Esses dias fui tirar o sexto (ou sétimo) molde da minha orelha direita – há tempos não me acontecia dessas, quando eles estão prontos e eu experimento, sinto muita dor – e, na saída, passei no Banrisul do hospital para sacar dinheiro. Eu estava conectada ao miniTek ouvindo música na fila enquanto esperava a minha vez, quando começou a tocar Can’t Take My Eyes Off You, do filme Closer.
Eu não sei como os ouvintes se sentem ouvindo música com fones de ouvido quando estão na rua. Eu me sinto como se estivesse participando de um clipe. Você parada ali, de pé, observando as pessoas, sem pegar som exterior nenhum enquanto ouve alguma música maravilhosa. É um momento tão eu-comigo-mesma. Costumo dizer que não ouvir (depois de já ter ouvido por muitos anos) é quase como estar dentro de um quadro: tudo estático, parado, faltando ALGO para que o cenário faça sentido.
Nessa função de ouvir música, lembro de uma vez em que estava num vôo e conectei os AASI com o miniTek e o iPod Touch. Então começou uma turbulência daquelas que você fecha os olhos e reza para tudo quanto é santo pedindo para viver mais um pouco, não é justo morrer tão jovem. Rezei, rezei, rezei e comecei a ler um folheto que falava que era expressamente proibido usar dispositivos com bluetooth durante o vôo. PÁH! Na hora desconectei o babado e… a turbulência parou. Aí conectei de novo e a turbulência recomeçou. Desconectei e nunca mais tive coragem de pensar na possibilidade de ouvir música dentro de um avião. Hahahaha! Meeeeeedo! No fim das contas, como é chato andar de avião sem poder ouvir música, especialmente em vôos longos, parece que o tempo não passa.
Esses dias descobri uma música ‘nova’, linda, chamada Love Hurts – do Damien Rice, o mesmo da música de Closer. Engraçado que eu nunca tinha ouvido essa música antes e, nos primeiros cinco segundos da canção, foi como se tivessem me dado um soco no estômago e uma paulada no coração. Amor à primeira ‘ouvida’. Resultado: quando estou no trânsito indo e voltando do trabalho, ela fica no repeat eterno. A última vez que me aconteceu isso foi indo para a praia, quando ouvi pela primeira vez When She Believes, do Ben Harper.
Música é um troço importante, não? Na vida de quem não ouve, parece que essa importância toma uma proporção ainda maior.
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