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Crônicas da Surdez

Aparelhos auditivos e… academias de ginástica!

O post original foi escrito em 2011, sobre minha experiência como usuária de aparelhos auditivos frequentando academias de ginástica. De lá para cá, me tornei usuária de implantes cocleares, mas os perrengues continuaram bem parecidos – vou falar sobre eles mais para o final! 😉

Como era em 2011…

Já paguei alguns micos em academias de ginástica, com certeza. Uma vez, fiz a louca e fui de iPod, sem aparelhos auditivos (PS: sente a velhice do post, do tempo do iPod!). Taquei o volume no máximo e fiquei ouvindo a seleção de música mais brega de todos os tempos – músicas-tema dos filmes Titanic e The Bodyguard incluídas, sintam o drama!!

As mulheres que estavam nas esteiras ao lado da minha me olhavam com cara de noooojo, e nem por um minuto passou pela minha cabeça de vento que eu estava atrapalhando a vida alheia, já que elas estavam ouvindo junto as músicas de tão alto que estava o som, que para mim continuava baixinho…

A verdade é que nunca pensei que um iPod no máximo pudesse irritar alguém, e só fui descobrir isso no dia em que coloquei os fones dentro do carro, com a minha mãe junto. No mesmo minuto ela me deu um cutucão e falou “Que horror, abaixa isso, até o pessoal lá da esquina tá ouvindo!“. Me arrepio só de pensar na quantidade de vezes que fui de ônibus a Porto Alegre (4 horas de viagem) fazendo a mesmíssima coisa. Até hoje me pergunto como é que os passageiros nunca me encheram de desaforo – prova de que o povo gaúcho é muito educado, ehehehehe.

Quando vou de iPod e MiniTek, pago mico de um jeito mais light (PS: minitek era o acessório bluetooth que eu usava em 2011!). Ponho eles no bolso e fico ouvindo música direto nos AASI, ou seja, sem fio. Devo ser a única ou uma das únicas pessoas da minha cidade que tem essa dupla, ou seja, não é algo comum de se ver por estas bandas. E aí, o que é que acontece? Simples!! Uma sala inteira de gente espantada querendo saber porque é que a doida (eu) fica cantarolando, meio dançando e mexendo a cabeça e fazendo mil caretas se não há nenhum fio visível que indique que estou ouvindo música.

As caras que o povo faz são no melhor estilo “quem soltou essa lunática do manicômio??“. Quando é que um ouvinte em sã consciência parou pra pensar que possa existir a possibilidade de se ouvir música SEM FIO? Nunca! Às vezes é difícil até pra mim entender essa tecnologia ‘marciana’.

Uma vez decidi me aventurar numa aula de spinning, usando os aparelhos. Gente, que bando de loucos! A aula era numa salinha fechada, com umas 25 pessoas ali dentro. E a música era tão, mas tão, mas tão alta, que desconfiei que todos ali fossem completamente surdos. Caí fora 30 segundos antes que meu cérebro e meus tímpanos explodissem. Caramba, saí completamente tonta dali – e nem preciso dizer que nunca mais voltei.

Quando vou fazer minha ficha de inscrição numa academia nova e o professor me pergunta se tenho algum problema de saúde, já digo: “Tenho deficiência auditiva“, e aponto pros AASI. Assim já evito que o cara pense que sou uma mal educada quando ele me chama e eu nem tchuns.

Agora, o que acho tenso mesmo é a TV. Sempre tem alguma pirada que liga a TV e, das duas, uma: ou não coloca som (e nem closed caption) ou põe no último volume. Confesso que acho mais confortável ir malhar sem AASI, principalmente por causa do suor. Fico com aquele medinho de estragar os aparelhos com o suador da malhação. Tirando isso, meu cérebro não curte a sonzeira intermitente que rola dentro de uma academia: rádio no máximo, TV no máximo, música das aulas de ginástica no máximo, dezenas de pessoas rindo e conversando.

Esse post foi sugestão da Greize – leitora antiga e super fiel do Crônicas!

Como é em 2020…

O suor nos implantes continua me apavorando do mesmo modo como apavorava na época dos aparelhos auditivos. E isso tira um pouco a graça da coisa. Não vou negar que às vezes acho até bom quando minha pilha acaba no meio da malhação e fico no silêncio, porque o nível de barulho e ruído em academia é uma coisa bizarra. E as pessoas estão tão acostumadas que ninguém reclama…

As situações tragicômicas ainda acontecem. Frequento uma academia em Copacabana que tem sauna. E para entrar na sauna, eu logicamente tiro os ICs. Parece que é só entrar surda na sauna que atraio tipo um ímã pessoas querendo conversar comigo lá dentro no meio do vapor. Um dia que um colega de academia ficou tentando bater papo comigo na sauna, sem sucesso. Aí o Luciano explicou pra ele a situação, ele me olhou e disse: “Então está perdoada! Achei que era só mal educada…”

Em dois momentos os ICs na academia me irritam: quando faço algum exercício no chão, como abdominais, porque eles caem das orelhas. E quando quero correr, porque tenho que ficar arrumando o tempo inteiro (e às vezes caem) e isso é bem irritante. No geral, uso apenas um para malhar. E uso sempre pareado com o celular para poder ouvir música ou ver vídeos.

Tomo banho lá mesmo antes de voltar pra casa, e tem a questão de colocar os ICs com o cabelão molhado né? Mas como meu cabelo hoje é bem curtinho, isso não me assusta, pois dá pra secar bem com a toalha antes.

Me pergunto como outros usuários de IC que frequentam aquelas aulas de ginástica em que é preciso ficar pulando, fazem. Dou conta não! Além disso, natação está fora de cogitação usando IC

Legendas ativadas nas televisões sem som seguem raríssimas. Já dei escândalo ao vivo e também pelas redes sociais com a minha academia por causa disso. Pergunta se adiantou? Nada!! Bendito YouTube, Netflix e companhia nessas horas. Nunca vou entender esse povo que liga TV sem som e não ativa as legendas. Qual a utilidade disso?

E vocês? Algum causo envolvendo academias de ginástica pra me contar? 🙂

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About Author

Moro no Rio de Janeiro e tenho 39 anos. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Sou autora dos Crônicas da Surdez e Novas Crônicas da Surdez.

14 Comments

  • Almir Junior
    25/09/2012 at 12:00 pm

    Rindo muito, mas muito mesmo! Me ache completamente nesse site!
    Sou surdo oralizado, e como tenho sudorese muuuuuito alta (suo igual a um porco sim!), prefiro ir treinar sem aparelho na academia. O fluxo de pessoas é intenso, e não tenho um horário fixo pra entrar na academia, conclusão: Tenho que comentar com todos os usuários da academia que não escuto, leitura labial, etc e tal… Dia desses, um camarada tentou conversar comigo, mas não sabia que eu era surdo… Eu estava suado, ofegante pq tinha acabado de correr, coloco a mão na cintura e olho fixamente pros lábios dele pra entender o que ele fala.Aí ele solta a pérola: Porquê vc está olhando assim pra minha boca, cara? Vc é gay?

    É cada uma…

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  • Ewerton Luiz
    25/11/2011 at 8:03 pm

    Pagar mico é com surdos mesmo, se depender de nós mico não extingue!

    Moro em cima de uma academia e o “sonzaço” é demolidor, sinto todo o impacto das músicas em um sistema de som com 1000 watts RMS! Sentiram o drama? E isto todos os dias!

    São 4 professoras, cada qual com sua especialidade assim como a potência do chom. Começa calmo com pessoas de mais idade e vai aumentando conforme a faixa etária diminui. Mas com as trintonas é um desespero, o verão tá chegando!!!

    Em tempo, gostos são subjetivos né? E se escapam dos fones o que é que posso fazer? Melhor curtir.

    Estou ouvindo agora: Robin Beck “tears in the rain”

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  • MONICA
    21/11/2011 at 10:55 pm

    POR INCRIVEL QUE PAREÇA, ESTA SEMANA ESTAVA PENSANDO NISSO!!! ESTOU QUERENDO ENTRAR NUMA ACADEMIA, POIS NA ÉPOCA EM QUE EU MALHAVA, AINDA NÃO USAVA APARELHOS, MAIS E AGORA??? SERÁ QUE O SUOR VAI FAZER MEUS APARELHINHOS ESTRAGAREM??????

    Reply
  • Priscila
    19/11/2011 at 11:02 pm

    Então galera, na verdade eu evito academia, gosto de caminhar ao lar livre, e sempre vou sem o aparelho pra não estragar pq o meu não é a prova d´agua! Na academia o certo seria não usa-los eu acredito, como forma de vc proteger o aparelho. Mas é uma pena que sempre tem um que vem puxar assunto quando vc está SEM. Aí na correria a gente acaba não percebendo e tal.. aí a pessoa vai achar que a gente é CHATA ou METIDA. Mas enfim, são fatos. Tem que ter bom humor e estar sempre atenta mesmo! Galera vc tem facebook?? O site podia ter um também… ou já tem??? quem quiser me add meu link é esse favor avisar que é daqui e ficarei feliz com a presença de vcs http://www.facebook.com.br/prycooper

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  • Anna
    19/11/2011 at 5:02 pm

    Eu vou sem aasi e pago todos os micos possíveis e imagináveis: desde ignorar quem fala cmg até o clássico ouvir música berrando no mp3…
    mas sou espertinha e levo o aparelho cmg, se precisar falar com alguém, eu os coloco, rs
    bjs, Paula!

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  • Maria
    18/11/2011 at 10:00 pm

    Já frequentei por uns tempos uma academia, mas não uso os AASI. Sempre me falaram que as academias são muito barulhentas e conheço muitos ouvintes que não as frequentam justamente pelo barulho! Eles dizem que querem ter um momento de sossego.

    Eu faço ginástica numa clínica de fisioterapia, onde pratico pilates e gyrotonic junto com minha mãe. Diz ela que ama fazer na clínica por não ter barulho algum, um silêncio para poder metidar e espairecer. E quando tem música, é das clássicas e calminhas. É como se fosse o paraíso dela! É compreensível pois tem muita poluição sonora e deve cansar muito!

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  • Bárbara
    18/11/2011 at 2:03 pm

    Oh Deus, nem me imagino em academias. Eu não gosto! Gosto mais mesmo de fazer caminhadas nas ruas, andar de bicicleta e tal. Pena q minha cidade n permite, além do calor, é mt inseguro.
    Uma coisa q me deixou encucada no seu texto é: deficiência auditiva é um problema de saúde? Será q só eu me irrito quando as pessoas perguntam se é um problema?
    Não acho q seja um problema, acho mais q seja uma condiçao da pessoa. Entende?
    bjo

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    • Maria
      18/11/2011 at 10:12 pm

      Para mim a deficiência auditiva é um “problema de saúde” por não ser uma condição normal para um corpo humano ter. O normal é poder escutar, ou seja, algo do nosso corpo não funciona.

      Mas para mim não há problema esta definição. É só uma maneira de dizer na literatura da medicina, independente da maneira de como a pessoa lida com a condição/problema no dia a dia. Ao meu ver, são definições diferentes na condição de medicina e da nossa vida.

      Acho importante as pessoas saberem da nossa condição para que sejamos bem tratados em lugares onde estivermos pagando pelos serviços.

      Reply
      • Bárbara
        20/11/2011 at 4:18 pm

        Maria, vc está quase me convencendo. hehe Mas é um ‘problema’ corrigido, n? N é necessariamente um problema de saúde.

        Reply
        • Maria
          24/11/2011 at 9:06 pm

          Também não considero a surdez como problema de saúde meu por já ter superado as barreiras e tenho vida absolutamente normal, faço de tudo, só não uso telefone e interfones!

          Eu nem me importo se me fizerem esta pergunta com estas palavras, vou responder com o maior prazer! É um “problema” que eu gosto de ter!

          Mas também conto para as pessoas o fato de que os ambientes que eu frequentar não podem ter som no último volume porque machuca os meus ouvidos mesmo não escutando nada, fico com dor de ouvido e zumbidos. Por isso faço a questão de explicar às pessoas que tenho muita sensibilidade nos ouvidos, para não ter sintomas que me incomodem. Isso é muito importante!

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  • Patrícia Maia
    17/11/2011 at 9:15 pm

    Paula, se eu que tenho a audição perfeitas às vezes fico louca com certas academias, por exemplo, se estou numa aula com som mto alto não consigo ficar, imagina vcs que são muito mais sensíveis.
    Se proteja!
    Bjs

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  • Greize
    17/11/2011 at 8:39 pm

    Lembrou de mim pq falei que quase , paguei um mico e iria contar né..kkk.
    Olha estou malhando forte(um minuto de silêncio) pq a preguiça aqui é muita e se estou assim isso é incrívellll.
    Sempre malhei,mas academia cansa, tdo dia a mesma coisa e tinha esquecido dos sons, qdo fiz a ficha avisei, a dona me contou que tinha mais 3 alunos surdos/deficientes auditivos.
    Bom lá fui eu, qdo ouvinte já achava o som alto, agora então: Rádio no máximo, TV no máximo com Legenda, música das aulas de ginástica no máximo, dezenas de pessoas rindo e conversando.Fiquei tonta, a personal abaixa o volume qdo me vê, fofa né.
    Mas eu às vezes tiro o aparelho, às vezes não.

    Agora um dica importante Nunca façam esteira e deem a bobeira de ficar lendo a legenda da tv na frente, estava passando o desenho caverna do dragão eu tda empolgada, pq assistia demais qdo criança fui no embalo para ler , no embalo da esteira só que ao contrário, quase cai. Segurei firme na lateral.Culpa do Mestre dos Magos.hahahahahaha

    Larguei dela estou na bicicleta, nunca gostei de esteira mesmo.Hunf
    Enfim, mtos sons, o melhor é desligar o AASI, ligo qdo alguém vem falar algo comigo, não sou ninja na leitura labial.Tb tento não ir em horários de pico, mto cedo ou entre 18 as 19 horas.Uso um spray Cedis para limpar o suor da parte de silicone.
    No mais, o verão 2012 me aguarde 🙂

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  • Casa Ronald McDonald RJ
    17/11/2011 at 2:45 pm

    Olá amigo, seu blog foi selecionado para ser um Blogueiro responsável. Selecionamos os blogs mais influentes dentro de cada área, e estamos convidado os mesmos para participar da campanha de Marketing Digital da Casa Ronald McDonald RJ. Caso você queira participar, pedimos que envie um email para midiassociais@casaronald.org.br para que possamos explicar melhor como funcionaria!
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    Abraços

    Reply
  • Pois é… e esse pessoal de audição clinicamente normal sequer imagina que, com toda essa “sonzeira” altíssima em academias de ginástica, podem desenvolver perda auditiva com o passar do tempo!!! :-O

    Daí o questionamento voltado aos professores desses estabelecimentos: pra quê toda essa poluição sonora? Por que não colocam o som num volume necessário apenas para dar a “animação” e o ritmo às aulas, sem excessos? Do jeito que a situação está, as pessoas matriculam-se na academia para buscar saúde (proporcionada pela atividade física) e , involuntariamente, acabam “buscando” doenças (da audição)!!!!! :-O

    Dica aos malhadores: se acharem o volume da música ambiente incômodo, usem abafadores de ruído ao malhar. São pequenininhos, discretos, baratos (cerca de R$2,00 em média) e podem ser encontrados em farmácias, drogarias e lojas de produtos para saúde.

    No nosso blog inclusive tem um post , intitulado “Conserve o que você tem… e já!” (http://sopadenumerosecalculos.blogspot.com/2011/01/conserve-o-que-voce-tem-e-ja.html) , no qual há o total incentivo de as pessoas conservarem o máximo da saúde dos órgãos sensoriais, a fim de evitar adquirir (ou aumentar) a condição de pessoa com necessidades especiais.

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