Site icon Crônicas da Surdez – Surdos Que Ouvem – por Paula Pfeifer

11 meses de implante coclear ativado

A leitora Sônia me escreveu perguntando porque não escrevi mais meu diário do IC e percebi que no mês passado esqueci completamente dele. Então, cá estou, reativando a parada. É engraçado pensar que em novembro completo um ano de vida de implantada. Passa MUITO rápido. A experiência mais legal que tive nas últimas semanas foi um passeio de hidroavião. Quando entrei e dei de cara com fones de ouvido gigantescos fui logo procurando meu cabo de áudio pra ver se podia substituir um pelo outro, mas o cabo que engatava no avião era muito maior do que o meu cabinho, então, não rolou. Aí comecei a ficar de mau humor. Mas o Lu me disse para tentar encaixar o negócio e não é que funcionou? Fiquei com medo que ficasse apertado (morro de medo de danificar meu IC) mas deu certo. No vôo de ida fui escutando mas pensando que tinha que ser mais alto. No vôo de volta tive a idéia de apertar o primeiro botão do IC (deu branco, aquele da indução magnética) e aí o som ficou ótimo, bem alto, claro e limpo. Consegui entender muitas palavras de músicas em inglês, mas pouca coisa do que o piloto disse, uma pena. Quando ele tirava a música e começava a narrar o passeio o som ficava mais baixo pra mim, sem falar que ele falava rápido demais pro meu gosto.

Até o final de outubro entrego (finalmente!!!) o segundo livro para a Editora Plexus. Tô tão feliz por isso!!! Vai ficar bem bacana e será lançado em 2015, entre março e abril. Prometo lançamentos em várias cidades e espero que todo mundo consiga ir, porque morro de vontade de dar um abraço apertado em cada um de vocês ao vivo e a cores.

Aguardando ansiosamente a chegada do Nucleus 6 no Brasil, prevista para o final deste ano. Mal posso esperar para fazer esse upgrade. Na verdade acho até que estou mais ansiosa pelo Aqua+, porque percebo que minhas férias e passeios poderiam ser TÃO melhores e TÃO diferentes com essa capa a prova d´água. Quando vou à praia ou piscina e preciso tirar meu implante para nadar fico borocoxô total. Não tive o prazer de entrar na água ouvindo ainda. Pensem numa pessoa recalcada quando soube que dá para ouvir os golfinhos gritando debaixo d’água. Eu! 🙁

Comecei na academia e tô com dois probleminhas. Primeiro, coloco a fita de peruca para prender o IC mas depois de suar ela perde a eficácia e ele fica caindo (já comentei que a minha orelha não tem exatamente o formato que deveria ter pro N5 ficar quietinho no lugar, né?). Malhar no silêncio não é mais a minha praia. Segundo, não sei porque diabos eu sempre levei choques na esteira. Aí fico tensa com isso encurtando os braços parecendo um Tiranossauro Rex para não encostar no painel de jeito nenhum e evitar uma descarga não planejada. Será que comprar luvas de musculação que vêm com borracha ajuda? #update: comecei e já parei (hehehe) mas aceito as dicas mesmo assim porque sou sedentária assumida mas não desisto nunca!

Nas última semana senti necessidade de usar meu aparelho auditivo todos os dias no ouvido esquerdo, o dia inteiro. Coloco pela manhã e só tiro à noite. Assim não sinto tanto meu zumbido incessante no OE e além disso estimulo minha audição residual nele. Passei esse primeiro ano evitando usar o AASI para me acostumar só com o IC, mas agora admito para mim mesma que os dois juntos funcionam bem melhor. Chegou a hora de trocar de aparelho auditivo, aliás. Meu amado Pure Carat já deu o que tinha para me dar. Se alguém com surdez profunda quiser passar a dica de um ótimo AASI, agradeço.

Sinto que finalmente minha língua está entrando nos eixos. Não sinto mais ela ‘viva’ – passava o dia todo formigando do lado direito e, se comesse cebola, além da sensação de formigamento vinha outra sensação muito ruim junto que só passava no outro dia. Minha língua estragou muiiiitos dias meus desde o ano passado. Primeiro, pela falta de paladar pós-cirurgia do lado operado; depois, porque parecia que ela estava se ‘re-ajeitando’ de um jeito frenético. Língua não é algo que a gente lembra que tem, certo? A minha ficava tão enlouquecida formigando e latejando que eu passava o dia todo (sempre depois do almoço!) lembrando da existência da maldita. Já faz quase um mês que isso melhorou demais! Ainda sinto, mas em comparação aos piores dias, 25% do que sentia. Já não era sem tempo. Só depois que ela voltar 100% ao normal e meu paladar voltar de vez é que vou pensar na possibilidade do segundo implante – ganhar a audição de volta e perder o paladar não dá, rsrsrsrs.

Dia desses, vendo TV, estava no horário político. Tinha closed caption. Por um segundo esqueci da implantada que era enquanto lia as legendas e pensei ‘não vou entender nada se fechar os olhos’. Aí fechei, entendi cada palavra e meu cérebro fez ‘click’ como se me dissesse ‘pois é, você não é mais aquela pessoa que não entendia nada’… Tão bom!

Recebi um email de uma leitora que dizia: “Você não sabe o quanto me ajudou e me ajuda todos os dias, perdi a vergonha que sentia dos meus AASI e perdi o medo da progressão da minha perda auditiva“. Lendo isso me lembrei do quanto o medo da progressão me assombrava. E aí assisti um vídeo genial  de um cirurgião americano falando apaixonadamente sobre o implante coclear. No vídeo, ele disse que se um ser humano tiver que perder um sentido hoje, que seja a audição, pois a medicina está extremamente avançada para devolvê-lo. Os tempos são outros. Infelizmente, quando eu era mais jovem precisei conviver com esse pavor e perder inúmeras noites de sono me deprimindo com a imagem mental que fazia do meu futuro 100% silencioso. Eu espero, de todo coração, que logo a medicina evolua a ponto de permitir que TODOS os casos de surdez possam ser resolvidos com a ajuda da tecnologia. Porque me dói demais quando vejo um leitor do Crônicas ávido pela chance de ouvir e impedido porque a medicina ainda não chegou lá no caso dele. O bom é que tem muita gente pesquisando e estudando para que isso aconteça!

Ah, perdi meu cabo de áudio! Que raiva. 🙁

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