Deficiência Auditiva Histórias dos Leitores

A história do Gabriel: quem tem problema de audição sabe como isso é estressante

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‘Olá Paula! Eu acesso ao blog há uns 4 anos, mas não sou de postar, somente leio. Quando eu o descobri em 2011, me senti enturmado com gente que eu nunca vi na vida, pensei comigo mesmo, “olha, não sou o único que sabe como é afundandar no Titanic”. Brincadeira, mas realmente me senti bastante ambientado, pelo simples fato de ler várias situações de outras pessoas que eu também já havia passado. Eu nunca tive convivência com pessoas da minha faixa de idade com o problema semelhante ao meu. Quando ia aos fonoaudiólogos, sempre e somente vi pessoas de mais idade. Até hoje eu rio de mim mesmo por causa disso, dou risada pra não chorar porque se jovem já estou assim, imagina mais pra frente.

A pessoa que eu mais tenha me identificado aqui acho que foi a Paula, por ter a perda igual a minha, sem causa específica, e creio que numa idade semelhante. O que mais me deixou interessado, é que mesmo com esse problema, ela me passava uma imagem de bem sucedida. Me considero a pessoa mais ambiciosa que conheço, isso desde pequeno, e e eu pensava somente o como. Como ela conseguiu? Como ela consegue não ser muito afetada por isso?

Bom, me chamo Gabriel, tenho 22 anos recém-completados, paulistano. Tenho perda auditiva moderada/severa bilateral neurosensorial. Descobri com 14 anos. Foi na escola, qualquer pessoa sentada atrás de mim que me chamasse , eu estava começando a não responder. Aí comecei a receber aqueles comentários, “Acorda Gabriel, tá dormindo? Fulano tá te chamando ali e você não responde”. Comuniquei isso à minha mãe, já que estava ficando frequente e me incomodando. Fui à fonoaudióloga e fiz o exame de audiometria, nela constou perda bilateral leve/moderada nos dois ouvidos. Aquilo foi meio que um choque, porque ninguém da minha família tem histórico disso. No começo eu e meus pais, assim como a maioria das pessoas que não têm um conhecimento profundo sobre surdez, pensávamos que era só uma “sujeirinha”, que com uma lavagem nos ouvidos, um remédio, ou talvez uma simples cirurgia iria melhorar. Quem dera…

A fonoaudióloga havia me recomendado a fazer outros exames, que todos aqui já devem saber quais são e como são, acompanhamento pra ver se a perda era progressiva, e aparelhos nos dois ouvidos. Essa última recomendação de usar os aparelhos não acolhi porque eu ainda não sentia necessidade em usá-los (ah se eu ainda tivesse a audição daquela época, acho que seria a pessoa mais feliz do mundo). Eu ainda conseguia conversar com as pessoas sem dificuldade nenhuma, assistir televisão normalmente, tinha uma vida normal. Até ali eu era somente um “pouco desatento” ou “dorminhoco” que as vezes não dava a atenção correta devida para as pessoas.

Na escola eu nunca tive problema pra me encaixar em algum grupo, fui feliz de sempre ter amigos. Então não tenho qualquer tipo de trauma desses tempos, nunca sofri “bullying” ou virei motivo de piadinha por causa de perda de audição. Talvez eu tive a “sorte” do meu problema ter ficado mais sério exatamente quando eu concluí o Ensino Médio. Consegui concluir o 2 grau normalmente e sem AASI’s, apesar que nos 2 últimos anos a minha audição começou a piorar. Estava começando a ter mais dificuldade para ouvir, estava começando a entender a pessoa somente olhando de frente pra ela.

Não conseguia mais entender televisão, respondia frequentemente perguntas com “sim, não, tá, é verdade, não sei” sem ao menos realmente ouvi-las, só pra não ter que ficar pedindo toda hora pra repetirem de novo o que eu não tinha entendido . E funcionava na maioria das vezes, ainda uso o “não sei” , ela se encaixa em qualquer pergunta que me fizerem se eu não estiver afim de pedir pra repetir. Quem tem problema de audição sabe como é estressante isso, pra nós em ter que pedir, e pra outra pessoa ter que repetir, e toda hora.

Terminei o colégio e logo fui pra graduação em Direito, e foi ali que os problemas começaram a avançar de nível. Era tudo diferente, a sala era enorme, pra 100 pessoas, logo na primeira semana já vi que eu iria precisar dos aparelhos. Os professores falavam e eu não conseguia ouvir quase nada, pareciam sussurros. Lembro de uma situação em que meu celular ligou o player de música e eu não tinha percebido/ouvido, estava no bolso da calça, a menina que estava ao meu lado falou algo que eu não entendi (pra variar) me olhando com uma p*ta cara feia, e eu fiquei sem entender a bronca, só olhei pra ela e não falei nada.

Foi quando sem querer resolvi pegar o celular e vi que a música estava ligada, só aí entendi a reclamação. Teve outra também quando eu pedi uma informação e a mulher me respondeu “Está ali no flyer”, eu não tinha entendido o que ela tinha falado e perguntei novamente com um “Onde?”, e ela respondeu “No flyer, no folheto ali”, me olhando com uma cara de como se eu fosse a pessoa mais tapada do mundo que não sabe nem o que é um flyer. Simplesmente daquele jeito não estava dando mais. 

Fui atrás do aparelho junto com os meus pais. Primeiramente resolvemos  pegar um intra-canal só para o ouvido direito, pra ver como que era, como funcionava, eu nunca ao menos havia testado algum antes. Na primeira vez em que coloquei foi sensacional, lembro que quando eu saí da fonoaudióloga, eu ouvi até o click do botão do vidro elétrico do carro, eu até havia esquecido que aquele barulho existia.  Até tinha falado para o meu pai “Agora eu estou ouvindo tudo, pode abaixar o tom da voz aí.” E eram só risadas de felicidade, porque realmente parecia que eu tinha recuperado minha audição no ouvido direito, mesmo que um pouco mais artificial.

Essa alegria durou horas somente, pena, foi uma ingenuidade total nossa. A felicidade acabou quando eu fui pra faculdade e percebi que os problemas persistiam, havia melhorado pouca coisa. Quem não falasse olhando pra mim ou de longe, eu ainda não entendia, o problema tinha amenizado pouca coisa. Foi um ano difícil, eu com muita dificuldade fiz 2 semestres empurrando com a barriga e com muito stress , não aguentei e tranquei. No ano peguei 4dp’s, 2 em cada semestre, sei que a minha audição não tem culpa exclusiva nisso, mas meu lado psicológico não estava aguentando mais. Eu gostava da minha sala e das pessoas ali, inclusive sinto falta, nunca me desrespeitaram nessa questão (pelo menos não na minha frente), poucas vezes tinha alguma piadinha de eu não ter ouvido tal coisa, claro, mas eu sabia levar na brincadeira, sei diferenciar o que é brincadeira e falta de respeito, e falta de respeito com certeza eu não tolero, sou meio ignorante pra essas coisas.

Mas quando eu via todo mundo na aula sem dificuldade nenhuma em entender e aprender as coisas, rindo do que os professores e colegas falavam/discutiam, e eu ali como uma barata tonta sem entender (ouvir) 90% das coisas que ali eram ditas, eu ficava p da vida. Parecia que eu estava ficando pra traz, sensação horrível, eu não conseguia discutir sobre coisas aprendidas na aula porque eu não ouvia o que os professores falavam, me sentia um lerdo e atrasado aos demais. Pensei, pra que vou continuar nesse teatrinho de fingir que está tudo normal? Chega.

Tranquei pra me dedicar exclusivamente à minha audição, sim, pode parecer loucura mas eu estava precisando conhecer o “novo eu”, minha nova realidade. É a mesma coisa quando uma pessoa rica fica pobre de uma hora pra outra, ela vai ter que fazer um levantamento, vai sentir dificuldades pra se adaptar à sua nova vida, vai querer entender o porquê daquilo, ver o que precisa ser feito pra se adequar à nova situação, irá sentir falta daquela riqueza. Foi o que aconteceu comigo, até meus 14 anos eu tinha uma audição normal e do nada e sem explicação fui perdendo aquilo. Apesar de eu ser um pouco tímido, eu era uma criança extrovertida, criava relações de amizades facilmente com bastante gente, mas com o tempo minha personalidade mudou totalmente. Hoje sou muito mais na minha, sou meio que obrigado a ser assim.

Em rodas de conversa não consigo mais me soltar direito,  não consigo entender/ouvir as coisas que são discutidas, sou obrigado a só ficar quieto e olhando na maioria das vezes. Cansei de tentar ser como eu era antes, mas não dá, minha audição não deixa. Pra mim essa é a pior parte da perda de audição, ter um diálogo limitado, passar aquela imagem de pessoa tímida, insegura, quieta, lerda, “lesada” ou seja, ser uma pessoa meio diferente pra não dizer estranha. E isso não é ruim só socialmente, mas também profissionalmente. Uma das coisas mais fundamentais para uma pessoa ser um profissional de destaque e sucedido é ter uma comunicação excelente, e pra ter uma comunicação ao mínimo boa, é necessário ouvir sem muitas dificuldades. A pessoa que mais tem e teve preconceito comigo, sou eu mesmo, não tenho problema em admitir isso. Na maioria dos cargos da carreira que escolhi (jurídica) é necessário ter uma audição no mínimo audível. Recentemente tive que ir em uma audiência pra me defender de um caso de colisão entre veículos, e por pouco não entendia as coisas que a juíza e o advogado da parte me perguntavam, meu coração saia pela boca.

O mais engraçado é que eles nem devem ter percebido que eu tenho perda de audição, com muita técnica, atenção e sorte não foi necessário eu pedir pra falarem mais alto. Eu estava com receio de dizer que tinha perda de audição porque minha CNH não tem nada descrito, talvez eles poderiam jogar isso contra mim. Mas eu soube responder as perguntas corretamente  e sem soltar pérolas (respondar coisa que não tem nada a ver com a pergunta), e o melhor, com a causa a meu favor! Me imaginei estando do outro lado, um juiz que não escuta direito o que um réu e um requerente dizem, como dar uma sentença assim? Juro que procurei algum juíz ou promotor com perda de audição e não encontrei.

Continuando, não sei em quantos fonoaudiólogos diferentes já fui, quantos exames precisei fazer, tomografias, ressonâncias, foram muitas. E nunca tive a tal resposta do motivo da minha perda, porém todos os médicos sempre me disseram a mesma coisa: melhorar nunca vai, a tendência é piorar. Não nessas palavras, mas sendo curto, grosso e realista a verdade é essa. Eu nunca liguei em saber a causa da minha perda de audição, mas meus pais sim, sei que que ela não vai melhorar. Nunca tive fase de negação ou vergonha da surdez. Não tem como eu negar algo que me afeta diariamente, 24h por dia, até quando vou dormir, ouço zumbido nos 2 ouvidos bem agudos. Vergonha também não tive, quando senti que realmente estava precisando dos aparelhos, fui atrás e não tive receio ou vergonha em ter que usá-los, o que eu mais queria era voltar a ouvir, o resto não importava, o desespero e a necessidade não me davam o luxo de ter vergonha.

Também não quer dizer que eu tenha orgulho desse problema, como já li em muitos posts daqui. Nunca de fato aceitei isso, desde quando a minha audição começou a ficar ruim de verdade, com 17 anos, até hoje, sempre me pergunto, por quê? Por que fui o premiado? Por que tenho que tenho que ter essa dificuldade a mais, sendo que minha audição era normal? Muitos perguntas que provavelmente nunca terei as respostas. A perda de audição me fez e me faz ver tudo de outra forma, aprendi a não julgar o que os outros FAZEM, ou DEIXAM de fazer, sem ao menos saber o que realmente passa com aquela pessoa. Aprendi a me colocar no lugar dos outros em qualquer situação ruim que seja, virei compreensivo até demais.

Esse é o único proveito que eu tiro desse meu problema na audição, de resto, preferia não ter, obrigado. Preciso citar uma coisa, não quero entrar em discussão religiosa e nem debochar da fé de ninguém, mas leio post’s aqui e sempre noto um “Graças a deus”, juro que gostaria de entender esses “Graças a deus”, não foi o mesmo deus que colocaram vocês nessa situação? E não, ela não é nada agradável. Acho que deveria ser “Graças ao Dr. X” ou “Graças à tecnologia Y”. Eu convivo há 8 anos com isso e sei do que estou falando. Não sou ateu, acredito em algum ser superior, infelizmente, sim, infelizmente.

Hoje possuo um par de AASI’S Moxi6 da Unitron, bancado integralmente pelo plano da Cassi (fica a dica aí pra quem tem esse plano, e eu nem titular era, e sim minha mãe). Fiz vários testes com outras marcas e modelos, alguns com 16 canais, mas esse é o que tive uma melhor experiência de audição, um som mais natural. Como minha audição está com perda progressiva, provavelmente em breve terei que trocá-los por um mais potente. Mesmo eu não percebendo as vezes, sei que os aparelhos me ajudam MUITO, não saio sem eles, mas não chega nem perto de como era antes, sinto que ainda tenho limitação na audição. Ouço mais ou menos com os aparelhos, muito pior sem.

Antes mesmo de ingressar à faculdade, sempre trabalhei para o meu pai, revenda de automóveis, mas devido aos problema$ junto ao cenário econômico ruim nacional atual as coisas não estão bem, vou à procura de outras coisas. Paula, eu frequento esse blog há muito tempo e nunca vi um post dedicado ao mercado de trabalho pra pessoas com perda de audição, eu mesmo não tenho muita referência, acho que ajudaria muita gente.

Para finalizar, só um pequeno conselho pessoal pra quem está na faculdade sentindo dificuldades e está na dúvida se tranca o curso ou não por causa disso. NÃO TRANQUE. Só tranque se você tiver a certeza de que não gostou do curso, ou se estiver sem os aparelhos e precisar deles, de resto, continue. Não perca tempo, sua audição não vai melhorar, seja realista, a tendência é piorar, infelizmente. É muito melhor fazer uma graduação com uma audição ruim do que com uma audição muito ruim. Eu tranquei porque eu estava ficando louco comigo mesmo, mas hoje me arrependo. Ainda não voltei mas por outros empecilhos, mas voltarei nesse ano, tendo a ciência que não vai ser fácil e que vou ter que estudar muito mais por fora e conta própria do que na faculdade.’

68 amaram.

Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 36 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

31 Comentários

  • Olá Gabriel, apesar de ser bem mais velha que vc, me identifiquei com tudo que li, acho que todos nós com este problema já passamos estamos passando ou vamos passar pelas mesmas reclamações que escreveu. Tenho 53 anos e tenho perda auditiva de severa/profunda e não é nada fácil. Mas vamos levando, um dia melhor outro pior. Uso aparelho da phonak, facilita bastante. è como comentário à cima, melhor do que não escutar nada. Mas vc é novo, batalha porque tem sempre pessoas legais a nossa volta para ajudar. Toda sorte do mundo para ti.

  • Quanta gente eu vejo se identificando, existe algum grupo no facebook pra gente conversar sobre tudo isso de forma mais dinâmica?

    Se não existe, vamos criar?

  • Eu to meio chocada com quanto sua história é parecida com a minha. Descobri a perda com a mesma idade, acabei ensino médio sem aparelho, de boa. Na faculdade comecei a sofrer, tentei aparelhos, não deu, tranquei. E hoje como é pra ti? Muito melhor? Minha vida não melhorou MUITO não, eu ainda procuro uma saída, sei lá, ainda vou atrás de fonos diferentes pra ver se melhora a regulagem do aparelho. Adoraria poder conversar contigo, se quiser me contatar: nataliadalpiva08@gmail.com

  • Oi Gabriel, li sua história e me identifiquei bastante. Primeira vez que acesso esse site, a sua história foi a primeira que li, como se diz a Ana ” Parceiros de Lutas ” rsrsrs, é de rir um pouco, porque sei que não é fácil.
    Sou Mineira, tenho 21 anos, desde de novinha tenho leves dificuldade para ouvir, meus pais sempre me levaram ao médico, mas meus exames nunca constaram nada demais, os médicos só falavam para mim fazer umas simples limpeza a cada 4 meses, e para mim eu achava que isso resolvia. Realmente parecia que melhorava um pouco, mas para quem estava por perto via que eu tinha uma pequena dificuldade para ouvir. Na escola, muuitos me chamavam de “sonsa” mas sempre era amiga de todos, me lidava muito bem com todo mundo, pessoal me zoavam demais que na maioria das vezes nem ouvia, eu tinha que esta olhando para o rosto da pessoa pra entender algo, e achava que eu era “sonsa” mesmo. Dentro de casa tinha coisas que não entendia e o pessoal falava assim – ela é esperta, só ouve oque quer. Mas não é assim, ouvia oque entendia, mas não oque queria, e tudo se tornava brincadeira, na rua o pessoal me chamava e nem ouvia nada, dai eles já chegavam perto de mim falando assim – o surda, onde que você esta com a cabeça que nem ouve eu te chamando; isso me irritava. O tempo foi passando eu tipo que “acostumei” com essa vida, de como as pessoas me tratavam, nem davam assunto. Formei ensino médio e entrei na faculdade de Química licenciatura,foi a parti dai que vi que não poderia deixar como estava, toda vez que fazia a limpeza nos ouvidos eu percebia que não ajudava com nada. Como minha graduação é em licenciatura, comecei a lidar com alunos, fazer estágio em escola e me desesperei, vi que tinha algo de errado em mim, pois sabia ser como um professor, mas não sabia lidar com a turma toda, os alunos me chamavam e eu boiava, eles ficavam rindo de mim e isso me magoava demais, ainda bem que era simplesmente um estágio, mas eu queria ser o melhor de mim e não conseguia. Conversei com meus pais, mudei de médico e ele falou pra mim fazer uma limpeza novamente, fiz mas não resolveu nada. O médico falou pra mim fazer todos os exames, e a partir dai constatou perda auditiva moderada Bilateral.
    Quando voc contou do seu primeiro contato com o aparelho, achei legal, pois me sentir desse jeito também. Ouvia de tudo, ouvia até os rastos de uma pessoa caminhando, isso foi demais, ouvia coisas que nunca imagina que poderia fazer tanto barulho assim , até abrir um saquinho de bala, era barulhento demais, pedia as pessoas para falarem baixo que eles falavam auto demais rsrsrs e o vento , foi o melhor, ouvir o barulho do vento e aqueles passarinhos cantando bem de longe. Mas isso durou pouco, me senti depressiva, chorava dia e noite, na faculdade não me sentir iguais aos outros. De inicio queria desistir de tudo e pensar que nada tinha sentido, achar que todo mundo iria se distanciar de mim, meus amigos principalmente, e também pensava de como eu iria conseguir dar aula, o alunos iriam rir de mim com o aparelho ou então nem ia me respeitar. Mas mesmo assim, não desistir da faculdade, entrei em outra que é Engenharia Química, e estou fazendo as duas. Pois a Engenharia química iria me ajudar mais e eu não iria esta trabalhando com adolescentes, e a Química licenciatura eu não desistir porque formo no final do ano e não iria desistir depois de tantos anos de dedicação e estudos. Confesso que ultimamente minhas notas caíram muito, pois o tempo vai passando e parece que vou perdendo mais a audição e eu não uso o aparelho, tento me controlar por esse lado e começar a usar, mas não consigo. Levo uma vida tranquila mas um pouco meia “sonsa” rsrsrsrs. Eu preciso acabar com essa “vergonha” de usar o aparelho e para de pensar nas pessoas que iriam falar de mim. Afinal as pessoas tem que gostar de mim como sou.

  • Olá, Gabriel!

    É impressionante, conforme fui lendo seu relato eu fui me identificando cada vez mais. Eu me vi na sua história… A situação é diferente mas a essência é a mesma. Eu, por exemplo, convivo com a perda auditiva neurossensorial desde que eu nasci, porém foi se agravando quando eu tinha apenas 7 anos, que foi quando eu iniciei a 1ª série do ensino fundamental. Foi dificil para eu estudar porque eu nem mesmo percebia quando a professora fazia chamada! As pessoas gritavam quando era a minha vez de responder o tal PRESENTE e, bem, eu achava humilhante. Sempre sofri piadinhas sobre esse meu problema e mesmo sabendo que era brincadeira, me afetava muito. Talvez porque eu só queria ser normal, eu me achava muito estranha, um peixinho fora d’água. Passei a ficar na minha e mais atenta nas aulas, me esforçava para entender e isso me deixava exausta. Com o tempo desenvolvi meus truques, aprendi a estudar sozinha em casa e graças a Deus sempre consegui raciocinar de forma a conseguir entender e resolver as lições de casa (lê-se: MATEMÁTICA. Aprendi a amar e hoje eu tenho uma paixão por essa matéria).

    Eu sei a causa do meu problema, será que não é, também, a causa do seu? Minha mãe carregou o vírus da rubéola na gravidez e eu acabei nascendo com essa sequela (dá uma pesquisada sobre a rubéola, talvez você se identifique!). É certo que nem todos acreditam quando digo que não consigo entender quando a pessoa fala comigo sem olhar nos meus olhos (é como se falassem em outro idioma comigo pelo fato de eu ouvir mas não entender) e é realmente irritante quando desconfiam! Passei por muitas situações e hoje, aos 21 anos, ganhei meu primeiro par de aparelhos auditivos da minha patroa (um dia antes do meu aniversário!). Porém, o esquerdo infelizmente anda apresentando diversos problemas e neste momento está na manutenção… eu me sinto inutil sem os aparelhos, não consigo atender meus clientes e nem fazer um bom trabalho. Estou sem eles há duas semanas e não sei se é paranoia, mas meu problema se agravou muito porque já não consigo entender como antes (já era ruim, hoje está pior!). Vou no otorrinolaringologista essa semana ver isso.

    Desde que eu encontrei esse espaço Crônicas da Surdez tenho me sentido em casa, inclusive me deu mais força de vontade de encarar o dia com esse problema, porque vamos combinar, às vezes a gente chega no nosso limite e quer desistir de tudo!!!! E ultimamente eu tenho estado muito desanimada a respeito de tudo rs.

    Enfim. Eu amaria trocar e-mails com vocês!!! Quem quiser me escrever para trocar ideias, fica aqui o meu endereço de e-mail: daniele.ddsp@gmail.com. Será um prazer conhecer vocês e conversar!

  • Pessoal….
    Para quem está perguntando sobre as cotas em concurso…

    II – deficiência auditiva – perda bilateral, parcial ou total, de quarenta e um decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma nas freqüências de 500HZ, 1.000HZ, 2.000Hz e 3.000Hz; (Redação dada pelo Decreto nº 5.296, de 2004)

    Quem se encaixa no inciso acima..pode se inscrever como portador de deficiencia…
    Levem junto com a audiometria no otorrino…Ele saberá analisar se é o caso ou não.
    abs

  • Suellen e dival, me desculpem a demora para respondê-los

    Não enviei nenhum e-mail porque não sei por onde começar, mas se vocês quiserem me mandar alguma mensagem, podem enviar para o endereço ‘ gaba@vista.aero

    Irei responder com o maior prazer

    Aos demais comentários li todos, obrigado pelas respostas

    Abs a todos!

  • Gabriel, cara, é assustador o tanto que me enxerguei nessa história.

    Tirando a parte do zumbido, já passei por tudo que você falou aí. Eu também era muito comunicativo quando era criança, cheio de amigos. Minha mãe um dia me falou que quando eu era bem pequeno ela morria de medo de eu ser sequestrado porque toda vez que ela virava os olhos eu saía e começava a conversar com o povo. Quando ouvi isso, senti que ela tava falando de outra pessoa.

    É muito foda pensar no tanto que a deficiência auditiva nos mudou. Ver que antes a gente passava essa imagem de extrovertidos e hoje passamos a imagem de caras inseguros, lerdos, anti-sociais, etc.

    Queria MUITO trocar mais ideia com você, cara. Tem como você me adicionar no Facebook? É facebook.com/matheusguifer.

    Abraço!

  • Renata,
    obrigada por me responder tão prontamente! Estava super receosa em relação a isso, e vc me tirou um bom peso das costas. Afinal, meu sonho é ser concurseira e passar num bom cargo jurídico, mas com essa novela na minha vida, estava achando que iria nadar e morrer na praia. Então….sobre o diagnóstico, na primeira bateria de exames que fiz, deu otosclerose. Mas a minha médica acredita que não seja somente isso, pq os meus sintomas e resultados da audio sugerem que haja outro fator envolvido. Minha audição era extremamente flutuante. Fiz acupuntura e melhorou muito. Cheguei a ficar períodos de dois meses com a audição ótima…..nem lembrava que tivesse algo. Mas, o problema é que são fases, e quando a audição cai, parece que voltei à estaca zero. É terrível! E toda vez, acho que não tem mais volta, e que a otosclerose avançou…estou em uma segunda bateria de exames, com corticoides que não estão surtindo efeito. Vamos ver dessa vez o que ela dirá… Bjos e obrigada, mais uma vez! Me conte, se possível, qual é a sua história:)

  • Oi Ana…De concurso eu entendo..kkk
    Perder a vaga vc nao perde….A não ser que seja alguma coisa que exija uma saúde perfeita…Tipo agente da Policia Federal…
    Pra saber se vc se encaixa…Tem um decreto…nao me lembro o numero…mas em qq edital de concurso cita o tal decreto. Lá tem os niveis que se encaixam….nao sei se vc vai entender…eu nao entendo.
    Eu fiz assim…levei o tal decreto pro médico..junto com a audiometria e ele já me falou na hora….O importante é ser bilateral. Se for so de um lado..nao se encaixa.
    O importante….Não é mais fácil o concurso, como muita gente pensa.O concurso é o mesmo…a prova é a mesma…Tem nota de corte…td isso..mas vc concorrer com menos pessoas..A gente já sofre tanto…acho que vale a pena…Por muito tempo eu nao aceitava isso…Tanto que sei que não há problemas em concorrer com os “normais” pq já passei entre “normais” e não houve empecilho. Eu nem sabia que tinha direito a cota especial.
    Mas me diga…qual seu diagnostico?
    Abs e boa sorte.
    Renata

    • OLá renata ,me identifiquei com você ,tenho perda auditiva condutiva bilateral curvas timpanométricas tipo b,presença de reflexos acústicos ipse em 2000-4000 hz com ausências nas outras frequências e em reflexos contralateral em orelha direita presença de reflexo contralateral em 1000hz ausências nas outras e frequências nas outras.

      você poderia mim ajudar se enquadro na lei da cota. Se vc tiver conhecimento . Desde já agradeço.

  • Gabriel e demais “parceiros de luta”:
    Super me identifiquei com o seu caso! É bem parecido com o meu. E, para a minha surpresa, seu depoimento foi o primeiro que li. Minha saga começou ao final da minha primeira graduação, aos 23 anos. Senti a perda súbita da audição no OD. O tempo foi passando, e a mesma parecia ter se estabilizado. Tinha uma vida ” normal”. Terminei a faculdade, passei num concurso. Estava tudo bem. Porém, há dois anos, foi a vez do OE imitar o OD no que concerne a essa perda súbita. E dessa vez, as coisas tem sido muito piores. Estou fazendo a segunda graduação, coincidentemente em Direito, perto do término da mesma, mas tenho épocas em que a audição piora muito ( como nesse ultimo mês), e as coisas tem sido bem difíceis. Já chorei, inclusive hoje, por não entender as pessoas, e principalmente, os professores. Parece que tudo fica muito mais amplificado: as angústias, a impaciência, a vontade de não ver ninguém , e de que o professor falte, só pra não ser obrigada a me esforçar descomunalmente para ouvi-lo.
    Como costumo dizer, a cada dia uma pessoa com a audição afetada precisa matar dez leões. Cada ida à faculdade, ou à audiências é um desafio. Trabalhar é um desafio. Ver os amigos é um desafio. Realmente, tudo fica muito mais difícil! Mas, se tem uma coisa que não farei é desistir. Posso chorar todos os dias, mas vou em frente! Meu único medo, e aqui aproveito para externar a dúvida, é em relação aos concursos públicos que almejo. Se concorrermos como candidatos sem deficiência ( pois não sei se a minha se enquadra nos protocolos exigidos pelos editais), quando do exame médico, isso pode fazer como que percamos a vaga? Quem puder responder, agradeço de antemão! E agradeço também a paciência dos leitores com a extensão do meu texto. Boa sorte para todos nós!

  • Gabriel, desde que leio esse blog a sua história foi a que mais me identifiquei até agora. Se mudar sua idade de 14 para 16 e a faculdade de direito para Engenharia Ambiental (sem a parte de trancá-la), poderia mostrar essa história para qualquer pessoa que sabe da minha perda auditiva e ninguém sequer desconfiaria que não é minha. Sempre imaginei que simplesmente não existam pessoas da nossa idade com o mesmo problema, mas olha só! Não é que existe? Adorei sua história e continue com a positividade! Estou fazendo intercâmbio na Hungria no momento, mas qualquer troca de experiência sinta-se a vontade para me enviar um e-mail.

    Um abraço.

  • Olá Gabriel meu nome é Suéllen minha perda é moderada, me identifiquei com vc em algumas situações como em conversas as vezes não consigo ouvir direito ai respondo não sei pois percebo a irritação de certas pessoas em ter que repetir….Na sala de aula também não é nada facil…. Estou fazendo um teste com os aparelhos até que tem me ajudado…Se puder me escrever suellensousac@ig.com.br seria legal trocar informações….

  • Olá, Gabriel! Eu perdi a audição com quase 54 anos. Motivo: antibióticos. Se eu te falar que agradeço a Deus, ou que aceito com naturalidade o fato de ser surda, tenha certeza que estou mentindo. Leio há anos tb o blog da Paula e gosto demais. Às vezes, eu tento me direcionar e tentar pensar como ela, mas isso é coisa de momento… Sou implantada, felizmente, mas os sons não são iguais aos de quando a gente ouvia. Mas, pelo menos, consigo ouvir, conversar com amigos, parentes, sem ter muitos problemas… Claro que só é legal ainda conversar olhando para a boca da pessoa… ah, isso facilita bem! No mais, Gabriel, te desejo muita sorte, temos que concordar que existem coisas piores que ser deficiente auditivo…Um forte abraço!

  • Li as mensagens de todos e os agradeço.

    Quanto aos concursos públicos, já prestei alguns mas nunca me inseri nas cotas, preferência pessoal.

    Inclusive o último que fiz do Banco do Brasil fiz 55 pontos, a nota de corte foi 60, SP, nota de corte mais alta do Brasil, em outra cidade eu teria passado e na lista de cotas eu também teria sido aprovado em qualquer lugar.

    Enfim, já estou pensando em mudar de ideia porque o tempo passa, e rápido.

    Abs a todos.

    • Olá Gabriel.
      Achei sua história incrível, e queria muito entrar em contato com você para que se possível utiliza-la em meu projeto da faculdade. Adoraria passar sua historia para meus colegas, se possível entra em contato: gaby-lopes13@live.com. Beijo.

  • Olá, Gabriel!

    Sou advogada e ouvinte, compreendo sua preocupação ao participar da audiência sobre o acidente de trânsito. Mas como a própria expressão diz, é um “acidente”: acontece com qualquer pessoa: ouvinte ou não ouvinte.
    Concordo com a Beatriz: não existem pessoas perfeitas e o maior dos problemas é realmente a deficiência de caráter.
    Independentemente da carreira, cursar uma boa graduação realmente requer estudar por fora. Eu estudei muito, indo além do que era ministrado dentro da sala de aula.
    A Renata tem razão. Concurso público é uma boa alternativa. Conheço um funcionário, aprovado como técnico da Justiça Federal no Paraná. Ele só tem 10% da visão, trabalha como qualquer outra pessoa e é igualmente competente. Antigamente, todos os processos eram de papel. As oportunidades para ele conseguir ler eram mínimas. Hoje, com processo eletrônico (dispositivos para aumentar a fonte e visualização no PC) ajudam no trabalho dele.
    Tenho um namorado completamente surdo. Eu já me questionei: “por que com ele?” Depois de tanto tempo com indagações semelhantes, eu penso que questionamentos desse tipo não ajudarão meu parceiro de vida. O que eu posso fazer é tentar me adaptar ao mundo (presente e futuro) dele. Tenho consciência da realidade. Se eu ficar presa a dúvidas semelhantes, entrarei em um ciclo infinito e eu vou ficar louca.
    Então, eu parei de procurar culpados pela surdez do meu namorado (genética, ou Deus, ou seja lá quem/que for). Sempre soube que ele é surdo (nós nos entendemos). Felizmente, ele não apresenta desvios de caráter (não conseguiria conviver com isso).
    Felicidades! Força e coragem!

  • Gabriel , a Renata acima falou tudo , faça concurso público,pois eu quando percebí que não ficaria em nenhum emprego com minha surdez neuro sensorial, corrí atrás e no vestibular, tinha o apelido do rei do concurso , como fiz dois vestibulares (na época puxadíssimos) pois tentava medicina, passava em todosconcursos , mas a classificação embora boa , não era suficiente, até que passei entre os 900 primeiros, num total de 5000, onde a maioria nunca foi chamada.Hj nem atendo telefone, todos sabem q não o faço. Já usei várias próteses, sendo que na última, já estava desenganado pois nada servia para mim, mas hj nenhuma serve mesmo, só o IC. Precisava ter uma conversa com vc, sobre nosso problemas, me escreva divalddj@ig.com.br . Coloque assunto: Gabriel Cronica da Surdez.
    Abraço

  • Gabriel….
    Td a ver…Me identifiquei muitíssimo…Com um agravante…além de ser eu a maior preconceituosa comigo mesma..Odeio usar AASI. ATé hj nao “sai do armário”, como diz a Paula…Sai um pouco depois de conhecer esse blog..mas bem pouco…
    Meu caso é mais ou menos como o seu..Não sei exatamente o que causou e foi piorando..mas enfim..hj estou com 45 anos e ainda convivo com isso… É difícil, as pessoas não entendem,..não tem paciência…e vc tb acaba ficando sem paciência..sem vontade de interagir..Até as pessoas mais próximas a convivência se torna difícil. Elas começam a reclamar..mesmo conhecendo seu problema..como se a culpa fosse sua.
    Uma dica..que infelizmente descobri um pouco tarde…Concurso público..Vc tem direito a cota…mesmo com cota nao é fácil passar…mas..depois que vc passa nao precisa se “preocupar em ouvir”. Pq na boa..nao e td chefe que tem saco com um funcionário que precisa repetir a ordem mil vezes. No serviço público as pessoas entendem melhor isso…Principalmente se for um lugar legal. Vai por mim..Volta pra facul…tem muito campo de concurso pra bacharel em direito com salário bom.Qd vc tem um emprego melhor, os problemas nao somem..mas ficam mais fáceis.
    Abs
    Renata

  • É Gabriel, esta é sua história de vida.
    Cada dia, um passo. Amadurecimento…
    Que bom que encontrastes este BLOG.

    Eu já refleti sobre minha perda auditiva (que é progressiva) e pensei…
    Nossa, será que eu seria “EU”, se não tivesse a perda auditiva? Fica a pergunta reflexiva!
    Podes ter certeza, tua VISÃO DE MUNDO, tem influência das limitações que já passastes com a perda auditiva.

    O ponto é encarar, e não se vitimizar. Percebi em seu discurso, que tens ENCARADO.

    Sobre Deus, vizualizo a história do SER EU, com um plano, uma missão que Ele deu pra mim. Creio nisto!

    Te digo uma coisa: vais longe! Continue crescendo como pessoa, buscando ferramentas psico-emocionais pra enfrentar o que vier pela frente.

    Felicidades!
    Abraço,
    Samira

  • Gabriel,

    Linda sua história!!! Que bom que hoje já consegue aconselhar quem está pensando em deixar a faculdade a desistir da ideia!!! Eu discordo de vc quando diz que não vê motivos para não agradecer a Deus pela deficiência auditiva. Ninguém é perfeito, todos temos deficiências!
    Além disso, das deficiências físicas, a DA tem tanta tecnologia aplicada atualmente, que pode ser a menos pior.

    Vc conheceu a história do garoto que está perdendo a visão e pediu para o pai levá-lo para viajar pelo mundo? Não há prótese capaz de fazê-lo enxergar quando ele perder a visão, infelizmente.

    E a deficiência de caráter? Não tem prótese que ajude nunca…

    Quando voltar a estudar, procure o sistema FM, do qual a Paula já falou aqui no blog, que funciona como um microfone para o professor, com transmissão bluetooh para o seu aparelho. Vc vai entender T.U.D.O. Inclusive o SUS fornece.

    Tudo de ótimo pra vc! Deus o abençoe sempre!

    • Beatriz, acho melhor eu não entrar nessa discussão “deus” pra eu não ser “o chato”, hahaha. Mas cada um tem sua convicção e eu a respeito a de todos.

      Enfim, agradeço as suas palavras.

      Obrigado!

      • O Sistema FM 🙂
        Ao menos em CG, eu desde 2008 aqui na minha jornada… nunca vi SUS disponibilizar algo do gênero, nem de longe gente :-/
        Por isso procurei a revenda autorizada da Widex em 2014: o sistema FM foi orçado em R$ 17.000 com APENAS um ASSI (ouvido direito) +aquele acessório básico de conectividade p/ a tv :*-(

        • Dailton,
          Moro em Campo Grande/MS e a UCDB deu um FM para minha filha em 2014. Eu havia comprado em 2011 um da phonak, por 7 mil, para os dois lados, que também conecta na tv.

          • Oi Beatriz,
            Muito obrigado pela dica. Considero ímpar esse canal que a Paulinha disponibiliza para podermos trocar experiências, conselhos e vivências.
            Talvez eu tenha me expressado mal, por favor desculpe. Mas qd afirmei que nunca vi o SUS disponibilizar algo do gênero foi no sentido “algo do gênero para alguém com mais de 30 anos” :*-/
            Um pouquinho da minha história: fui atendido pela UCDB/SUS de 2008 a 2013, e lá fui informado que tais recursos eram disponibilizados prioritariamente para jovens ou crianças.
            Como minha surdez é profunda à esquerda e severa (no limiar da profunda) à direita, em 2014 deixei a UCDB/SUS e fui para a Funcraf/SUS, tb aqui em CGde. O motivo não foi puro e simplesmente pela possibilidade de um sistema FM e tal, mas sim devido o grau de minha surdez já sinalizar um possível implante coclear – (Tenso!) santa Paulinha, tenho tanto medo dessa cirurgia.
            A equipe da Funcraf/SUS deu o mesmo parecer que a UCDB/SUS: tais tecnologias, incluindo aí o implante coclear, são disponibilizadas prioritariamente para jovens ou crianças.
            Quero deixar claro que em momento algum a equipe da UCDB/SUS ou a equipe da Funcraf/SUS foram desrespeitosos ao darem esse parecer, nunca, muito pelo contrário: profissionais incríveis dotados de muita competência e sensibilidade. Sempre muito bem atendido pelas respectivas equipes de fono, assistente social, psicólogos e médicos, eu só tenho a agradecer toda a orientação, atenção e cuidado recebido pelas respectivas equipes. De coração obrigado <3
            Ressalto ainda que eles disseram que tais tecnologias são disponibilizadas prioritariamente (não exclusivamente) para jovens ou crianças (mas eu aqui em minha jornada constatei apenas jovens ou crianças se beneficiando pelo SUS para adiquirir o sistema FM ou o implante).
            A excelente equipe da Funcraf/SUS aqui de CGde me orientou para ainda não me submeter ao implante, e que no momento certo farão um encaminhamento para uma outra equipe lá de Bauru-SP (dúvidas 1000, mas foi assim q entendi).
            Detalhe atenção: educadamente foram precisos ao informar que "a prioridade é jovens ou crianças Dailton" (sniff sniff)
            Enfim, se um dia qd eu fizer o implante e isso ocorrer por meio do SUS \o/\o/\o/ prometo enviar meu relato com todo o caminho do ouro para a Paulinha publicar lá na página principal do Crônicas da Surdez, ueba 🙂
            Por fim, mas não menos importante, parabenizo vc Beatriz e tb a sua filha pela conquista do FM. Se o critério fosse "pessoas c/ o espírito jovem" certamente eu conseguiria (rs)
            Bjo carinhoso!
            Respeitosamente, um amigo
            Dailton

      • Boa noite Gabriel. Tenho o mesmo problema do que você, no começo quando eu comecei a suar o aparelho foi uma maravilha, escutava tudo até uma pessoa ao meu lado falando no telefone. Aos poucos isso foi mudando. No ano passado minha fono recomendou treinar a audição com audiobook, ela disse que eu aprenderia novas palavras e que eu entenderia muitas outras. Meu caso é igual ao seu, quando eu tinha 14, 15 anos tudo foi ficando mudo de de repente, falei com minha mãe e ela comprou um aparelho auditiva do Phonak. Tenho dificuldades até hoje em entender o que os outros dizem, eu entro num ambiente e com tanta gente falando, com tantos sons eu não consigo entender nada do que os outros falam. As vezes eu tenho medo de sair e isso acontecer, não tenho vergonha em dizer que sou deficiente auditivo, mais tenho medo entende? Gostaria de conversar mais com você, trocar ideias e dicas. Me adiciona no facebook por favor! Facebook.com/raposovinicius diz que é Gabriel do crônicas da surdez.

  • Olá Gabriel, gostei muito de conhecer a tua história. Tenho a mesma perda do que tu, mas descobri-a com 4/5 anos. Identifico-me com alguns aspectos como dizer: sim, não, não sei… só para não repetirem constantemente. Também vou notando dificuldade em perceber as pessoas.Oiço, mas não percebo. Só mesmo de frente, se pronunciarem bem as palavras até percebo numa ou outra ocasião o que dizem sem as ver. Actualmente estou a estudar webdesign. Por vezes também sinto que o meu problema me limita: a solução que vejo é estudar e trabalhar mais do que os meus colegas. Ajuda de certa forma a criar bases, quando estou nas aulas facilita-me a vida o facto de reconhecer códigos e alguma palavra, pois li e aprendi sobre isso em exercícios que fiz em casa para praticar. O apoio dos colegas e formadores também é essencial, tem muita paciência e não me tratam de forma diferente.

    Mas podia ser pior, graças aos aparelhos auditivos consigo ter uma vida minimamente normal.

    Boa sorte e não desistas;)

    Liliana

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