Aparelhos Auditivos Histórias dos Leitores

Surdez e preconceito no mercado de trabalho

Foto: Shutterstock

Vamos conversar sobre surdez e preconceito no mercado de trabalho?

“Olá Paula, tudo bem?

Há tempos que não falo com você, espero que esteja bem. Paula, como a surdez me deixa confusa. Ultimamente tenho me confrontado com situações que me fazem odiar ser surda,  já te falei que curso Direito né? Uma professora me convidou para estagiar com ela, sem mencionar uma entrevista. Perguntei a ela se gostaria de marcar um horário para que conversássemos, ela me disse que não havia necessidade de entrevista pois estava certa  sobre minha contratação, pediu apenas que eu fosse ao seu escritório para conversássemos sobre salário.

Fui lá como combinado, conversa vai conversa vem, já estávamos acertando o horário de trabalho, quando falo que sou surda. Pronto:  senti um olhar de total desprezo como se todo meu curriculum acabasse ali. Para mim ela já sabia deste detalhe, pois conversei por diversas vezes na coordenação do curso sobre acessibilidade. No fim da conversa ela disse que iria me dar uma posição sobre a entrevista, fiquei sem entender pois nem precisava de entrevista e de repente…

Passados alguns dias, me envia um email dizendo que o meu perfil não estava de acordo com o cargo e blábláblá (mentira). Não sei se fico mais chateada com ela ou comigo que não dei um soco na cara dela ou pelo menos deveria ter mandado ela para aquele lugar, pois eu não pedi emprego para ela, ela que me fez a proposta.  O pior é que passado isto tive uma aula com ela, fiquei com uma dúvida e no final da aula pedi uma explicação, ela perguntou grosseiramente se eu estava usando aparelho auditivo na hora em que ela disse.

Aí não me segurei e falei: “O que diz respeito à minha surdez não é do teu interesse, não é porque uso ou não uso aparelho que não posso ter dúvidas. O aparelho me auxilia a ouvir não me dando conhecimento sobre direito civil, ele é muito útil mas não substitui a obrigação de um professor esclarecer dúvidas de seus alunos, pois você é paga para explicar corretamente as minhas dúvidas e de outros alunos, e não para perguntar sobre o meu aparelho. E quando quiser falar sobre deficiência auditiva comigo pesquise sobre o assunto para depois conversarmos. Não seja preconceituosa pois surdez não é transmissível!”

Vi a vergonha misturada com raiva nitidamente nos gestos dela me pedindo desculpas. Paula alguma forma de preconceito já aconteceu com você? Pois está é a primeira vez que aconteceu comigo, me relaciono muito bem com as pessoas. Mas fiquei muito chateada, me coloquei no lugar de pessoas que se calam, pois sequer sabem que isto é preconceito, porque não é só ser ofendido claramente pois muitas atitudes são preconceituosas e os autores podem ser punidos por estes atos.”

E então, pessoal, algo parecido com isso já aconteceu com vocês? Como vocês lidaram com a situação?

117 amaram.

Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 36 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

27 Comentários

  • Sofro bastante com isso! Mas como diz … a sociedade está sempre certa e nós que somos errados. É tão triste!
    O pior não é ter emprego, é ganhar menos por um cargo que é no mesmo nível que uma pessoa “normal” .
    Acho que deveria ser tudo igual, o cargo e o salário padrão pra todos, sem ter esse diferencial de “cota”, afinal somos todos iguais, só temos uma coisa a “menos”. Mas isso não significa que somos incapaz de cumprir todas as funções dadas pela empresas. Se bobear, fazemos até muito melhor que do que a empresa deseja. É uma pena que ninguém consegue vê as nossas qualidades e sim a nossa deficiência. Isso vem me frustrando cada dia mais, vem me fazendo buscar o direito da igualdade.

  • Também já aconteceu comigo….
    Quando consegui um emprego do hospital bem famoso aqui em Curitiba-PR e trabalhei como auxiliar de farmácia. Colegas do trabalho animam me conversar normalmente mas sou surda sinalizada, e na verdade eles falam labial bem devagar para eu entender algumas palavras. Chefia não gostou a mim porque achava comunicação péssimo talvez ela não tinha paciência de falar devagar ou ela não gostava que eu ensinei alguns sinais de Libras na área de farmácia mas na verdade colegas adoravam muito a mim.
    3 meses depois, ela me pediu mandar embora porque sou funcionária ruim mas equipe do RH me defendeu muito bem e mandou mudar outro setor… comecei trabalhar como auxiliar de atendimento com a equipe do RH que encontrei com uma funcionaria surda oralizada… conversamos muito amigável e integrada, e eu ensinei alguns sinais de Libras para ela e ela me ensinou labial também como escrever português correto…
    Passei 1 ano e meio, eu larguei esse trabalho e mudei trabalhar na prefeitura do município… melhorou muito agora que anterior!!!
    Que tem lutar nosso direito do trabalho adequado para surdos sinalizados e oralizados!!! 🙂

  • Boa tarde!!

    Fui selecionada para uma entrevista no Metro Rio, fiz todo o processo seletivo passei e na hora do exame médico fui ”descoberta” como deficiente auditiva. Nasci deficiente ( má formação congênita no O.D, e então descobri o mundo dos PNE, fui contratada para trabalhar como bilheteira e fui escalada para trabalhar nas três maiores estações do metro do Rio de Janeiro ( Largo da Carioca, Uruguaiana e Siqueira Campos. No tempo em que eu trabalhei era a época dos bilhetes de papel e o movimento era absurdo, fazendo com o que eu trabalhasse como um robô devido ao movimento. Trabalhei por seis meses de set/2007 a mar/2008 e trabalhei natal, ano novo e dois dias do carnaval na estação que fica ao lado do sambódromo ( quase morri nesses dias, devido ao barulho ensurdecedor da avenida do samba ). Ao ser mandada embora fui avisada que o motivo era que eu não tinha me adaptado a função, questionei pois aleguei que durante seis meses realizei minha função direito, de acordo com o que os meus supervisores falavam. A funcionária alegou que eu era ”séria” demais e aquilo a incomodava, na hora eu respondi, que eu era surda e fazer leitura labial dentro de uma cabine com vidro filmado era muito prejudicial, ainda mais nas estações que eu trabalhava devido ao grande movimento.

    Pela primeira vez trabalhando como PNE, senti o preconceito escancarado de uma pessoa que não tinha a menor sensibilidade em lidar com seres humanos, depois da minha demissão soube que ela demitiu outros deficientes, alegando a mesma coisa.

  • Bom, li diversos relatos e percebi que tem pessoas aqui com dificuldades maiores que a minha. Possuo perda auditiva leve/moderada bilateral e sempre levei uma vida normal em casa e no dia a dia, porém nas empresas onde trabalhei sempre senti dificuldade devido a perda e confesso que me doía e me dava muita vergonha, pois as pessoas percebiam que eu não ouvia direito.
    Quando saí do meu último emprego decidi investir em um aparelho e comprei um Mini-Canal um pouco menor que o ITC e um pouco maior que o CIC, devido meu canal auditivo ser um pouco apertado.
    Hoje busco uma nova oportunidade no mercado de trabalho, porém sinto que o uso do aparelho vem me atrapalhando nessa nova busca, pois ele fica visível e as pessoas percebem que uso aparelho auditivo. Já fiz diversas entrevistas e não passei, tenho certeza que é por causa do aparelho. Não me candidato a cargos para PCD por que minha perda não se enquadra como deficiência e ao mesmo tempo o mercado não me aceita pelo fato de eu usar aparelho auditivo.
    Confesso que estou sem saber o que fazer…

  • Eu sou DA bilateral severa, com implante coclear,pedi minha aposentadoria sem ter todos meus direitos completos, os olhares me doeram tanto, tanto que nao consegui + trabalhar é sempre muito dificil. Boa sorte para todos os DA

    • Denize, boa tarde!

      Pode me esclarecer melhor a sua história? É interessante compartilhar para que todos saibam o que está acontecendo e exigir uma ação contra esse tipo de atitude.

      Não entendi a frase: “sem ter todos os meus direitos completos”.

      Grata!

      • Denize, sinto na pele isso. Trabalho desde os 21 anos (tenho 44 anos). A minha perda autidiva é profunda bilateralmente. Desenvolvi Transtorno de Ansiedade Generalizada e Depressão, decorrente da.comunicação truncada (uso exclusivamente a leitura labial) lidar com tantas bocas, dicções, lidar em ter que me explicar uma, duas, três ou mais vezes durante o dia, encarar colegas que trabalham comigo há mais de uma década e ainda acham “engraçado” chamarem minha atenção jogando clips, borracha, etc. Ou me deixando sozinha responsável pela sala… é tão difícil. Quando retirei licença médica, chegaram a dizer que eu nao tinha cara de quem tava com depressão. ?
        Eu sou reservada, sofro calada e tem chegado a ficar insuportável. Mas os médicos da junta médica dizem que surdez nao aposenta por invalidez e TAG e depressao sao curáveis. Por mais que otorrino, fono, psicologa e psiquiatra relatem que as situacoes que vivo disparam o stress. Já tenho até 5 nódulos na tireoide, que funciona normal, e a endocrinologista diz que pode ser tb só stress. Ainda assim nao consigo afastamento e colegas de trabalho unsinuam que estou procurando “folga” cedo. ?

      • Acho que a aposentaram proporcionalmente ao tempo de serviço. Como está acontecendo comigo. Surdez nao aposenta por invalidez. Nao integralmente.

  • Ola pessoal tenho (anacusia o.e) recentemente fui em uma entrevista de emprego e todos sabem o resultado passa em teste entrevista mas chega a hora da audiometria já viu a medica do trabalho me reprova disse: que não podia trabalhar,bom ela disse que eu podia porque ruído do setor é de 70db , e disse mais que não pegaria indenização, não entendi perdi o emprego

    2- fui na mesma empresa duas vezes uma vez como deficiente não aceitaram não me enquadro,6 meses depois voltei para entrevista novamente como pessoa normal então reprova porque tenho anacusia no ouvido esquerdo…

    • Gilson, seria interessante ir até o AVAPE para certificar se está dentro da cota. Já ouvi falar que reprovam alguns tipos de deficiência por não estar dentro da lei.
      Aproveite esse tempo para ir até a AVAPE e o médico já vai lhe dizer.
      Fui uma vez para ir trabalhar na prefeitura e o médico me disse o que acabei de escrever acima.
      BOA SORTE E NÃO DESISTA!!!
      Abraços.

  • Aveeeee Maaaariiiiiiiiaaaaaa!!!
    Desculpem-me pessoal!!! Essa frase acima…Concordo em número, gênero e grau das dificuldades da sociedade em nos aceitar como DA e paulatinamente, vão nos conhecendo e “aceitando”. Até nossa família, sempre vai ter alguém que tem preconceito e nunca vai ir com a nossa cara. Isso acontece na maior parte do planeta terra, até onde sei. Infelizmente!!!
    Mas, FELIZMENTE DEUS SEMPRE VAI ESTAR NO NOSSO LADO!!! ACREDITEM!!!
    Cabe a cada um de nós mostramos as nossas QUALIDADES o quão somos inteligentes, empáticos, atenciosos, sociáveis, alegres diante as circunstâncias, amorosos, etc. Tão fácil assim a sociedade sempre olhar para o lado negativo (é um dos valores mais apreciados – que pena!) que é a nossa deficiência… A mídia ADOOOORA ter o ibope em notícias ruins!O que acontece? Sempre estaremos olhando para o lado negativo e é isso que a sociedade, aparentemente, nunca vai nos enxergar como seres humanos onde temos sentimentos, pensamentos e belas histórias de superação, etc.
    NUNCA SEREMOS CULPADOS EM NENHUMA CIRSCUNSTÂNCIA POR TERMOS NASCIDOS COM ALGUM TIPO DE DEFICIÊNCIA!!! Que pena, o quanto tem um monte de pessoas que tem mente pequena e pobres de espirito que com as bênçãos de Deus não nasceram com alguma deficiência e com certeza, nem tem sabedoria da vida para poder desfrutar a amizade dos deficientes auditivos e outros tipos, já que somos grandes companheiros de jornada na terra.
    Já ouvi ou presenciei pessoas preconceituosas que em algum momento da vida delas, tornaram-se deficientes ou tem filhos ou parentes com deficiência. DEUS DÁ A CADA UM A LIÇÃO QUE NECESSITA PARA SER APRENDIDO. É FATO!
    A classe médica ….misericórdia!!! Eles se acham deus (eita Ego inflado!), o que não é verdade. Eles pensam que, aparentemente, não necessitam de reciclagem pois pensam que é pura perda de tempo… Dai, estão os resultados dos atendimentos médicos nas instituições públicas e particulares no País que presenciamos, seja pessoalmente ou por noticiários na TV. Pior é não se atualizarem sobre os tipos de deficiência por orgulho, nem sequer imaginam que algum dia atenderão esse público e depois, em pânico silencioso (comportamento encoberto), ao atender nem sabem como e o que fazer!Já fui atendida por uma médica no Hospital Santa Paula, em São Paulo, ela me confidenciou que ficou “preocupada” (o que na verdade, é pânico!) em como me atender já que na recepção me identifiquei como DA. Sabe o que eu falei para ela? Que deveria aprender libras, pois os DA’s estão indo EM PLENO VAPOR a TODA PARTE, não tem como escapar, pois existem vários tipos de DA, dependendo da evolução e dos recursos que cada um utiliza para a sua independência. Ela ficou ALIVIADA ao perceber que SOU ORALIZADA.
    Pessoas, vamos em frente com as nossas capacidades, habilidades e potencialidades!!!
    Avante pessoas com deficiência!!!! Viva nós!!!!
    Parabéns a todo deficiente auditivo que superou as dificuldades da língua portuguesa o que facilita a nossa independência cotidiana!!!
    Deus abençoe a todos nós!!! Amém!

  • Também tenho DA mas não nasci assim. Desenvolvi a perda com 12 anos e a partir daí muitas foram as dificuldades. Quando comecei a trabalhar também foi muito difícil, não parava no emprego. Daí vi que não tinha muita escolha então comecei a estudar para concurso. Fiz vários e passei em vários. Um deles foi o Metrô DF. Passei em todas as etapas concorrendo como DA e no dia da perícia médica me julgaram inapta, pois eu iria trabalhar com aparelhos de fone e precisava estar atenta a tudo que fosse falado nos auto falantes. Pedi então para me colocarem em outro ramo do serviço e disseram que não podiam… Pura frustração, mas nem quiz recorrer pois uma semana depois fui chamada para posse em outro cargo público (o que estou até hoje) e faço meu serviço e todos sabem do meu problema e trabalho tranquilamente sem aquela ansiedade de “será que vou conseguir ouvir”! Apesar disso, percebo que muitas pessoas realmente não sabem lidar com essa deficiência, tratando o deficiente com respeito. Infelizmente!!!

    • Engraçado..nao vejo pessoas com deficiência visual, motora e outras sofrerem bullying dessa forma..vc ja viu as pessoas ficarem irritadas com um cadeirante da mesma forma que ficam irritados com quem não ouve? Parece que a culpa é nossa…abs a todos..

      • Compactuo com o mesmo pensamento. Deficiência auditiva é alvo de impaciência e chacota pelos pobres de espírito… Ninguém é do jeito que é porque quer…

  • Lamentável e sem justificativas a atitude da professora, que no seu cargo deveria dar o exemplo de cidadania e postura ética, infelizmente tem muitas pessoas assim, mas, siga em frente com seus objetivos, pois há de aparecer empregos que saibam valorizar o seu conhecimento, independente da surdez. Bola para frente!

  • Comigo também aconteceu no ano de 1999 nessa época eu ainda não conhecia a lei da cota , hoje eu sou analista de suporte e na época eu era Tecnico em Eletronica formado com CREA e na época fazia 8 anos que eu tinha carteira de habilitação .Vejam só o que aconteceu atraves de uma agencia de emprego eu trabahhei temporario durante 3 meses para a Itautec philco no Tatuape meu trabalho era instalar o Speedy da telefonica na casa de clientes tive a oportunidade de entrar na casa do faustão para instalar o speedy lugar muito bonito , voltando ao assunto trabalhei temporario durante 3 meses eu mais 200 tecnicos no quarto mes decidiram contratar todo mundo pediram todas as documentação e audiometria , estavam todos contratados quando chegou minha vez o medico do trabalho da época disse que eu não estava apto para o trabalho , e eu disse “como faz 3 meses que estou trabalho e tenho tenho 6 anos de experiencia anterior na empresa NEC do Brasil .”Ele disse que eu não estava apto porque não iria escutar a buzina dos carros na rua , achei um absurdo aquilo ,então eu disse “Se esse fosse o problema eu não teria tirado minha carteira de motorista ha seis anos atras” e fui embora sem ser admitido .Aquilo pra mim me tirou a esperança de arrumar emprego , ate que um dia um amigo meu disse se voce não consegue vaga como pessoa normal , porque voce não se candidata para vaga de pessoas deficientes , e eu nem sabia que existia esse tipo de vagas , foi só eu me candidatar e dizer no curriculo que sou deficiente consegui vaga.Então eu me aperfeiçoei mais terminei a faculdade e consegui outro emprego melhor ,foi essa lei da cota que me salvou e me fez admitir ser surdo oralizado , hoje não tenho vergonha do que sou , mas ja tive muita.Comentei isso numa entrevista na gazeta , segue o link pra quem quer ver
    http://www.youtube.com/watch?v=bBXdWJTrGCQ

    • Eduardo, boa sorte e sucesso nessa empreitada!!!
      Mostre seus talentos e sempre faça cursos de atualização.
      Aprenda sempre e isso te ajudará na sua carreira.
      Eu espero que o salário seja compatível e igual as outras pessoas que não possuem deficiência. É proibido por lei que as PcD’s tenham um salario inferior aos outros colaboradores de mesmo cargo e nível.
      Abraços!

  • Belíssimo depoimento. Gostei da coragem… É um verdadeiro absurdo este bulyng que fazem conosco, por sermos surdos. Mas pensar que uma professora de Direito faz isso, o que pensar das demais pessoas??? Vergonhosa a atitude desta professora. Um forte abraço!

  • Parabéns à autora pela coragem em demonstrar inconformismo ao preconceito. Só assim será possível vencê-lo, ainda que, o preconceituoso seja uma professora de Direito Civil. Entendo que ela deveria dar atenção a todos os alunos, lecionando. Mas foi vc quem deu a ela a grande lição de que ela não estava tratando alunos desiguais para que fossem iguais, com um ideal de justiça.
    Desejo força e coragem para todos!
    Abraços

  • Parabéns pela sua atitude digna de ter calado uma professora “culta”. Realmente é muito triste, deparar o preconceito que existe na nossa sociedade e nas empresas, que por sua vez, ao invés de avaliarem a nossa capacidade, preferem nos eliminar por causa desse mero detalhe chamado aparelho auditivo. Eu sou deficiente auditiva bilateral de perda severa, desde os 2 anos. Confesso a vocês que por causa deste preconceito que existe na nossa sociedade brasileira e arcaica, trabalho desde jovem e nunca, nunca admiti que era deficiente auditiva, justamente porque estava precisando do emprego. Passado um tempo na empresa, alguns percebiam que não escutava direito, mas nunca perguntaram como também nunca assumi, mas aí eles viram que eu era tão capaz quanto uma pessoa que escuta bem! Tem gente que não enxerga direito, usa óculos, consegue emprego e eu pergunto, por que eles têm mais privilégio que nós? Não tem lógica!

    Mas agora as coisas estão mudando, se vocês pesquisarem na internet, existem sim grandes empresas de renome, que estão contratando deficientes para cumprir as cotas que fazem parte da lei, acessem: http://www.oportunidadesespeciais.com.br http://www.vagaspcd.com.br/index.php
    http://www.pagepcd.com.br/view/candidatos_oportunidades.jsf.

    E agora todos os concursos já existem vagas pra deficientes. Não desistem, existem oportunidades para nós sim, basta não desistir e boa sorte!

    Espero que tenha contribuído algo para aumentar a esperança de vocês!

    Abs!

  • É muito difícil ser DA, mas não devemos nos calar, somos inteligentes, e tem os muito a oferecer ao próximo. Já aconteceu isso comigo, ainda bem que você esperou o momento certo para colocar os pingos nos iiisssss, não devemos nos esquecer que essa professora é um ser humano e tão preconceituosa como os demais. O preconceito existe independente do cargo e função de qualquer um, as vezes ´penso que essa questão de preconceito está impregnado na alma de muitos seres humanos. Gostei do depoimento, você vai conseguir um bom emprego se Deus quiser. Mas o que nós não podemos é omitir a nossa condição de ser Deficiente auditivo ou surdo, porque somos capazes de trabalhar e fazer tudo que todo ser humano pode fazer.

    Bjs

  • É triste saber e sentir situações dessas todos os dias! O ser humano ainda tem muito o que aprender!

    Exemplo meu: uma professora com sotaque espanhol falou comigo rápido e não entendi o que ela disse. Pedi para repetir mais devagar. Resposta dela: há, vc é surda, né? Vou perguntar para outro funcionário.

    E assim a vida segue!

  • Olá veja como são as pessoas gostei do seu depoimento,pois isso aconteceu exatamente comigo,tinha recentemente perdido o emprego em uma boa empresa e eu lá ainda não usava aparelho e a minha função era a de supervisor encontrei dificuldade logo com os diretores da Empresa,ele falava baixo e não gostava de repetir,até os normais tinham dificuldade imagina eu,até que um dia com um problema ocorido eu coverçando com ele o mesmo se irritou e me demitiu,e logo com minha experiênçia profissional consegui uma entrevista em outra Empresa,passei por tudo sem maiores problemas e já se falava em data para começar,quando fizemos uma útima entrevista esta com a diretoria e até o momento ninguem tinha percebido eu acho foi quando falei sobre isso e ai mesma coisa deu uma gelada,e pediram para aguardar uma posição,liguei várias vezes não me falavam nada só pedian para aguardar e até hoje não sei o que aconteçeu mas acho que foi isso,desculpem gente pelo tamanho do texto é que prescisava desabafar quando vi problemas semelhante ao meu que sofro muito com isso.
    abçs.. fiquem com Deus

    Silvio J Souza

  • Parabéns àquela que enviou a história para vc, Paula!!
    Ei, leitora que enviou a história:
    Vc é muuuuuito corajosa e não admite que aceitem como é, sendo humilhada e desprezada, mas saiu muito bem com classe e elegãncia!
    Em relação ao emprego, é muuuuuito difícil conseguir vaga! Má ou boa. O maior problema é o preconceito. Está na cara! Ainda bem que há pessoas dispostas a mudarem a visão dos gestores de RH quanto aos deficientes auditivos/surdos. Mas isso resulta muuuuuito devagar, a gente não pode se desanimar. O importante é deixar a marca para quem passa no seu caminho!
    Quanto a mim, consegui uma vaga de concurso público, já estou trabalhando. Estou bem, graças a Deus.
    Abraços carinhosos.

  • Sou Fonoaudióloga e trabalho com AASI e Implante Coclear há anos e ontem me deparei com uma situação que me deixou muito triste… Um jovem usuário de AASI e FM que se viu obrigado a sair de sua escola por motivo de Buling em virtude de sua perda auditiva! Que mundo é esse? Que escola tão despreparada é essa? Que cidadãos estamos formando? Conversei bastante com ele e dei força para continuar seus estudos, orientei a família, mas fiquei com um aperto no coração, me sentindo impotente diante da maldade do ser “humano”…

  • Isso dói bastante! Comigo aconteceu de uma entrevista para seleção para um posto melhor dentro da empresa. Estava de AASI e numa sala com um único entrevistador, falando de frente, me saí bem. A pessoa me deu os parabéns, passei na entrevista.Quando souberam que nada ouvia sem AASI e tinha dificuldades ao telefone, a vaga simplesmente DESAPARECEU.

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