Como o livro Crônicas da Surdez te ajudou?

Como o livro Crônicas da Surdez te ajudou V

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“A gente nunca sabe onde nossas ações e pensamentos vão desaguar, e nem a força que sua reverberação vai alcançar. É assim que eu classifico você Paula: uma força motriz em ação sem consciência de seu poder! Já escrevi comentários no “Crônicas” sobre outros assuntos, mas queria me referir a um em que falo sobre minha descoberta da surdez, do blog, de você e de seu livro. 

Uso aparelhos auditivos há doze anos, desde 2001, mas me toquei que era deficiente auditiva somente após encontrar e ler seus posts e comentários dos leitores, deu um click e eu vi/pensei: espere ai, isso tudo já me aconteceu… E eu nunca havia pensado que era surda!! Não por preconceito ou vergonha, simplesmente porque sempre achei que eu tinha um problema de falta de atenção, de foco, de discernimento, enfim que era meio “menina maluquinha” mesmo tendo completado 40 anos. Então ao ler seu blog e seu livro puder me conhecer melhor a partir do entendimento de que meu problema era igual ao de muitas outras pessoas, que a gozação e a irritação das pessoas quando eu vivia perguntando  “o que foi que você disse? Hã? Como?” era comum, mas também que elas não tinham obrigação de saber sobre minha deficiência, se nem mesmo eu sabia!

Fui descobrindo caminhos durante esses doze anos, tateando entre informações erradas, diagnósticos mal formulados e experimentando aparelhos por indicação de fonoaudiólogas, que me diziam sua perda auditiva é bilateral e de 40%, mas não conseguiram me fazer entender que estava ficando SURDA.

Sei disso, por que a partir de suas informações pude mudar o nível de entendimento do que eu estava vivendo. Minha perda auditiva é bilateral, mas não é severa, e ainda assim eu sinto uma espécie de discriminação quando as pessoas desconfiam que eu esteja fazendo piada quando digo que ouço os sons, mas não entendo as palavras.

  • – Como assim, não entende? Preste atenção, oras!
  • – Mas você canta, como é que pode ser surda?

E eu é que sei?

Só sei que canto e sou soprano afinadíssima, mesmo sem entender as palavras e apesar de precisar da pauta e da letra escrita para me orientar… Trabalho, estudo, danço, viajo pelo Brasil e pelo mundo, escrevo, pinto e bordo, faço crochê e tricô, sou esposa e mãe,  e não tenho de dar satisfação a ninguém sobre minha vida e meus problemas. Isso eu também aprendi com você, seu blog e seus leitores. Libras? Acho mais fácil e útil aprender japonês em Braile, como diria Djavan…

Para aqueles que estão chegando agora, se é que me é permitido dar um conselho:

– Jogue fora sua vergonha e seus medos e vá procurar pelo AASI ou IC que atenda suas necessidades e lhe garanta qualidade de vida, porque a vida é só uma, só sua, ninguém tem nada a ver com isso, e quem está deixando de ouvir o canto dos pássaros de manhã cedo é você.

Beijo, minha querida Paula e parabéns por sua coragem e gentileza em compartilhar momentos tão importantes de sua vida conosco.

Marta Gaino”

43 amaram.

Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 36 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

3 Comentários

  • Paula,
    Sou Natalia Frazão, surda não oralizada, usuária de Libras, mas sou favor da diversidade humana e respeito por cada um tem uma escolha da vida diferente.
    Primeiramente, desejo-lhe parabéns pela ousadia e pelo bom humor, não só por causa da sua escolha de implante coclear, mas sim sua trajetória da vida. Poucos surdos têm coragem de enfrentar tantos desafios e obstáculos sozinhos, como você enfrentou e ainda enfrenta, sem perder o bom humor. O mais interessante é que aqueles enfrentam sozinhos quaisquer dificuldades, porém depois a alma deles que se engrandece ganha mais de uma força para estar disposta para ajudar os próximos, ensiná-los como a forma de enfrentar sem perda de coragem.
    Pelo o que vejo, os surdos oralizados são diferentes dos surdos de Libras em razão de seus modos de viver diferentes, mas ambos procuram algo em comum: viver tudo quando puder, sem importar o que outros dizerem “não”.
    Viva intensamente sem medo.
    Um abraço sinalizado. 🙂

  • Querer é Poder e não existe barreiras apesar de ser uma luta árdua quando se quer provar que “Sou Capaz!”perante sociedade e família (quando alguém não acredita em você).

    Continue assim do jeito que é Marta Gaino….porque também sou assim, sempre me aceitei do jeito que sou perante Deus! Parabéns!

    Bjs

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