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Histórias dos Leitores

Contato dos leitores II

Vamos começar a semana com mais um pequeno relato de uma leitora do Crônicas!

“Nossa, tenho várias histórias hilárias! Hoje evito falar ao telefone, só falo com parentes e amigos próximos (porque eles têm paciência para repetir);  uma vez atendi o telefone, pensei que fosse minha prima e falei “qual é, @#$%&!”… E era uma amiga da minha mãe! A minha fala é quase normal, só fica um “sotaque”, que só identifica como deficiente auditivo quem conhece. Pessoas comuns sempre me perguntam se sou do Rio de Janeiro mesmo. E, sempre que  perguntam, já sei que é por isso! Há pouco tempo deu-se o seguinte diálogo entre mim e uma professora da faculdade (era a primeira aula dela para o meu grupo):

Professora: “Você é castelhana?” (hahahaha)
Eu: “Não…”
Professora:  (não se dando por vencida, porque afinal tem sotaque, né): “Mas é carioca?”
Eu: “Não, sou surda!”
Ela ficou super sem graça, tadinha!

Adorei a iniciativa do blog, acho super válido juntar pessoas para trocar experiências e falar sobre um assunto tão pouco comentado, e porque não dizer, um tabu. Seria legal falar sobre preconceitos, superação, dificuldades, todas essas coisas que fazem parte do nosso cotidiano enquanto deficientes.

Já sofri bastante com minha deficiência, e hoje digo que convivo muito bem com isso. Chego a dizer que não gostaria de trocar minha audição “defeituosa”  por uma normal, pois é algo intrínseco à minha pessoa, faz parte de mim.  Até ficar em paz comigo mesma  foram anos de terapia e reflexão. Não é fácil tentar superar uma deficiência quando se sofre preconceito até mesmo dentro de sua própria família. Mas uma vez que se consegue superá-la, dá um alívio incrível e um sentimento de que uma nova vida está por vir.

Vou sempre ler o blog, foi uma ótima descoberta!
Beijos,”

Pessoal, quem também convive com a deficiência auditiva, por favor, entre em contato enviando algum relato interessante seu. Essa troca de idéias e experiências é a coisa mais enriquecedora que existe!

Sobre

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 38 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

7 Comentários

  • Jana Martins
    04/08/2012 at 11:35 pm

    Um MUUUIITOO OBRIGADAA pelo post!
    Enfim descobri o “porquê” do povo falar que tenho sotaque!

    Que Deus abençoe cada vez mais a sua vida!
    Fica na Paz!
    bjus 😉

    Responder
  • Marcela Cordeiro
    16/07/2010 at 3:23 am

    Essa do sotaque é boa!rsss
    Já perguntaram isso pra mim, meu namorado (pra sacanear a pessoa que perguntou) respondeu que eu era francesa e estava fazendo um intercâmbio aqui no Brasil…kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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  • Tati Lima
    11/07/2010 at 8:01 pm

    Oi, Paula,

    Fantástico teu blog, te acompanho desde muuuuito tempo no SP e antes daqui- o Crônicas- já sabia e tinha entendido teu problema.
    Sinceramente, acompanhava de ínicio o SP para “ver” você falar mais sobre isso, depois, evoluiu MUITO tuas postagens e virei fã do SP.
    Well, achei legal tu assumir sem muito drama-ama isso de ser surda, tenho duas primas (que são irmãs) com o mesmo problema, vi o sofrimento delas, que é o seu também de achar aparelhos realmente bons e tals. Elas são lindas, inteligentes, e tenho PAVOR, PAVOR de quando falam: ah, mas são surdas. P*ta que pariu! Dá vontade responder: E você, que é medíocre e babaca?
    Enfim, mostrei para as meninas o teu blog, uma é enfermeira(32 anos) e a
    outra(25) é secretária bilingüe, ralar todo mundo rala, mas vi elas correr muito atrás de tudo por causa do preconceito, que tu não seja a exceção dessa regra de abrir-se e que outros exemplos se sigam, hoje e sempre.

    Ps.: Parabéns, pelo nível das tuas leitoras, os comentários dariam um blog a parte.

    Beijo.

    Responder
  • Ester
    09/07/2010 at 5:18 pm

    Eu Graças a Deus não tenho sotaque, mas eu troco alguma letras de vez em quando …. embolo a lingua …
    Tbm evito com toda as minhas forças falar no telefone ,….. só com conhecidos ….
    Tenho uma história q talvez vcs gostem tres personagens ” Fulana ( amiga da mãe ) ” mãe ” e “eu ”

    fulana= Oi Ester tudo bem? Onde esta sua mãe?
    Eu = Oi… minha mãe foi pro méxico..
    fulana = Ah tah….

    no dia seguinte ….

    Fulana = Ei thereza… e aí como foi a viagem ?
    Mãe= que viagem ? eu não viajei…
    fulana = mas a ester falou q vc foi pro México…
    Mãe= México????????……………………….ahhh…. hahahaha…. eu fui pro médico…… rsrs
    as duas riram até …….

    até hj a família morre de rir com a a história …

    Responder
  • Mirella G Sousa
    09/07/2010 at 12:34 pm

    Nossa não sabia q vc tem um “sotaque”,não sabia mesmO!
    Quer dizer q as pessoas q tem deficiencia auditiva tem sotaque???
    É bom p eu ficar atenta!bjosss

    Responder
  • Samara Correia
    06/07/2010 at 11:18 pm

    Hahahahaha

    Sabe que o povo vive de tentar descobrir de onde é meu “sotaque”

    bjus

    Responder
  • Sun Melody
    06/07/2010 at 11:58 am

    Paula,

    Já que me incentivou, digamos literalmente! Fiquei tentada em colocar, apesar de não ser com um aparelho auditivo, será que o IC conta?! Há meses escrevi um post intitulado de “Episódios Insólitos com o IC”, terei todo o gosto em colocar aqui.

    “Nestes quase três anos de implantada, houve de tudo desde olhares a burburinhos sobre o objecto magnético que transportava na minha cabeça. A bobina achocolatada, da mesma cor do cabelo não passava despercebida quando o tinha prendido no Verão, pois a luz do sol fazia um toque lampejo chamando a atenção a este mero circulo magnete.

    Não permitir que nos olhem, seria o mesmo negar a nossa essência então mais vale deixar que a contemplação das pessoas execute e apalpe visualmente o estranho corpo magnético grudado a dois dedos acima do meu ouvido esquerdo com total delicadeza enigmática.

    Assim por diante, há quase três anos, com poucas semanas de activada fui alvo de uma atracção turística cyborgnética (esta palavra não existe eu sei!) made in InterRegional dos caminhos-de-ferro como se fosse uma ave rara em vias de extinção. Ora, eu e mais o amor da minha vida assentados no lugar do vagão modificado em enfeites decorativos, encontramos uma família de seis elementos a me espiar vigilantes, e perante este facto descomunal chegámos à conclusão que a curiosidade foi tanta naqueles rostos cegos de espanto!

    A mulher, mãe das crianças virou e revirou a face tantas vezes chegando a levantar-se do banco só para visualizar melhor o IC, lembro das suas sobrancelhas finas um pouco delineadas e em segundos desenhou uma expressão sarcástica do género: “O que é aquilo na cabeça dela!!?” – A gente, ambos indiferentes rimos às gargalhadas… confesso que não me afectou, pois o amor louco pelo meu Implante Coclear é tanto!

    Outra, um adolescente de cabelo espetado na plataforma de Sete Rios com os fones nos ouvidos e a dançar consoante o ritmo aproximou-se a meu lado sussurrando poderoso: “Que MP3 muito fixe!!! Onde compraste?!” – STOP – “Onde comprei? Não está à venda e não é um leitor de música”. O rapaz ficou tresmalhado e confuso, e perguntou-me: “Então o que tens na cabeça?” – ri-me da sua enorme perplexidade e lá disse: “É o meu ouvido biónico, e só assim posso ouvir. Chama-se Implante Coclear.” – depois de lhe ter explicado, deteve-se absolutamente envergonhado e pediu-me desculpas… passando uns minutos diz-me: “Que me dera ter um igual, assim podia ligar e desligar quando quisesse e me apetecesse!”.

    Outra, uma pessoa conhecida com uma certa idade, olha embasbacado para mim, contido e a tentar não ferir susceptibilidades… não conseguiu comprimir e o medo de me perturbar foi avassalador mas eu sei ler os rostos e soube no fundo que ele queria me dizer qualquer coisa, portanto incentivei-o. Então, educadamente lançou aquela frase um tanto repetida: “A. tens um buraco na cabeça?” – esgazeei os olhos – “Um buraco na cabeça?! Ah, não, não tenho orifício nenhum! Ah Ah Ah… Olha vou te mostrar…” o meu braço em movimento, os dedos tocam afectuosamente a bobina e retiro-a sorrindo, colo-a de novo e desgrudo.
    Vejo-o sorrir, e digo: “é a minha dança magnética que uma e outra se tocam e beijam a maior parte do tempo. Um segundo ouvir e noutro já não”.”

    Confesso-te Paula, já me aconteceu tanta coisa, que hoje recordo com uma certa piada as variadas reacções das pessoas, umas disparatadas, outras inocentes como uma criança de 5 anos de idade olhar atentamente para mim o TEMPO todo apontando o dedito esticado na sua orelha e pronunciar: “Olha, o que é isto no teu ouvido?” sem pudor, nem vergonha naqueles olhinhos castanhos cintilantes.

    Um beijo
    Sun Melody aka Alice

    Responder
  • CarlaWie (Carla Wie)
    06/07/2010 at 1:23 am

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  • anacarlaga (Ana Carla Araujo)
    05/07/2010 at 6:16 pm

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