Site icon Crônicas da Surdez – Surdos Que Ouvem – por Paula Pfeifer

Diagnóstico de surdez: qual é a melhor abordagem?

diagnóstico surdez

Não é tarefa fácil para nenhum médico ter que dar o diagnóstico de surdez para um paciente. Há muito mais coisa em jogo do que apenas comunicar o fato.

Dia desses, conversando com o marido de uma leitora do Crônicas, tive o seguinte diálogo:

– O diagnóstico dela foi horrível, pois o médico foi curto e grosso, disse que a surdez era progressiva e que um dia ela iria perder toda a audição. Ele podia ter sido mais suave no modo como nos comunicou o fato.

– Mas qual foi a reação de vocês com esse tapa na cara?

– No outro dia estávamos em busca de aparelho auditivo.

– E ela está bem?

– Está 100% adaptada e feliz com eles. 🙂

O meu diagnóstico de surdez

Depois do papo, só consegui lembrar do dia do meu diagnóstico.

O médico não foi ‘curto e grosso’, teve a preocupação de ser delicado e sensível até. Minha reação, qual foi? Saí do consultório e disse para a minha mãe que nunca mais tocasse nesse assunto e voltei pra casa fingindo que não era comigo.

Passei bons anos negando o fato e prejudicando ainda mais a minha saúde física e mental. Só busquei ajuda quando já estava quase nas últimas, mesmo.

Não faz muito, estive numa situação em que uma pessoa querida fez uma audiometria e constatou uma significativa perda auditiva. Para minha surpresa, sua reação foi: “Sério? Bem que percebi que ando colocando esse ouvido perto de quem fala comigo. Ah, mas também, não tem problema. Depois eu vejo isso!”

Juntando alhos e bugalhos, vamos à realidade.

Por experiência própria posso dizer que um diagnóstico ‘suave’ que não mostra ao paciente o quanto ele irá se prejudicar caso não busque ajuda, não é o ideal.

A surdez envolve tanta negação que um diagnóstico assim parece dar aval para que o paciente se sinta no direito de negar ainda mais. A pessoa fica com aquela sensação de ‘isso não é urgente, tenho tempo‘.

O que funciona?

O que funciona, na minha opinião, é um bom ‘tapa na cara‘.

Choque de realidade, toque de amigo, bofetão na fuça, tapa na cara, chamem como bem preferir. Doçura não faz ninguém cair na real, falar a verdade faz.

Se eu fosse otorrinolaringologista e precisasse dizer a um paciente que ele tem surdez progressiva (ou qualquer outra), diria o seguinte:

“O diagnóstico é esse. Você tem duas opções: voltar para casa e fingir que não esteve aqui ou sair daqui e procurar reabilitação auditiva. Se você optar pela primeira, lamento dizer que sua vida ficará cada vez mais difícil. Você vai se prejudicar em vários níveis: físico, emocional, familiar, profissional, social e principalmente cognitivo. E quando decidir correr atrás do prejuízo, talvez seja tarde demais.”

Um conselho sobre diagnóstico de surdez

Como lhe considero uma pessoa informada e inteligente, acredito que você vai buscar qualidade de vida o mais rápido possível.

A adaptação a um aparelho auditivo é um processo lento e requer muita resiliência, portanto, se me permite um conselho, não perca tempo. Negação, raiva, depressão e fingimento não vão lhe levar a lugar nenhum. A reabilitação auditiva vai lhe levar a incontáveis lugares. Portanto, cabe a você tomar a melhor decisão!

Gostaria de ter ouvido isso há muitos anos atrás porque tenho consciência do preço alto que paguei por perder meu tempo.

Dou os parabéns para os médicos que têm esse tipo de atitude – eles não estão sendo ‘ruins e grossos’ como algumas pessoas reclamam, pelo contrário, estão dando a sacudida doída que o paciente deles precisa para cair na real e tratar a surdez com a seriedade que ela exige.

Não posso deixar de perguntar e gostaria da contribuição de vocês: como foi o seu diagnóstico e o que você fez após recebê-lo?

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