no escuro kkkkkk falar sem querer tapando a boca ou abaixando a cabeça atrapalhando sua visao. Mas a gente se entende. Fico feliz que ela tenha encarado isso, pois quando nos conhecemos, ela não gostava de falar, queria que eu falasse por ela pq as pessoas me entenderiam e a ela não. E o que me atrapalha acabou ajudando-a a superar essa parte. Sou timida… P eu falar é um sacrificio kkkkkk e ai ela teve de superar mas esse obstaculo que era nao ser entendida.

  • Oi Paula, devo confessar que encontrei seu blog por acaso. Eu nao tenho problemas de audicao pelo que eu saiba (nunca fiz o teste…as vezes nao entendo as pessoas…) mas atualmente eu trabalho com pesquisa na area de surdez no exterior que foi por acaso. E cada dia eu fico mais encantada com o que eu descubro (eu sou biologa de formacao e nao estudamos orelhas tao profundamente na universidade) e a coclea o vestibulo sao orgaos interessantes mesmo, tantas poucas celulas e tao especializadas. Eu trabalho com ototoxicidade tentando entender os mecanismos que causam a morte das celulas ciliadas que convertem a vibracao do som em estimulo sinaptico. Pesquisa basica, nada ainda em fase terapeutica contudo a area evolui para a pesquisa em celulas tronco agora para reposicao destas celulas…ainda vai demorar mas tem pesqusias na area. Eu escrevo a somente para dizer uma coisa que voces ja saibam mas eu nao sabia, a linguagem dos surdos ‘e regional, e a linguagem ai’ e diferente daqui no Uk que ‘e deferente nas diferentes partes da Inglaterra, nao e’ legal?! Na realidade ‘e muito influenciada pelo local. Quando a surdez, eu estive doente e fui operada e posso dizer que todos somos seres unicos e perfeitos ao nosso modo e devemos nos valorizar para sermos valorizados. Boa sorte ao blog

  • Oi Janise, conte pra gente a substancia q causou s surdez , por favor, para q possamos nos proteger!
    Comigo foi garamicina e estreptomicina p tratamento d tuberculose urinária.
    Também tenho otosclerose , Thalyta, tbem rápido,mas aestapendectomia ajudou. Fiz na Austrália em1992, mas hje só tenho tinnitus .
    Ainda não uso aparelho , mas sei q no futuro usarei.
    Paula, DEUS TE ABENÇOE, e obrigada d Coracao pelo seu blog!
    Por favor , nos avise do lançamento d seu livro, irei a Sampa especialmente!
    Beijo e um abraço bem apertado !

    • Olá, Lydia. Foram 2 antibióticos que tomava na veia, por ter tido infecção bacteriana, após quase 3 meses de uma cirurgia para colocação de prótese no joelho. São eles: gentamicina e vancomicina. Infelizmente, a infectologista que cuidava entre aspas do meu caso, nunca tinha pedido para eu fazer exames de sangue, para ver como eu estava reagindo aos antibióticos. E assim, por ter ficado tomando estes antibióticos por mais de um mês e meio, eis o que aconteceu: surdez e por muito pouco, não fiz hemodiálise. Um forte abraço.

  • Olha só ! Que lindo Post!!! Espetacular!!Agora sei que não estou sozinha! Tem muitas pessoas que tem o mesmo conceito, dificuldades e limitações. Você praticamente relatou a minha vida rs rs…. Sou DA, 27 anos, casada, trabalho como Faturista em um Hospital Particular. Sou casada com o meu primeiro e único namorado (ouvinte), de início eu não entendia muito bem o que ele dizia, mas eu estava apaixonada mas eu teria que familizar com a voz e o vocabulário dele, a forma de expressar e gesticular (ele não sabia, que tinha DA), tinha que mostrar para ele que eu podia viver uma vida normal. Meses depois trocamos emails e telefones, e assim ele começou ligar na minha casa querendo falar comigo, e diziam que eu não estava em casa rsrs… Tempos depois, tive que falar, a reação foi a mesma, ahh sério? Não brinca! Não parece! Verdade mesmo?? E assim expliquei o meu problema e ainda o motivo da minha voz ser diferente. Mas isso não atrapalhou, começamos a namorar. Ganhei um amigo, um namorado, um companheiro, um segurança, um marido para toda a vida! Hoje, ele aprendeu a fazer leitura labial expect nisso rsrs.. apaixonei mais ainda rsrs!Até Libras aprendemos juntos, apesar de não ser necessário, fizemos questão de aprender… Paciente, me respeita, me defende, luta junto comigo sobre os meus direitos… Enfim! Especial para mim, aprendi coisas novas! Depois que casei, sou uma nova mulher e ganhei o respeito de muitas pessoas, isso mostrou que apesar das minhas limitações posso ter uma vida normal e uma família!… Beijos! Um prazer enorme!

  • Primeiro olá Paula , adoro seu blog também sou fã da sua sinceridade e sua forma de como expõe a a sua vida e de todos nós DA, palavra que confesso aprendi hoje. rs
    Bom quando comecei a namorar minha esposa, fingia muito entender ( tipo ahã era bem comum ou é mesmo) .rss
    Depois de um tempo cheguei e falei: ô fala alto que sou surdo do ouvido esquerdo e quase do direito.Ela que?? Caramba quase 2 meses ficando e só agora você me fala a verdade?? (pensou que safado) fingia que me ouvia e entendia .kkkkk
    Estamos juntos a 13 anos temos uma filha maravilhosa , as vezes bem as vezes quando nós brigamos desligo meu aparelho e finjo que estou escutando.
    Leitura labial aprendi mais as vezes fica difícil quando não conversam comigo de frente.
    Amigos todos sabem que sou surdo, trabalho mesma coisa.
    Única tristeza é não ter nenhum amigo surdo( amigos de web tenho vcs) todos do site, mais digo aquele pessoa com quem conversar pessoalmente.
    O importante é olhar por dentro não apenas a capa mais por dentro mesmo!!
    Se a paquera não te ve como vc é ( seu valores, sua forma de viver sua forma de sentir e o amor que tem prá dar e receber)não merece passar o tempo com você. Pois uma coisa que não para é o tempo.
    Possivelmente pode estar deixando de viver com uma pessoa maravilhosa e perdendo a maior alegria da vida “amar e ser amado”.

  • ola paula…aos 5 anos de idade era uma criança como todas….ate ser medicado com o antibiotico TETRACICLINA…que por sinal fora proibido. dai em diante minha vida foi mudando gradativamente…começando a perder rendimento nos estudos…..começar a ser avoado….enfim todas as dificuldades apareciam e é claro começam os preconceitos….as chacotas….e eu realmente tive que amargurar sozinho porque afinal atrapalhar a vida dos outros pedindo pra repetir o que nao entendiamos??hj posso dizer, com certeza que passei por todos os relatos mencionados aqui pelos demais DA e muitas coisa bem desagradaveis…EU NUNCA ME PREOCUPEI SE EU ESCUTAVA OU NAO …MANDAVA TODOS IR PQP…OLHAVAM MAIS MEU APARELHO DO QUE A MIM MESMO…nunca rebaixei a cabeça pra quem fosse…hj sou formado economista e tenho minha empresa de defumados embutidos e somente trabalha la EU E DEUS…..e farei 53 anos dia 2 de fevereiro..somente consegui escutar e entender no tel a voz de minha mae…embora leio labios, aprendido SÓZINHO. PAULA,querida…precisamos nos unir em um só coração para que não sobre um unico DA precisando de um ombro amigo e semelhante do mesmo problema que temos e a quem quiser meu conselho estarei a disposição de todos os DA para ajudar no que for possivel, no meu email:jotabe_antonio@hotmail.com ,um grande abraço a todos os DA E tambem os não DA. JAIME ANTONIO BRISOLLA FRANCHI

  • Paula

    Estou acompanhando seu blog recentemente.

    Acho demais sua escrita!
    Tenho 29 anos (completados ontem)e tenho deficiencia auditiva bilateral moderada.

    Eu sempre me envolvi com pessos ouvintes e antes de uma certa idade (tive meu problema a partir dos 19 anos) eu nao contava pra ngm! Era um horror, hoje não! Aceito tudo numa boa, namoro um ouvinte há 2 anos e meio e estou muitissimo feliz! Ele é uma pessoa sensacional!

    A gente vai se adaptando na vida!
    Com certeza suas dicas e comentarios ajudam muito!
    Super bjo e mto sucesso!!

  • Minha perda auditiva começou a ficar mais acentuada aos 45 anos.Hoje, com 56 anos, tenho perda bilateral de 53%.Tenho Otosclerose hereditária.Comecei a perceber a perda aiditiva, e nesta época já casada há 23 anos com dois filhos de 22 e 21 anos ,hj estão com 31 e 32 anos, quando pedia para repetir a pergunta ou resposta, aumentar o volume da tv,não escutava me chamar qdo estava de costas, enfim, meu marido e filhos diziam que estava distraída, “viajando na maionese”, se irritavam e não repetiam o que tinha dito.Fiquei oreocupada, e fui a um otorrino,só pra ter certeza que era mesmo “distração”…mas a audiometria deu perda bilateral leve a moderada na época, fui diagnosticada com otosclerose,saí de lá com a certeza que eu estava mais distraída ainda,e com um endereço de uma loja de aparelhos auditivos.Me convenci que era erro da fono e deixei pra lá.Mas foi piorando com o tempo, eu comecei a me isolar pq ninguém tinha paciência em repetir e não acreditavam ,especialmente eu mesma a familia,que estava ficando surda.Tinha comércio na época, loja de roupas femininas, e se tivesse sózinha de costas para a entrada, ocupada com algo, não ouvia os clientes me chamarem e muitas vezes fui roubada por causa disto.Voltei a me consultar 2 anos depois e já estava em perda moderada, e ninguém aceitava, achavam que eu continuava “avoada”.Mas eu comecei a aceitar,mas tinha vergonha de falar com as pessoas qdo estava numa conversa em grupo, e fingia estar entendendo.Tinha dias que achava que estava ficando louca, pois as pessoas falavam de frente para mim e o som das palavras parecia grego…não entendia nada…e na tv também.E tenho tb lesão nos labirintos.Mas custei a ter coragem de assumir para os outros e precisei brigar muito com minha familia,amigos para sempre falarem devagar e de frente para mim e com isso fui aprendendo leitura labial.Tenho mais facilidade de entender a voz feminina do que a masculina.Enfim, qdo finalmente ía fazer , ano passado, a cirurgia para colocar prótese do estribo, entrei numa depressão que me valeu um transtorno em que preciso de antidepressivos fortes até hoje.Minha psiquiatra não autorizou a cirurgia, pq teria de ficar de 10 a 15 dias sem a medicação, para poder tomar a anestesia geral.E estou ainda tendo recaídas, trocando medicação e o tal do desmame e o início de outro antidepressivo é quase que insuportável ,imagina 15 dias fazendo desmame e sem medicação para operar.Cirurgias agora só se for emergência e com alto risco de choque anifilático.
    Agora ,como não tenho condições de comprar dois aparelhos bons, vou me inscrever no programa do INSS os aparelhos.E sabe´se lá quando vou receber.Imaginem eu dom depressão grave com transtornos e sem ouvir .
    abraços

  • Ótimo relato, o medo que há de ser diferente é grande em muito de nós, preconceito e medo que temos de nós mesmos, tive dois timpanos perfurados quando criança passei por tres cirurgias de timpanoplastia, sendo que uma foi mal sucecedida. durante muito tempo eu não dizia há ninguem que tinha este problema, pois era só dizer que vinha chacota, tentei viver como uma pesssoa normal, pois esqueci que eu mesmo era normal, fugi de mim mesmo, e hj com 30 anos depois que mim separei estou mais aceito comigo mesmo, fui muito criticado por namoradas e conjugue que sabiam do meu problema, nas horas dos entendimentos ouvimos bem alto que é surdo e por outros apelidos banais criticando nosso comportamento, fechei mim retrai , hj falo abertamente tenho perda auditiva por favor se eu não escutar é pq não ouvi. vivo normalmente trabalho normalmente ainda sem aparelho, mas a perda esta se agravando e vou ter que usar, o q os outros vão falar de mim? não importa hj sou mais eu e meus dois pequenos que moram comigo e minha mãe, prefiro ficar sozinho do que ter alguem que não compreende este pequeno problema que pode ser resolvido entre todos os relacionamentos, já não escutamos o suficiente e quando escutamos for só critica ai é desanimador, a vida é bela tenho descoberto isso a cada dia, e agradeço a Deus por ter força e superado este problema e que hj as pessoas que esão a minha volta mim respeitam por isso. Viver é ato de amor proprio e ao próximo.


  • Não tive muita sorte, estava indo até bem, reencontrei um velho amigo no face depois de 28 anos sem ter contato, conversávamos muito pelo facebook, e ele sempre pedia o meu celular, para conversarmos. Só que ele me conheceu quando eu era ouvinte. De tanto insistir pedindo o meu celular, em uma conversa no face falei sobre a minha situação atual. Voces não vão acreditar, ele simplesmente não conversa mais comigo, quando entro que ele está on line, logo sai.

    Voces acham que estou preocupada, Nenhum pingo, na hora que o cupido chegar, posso estar com 100 anos e ainda serei muito feliz.

    Bjs

  • Tenho mil receios que estou quebrando aos poucos.Era ouvinte e agora DA.Tive primeiro que aprender a lidar com isso, e nesse tempo me fechei para essa área, pois nem eu me entendia.Não sabia se o cara estava olhando para mim ou para o AASI.
    Antes da perda estava de paquera com um rapaz, não deu certo.Agora estou conhecendo mais me abrindo mais.Mas não tá fácil para ninguém, nem ouvintes.Todos reclamam disso.rs.As cantadas depois de ficar surda são diferentes mesmo, recebo bilhetes dizendo que sou bonita, e falo obrigada o cara fica abestado , pq eu falo.Alguns amigos querem ajudar e vão avisando as pessoas que uso aparelho, achando que estão ajudando, tive uma conversa com esse amigos.Não quero placa na testa.Hello??!!
    Alguém escreveu Paciência, acho que é essa a chave,para qualquer relacionamento, para quem não ouve então.Deve ser o dobro.
    Mas Amor é uma coisa divina, quando é verdadeiro vai ter dificuldades mas , juntos superam tudo(Falo isso pq já vi casos).E espero que o meu seja assim=)

  • Li todas as estórias das pessoas, e realmente, Paula, este post está ótimo. Às vezes, passei por situações chatas, porque eu queria me comunicar, mas as pessoas, por saberem que eu sou surda (e na época, ainda não tinha feito o Implante) simplesmente se afastavam de mim, quando percebiam que poderia haver dificuldades. Descobri, com o meu irmão, que eu não alterei o volume DA VOZ; entendia bem, fazendo a leitura labial, mas, sim, Paula e amigos, existe o preconceito. Por incrível que pareça, onde tenho conta-corrente, sendo a titular, os atendentes acabam conversando mais com o meu marido e este, por diversas vezes, pergunta coisas pra mim, porque, embora ele seja o 2º titular, não tem conhecimento total das coisas que faço. Não, não faço nada ilegal, não, rs, rs. Então, é isso. Procuro sair, conhecer pessoas, mas não são todas que se disponibilizam para conversar com uma DA. Abraços.

  • Relacionar hoje em dia já é complicado imagina para a gente!
    Minha fase traumatica foi no colegial essa epoca q as amigas da o 1 beijo… Eu era super timida, envergonhada e não sabia explicar direito pq n ouvia e fora que sempre tem aqueles que fazem piadinhas da gente… Tive amigas mas tive esse fase q ela tiveram de namorar, beijos…
    Fui dar meu 1 beijo la pros 16 anos enqto elas ja beijavam desde os 13 ou 14!rs Cidade do interior é muita falta de informação que só Jesus na causa mesmo! =)
    Mas enfim, logo q formei mudei para capital para fazer faculdade, nessa epoca usava aparelho, o microcanal que nem sei a geracao dele e nome (abandonado na gaveta, devo doar lo em breve, alguem?) Tive a epoca da faculdade apenas para recuperar o tempo perdido! rs
    paquerei muito, casinhos… nada serio! E acho q só um ou outro sabia que eu era DA. E eu tb tive mais uma queda de audicao… nisso resultou o abandono do aparelho. Assim, nunca deixei me abater seriamente tenho meus dias de fúrias que geralmente provocado por pessoas que nem devo comentar cuja educação sao das piores.
    Mas sabe pq nunca contei para esses rolos ou paqueras?
    simples, n sentia segurança, nem vontade e nenhuma de me expor.. e vários eram uns tremendos idiotas… me poupei da decepção. rs
    Mas até que, num desses carnavais da vida tudo muda!
    conheci meu namorado em um carnaval e nunca me sentir tao a vontade em toda minha vida! E n fui eu q contei para ele… ele q desconfiou! rs Eu ainda estava pensando na melhor maneira de contar sem assustar lo queria primeiro q ele visse que eu tinha uma vida normal… nem foi preciso!
    E hoje creio que foi coisa do destino, pq ele completa tudo que me falta, aquela insegurança ele é a segurança,
    a parte que eu n entendo, ele entende e me faz entender,
    quando alguem é grosso ele é o primeiro a me defender, quando o banco liga ele é q manda o pessoal pra… pq ja explicou trocentas vezes q eu n escuto (rs) enfim,
    o que quero dizer, a gente n pode se privar de nada quando vc diz que n sai, n vive mais a sua vida vc está assumindo que tem preconceito de si mesma!
    Eu sou abençoadissima! Sai de casa com 18 anos para morar em republica, foram várias e nenhuma teve preconceito e faculdade teve os perrengues mas nada que me traumatizasse. Agora já moro no Rj (sou de Minas) há dois anos! Não tenho ninguem da familia aqui, apenas meu namorado e n moro com ele (tá mas moro perto rs)
    agora só tenho q dar um basta no preconceito aqui no trabalho que tá foda!
    mas enfim, uma pessoa apenas pode mudar a sua vida e te dar a coragem necessaria para uma vida inteira

  • Oi…Paula, ótimo post!!!

    Eu nunca fui de ficar me lamentando pelo fato de ser DA.
    Só quando nova ja que eu tinha vergonha…Na cidade onde moro tudo é limitado não me permitiu ser como sou quando era nova, então eu não tinha namorado e demorei para namorar ou ficar,rolo e peguetes…rsrs

    Minha vida sentimental começou com 19 anos e acreditem desde namorado e ficantes nunca deixei de falar que era Deficiente Auditiva…até em balada tinha alguns que acabavam virando amigos. No ano de 2011 minha vida foi muito agitada…muitas baladas, e muitos rolos e todos eram amigos..rsrs e ja sabiam que eu era DA…E nessa época resolvi sair dessa vida de baladeira e queria algo serio e alguem que entendesse minha Deficiencia e gostasse de mim pelo o que sou e não pela minha beleza…

    Hoje eu namoro e vai fazer 4 meses o Leonardo é uma pessoa que me entende e me ajuda muito…ele tem uma paciencia que as vezes acho que pode mudar…mais não ele me ama pelo o que sou.

    Ah!! esqueci de falar nunca fiquei e nem namorei um DA e todos os meus rolos eram ouvintes…Na minha cidade tinha um DA ele era muito gatinho… 🙂 mais ele não parecia interessado em alguem como ele. Fazer o que ele perdeu a oportunidade de conhecer uma “mulata boa”…rs

    Kisses e Abraços a todos

  • Paula,

    O seu artigo é muito interessante!! Desde o meu tempo de infantil / juventude, sempre envolve com as pessoas ouvintes, e apesar de ser surdo, comunico-se através de leitura lambial.

    Antes de 18 anos, ficava e namorava com as garotas ouvintes, e não tive problema nem preconceito (Aleluia!) e ai entrei no mundo dos surdos quando tinha apenas 19 anos, aprendi LIBRAS e estou gostando bastante. fiz amizades com as pessoas surdas, sejam eles oralizados, usuários de Libras e usuários de IC.

    Meu relacionamento com a surda aconteceu dentro no trabalho, foi a minha primeira experiência, mas não durou muito e ai terminamos o namoro. A partir dessa, teve mais ficava/namorava com as surdas que ouvintes!! E claro que mantemos as amizades com ouvintes e surdos.

    Atualmente, tenho 32 anos, moro junto com a minha “namulher” (namorada + esposa ^^) surda oralizada e Libras, é uma pessoa extraordinária, inteligência, maturidade e tem 34 anos. Graça a Deus por tenho uma mulher maravilhosa!

    Na minha opinião, namorar com uma pessoa surda é muitooo melhor que uma pessoa ouvinte. (Respeito as opiniões de cada um de vocês). E há um ano e meio atrás, namorava com a ultima pessoa ouvinte 🙂

    Abraços fraternos e desculpem se o meu Português não tá legal.

  • Excelente post e tópico abordado!!!

    Compartilhando a minha experiência, é engraçado, porque todos os meus namorados/paqueras conheci “ao vivo” (na faculdade, no trabalho, amigos de amigos…). Geralmente foram amigos/colegas que viraram rolos/namorados. Então desde o momento que eles me conheciam, já sabiam da minha deficiência, e nunca foi um empecilho. Porque já existia um relacionamento de amizade antes. Meu marido era um dos meus melhores amigos na faculdade.

    Na verdade, eu nunca conheci pessoalmente um deficiente auditivo na minha vida inteira!!!! O primeiro contato que tive foi aqui, virtualmente, no seu blog…! Ou seja, todos os meus amigos e pessoas que me rodeavam – até hoje – são ouvintes. Nunca tive um único problema com relacionamentos, até porque quando era mais nova, ainda arriscava mais falar ao telefone. E todos sempre foram compreensivos, atenciosos, pacientes.

    No entanto, nunca me envolvi com ninguém desconhecido ou de balada, por exemplo… Nunca me arrisquei a me envolver com uma pessoa “inédita”, logo de cara! Com certeza por causa da insegurança. Porque uma coisa é você estar entre pessoas familiares, com quem convive por um tempo até surgir a possibilidade de um relacionamento…! Bem mais fácil. Outra é você conhecer um estranho no bar, na boate, na rua, tentar conversar e compreender no meio de tanto barulho e ainda “pegar telefone”… Sempre evitei todo tipo de aproximação “às cegas”.

    Beijocas

  • AMOR PRÓPRIO – AUTO ACEITAÇÃO. São quesitos para quem tem deficiência auditiva se relacionar bem com todo o tipo de pessoas (seja em família, amigos, colegas de trabalho, namorado/marido, filhos etc). Ter em mente que não agradará a todos, também ajuda a enfrentar o dia-a-dia. E não se sentir derrotado por não ter a empatia de fulano ou beltrano.
    Agradeço a Deus meu marido. Ele compreende quando estou com ou sem aparelho: fala perto de mim (num ritmo bom e volume normal). Quando estamos no carro (ele dirigindo) e eu atendo o telefone, ele abaixa/desliga o rádio.
    Assim seguimos. Eu expressando o que é melhor pra mim, ele compreendendo e me auxiliando. Acreditem, são ações de amor.
    RECOMENDO A TODOS A LEITURA DO LIVRO:
    AS CINCO LINGUAGENS DO AMOR (CÔNJUGE). autor: GARY CHAPMAN.
    Ótima semana!!! 🙂

  • Ótimo post, Paula. Também sinto esses receios, também penso nas perguntas clássicas a que te referes. Devido a esses receios, também acabei arriscando menos em relacionamentos, até perceber, recentemente, que isso é uma bobagem da minha parte.

    Todo mundo tem algum medo. Deixa o relacionamento fluir ao invés de ficar no “e se…?”. Só vamos saber o que poderia acontecer fazendo e não imaginando. Podemos nos machucar por causa disso? Sim, mas pelo menos teremos tentado. E também podemos ser felizes por isso.

    Bjs!

  • Paula,

    Gostei muito deste post e não resisti, quis escrever também… 🙂

    Apesar de ser oralizada, sempre achei que lidaria bem com uma pessoa ouvinte, mas depois de experiências com encontros, percebi que eu mesma não ia aguentar ele daqui a alguns anos porque tenho bastantes amigos surdos e ele, os seus ouvintes. Tenho de ficar perguntando toda hora do que ele e seus amigos estão conversando e rindo. Mesmo reconhecendo a minha deficiência podem me contar tudo, mas com o tempo cansa pra eles ficarem no repetitivo. Vão falar menos dizendo que não é nada, é só bobeira (…) me deixando curiosa e raiva ao mesmo tempo. Imagino que ele poderá se sentir deslocado quando estiver com meu grupo. Assim não dá, né? Por isso, a coisa mais certa que fiz na vida foi casar com alguém semelhante a mim. Surdo oralizado, usuário de Libras e muitas coisas em comum. Como sou atarefada, posso agilizar minhas coisas sem se preocupar com o barulho enquanto meu marido está dormindo tranquilamente, ô sono gostoso!

    Beijo!

  • Esqueci uma coisa, depois do meu Implante eu voltei á Faculdade onde curso letras Port/Inglês, tenho minhas dificuldades, mas sou um aluno que participa dos debates e trabalhos, converso com todos,existe na Faculdade a matéria Libra (Lingua de Sinais) todo início de ano sou convidado a dar uma palestra sobre a surdez,Implante etc.. vou me especializar em Inglês e Libra para trabalhar com deficientes auditivos.

  • Sou deficiente auditivo desde jovem, mas nunca tive problema para me relacionar, quando não usava aparelho sempre ficava do lado do ouvido esquerdo que eu escutava melhor, depois fiz cirurgia e passei a usar aparelho auditivo por 20 anos, sempre namorei normalmente, depois tive surdez bilateral irreversível devido a otite crõnica, fiz uma cirurgia de Implante Coclear quando voltei a escutar depois de 4 anos, a pessoa tem uma capacidade enorme de adaptação, claro existe aquela coisa de não entender, mas sempre busquei me envolver com as pessoas, amigos e namoradas com todas as dificuldades que existiram e existem, não devemos deixar de viver, nos isolar mesmo que em grupos, por causa da nossa deficiência, pois elas existem para nos ensinar o quanto somos capaz de nos adaptar diante de situações do dia dia, eu penso no lado bom e não ficar pensando: coitadinho de mim, não escuto e coisa tal,existem pessoas em situações bem mais graves que a nossa,podemos escutar com nossos olhos ao fazermos a leitura labial que maravilha não, antes do meu Implante eu fazia leitura labial sem nunca ter ido a fonoaudióloga aprender a ler os lábios, embora cada caso é um caso, as dificuldades existem para serem vencidas.

  • Olá, Paula!
    Meu nome é Thalyta, tenho 19 anos e gostaria de compartilhar com você a minha história e dividir com você o assunto do seu post.
    Tive uma queda auditiva muito rápida em março de 2012, bem quando comecei a faculdade. Foi muito difícil para mim, afinal estava começando uma nova etapa da minha vida e, apesar de ter certeza que iria ter uma queda auditiva (minha família materna todinha usa aparelho rs), não imaginava que poderia ser tão rápido.
    A princípio não sabia como reagir direito, era muito difícil fazer amizade na faculdade por medo de não conseguir entender o que a pessoa iria dizer, fiquei muito mais insegura do que ja era rsrs
    E enfim, fui me virando como podia… associava o assunto do momento com leitura labial, não me envergonhava em pedir para a pessoa repetir o que tinha dito..
    Até que conheci o grande amor da minha vida! rs
    O conheci na faculdade, o nome dele é Fernandes. Estamos juntos completará 09 meses e estamos noivos!
    Ele foi a pessoa mais especial que já conheci em toda a minha vida. O conheci no exato momento em que tive a queda auditiva, no exato momento em que descobri a doença que tinha (otosclerose, uma doença genética) e, ao lado dele, consegui forças para encarar o que estava acontecendo.
    Com a queda auditiva (ainda não estava usando aparelho auditivo), entendia muito pouco o que os professores diziam em sala de aula… acabei ficando de 04 DP’S, não consegui recuperar todas as matérias na rec, a situação estava complicada rs
    Mas sei que em 2 matérias na recuperação consegui tirar notas excelentes, graças a ajuda do Fe, que era da minha sala, cursamos Psicologia. Ele me ajudava a estudar, repetia cada palavra em alto e bom som para que eu pudesse entender tudo direitinho.
    Quando estava em testes para saber qual aparelho iria comprar, o Fe colocava junto comigo todos e sempre opinava “Acho que esse o som é mais limpo.”; “Não achei esse bacana.”
    Foi em todas as consultas comigo, esteve presente em cada audiometria, em cada nervosismo quando o médico dizia que minha audição estava caindo…
    E 2012 foi passando quando chegou o mês de outubro. Por conta da doença otosclerose, minha coclea deu início a uma calcificação acelerada e já estava em surdez profunda no ouvido direito.
    Meu médico decidiu que iriamos realizar a cirurgia do Implante Coclear pois se a cirurgia fosse prolongada teria chances de não haver mais espaço para o IC.
    Realizei a cirurgia super nervosa (nunca tinha operado antes)
    O fe passou a noite anterior da cirurgia em claro comigo, tentando me distrair o tempo todo.. e em todos os momentos no hospital ele esteve ao meu lado, mesmo morrendo de sono, me dando todo o apoio do mundo!
    Ufa! Acho que falei demais! Kkkkk!
    Achei muito importante seu post, muitas pessoas realmente tem essa dificuldade e esse medo de como outras pessoas vão reagir sobre esse assunto.
    Por medo e por insegurança muitas pessoas acabam mesmo se privando de se relacionar/fazer amizades e acabem deixando passar grandes oportunidades, grandes amizades, grandes relacionamentos.. Histórias para contar.
    Achei interessante compartilhar minha história para as pessoas saberem que existem sim pessoas bacanas, parceiras, companheiras.. independente de qual deficiência for.
    Beijão,
    Thalyta

    • Parabéns pelo seu relato, Thalyta. Que tudo dê certo. Gostaria depois de saber sobre o seu Implante. Sou tb implantada, porque, não sei se vc acompanha há mt tempo o “Crônicas”, perdi a audição por ototoxicidade, aos 54 anos. Continue assim, disposta e feliz. Isso ajuda e muito, Thalyta. Um forte abraço, Janise

  • Esse foi um dos melhores post que já li e todos devem ler!

    Paulinha, eu comecei a viver com a comunidade surda em 2011 e desde então, não parei e estou adorando! Sempre cresci com ouvintes e tenho muitos amigos ouvintes, claro que não vou deixar eles. Divido em tempo com ouvintes e surdos. Como estou morando em Sampa, aqui a maioria tenho amigos surdos. Na Bahia é ouvinte! Em toda minha vida, so fiquei com 2 surdos e o resto é ouvinte. Realmente é dificil, pq tem ouvinte que não entende, mas tem gente que compreende e entende. Hj estou paquerando com um cara ouvinte (ele é amigo do surdo) que mora no RJ, um fofo, amor de pessoa e me sinto a vontade total com ele. Ele sabe lidar e fico feliz com isso. Vamos ver se dará certo ou não…N poso criar expectativas. rs!

  • Me identifiquei totalmente com seu relato… Realmente, sempre ficava pensando se devia ou não contar pra pessoa sobre a deficiência, e sempre vinha o medo da rejeição. Mas, encontrei a pessoa que Deus preparou pra mim, e meu marido nunca me causou problemas, aceita minha situação numa boa…

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