Um caso de surdez súbita e unilateral

**Depoimento enviado por Flávia Costa.

 

 

“Dia 26/09 foi o Dia Nacional do Surdo. A data me lembrou que, no começo deste mês, fez 14 anos que fui acometida por surdez súbita, um presentinho, sem dor, sintomas ou causa definida, que a vida me mandou cinco dias antes do meu aniversário de 20 anos. Desde então, sou surda unilateral, o que significa não ouvir nadica de nada com o ouvido esquerdo.

Pois é, desde esse dia, o meu ouvido direito tem sido o meu “braço” direito para assuntos de audição. É claro que, se pudesse escolher, gostaria de escutar com os dois ouvidos, mas sou grata por ter meu “braço” direito funcionando com 100% de sua capacidade, o que faz com que, muitas vezes, escute melhor que pessoas não deficientes. Mas se todo mundo nasce com dois ouvidos é porque eles são necessários, e pessoas com surdez unilateral enfrentam algumas dificuldades: o surdo unilateral não consegue identificar a direção do som, tem dificuldade em conversar em locais com muitos ruídos e, aqui falo por mim, ficam irritados em locais com muito barulho e gente conversando, e podem ser acometidos por torcicolo por ficar virando o rosto para tentar escutar o interlocutor.

Apesar dessas dificuldades, eu me adaptei bem à minha vida com apenas um ouvido, e até esqueço que sou surda. Apesar disso, evidente que, às vezes, passo por situações constrangedoras, engraçadas, e outras que dependendo do meu humor me deixam um pouco irritada.

Aqui em casa mesmo, procurando por algum familiar, chamo pelo nome, e a pessoa “escondida” em algum cômodo responde apenas: – tô aqui –, eu identifico que o som veio lá do quintal, e vou lá fora procurá-la, chego lá e nada, aí penso comigo, ah ouvido danadinho me enganou de novo né, e volto para dentro de casa rindo. Outras vezes, na mesma situação e, com um humor um pouco pior, só respondo: – tô aqui não é resposta, em que cômodo você tá? – mas como, normalmente, sou bem-humorada e esqueço o detalhe da surdez, na maioria das vezes acabo mesmo é fazendo uma caminhada até o quintal.

Por conta dessa dificuldade em identificar a direção do som, certa vez no trabalho, eu estava passando por uma espécie de corredor, e havia dois colegas, um de cada lado, há cerca de três metros de mim e um deles começou a conversar comigo. Eu virei para o que estava a minha direita, achei estranho que apesar de continuar ouvindo a voz, a boca do cara não se mexia, então, virei para o que estava à esquerda, que me olhava com uma cara de interrogação. Caí na gargalhada e como ele sabia do meu problema entendeu a situação.

Eu não escondo a minha dificuldade auditiva, faço questão que as pessoas com quem convivo no dia-a-dia tenham conhecimento dela, pois, muitos, por não saberem acabam achando que sou idiota ou metida. Um colega de trabalho, que via eventualmente, pois ele trabalhava em setor diferente, uma vez, chamou-me enquanto eu prestava atenção em algo que acontecia há uns dez metros de distância. Normalmente eu escutaria, mas hoje para ouvir do lado esquerdo uso não só o ouvido direito, como também a minha atenção. Como eu não ouvi, ele comentou com alguém que estava do lado: - a gente chama a Flavia e ela finge que nem escuta –, bem na hora eu me virei, não ouvi tudo, mas perguntei o que estavam falando de mim. Não fiquei com raiva ou chateada, expliquei a situação para ele que pediu desculpas dizendo que não sabia.

Durante a faculdade, uma das minhas amigas, rapidamente se acostumou com minha dificuldade auditiva, acho que ela lembrava mais do que eu, e era engraçado. No burburinho do corredor, ela sempre andava do meu lado direito, eu nem precisava mudar de posição, o que faço com a maioria das pessoas. Dentro da sala de aula, quando queria provocá-la, sentava do lado direito em que ela estava, e ela dizia: – não, senta desse lado, e se eu quiser falar com você? – eu dizia: – você pode falar a vontade, eu só não vou escutar –. Achava muito legal a maneira que ela lidava com minha deficiência, mas coitada, segundo ela, de tanto andar do meu lado direito, começou a ter dificuldades de andar do lado esquerdo de outras pessoas.

Conversar em uma rua movimentada ou em um local com muito barulho para quem não é deficiente já é difícil, imagina para quem escuta só de um ouvido. Em situações assim eu até tento ouvir e fazer leitura labial ao mesmo tempo, mas nem sempre é possível o sucesso. Então, eu pergunto o que a pessoa falou, olhando para a boca dela e, não entendendo de novo, pergunto mais uma vez, e o que acontece: novamente não entendo bulhufas. Eu me recuso a perguntar de novo, duas vezes é minha cota máxima. Aí uso um truquizinho que, normalmente, dá certo: eu dou um sorrisinho e balanço a cabeça fingindo que estou entendendo. Pronto, a pessoa nem percebe que não ouvi uma vírgula. Taí uma dica para ouvintes e não ouvintes. Se der certo, depois me conta.

Locais com muitos ruídos, geralmente, deixam-me irritada, some esse ambiente e duas pessoas tentando conversar comigo ao mesmo tempo, resultado: descontrole emocional. As pessoas me consideram uma pessoa educada, mas certa vez, após uma reunião de trabalho com a sala cheia de gente falando, alguns decibéis acima do convencional, estava em um canto conversando com um colega e veio outro falando ao mesmo tempo, eu não conseguia prestar atenção em nenhum dos dois. E numa atitude pouco comum dei um grito, eles ficaram me olhando assustados, até eu me espantei, mas se não tivesse feito isso acho que teria surtado.

Mas apesar desses inconvenientes, a surdez unilateral tem lá suas vantagens. Alguns comentários maliciosos de engraçadinhos no meio da rua, quando falados do meu lado esquerdo passam totalmente inaudíveis. Dormir com temporal, fácil, é só deitar sobre o lado direito e o temporal vira uma chuva distante, o mesmo artifício vale quando o vizinho dá uma festa até altas horas e eu durmo tranquila sem escutar nada. E claro, a surdez sempre pode ser uma desculpa quando alguém fala alguma coisa e você, mesmo tendo escutado, quer fingir que não ouviu. Mas essa aí é segredo, não conta para ninguém tá. ;)

Como pode perceber, apesar de alguns inconvenientes, levo uma vida normal. Diria até que, sem óculos, a minha miopia de 2,5 graus me limita mais que minha surdez. Mas, quero alertar que surdez súbita é considerada urgência médica, e caso perceba alguma dificuldade auditiva procure imediatamente um hospital e cobre o atendimento. Casos de surdez súbita, como o meu, nem sempre vêm acompanhados de sintomas de dor ou sangramentos. A rapidez no atendimento é fundamental, e pode reverter um quadro que, se não tratado prontamente, poderá mudar a vida para sempre.

Observações: A pessoa que perde a audição de um dos ouvidos, de repente e sem sintomas, nem sempre consegue perceber que ficou surda, por isso, é importante ficar atento a algumas sensações: percepção de pressão no ouvido semelhante à de quando viajamos, escutar a própria voz dentro da cabeça. Na dúvida tente escutar ao telefone testando os dois ouvidos.

*Trabalhei durante muitos anos na área administrava em uma empresa distribuidora de produtos veterinários e sou graduada em Comunicação Social. Estou em um período de ócio produtivo, estudando sobre assuntos diversos e fazendo o que mais gosto: escrevendo.”

48 Comentários em “Um caso de surdez súbita e unilateral”

  1. Janise

    Flávia, adorei seu depoimento! Com o implante, me sinto surda de um ouvido, mas na verdade, sou surda mesmo dos dois. Mas, graças ao ouvido biônico, eu tb faço minhas “artes”. Às vezes, finjo que não ouço, quando o assunto tá chato demais; tb tenho problemas com mais de uma pessoa falando e geralmente tento não me irritar, mas às vezes não dá para segurar; festas, quando o barulho tá grande demais, dou uma desligadinha no aparelho e aí fico surda mesmo, mas já não suporto ouvir muito barulho. Boa sorte pra você. Um forte abraço.

    1. Flavia

      Olá Janise. Essa questão do irritar-se é complicada, pois não é só o ficar incomodada com aquele tanto de barulho entrando no meu ouvido direito. Não comentei no texto, mas recentemente em uma cerimônia de cumprimentos, pós formatura de uma prima minha, o cerimonial encaminhou todos para a garagem de onde estava acontecendo o evento. Menina, no começo até que foi tranquilo, mas depois eu comecei a me sentir em um filme de ficção ou, sei lá, desenho animado em que os personagens são sugados e saem rodando. Eu fiquei totalmente desnorteada,era como seu não conseguisse pensar nem me mover, foi sinistro. Mas logo que as pessoas começaram a se dispersar retornei do “buraco” de onde tinha entrado, claro com a cabeça um pouco confusa, mas me recuperei…rss. Não sei se você já teve sensação parecida.
      Abraços e obrigada pelo comentário.

  2. Silvia

    Belo depoimento! Me identifiquei bastante, mesmo sendo surda dos dois ouvidos e implantada no ouvido direito… tenho amigos que fazem isso, andar e/ou sentar ao meu lado direito… acho tão legal quando as pessoas têm essa sensibilidade! Sucesso para você, Flávia!

    1. Flavia

      Olá Silvia, realmente a postura dos outros em relação as nossas dificuldades representam muito, e nos fazem ter um carinho especial por estas pessoas. Valeu pelo comentário, abraços e sucesso para você também.

  3. Samira

    Flavia, parabéns pelo seu depoimento.
    E sua dica de procura de tratamento urgente, fantástica!
    Assino embaixo.
    Um beijinho

    1. Flavia

      Olá Samira. Essa dica meio que descobri depois, apesar da minha médica ter dito que se eu tivesse procurado ajuda na mesma semana talvez teria conseguido recuperar total ou parcialmente, pensei que o caso só se referisse a mim. Beijos e obrigada pelo comentário.

  4. Denise de Salles

    Flávia, lendo seu depoimento voltei há exatos cinco anos quando, também em meados de setembro, meu marido também foi acometido de surdez súbita unilateral (lado esquerdo). Infelizmente, ele também tinha perda significativa da audição do outro ouvido (lado direito). A opção foi se submeter ao implante coclear do lado esquerdo.
    Você reconhece isso: tem sorte! Pelo menos você ouve perfeitamente de um lado o que lhe permite ouvir com clareza e identificar todos os sons, pois, quem é implantado ouve (graças a Deus existe o implante coclear), mas na grande maioria das vezes não consegue identificar o som ou a pessoa que está falando.
    Agora aqui vai um depoimento/pedido/explicação de uma pessoa que convive com um deficiente auditivo: por favor meus queridos, não fiquem chateados, nem pensem que muitas vezes fazemos por mal em falar longe ou sem estar ao alcance visual, ou qualquer outra atitude que pode ser tomada como descaso ou falta de atenção, mas às vezes nos esquecemos de que vocês carecem de uma atenção especial.
    Nós não fazemos por mal.
    A irritação é outra constante e eu tive que aprender a conviver com a do meu marido. Tento na maioria das vezes não marcar encontros em lugares barulhentos, sempre tento receber em minha casa, mas às vezes não dá.
    Ontem mesmo foi meu aniversário (e o da minha irmã gêmea também, lógico), e na pizzaria onde fomos, determinado horário ele “apagou”, aí eu imagino ou que ele tenha desligado o implante (rsrsrs) e estou tagarelando com ele inutilmente, ou que ele deve estar se sentindo em um carnaval. Percebo mas não comento, respeito a decisão dele.
    Teria muito para falar pois o cotidiano não é fácil, mas percebo Flávia que você aprendeu a conviver com essa “perda”.
    Um grande abraço e boa sorte, você é jovem e ainda tem uma vida inteira pela frente, tem todas as chances de atingir seus objetivos e ter sucesso, pois não faz da sua perda auditiva um obstáculo.
    Parabéns pelo depoimento.

    P.S.: era para ser um comentário curto e acabou virando um capítulo, desculpem.

    1. Flavia

      Olá Denise, adorei o seu comentário. Você tem razão tenho muita sorte, e procuro conservar a minha sorte não dando sopa para o azar. Evito ao máximo fones de ouvido e lugares com música alta (eu caixas de som somos seres incompatíveis). E você tem razão, nem sempre as pessoas que convivem conosco lembram-se 24horas por dia que temos algumas dificuldades, é normal. Achei muito bonito a forma que você se porta com relação ao seu marido, o respeitando e o compreendendo. Abraços.

      1. Denise de Salles

        Oi Flávia. Desculpe, mas como você mencionou que se preocupa em conservar a audição perfeita, se me permite, gostaria de dar um “pitaco”. Existem alguns tipos de doenças que podem causar surdez, como por exemplo a meningite. Apenas gostaria de sugerir que você averiguasse quais doenças são e, se possível, tome vacina, pois ela vai te proteger. Quem vai se submeter à cirurgia de implante, por exemplo, tem que tomar algumas (quase um “coquetel”) antes da cirurgia, uma vez que, algumas doenças posteriores à cirurgia podem provocar a obstrução da cóclea e aí o implante vai por água abaixo já que o resultado é a perda definitiva e irreversível da audição.
        Quanto ao tratamento que dispenso ao meu marido eu apenas tento (às vezes esqueço, não é? rsrsrs) tratá-lo como eu gostaria de ser tratada caso estivesse no lugar dele.
        Boa sorte Flávia.

        1. Flavia

          Oi Denise. Obrigda pelo “pitaco”…rss, mas com relação as doenças estão descartadas, felizmente.
          Beijos.

  5. Zenaide de Faveri Vicente

    Parabéns Flavia!

    Tenho perda auditiva de severa a profunda bilateral (uso próteses auditivas) e entendo perfeitamente o que você está sentindo. Mesmo assim parabenizo você pela forma como conduz o seu dia a dia.

    Sucesso e Boa Sorte!

    1. Flavia

      Olá Zenaide. Obrigada pelo comentário abraços. E boa sorte.

  6. Gui Chazan

    Flávia, assim como outros leitores acima, sou usuário unilateral do implante coclear (por pouco tempo, em 6 dias vou fazer a cirurgia para o 2º!) e também tenho essa necessidade de “por favor, fala nesse lado que eu te entendo melhor”. Acho fundamental levar na esportiva e explicar como falar conosco quando preciso.

    E essa tua amiga parece fantástica pela sensibilidade! Quem dera mais pessoas fossem assim.

    Que ótimo que reconheces que tens sorte. Vou adaptar um ditado popular: “em terra de surdo, quem tem um ouvido é rei” hehe. Continua assim, abraços!

    1. Flavia

      Gui adorei o seu comentário e dei gargalhadas com a sua adaptação ao ditado popular, excelente. Boa sorte na sua cirurgia, espero que dê tudo certo e que sua vida se torne mais sonora. Abraços.

      1. Gui Chazan

        obrigado, Flávia. Só por curiosidade, já ouviste falar do sistema BAHA? Ele serve pra 3 tipos de perda: mista, de condução ou unilateral. Pro teu caso, de repente?

        Olha nesse post aqui como ele funciona, mais ou menos: http://www.acessibilidadetotal.com.br/sistema-baha/

        1. Flavia

          Obrigada Gui, vou pesquisar e verificar. Abraços.

    2. Denise de Salles

      Gui, boa tarde.
      Quero lhe desejar boa sorte na cirurgia.
      Como é a segunda, nada é novidade, mas tenha confiança e tudo dará super certo.
      Abraço, Denise

  7. Daniela Ferreira

    Flávia!

    Adorei o seu depoimento.

    Aparelho auditivo lhe ajudaria no seu caso?

    1. Flavia

      Olá Daniela. Segundo a minha médica o aparelho não me ajudaria. A minha perda é neurosensorial de grau severo em praticamente todas as frequencias, e moderada em 4000 e 8000. No meu caso só o implante. Mas em contrapartida meu ouvido direito escuta em todas as frequencias, e capta sons de até 5 decibéis, pelo menos é o que mostram as audiometrias.
      Abraços.

  8. Maressa

    Bom dia!

    Flávia, gostei muito do seu depoimento…e lembrei de muitas situações parecida que tambem passei…assim como sua amiga de faculdade tambem tenho amigas que compartilham a minha dificuldade e me inclui na sociedade ja que eu fujo de falar com as pessoas…Sou Surda Bilateral, tenho perda total no OD e moderada no OE e perdi meu AASI faz 2 meses. E ao contrarios de muitos DA não suporto fica no silencio gosto de barulho e sendo teimosa que só eu sou amo musica e claro ouço apenas 40 minuto de musica com o fone de ouvido…rsrs
    Sei que não devo …minha fono vive me dando puxões de orelha…rsrs, mais é sufocante ficar sem ouvir ou não ter a minima ideia da onde vem os som… Eu escuto bem baixinho pra ouvir as pessoas so no pé do ouvido ou fazer leitura labial…rsrs. Flávia ao contrario de voce ainda tenho muito o que aprender.

    Enfim… Desejo tudo de bom e muitas Benção de Deus…e conquistas realizada…E continue assim levando a vida com sabedoria….

    BEIJOSS..

    1. Flavia

      Olá Maressa. As artes são paixões para quem as curte, por isso é tão difícil se distanciar delas, como é o seu caso com a música. Gosto de música mas nunca fui uma apaixonada, isso facilita um pouco, a minha paixão é a literatura. Mas não sou de ferro, claro que tenho meus fones de ouvido. E quanto a questão da sabedoria, bom fiquei tímida, só agradeço e acredito que todos nós aprendemos um pouquinho a cada dia, seja com nossas experiências ou com a dos outros.
      Desejo muito sucesso para você (seja na vida ou nas parada musicais dos fones de ouvido…rss).
      Beijos.

  9. Maressa

    Obrigada, Flávia voce ama livros!!! (Obrigada meu Deus,
    conheci alguem que curti Ler)!
    tambem amo lê…e leio muito e se bobear repito o livro de novo..rsrs
    Gostei da forma como voce escreve…e acabei lembrando que voce é formada em comunicação social…

    Todas as pessoas que passam aqui no Cronicas me ensina um pouco da vida de um Deficiente Auditivo. Pois ainda tenho meus anseios, medos e duvidas.E claro a vida cotidiana de um Deficiente Auditivo nunca é a mesma…pois sempre passamos cada coisa…rsrs

    Obrigada…

    Ah! gostaria de conhecer mais DA assim como eu…
    para tirar duvidas…etc.

    Me add. nega.n@hotmail.com

    1. Flavia

      Maressa infelizmente não tenho usado o msn. Mas encaminharei um e-mail para você com minha página no facebook.
      E já que gosta de ler, convido você a me visitar no meu cantinho onde posto alguns textos, inclusive esse texto foi postado primeiro lá. Segue o link: http://www.recantodasletras.com.br/autores/favacosta
      Beijos.

    2. Daniela Ferreira

      Maressa.

      Então vc conheceu outra pessoa que ama livros: eu.

      Minha vida não teria muito sentido se eu não pudesse ler.

  10. Greize

    Oi Flávia eu era surda unilateral como vc. Nunca tive problemas pois escutava tão bem do OD que esquecia.Só duas situações que lembrava, qdo alguém vinha falar(cochichar no OD), eu dizia do outro esse não escuto nada, e em um emprego em aeroporto, pois exigem Audiometria.E só. Levei minha vida na boa, era ouvinte pq ouvia tudo mesmo só de um ouvido.Mas…tive perda do outro OE(do ouvido bom) devido a uma doença.Agora tenho perda nos dois.
    A dica fica cuida bem do ouvido bom,Fazendo sempre audimetrias, de resto vc é ouvinte..rs.Saúde;)

    1. Flavia

      Olá Greize. Às vezes também tenho problemas com cochichos, parece que estão soprando dentro do meu ouvido, além de eu não escutar nada. Valeu pelo comentário, abraços.

  11. Rodrigo

    Dei muitas risadas agora Flavia, sou surdo unilateral do ouvido direito, pedi quando criança com uma caxumba, não escuto praticamente nada, não faço uso de aparelhos, e como você disse, em alguma situações escuto melhor que algumas pessoas que escuta normalmente, me identifiquei muito com a historia, também tinha amigos que me entendiam, que acabava virando brincadeira, também uso dos mesmo truques que você.. mas hoje estou a procura de um aparelho, pois como disse a percepção do som, de onde vem, fica muito ruim quando se tem apenas um ouvido, aqui em casa rende algumas gargalhadas, quando procuro o telefone sem fio que não esta na base, ele sempre me engana..

    1. Flavia

      OLá Rodrigo. Esse tal de telefone sem fio também complica minha vida. Ainda bem que aqui em casa tem um outro, mas, muitas vezes, quando canso de procurar pelo sem fio e penso em atender por ele a ligação até já caiu…rss. Abraços e boa sorte com o aparelho.

  12. Raquel Assis de Almeida

    Oi Flávia, também me identifiquei com várias situações em que vc passa, tive caxumba aos onze anos e perdi quase toda audição do ouvido direito, só ouço pelo dito cujo sons em alto volume. Esse truque de sorrir, balançar a cabeça e fingir que estou ouvindo, quando alguém fala em baixo volume justamente do lado direito já fiz e continuo fazendo e muito,rsrsr, só que é um pouco constrangedor, imagina se estivermos concordando com algo do qual discordamos totalmente, hein?!kkkkkk, já pensei muito nisso! Pra dormir faço a mesma coisa que vc, odeio ouvir ruídos e costumo até pressionar o meu ouvido esquerdo com o travesseiro para não ouvir quase nada,rsrsr. Agora, eu consigo identificar a origem dos sons, ou seja, de que direção ele está vindo, e não costumo me irritar em lugares barulhentos, convivo numa boa com sons altos, mas procuro evitar para não me prejudicar ainda mais. Agora o que me incomoda mesmo são as sequelas, além da surdez, adquiri também um zumbido constante no meu ouvido direito, talvez devido não ser totalmente surda do mesmo. As vezes penso em usar um aparelho para ver se o zumbido diminui. Bem, é isso, eu amei seu post!

    1. Flavia

      Olá Raquel,
      Interessante, eu praticamente não tenho zumbido. Em momentos de muito silêncio quando “quero” prestar atenção, escuto algo parecido com concha do mar, o que não é ruim, se pensar que moro longe de regiões litorâneas e carrego o barulho do mar no ouvido surdo, rs. O meu pai, que não tem problema de perda auditiva, tem um zumbido que, às vezes, deixa ele doido. Que bom que você consegue identificar a direção do som, afinal, para mim, essa é a situação que mais me lembra que tenho perda auditiva, porque não há como contornar virando o rosto ou balançando a cabeça fingindo que está entendendo. Acho que deveriam criar um GPS para situações como esta, rs. Abraços, RAquel, e obrigada pelo comentário.

  13. Marcelo Fernandes

    Boa noite Flávia.
    Sou um pai de primeira viagem. Tenho 35 anos e um bebê de 1 ano e 10 meses.
    Há dois dias, após um exame rotineiro de Marcelinho, a pediatra solicitou e o teste “bera” identificou ausência de resposta no ouvido esquerdo. No teste do ouvido, recomendado pelo SUS após nascimento, não tinha dado nada.
    Começamos exames complementares, a fim de completar um diagnóstico. Na próxima segunda, voltaremos ao otorrino.
    Estive péssimo ontem. Já passou!
    Meu filho é a minha maior riqueza. Estou ávido por aprender a lidar com qualquer dificuldade.
    Seu blog foi o primeiro que encontrei a respeito de surdez. Amei.
    Forte abraço, Deus te abençoe.
    Posso postar alguma dúvida aqui?

  14. Flavia

    Olá Marcelo, bom dia

    O blog, na verdade, é da Paula. Esse texto é apenas um depoimento entre tantos que existem por aqui. Estou certa que no Crônicas você poderá encontrar muitas informações e esclarecimentos que lhe auxiliarão com seu bebê. Deus abençoe a você, seu filho e toda sua família. Abraços.

  15. Francisco Oliveira

    Sou surdo unilateral fiquei imprensinado com seu depoimento que se indentifica com minha pessoa perdi minha audiçao um dia antes do meu aniversario também foi meu presente!Mas Deus é muito bom quando tem uma perda de um membro do nosso corpo Nosso Deus compesa com outro desejo muitas felicidades um feliz ano novo para vc e sua familia e tudo de bom em 2013um grande abraço !!!

    1. Flavia

      Olá Francisco,

      Adorei o seu comentário, tem razão, é impressionante a capacidade que temos de nos adaptarmos e nos recompormos nas deficiências. Como eu sempre digo, eu não sei por que ganhei esse “presente”, eu nem queria, rs, mas já que ele veio, que bom que posso me virar apesar dele. Obrigada pelas felicitações, um lindo Natal para você também, e um 2013 com muitas coisas boas, fi

  16. Hellon Diego

    Boa tarde, Flavia. Acabei de ler seu depoimento, tudo que vc se passa eu também passo! Só que eu nasci com a surdez unilateral! Sempre passei por algo semelhamente desde a minha infância. O que mais ainda é engraçado, as pessoas nem imaginam que tenho este deficiência! Eu falo que tenho não acredita! Fico feliz por sabe que tem pessoas que passam o mesmo contidiano que eu! Gostaria que vc me add no face, esta website pra vc add.
    Tenha um maravilhoso 2013
    Bjos
    Hellon Diego

    1. Flavia Costa

      Olá Hellon,

      Como você citou, algumas pessoas, talvez por desconhecerem esse tipo de deficiência, têm dificuldade em acreditar que alguém possa ser surdo de apenas um ouvido, não é algo muito divulgado. Obrigada pelo seu comentário e um ótimo 2013 pra você também. Tentei encontrá-lo no face mas não consegui. Se quiser, é só me procurar lá através da fanpage do crônicas e adicionar. Abraços.

  17. Shane

    Oi! Nossa! Eu ri e chorei lendo isso!! ESSA SOU EU! Tudo! Finjo que não escutei, finjo que escutei, durmo bem, qndo minhas criancas choram alto, as deito no meu ombro esquerdo e deixo chorar fazendo um carinho sem o menor problema! Me irrito muitas vezes tb e já passei apertado em trabalhos… Não me envergonho e não escondo, mas as vezes é conveniente tentar de tudo pra botar a bola pra frente! Obrigada por compartilhar! :-)

  18. Maicon

    Ola Galera estou entrando por grupo sou surdo no ouvido esquerdo desde pequeno, a coisa ta feia aki pra mim pois to correndo atraz de laudo para trabalhar e nada! Oh se possivel me adc no msn mk748@hotmail.com para converssamos preciso de pessoas que possuam o mesmo que eu,assim nao me sentirei tão excluido da sociedade… obrigado!

  19. Rita de Cássia

    Olá! Cara, lendo o seu relato, me identifiquei muitoo.. Ja passei por cada coisa.POr exp: me chamarem na sala e eu ir no quarto. tenso isso.
    Agora mesmo estou muito irritada com o barulho aqui no quintal, de martelo em blocos etc. É horrivel!E ninguém entende pq eu fico tão nervosa. Isso é sério!
    Se alguém conhecer uma forma para amenizar o problema, agradeço.

  20. dniro2011

    ola pessoal li todo o texto e é assim que acontece comigo tambem, fiquei surdo do ouvido esquerdo quando tinha 11 num acidente automotivo, hoje estou com 40 fico apavorado quando alguem que conheço senta do meu lado esquerdo pois se falar perto do ouvido nao escuto nada tenho sempre que ter uma distancia para que o ouvido direito possa captar o som mas sempre procurei levar uma vida normal pena que perdi um bom emprego numa grande empresa por causa da surdeis pensei até processar a empresa por discriminaçao mas deixei para lá recentimente li a respeito de direitos para surdos bi e unilateral e vi que tem alguns projetos sendo votados tomara que sejam aprovados pois o surdo tem dificuldade em concorrer em vagas com pessoas totalmente normais, nao somos invalidos mas temos restriçoes que devem ser consideradas um abraço a todos.

  21. Julio Cesar

    Li todos os comentarios aqui é concordo com cada virgula que li.
    Perdi a audição do lado esquerdo ao inicio do ano de 2012. em um dia fui dormir bem, e no outro acordei tonto, com o ouvido tapado. Hoje estou me adapatando, mas não me nada fácil, prinicpalmente o zumbido que encomoda dia e noite

  22. Carol Vieira

    Olá!
    Me identifiquei totalmente com você e seu texto, tive meningite bacteriana com 9 meses de idade e, possivelmente por isso sou surda do ouvido direito ( o contrário do seu rsrs). O que achei mais interessante foi que você disse que as vezes ouvimos melhor do que aqueles que ouvem dos dois ouvidos, eu percebo isso também. Minha mãe, por exemplo, vive dizendo que eu escuto melhor que ela, quando a chaleira esta fervendo na cozinha e estamos na sala eu aviso – mãe a água ferver, e ela diz – nossa eu não to ouvindo, e olha que você não escuta de um ouvido. Você sabe a razão de isso acontecer?
    Obrigada, amei o blog.

    1. Flavia Costa

      Carol, é só um palpite, mas acredito que “escutamos” melhor, em termos gerais, que aqueles que têm uma audição perfeita, não por uma questão auditiva, mas por termos uma percepção mais apurada em relação aos sons. Como precisamos nos esforçar mais para ouvir, acabamos dando mais valor a todo tipo de barulho a nossa volta, o que faz com que os sons (ou até mesmo a falta deles)não nos passem despercebidos. Uma resposta um pouco mais descontraída: imagina o ouvido bom na academia, seria aquele que todos olham admirando o bíceps e o tanquinho bem trabalhados, resultado de uma carga maior e mais constante de peso no dia a dia(rss).
      Bom, é isso…abraços!

  23. Simone Andrade

    Recebí o possível diagnóstico de surdez súbita hj, vou fazer exames para confirmar e comecei a pesquisar na internet e vi que tem muita coisa parecida!!! Dormi bem e acordei com um zumbido no ouvido, no outro dia fui falar com a minha mãe ao telefone e percebi que não estava ouvindo praticamente nada e achava que meu telefone estava com problema!!! O barulho excessivo tbém me irrita, fui buscar minha filha na saída da escola hj e toda aquela criançada falando ao mesmo tempo me deixou tontinha, sem conseguir entender nada!!! Alguém saberia dizer se este caso é totalmente irreversível??? Vai ser muito difícil eu me acostumar com esse zumbido no ouvido, já ando meio irritada durante o dia, por esse motivo e por ter recebido esse presente inesperado e sem aviso prévio!!!

    1. Flavia Costa

      Olá Simone,

      A questão da perda definitiva de audição varia de caso a caso, muitas pessoas conseguem se recuperar completamente ou ter melhoras significativas. Por isso, como disse no texto, buscar o rápido atendimento é primordial, para se identificar possíveis causas e iniciar o tratamento imediatamente. Desejo sucesso em seu tratamento e que você tenha calma e serenidade neste momento. Abraços!

  24. Simone Andrade

    Obrigada Flavia Costa, realmente fui à procura de um tratamento tão logo percebido o ocorrido, tenho fé em conseguir me recuperar, os médicos dizem que o primordial é realmente o tratamento o mais rápido possível, apesar de não se ter a causa certa do ocorrido para iniciar o tratamento, mas tenho fé e com certeza irei conseguir reverter esse quadro!!! Mas, nosso corpo humano é realmente uma caixinha de surpresas, não é??? Se eu não passasse por este processo, nunca teria conhecimento sobre esse problema…

  25. jaelson ramos

    ola flavia acabei de ler seu comentario.sou surdo bi lateral direito gostaria de saber de vc se vc ja passo contragimento a entrar em uma empresa por causa do seu poblema se ja mim avise pq eu ja obrigado bjssss

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