Site icon Crônicas da Surdez – Surdos Que Ouvem – por Paula Pfeifer

Detalhes sobre o Pure 700 da Siemens

Surdez severa é complicada. Para dizer o mínimo. Quando decidi que era hora de trocar de aparelhos e ficar em dia com a tecnologia, percebi que era uma pesquisa bem cansativa, mas que deve ser feita com amor e carinho. Caso contrário, a chance de decepção é bem alta.

Depois de meses pesquisando o assunto na internet, me decidi. Optei pelo modelo Pure 700 da Siemens.

O Pure 700

O Pure 700 é quase imperceptível. Ok, já passei há anos da fase de me importar se alguém vai ou não vai enxergar meus aparelhos. Os intracanais que uso hoje são quase invisíveis, só aparecem se eu estiver com o cabelo preso. Quem disser que a discrição não tem alguma importância quando se fala em aparelho auditivo, está mentindo. Ninguém gosta de se sentir invadido, com olhares curiosos. Discrição já foi o fator número 1 para mim na hora de fazer uma escolha dessas. Hoje, não mais.

O Pure 700 é assim:

Tecnologias que ele possui:

Receptor no canal (RIC – receptor in the canal):  o receptor fica fora do aparelho, deixando-o menor e mais discreto.

– Alta potência: apesar do tamanho pequeno, ele possui diversos níveis de potência para atender a diversos níveis de perda auditiva. Atende de perdas auditivas de grau leve a moderadamente severo.

– Conexão Bluetooth a equipamentos de áudio como celular e TV, mesmo se o equipamento de áudio não possuir Bluetooth: para esses casos, o Tek acompanha o Tek Transmiter que é um adaptador Bluetooth. Por exemplo, você conecta esse adaptador na TV e ela passa a ter conexão Bluetooth para conectar aos seus aparelhos auditivos.

–  DataLearning: é um recurso que aprende as preferências de ajuste do usuário. Isso quer dizer que após alguns dias de uso, o aparelho aprende suas preferências e passa a ajustá-lo automaticamente. Quanto mais você usar, menos ajustes são necessários.

SoundSmoothing: vários aparelhos auditivos já possuem tecnologia de redução de ruídos contínuos, como o ar condicionado, de forma que o aparelho amplifica a fala e reduz o ruído, oferecendo maior qualidade sonora. Mas o Pure, além de reduzir os ruídos contínuos, oferece um recurso que é a redução de ruídos abruptos como o barulho de pratos batendo. São ruídos muito curtos e altos, que incomodam quem usa aparelhos. Com esse recurso, por exemplo, a conversa durante um jantar se torna muito mais fácil.

Baterias recarregáveis: é ótimo não ter que se preocupar com a compra de pilhas e o manuseio delas (pacientes mais idosos têm dificuldade de manusear peças muito pequenas, aliás, até eu tenho!). O Pure pode ser carregado durante a noite. Ele precisa de apenas 5 horas para estar carregado para o dia seguinte todo de uso.

Pelo que pesquisei,  os grandes diferenciais do Pure em relação aos aparelhos similares de outras marcas são o tamanho pequeno, performance, baterias recarregáveis e conexão Bluetooth. Alguns desses itens até podem ser encontrados em aparelhos similares, mas não tudo em um único aparelho.


O Tek é um controle remoto convencional (ajusta as funções de programa e volume do aparelho e controla o nível da bateria) e também tem a função de conexão Bluetooth. É ele que conecta o Pure com a TV, o celular, o Ipod, MP3, PC…

***sim, eu adoraria falar ao telefone ou até mesmo ouvir meu Ipod através do aparelho, PORÉM, não farei nenhuma grande expectativa quanto a isso. Ouvir música através de aparelhos auditivos é muito esquisito. E não falo ao telefone há tantos anos que nem lembro mais como é.

A verdade é que as pessoas têm mais expectativa quanto a isso do que eu mesma. Até me pergunto ‘poxa, alguém vai morrer se não conseguir falar no telefone comigo??‘.  Brincadeiras à parte, esse é um fator de stress pra mim. Não é porque o aparelho conecta com o telefone que vou conectar e sair falando – quem dera fosse simples assim!

Existem outros controles remotos convencionais, sem a função da conexão Bluetooth: ePen (parece uma caneta, ganhou prêmio de design fora do Brasil) e o ProPocket.  Mesmo usando dois aparelhos só é preciso um Tek. Os aparelhos têm uma tecnologia que chama e2e wireless 2.0, que permite que os dois aparelhos se comuniquem, via wireless.

Assim, quando você ajusta o volume ou programa de um deles, o outro se ajusta automaticamente. Ter os dois aparelhos em sincronia permite maior localização sonora, ou seja, identificação de onde vem o som.   Isso não diz respeito apenas a conforto auditivo, não. Diz respeito à segurança também. Exemplo: ao atravessar a rua, você consegue identificar facilmente de onde vem a buzina do carro.

Com o e2e wireless, os dois aparelhos auditivos atuam como um sistema único binaural.

Alguém já usa esse modelo? Ou conhece alguém que use? Tell me! 🙂

Agora vou passar pela parte chata, estressante e cansativa: a adaptação das próteses junto à fonoaudióloga. Depois de muitos anos, aprendi que é, definitivamente, a questão que deve ser levada mais a sério. Como já escrevi em outro post, as coisas não acontecem num passe de mágica, e não é no primeiro minuto após colocar seu novo amigo que você irá amá-lo e ele retribuirá funcionando perfeitamente. Demora!

Rola frustração, irritação, nervoso, medo. Tudo! É preciso muita “força na peruca” para segurar a barra e ter energia suficiente até conseguir um som que nos agrade. E não, não é para ter vergonha de ir ao consultório quantas vezes forem necessárias. É o único jeito de tirar proveito de tudo o que o seu novo aparelho oferece. Nada de desistir nas primeiras semanas!

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