Crônicas da Surdez

Mais tipos de acessibilidade para surdos oralizados

O debate continua. Alguns ouvintes que trabalham com surdos sinalizados andaram me mandando mensagens ‘desaforadas’, então, quero deixar bem claro: a acessibilidade dos surdos sinalizados não exclui a acessibilidade dos surdos oralizados, e vice versa. Elas se complementam! O que não achamos justo – e é o que acontece hoje – é que só exista acessibilidade para um grupo. Não somos ‘menos’ surdos do que quem usa Libras. Os surdos aparelhados, implantados, oralizados e bilíngues existem!!!! E querem legendas, chat, SMS e tudo o que possível e facilite a nossa existência. Leiam o post da Lak Lobato também – quem mais postou sobre isso, deixe o link nos comments que eu acrescento aqui.

Fiquei pensando em outros tipos de acessibilidade que precisamos, ALÉM da acessibilidade em instituições financeiras. Me ajudem a raciocinar e me digam se esqueci de algo – acrescentem tudo o que acharem pertinente nos comentários. A nossa luta está começando e vamos lutar até o final. 🙂

Tenham em mente que temos uma falsa sensação de segurança em função das nossas famílias, mas é preciso pensar que nem sempre teremos companhia e ajuda ouvinte em momentos complicados. É por isso que precisamos de acessibilidade! Assim, em qualquer situação, seremos capazes de pedir ajuda ou resolver qualquer problema sozinhos.

Um ponto importante que deve ser lembrado: as únicas tecnologias que podem nos ‘obrigar’ a adquirir, a meu ver, são celular e computador (até porque os dois resolvem 90% dos nossos problemas). Qualquer outra coisa, principalmente se custar caro (como o obsoleto e inútil telefone TDD), não entra na categoria acessibilidade, e deve ser pensada como uma forma de coação em que alguém estará faturando $$$ às nossas custas – como é o caso do TDD, que não ajuda ninguém, custa caríssimo e ainda por cima é a norma vigente.

Vamos lá!

POLÍCIA: Imagine que você está sozinho em casa e percebe que entrou um ladrão. Como é que você vai contatar a polícia numa situação dessas? Precisamos que a polícia tenha um número de celular que funcione 24hs, para o qual possamos mandar torpedos em caso de emergência. Não vejo nenhuma dificuldade nisto, baste que o mesmo fique ao lado do funcionário que atende o telefone.

BOMBEIROS: A mesma coisa. Você está sozinho, sua casa pega fogo. E aí? Como chamar os bombeiros? Um número de celular que receba torpedos pedindo socorro 24hs resolve.

AMBULÂNCIA: Imagine passar muito mal de madrugada, sem ter como ligar para chamar o resgate. Acho que os serviços de ambulância devem ter um número 24hs para torpedos também. Esse é o tipo de situação que me causa calafrios só de pensar na possibilidade.

PLANOS DE SAÚDE E MÉDICOS: Toda vez que precisamos marcar consulta médica e exames, temos que pedir para alguém marcar por nós. Penso que os planos de saúde, como todos possuem site, deveriam manter um chat que funcione em horário comercial e faça esse serviço por nós em sua rede credenciada. Infelizmente, acho difícil que os médicos disponibilizem um número 24hs para torpedos, mas deveriam, afinal, todo consultório médico tem no mínimo uma secretária com um computador conectado à internet o dia todo. Seria mais fácil se os médicos tivessem MSN, assim marcaríamos pela internet e não dependeríamos de ninguém.

COLÉGIOS, FACULDADES E CURSINHOS: Se for necessário um intérprete de Libras, eles disponibilizam tranquilamente. Se pedimos algo que nos ajude a acompanhar as aulas, já começam a complicar e agem como se fosse frescura nossa. Neste caso específico, estou meio por fora da tecnologia, então preciso que vocês relatem o que existe hoje que possa nos ajudar. É imprescindível que tenhamos acessibilidade nos colégios, faculdades, cursinhos de idiomas e cursinhos preparatórios para concursos. Não vejo motivo, em pleno ano de 2011, para que a gente fiquei sofrendo e tendo que estudar 10x que um estudante ouvinte só por causa da má vontade da direção das escolas/faculdades/cursos. É a nossa educação e o nosso futuro profissional que estão em jogo.

TELEVISÃO: closed caption em TODOS os programas da TV aberta e da TV paga, principalmente nos jornais.

OPERADORAS DE CELULAR: Deveriam disponibilizar planos com preços convidativos para nós, que só usamos torpedos e pacotes de internet. Sem falar no atendimento via chat ou SMS – fiquei sabendo que a Vivo oferece atendimento via SMS já.

OPERADORAS DE TELEFONE FIXO, LUZ E OUTROS SERVIÇOS: Outros que amam nos manter reféns do 0800. Precisam urgentemente de atendimento por chat ou SMS para quem não pode ligar para o 0800.

HOTÉIS: Cada hotel deveria ter um despertador vibratório, para que os hóspedes surdos utilizem em suas viagens. E, porque não, um atendimento por chat ou SMS – quando precisamos de serviço de quarto, a única opção é o telefone. Quem não escuta no telefone, faz o que? Precisa descer até a recepção. Com tantas coisas que os hotéis oferecem hoje em dia, não vejo dificuldade nessas duas extras.

AEROPORTOS: Como sinto pânico em aeroporto se estiver sozinha!! Tudo é avisado pelos alto-falantes, e, assim, ficamos completamente perdidos. Conheço várias pessoas que já perderam vôos e tiveram prejuízos financeiros por causa disso.

AVIÕES: Acho que o que o piloto fala pelo alto-falante deveria ser colocado num lugar visível, em texto. Quase enfartei em turbulências tentando imaginar que diabos o piloto estava falando.

BANCOS E REPARTIÇÕES PÚBLICAS: Acho que qualquer local com fila para atendimento ao público deve ter aviso luminoso de que estão chamando o próximo da fila. Quem nunca passou vergonha pela falta disso, que atire a primeira pedra! As pessoas começam a berrar e a nos dar cutucões pra mostrar que estão nos chamando, o que chama a atenção de todos ao redor. Um mico!! Desnecessário, com certeza.

Complementem nos comentários, pessoal!!!

PS: Quem vem tendo problemas com bancos que não se resolvem, um conselho. Façam um boletim de ocorrência na polícia civil e contatem o Ministério Público da sua cidade. Pensem o quanto é ridículo ficar passando vergonha, sendo humilhado e tratado feito idiota quando temos um DIREITO que deve ser cumprido. Os interessados somos nós, então, vamos correr atrás.

6 amaram.

Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 36 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

36 Comentários

  • queria saber mais sobre o assunto ate porque ando fazendo um trabalho e queria informaçoes mais as que eu acho na maioria da vezes sao meio ridiculas e tola e ate mesmo preconceituosas

  • Olá, sou surda oralizada, venho relatar que sou universitária goiana, quase formando em direito e sofro de diversos preconceitos na universidade em se tratando de intérprete de libras. No início, tipo assim, bem no começo do curso tinha vários intérpretes dispiníveis então não foi difícil exigir meus direitos. Só que a saúde da intérprete falou mais alto e ela ausentou-se. Dai solicitar outro intérprete foi uma guerra, porque a maioria reclamava que não tinha alunos “diferentes” (palavras deles) suficientes e fizeram de tudo para serem demitidos.
    A minoria que sobraram resolveram serem meus intérpretes, era um casal, ambos refezavam dia sim e dia não. Sumiam por 4 semanas. Quando apareciam falavam que não preciso de intérprete pois é só para surdos mudos e nunca mais apareceram.Fiquei horrorrizada com o dialógo primitivo deles. Depois que eles foram embora apareceu uma outra intérprete com um parafuso a menos, se achando a dona do mundo, mandando eu me virar sozinha, que interprete nao tem paciência com surdo oralizado, e na maior cara de pau disse que a coordenadora dos intérpretes marcou uma reunião comigo e lá essa moça desparafusada disse também que eu não tenho capacidade de solicitar intérprete.
    Então tah, fui atras do diretor ou do reitor, nao lembro quem me atendeu, pois só se apresentou pelo nome e nao disse sua função. Respondeu que não preciso de intérprete e para largar de ser fresca. Daí respondi: “direito dos surdos sinalizados e direito dos surdos oralizados se complementam. Não é justo que exista acessibilidade e direitos para um só grupo”. Daí foi todo aquele bafafa que a faculdade não tem como arcar com os custos e nenhum intérprete do mundo vai querer oralizar para alguém tão fresco, não nessas ordens, mas deu a enterder.
    Tchau! Abraços!

  • ola, eu tenho 21 anos e sou surdo desde os 13 anos, e visitei o blog pela primeira vez ontem(23) e gostei muito, tenho “surdez sensório neural” e não entendo praticamente nada do que as pessoas falam, já ao telefone não entendo se quer uma palavra, enfim, assino embaixo as suas ideias postadas no texto. é um horror o mundo em que os surdos vivem, ainda mais pra mim que já ouviu perfeitamente bem.

    tchau, abraços. (visitarei sempre o site)

  • Mesmo para quem ouve é complicado esses serviços. Vc liga pra policia e fica meia hora esperando atender, fica ouvindo musiquinha e enquanto isso uma vóz de radialista falando que a policia é linda e maravilhosa e atende todo mundo com muita alegria… Ai quando alguem resolve te atender perguntam endereço, telefone nome, e pedem pra vc xplicar oque ta acontecendo…. Se um ladrão ta entrando na sua casa da tempo dele entrar, roubar tudo e te matar antes de te atenderem… Se é ruim pra quem ouve e pode falar, imagine a dificuldade pra quem é surdo?

  • Sou estudante do curso tecnico em libras do estado de pernambuco,e antes disso tinha muita curiosidade sobre o assunto,o que me fez realmente se interessar pelo curso.Pesquisando a respeito, me deparei com o assunto oralizado e nao oralizado,total tabu… Realmente, o governo deveria se esforçar mais e oferecer acessibilidade a todos,ja que existe essa diferença,concordo plenamente com as reinvindiaçoes,afinal a idéia é incluir.Acredito que formar profissionais capacitados pra trabalhar tanto com oralizados e nao oralizados seria uma boa saida.Pretendo ser uma profissional na area sem restriçao de grupo,mas me comunicar com todos. bjs

  • Oi Paula,
    procuro acompanhar seu blog pois acho importante perceber as dificuldades que outras pessoas possam ter e que as vezes nós não surdos podemos não perceber ou entender.
    Sobre a questão surdez sinalizados x oralizados, eu entendo seu ponto de vista pois as vezes passo por situações parecidas.
    Tenho um problema na perna de origem congênita e após passar por várias cirúrgias consegui uma boa recuperação, consigo andar sem ajuda de aparelhos ou muletas. Só que ficou uma certa atrofia e um pequeno encurtamento ( era cerca de 20 cm de diferença consegui cair para 5 cm ), e as vezes me vejo na situação de deficiente não aparente, principalmente quando estou de calça comprida. Hoje em dia evito até mesmo sentar em bancos reservados ou ficar em filas especiais, pois já ouvi muitos gritos e brigas sobre eu estar ali de pessoas que não prestam a atenção no que está ao seu redor antes de falar. Claro que consigo ficar de pé em um metro lotado, mas é muito mais “sacrificante” pra mim do que para os ditos normais, só que as veze prefiro pq já passei pelo constrangimento de pessoas gritando comigo para eu dar o lugar, estas mesmas que não levantam para dar o lugar mas sabem apontar o outro. Um dia eu estava sentada cansada, com a perna edemaciada e dolorida por ter andade demais, dentro do metro relativamente vazio e chega uma gestante de cerca de 6 meses, um homem começou a me xingar, dizendo que era um absurdo eu não ceder o lugar já que estava em uma cadeira especial. O pior é que mesmo eu tendo direitos, sempre olho para quem precisa mais, e libero o lugar para os mais velhos. Só que eu nem tinha visto a grávida e por sua vez pq o homem não cedeu o seu próprio lugar ou prestou atenção na minha situação antes de falar. Levantei e dei o lugar para a grávida que estava constrangida também, e acabei irritada levantando a barra da minha calça para mostrar as cicatrizes e minha “deficiência”, mas foi horrível. As vezes encontro uma alma caridosa e observadora que me cede o lugar, mesmo eu estando de calça, como todo deficiênte mesmo de saia e com todas as evidências a mostra já cansei de encontrar os sem educação e sem cidadania que fingiram não me ver ( por isso eu mesmo libero o lugar se vejo alguém que precisa mais do que eu ).
    Acho importante espaços como o seu para manter nossos olhos abertos e que possamos ter uma idéia das coisas que acontecem ao nosso redor e muitas vezes não ligamos porque não é com a gente. Falei um pouco do meu caso para poder mostrar que sei o que é contrangimento e entendo um pouco o que outras pessoas passam quando o problema não é tão aparente.
    Já passei pela humilhação de ser retirada de uma prova de habilitação de carteira de motorista pq os funcionarios falaram que o médico deveria ter além de escrito apto na ficha ter colocado que eu era deficiente. Voltei ao médico e ele me falou em tom jocoso: Voce quer que eu escreva isso para poder comprar carro com desconto? Você não tem este direito? Bom eu já tinha comprado meu carro (sorteio de consórcio), só queria poder fazer a prova, e eu por lei teria mesmo direito a desconto só que não era o caso. Eu também sou médica, logo ele era meu colega de profissão e mesmo assim foi totalmente desrespeitoso comigo, imagina com outras pessoas. Foi muito constrangedor, acho que por isso desanimei da carteira, pois me fez sofrer e chorar por algo que eu nem curto que é dirigir.
    Nosso país tem que mudar, as pessoas deveriam ter mais respeito e olhar para os lados antes de abrir a boca, antes de julgar.
    Desejo que possamos viver todos com dignidade e respeito.
    Beijos

    • Eu fico impressionada com a falta de SENSO das pessoas. É como vivo dizendo, no Brasil, as pessoas precisam VER a deficiencia pra então SENTIR PENA e depois agirem ‘politicamente corretas’. Ninguem imagina que por estar numa fila especial ou num local especial, sem deficiencia VISIVEL, a pessoa seja sim deficiente. É dose. E é ainda mais deprimente que as pessoas achem que pessoas com deficiencia querem tirar ‘proveito’ disso, embora, realmente, muita gente faça. Mas enfim, só nos resta seguir vivendo e educando esse povo. Costumo dizer tbem que ninguem esta livre de, um dia, adquirir uma deficiencia ou ter um filho/neto com uma. Mas as pessoas se sentem inatingíveis por isso, embora nao sejam.
      Beijos,

      • concordo com vc, mas posso estar sendo ignorante no que vou falar, mas por ser surdo a pessoa nao impede de ficar numa fila, pois um alejado sim, o peso corporal vai cansar e fazer assim o mal estar, o cara sem um braço força mais o que tem, ai por diante. A deficiencia e a limitacao quem faz é vc mesmo.

        Abracos

  • Vejam no site do Portal do Surdo http://www.portaldosurdo.com o CONVERSE COM EMPRESAS.
    Muitas das empresas ali listadas fazem atendimento por WEB CHAT e 2 fazem também por SMS:
    CONSORCIO NACIONAL EMBRACON
    CONCEPA TRIUNFO
    Estamos com uma estratégia de MELHORAR a divulgação deste atendimento feito pelas empresas.
    Vamos também colocar instruções mais claras para explicar como utilizar o atendimento pelas empresas.
    Gostaria da opinião de voces!

  • Estava lendo a matéria pensando exatamente no que a Cássia mencionou.
    Coisa cstressante é esperar chamada pelo nome nas clinicas médicas.Ou pedir ajuda ao paciente que estiver aguardando tambem, ou ficar escoltando a porta da sala do médico para ouvir quando ele chamar!!! Tem alguns que ainda vem até a porta pra chamar, oque é bem melhor para nós, e aqueles que chamam de lá de dentro da sala mesmo???Affffff

  • Paula,

    Ainda no atendimento ao público tem muitos hospitais, laboratórios de análises clinicas e radiológicas, etc que tem o luminoso apenas para a triagem, depois de um primeiro atendimento já com ficha preenchida temos de aguardar outra chamada e geralmente é pelo nome. Recentemente passei por isso no Sindicato dos Bancários.
    É muito constrangedor pois temos de pedir auxílio para algum desconhecido que esteja sentado ao nosso lado para nos avisar quando nosso nome for chamado.
    Cássia

  • Olá, Paulinha! Maravilhoso esta sua crônica. Quanto ao Closed Caption, acho-o mais que necessário, em toda a programação… Porém, sempre há este porém, né?, é um desacato este CC pelos erros cometidos da informação, pelo massacre que fazem com a língua portuguesa, enfim, é necessário que haja um bom senso. Se é difícil para quem digita o CC1 todas as falas numa reportagem, que pelo menos haja um resumo onde contenha os dados mais importantes, porque do modo como está sendo feito, às vezes, o deficiente auditivo fica sem entender a notícia. Isso já aconteceu comigo e eu tive que pedir para o meu marido me dizer o que havia realmente acontecido; misturaram duas notícias no CC1. Abraços e vamos à luta!

  • Concordo com vc, Paula! Acho um absurdo quando dizem acessibilidade para surdos, quando na verdade n tem p* nenhuma (Desculpe-me o palavreado). Mas é uma falta de vergonha na cara! Uma boa idéia para quem faz leitura labial bem, seria que TODAS as chamadas fossem por vídeo. Todas, polícia, bombeiro, empresas telefônicas, clínicas.
    OBS: Não sei se vocês concordam comigo, mas acessibilidade para surdos mexe também com arquitetura do local. A acústica de um ambiente pode e deve ser melhorada com o uso de revestimentos absorventes ou tratando a fonte de ruídos ou o próprio ambiente receptor. Trânsito de carros, barulhos de máquinas (geladeira, máquina de lavar, microondas), casas de show, clubes, fábricas. Todos eles incomodam a todos, não somente aos deficientes auditivos. Por lei, a acústica de um ambiente deve ser estudada e projetada de acordo com o grau de ruídos daquele local. Se o local não for corrigido acusticamente, a construtora ou arquiteto serão responsabilizados e multados. Espero que essa informação ajude a lutar pelos nossos direitos.

  • Sobre hotéis terem despertadores vibratórios não acho uma reivindicação válida porque relógios, despertadores, celulares são objetos de uso pessoal e geralmente os modelos de despertadores vibratórios são portáteis.

    No grupo Sulp – antes de redigir o manifesto tivemos muita troca de mensagens, alguns arranca-rabos mas conseguimos juntar num documento os vários equipamentos de ajudas técnicas, pedido de legendas e equipamentos a serem usados em locais públicos. Não vou repetir aqui para não ficar muito longo o comentário. Tem link para o manifesto no blog Sulp.

    Mas sugiro que ao fazer reivindicações ou escrever a políticos, etc a gente tente definir bem o que necessitamos, para fazer pedidos coerentes e específicos que sejam entendidos pelos que não são surdos, que afinal são os legisladores em sua grande maioria. E também escolher bem a quem devemos nos dirigir, ao setor que realmente cuida do assunto que estivermos reivindicando.
    Sugiro tratar por ítens separados: Acessibilidade na escola, nos transportes e turismo, nos locais públicos, nos serviços de atendimento ao consumidor, nos meios de comunicação, etc…
    Se a gente pede tudo junto imagino que não seremos ouvidos ou atendidos, então sugiro o famoso “vamos por partes”.
    Estou cansada de que nos respondam sempre assim: É acessível para surdo, temos intérprete de libras.
    Temos que usar uma redação muito clara, explicativa porque quem não é surdo não tem conhecimento de nossas necessidades, nós é que temos que explicar para que nos entendam e atendam.

    • Exatamente como colocado, somente precisamos de alguém para colocar ordem nas demandas, acredito que os bancos estão no topo da lista, portanto deveríamos começar por aí. Deveríamos encaminhar nossas reivindicações para a Febraban e cópias para cada banco específico.

      Quanto à esfera pública, devemos direcionar para cada um deles (municipal, estadual e federal) através de cada representante eleito individualmente ou através de cada casa legislativa, o que geraria um decreto ou lei específico.

      Na área particular (empresas, hotéis, etc…) para cada representação oficial ou diretamente com a empresa envolvida.

      São alguns pontos de vista que carecem de mais opiniões e alternativas, sem no entanto ficarem confusos.

      Precisamos de uma enquete urgente, e maior participação dos leitores, não se furtem de enviarem suas opiniões.

  • Oi, Paulinha!!

    Qto tempo! Estou mto sumida, mas consegui ler todos os posts perdidos hoje!

    Acho que há os dois problemas. Não consigo entender a televisão quando eles anunciam a classificação indicativa com a linguagem de libras e depois colocam um closed caption terrível.

    Já tentei ver televisão somente com o CC e nem sempre é possível, não sei como vcs conseguem. Isso demonstra a falta de interesse das autoridades e da justiça brasileira com milhares de habitantes deste país. Acho que o Ministério Público deveria ser o primeiro a lutar pelos direitos de vocês, tanto dos oralizados como dos não-oralizados pois todos sofrem igualmente com a falta de interesse e o preconceito por parte principalmente das autoridades pois se eles cobrassem, com certeza a situação seria melhor.

    Torço muito para que um dia esses problemas passem a ser reconhecidos por todos os setores da sociedade para que eles passem a não existir mais.

    Um grande beijo e bom feriado!

  • Libras, apesar de ser regional, tem que ser curruculum para quem faz licenciatura em qualquer área, pois nem todo surdo quer ser professor, como nem todo ouvinde

    Portanto, a grade curricular devedria ser mudada.

    Nosso pais precisa mudar e rapido de conduta, com relação a melhoria em todos os aspectos para surdos

  • Paula,
    Desde que descobri seu blog leio com frequencia, fiz um que outro comentário raso, mas hoje tomei coragem e vou opinar.

    Sobre as realidades das univerisdades, interprete de libras se consegue sim, as vezes demora. É de lei (PNE) o Programa Incluir nas universidades federais (as estaduais copiaram o modelo também), que regulamenta a criação de núcleos de acessibilidade, para acompanhamento de alunos com necessidades educativas especiais, auxilio a professores, etc.
    Agora a questão é que os programas muitas vezes estão cheio de boa vontade, digo os coordenadores e funcionários do programa, mas os professores muitas vezes não estão abertos, não querem saber de mudança ou adaptação. Muito complexo esse processo.
    Outra coisa que acho que falta, e quando tem é muito pouco, é a disciplina de libras nos cursos de pedagogia e que formam professores (letras, matemática, etc.). Carga horária baixissima. A lei prevê preferencialmente professor surdo, mas a gente sabe que nem sempre isso ocorre.
    Daí se a formação do professor do ensino básico tá assim, como ele atenderá o aluno surdo ? Tudo bem, tem interprete, mas ele deveria ter uma base razoável de libras né ? nao só “oi meu nome é …, meu sinal é … e pronto”.

  • Oi, Paula!

    Achei boa a lista.
    Na semana passada, estive no hotel 5 estrelas em Salvador e, para pedir alguma coisa, tem que ser por telefone ou ir até recepção. Nem 5 estrelas adianta…
    No folheto de sugestões nesse hotel, sugeri tablet com menu de opções, para facilitar a vida dos surdos.
    Sobre senha nos bancos, quase sempre tem painéis da senha. Se não tiver, é só falar com funcionário que é surdo e pedir pra avisar quando chegar a sua vez.
    Sobre emergência via SMS, a Anatel iria regulamentar o serviço. Mas nada até agora.
    http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/04/26/anatel-regulamenta-envio-gratuito-de-sms-para-emergencias-924327561.asp

    Abraços,

    Yuri

  • Olá,

    Na minha opinião toda e qualquer empresa e/ou repartição pública que tenha 0800 ou coisa que o valha como Central de Atendimento, DEVE disponibilizar outros meios que não o oral, para pessoas com deficiência auditiva, usuárias ou não de próteses.

    Um bom exemplo é o SMS, por estar mais à mão e pela facilidade de rastreabilidade outro por meio de computador como MSN ou equivalente.

    Fiquei curioso em saber o que o MP lhe enviou como resposta à sua demanda, poderia disponibilizar para nós, para que tenhamos uma base de como proceder em caso de percorrermos o mesmo caminho?

    É uma boa iniciativa, cada um procurando através de sua cidade com o MP, advogados e também com Fonoaudiólogos, precisamos ter um discurso centrado para uma melhor coordenação na nossa pressão por mais cidadania.

    Abraço.

  • Oi Paula. Concordo com tudo que disseste.

    Enquanto as coisas não se resolvem, tem 2 coisas que poderiam te ajudar.

    AEROPORTOS: sempre tem painéis luminosos que avisam a situação dos voos. Tem que ficar de olho, seja surdo ou ouvinte. Se tem alteração do portão de voo, tá avisado ali. Já teve um caso que o portão mudou 3 vezes e fiquei sabendo as 3 vezes pelo painel.

    BANCOS: mesma coisa que o aeroporto. Já tem painel luminoso ali, pelo menos nos bancos Santander e BB que já fui em POA. Soa um apito quando muda o número, mas mesmo que não o ouçamos podemos ver qual fila está vazia através do número disponibilizado no painel.

  • Eu acho que tem que ser uma luta de todos os deficientes auditivos. Ninguém é melhor ou pior que ninguém na deficiência. Só não dá pra restringir e dificultar ainda mais as coisas. Legendar um programa pode ser o primeiro passo pra uma abordagem mais global da acessibilidade.
    Na Inglaterra, onde quase 100% dos programas de TV tem CC , tarde da noite vc vê programas com legenda E libras. Pq aqui não pode ser assim tb?
    Devia ser lei, pq só assim as Tvs respeitariam.
    E lei pra tudo!
    Bjss

  • Olá Paulinha e demais leitores!

    Vou seguir nas minhas sugestões (algumas já dadas no post sobre falta de acessibilidade no setor bancário) pelo que já estudei a respeito de acessibilidade (trabalhei um tempo em acessibilização de web site para adequar a uma lei federal).

    Minha sugestão agora é vocês procurarem a legislação e orientações acerca do assunto nos países desenvolvidos, como Canadá e Estados Unidos.

    Encontrei alguns links úteis (em inglês):
    http://www.mcss.gov.on.ca/en/mcss/programs/accessibility/index.aspx

    http://www.w3.org/WAI/Policy/ (menciona legislação e documentos relevantes em vários países e não restritos ao ambiente web)

    http://www.canadabusiness.ca/eng/guide/5225/

    http://webaim.org/articles/laws/usa/

    http://www.section508.gov/

    http://www.access-board.gov/

    Bom, mais uma vez, espero ter ajudado!

    Abraços fraternos,
    Patrícia

  • Tudo que vc citou acima já pensei, e digo aos ouvintes que trabalham com surdos sinalizados( eu estou cursando LIBRAS,)essas ideias vão ajudar a todos dentro da diversidade da surdez.Juntos lutando por leis e direitos, que ajudará a TODOS.

    Ana Rachel ,eu sei que tem poucas faculdades que dispõem de interpretes,cada grupo com sua luta.Mas o que foi citado acima contemplará mais de 5,7 milhões de brasileiros surdos,que precisam dessa acessibilidade.

    No Brasil há necessidade de conscientização e cumprimento de Decretos e Leis para a promover a inclusão social .Só vem contribuir para nossa independência.
    É o velho clichê: A união faz a força.

    Obeservação:Não conheço nenhum surdo SL que use o TDD??!!Para que serve então??

  • Concordo com vc, mas trabalho com Libras e conheço muitos surdos sinalizadores e conseguir intérpretes não é tão fácil quanto vc diz. Faltam intérpretes, professores, pessoas capacitadas para lidar com os surdos.

    • Não sou fã de debater Libras, mas aqui entre nós… A pior coisa, no caso dela é a falta de informação da sociedade. Tem gente que acha que é universal. Tem gente que acha que basta mímica de qualquer jeito. Tem gente que acha que é apenas uma maneira de falar português “usando as mãozinhas”. Quando você senta e explica: É uma língua tão regional quanto qualquer outra, precisa ser estudada por um bom tempo, porque não é similar ao português e que não basta meia duzia de aulas pra sair arrasando, muita gente torce o nariz “ah, mas não é tão fácil assim? Devia ser universal…” que só denota como muita gente acha que a LIBRAS é solução pra surdez simplesmente porque acha que é uma maneira facinha e engraçadinha de falar com surdos. Quando a gente “dá a real”, mudam completamente a postura e perdem o interesse. Acho surreal isso!

      • Ola realmente vc especificou tudo, muitas pessoas vem com intenção de trocar idéias com uma mímica ridícula , se não sabe não inventa. Eu como oralizado so fiz o iniciante para libras , e achei a coisa mais espetacular que ja vi , exige um bom estudo e nao meia duzia de aulas como vc disse , são varios níveis ate chegar a cantar o hino nacional que por sinal foi incrível e o pai nosso foi espetacular 🙂 , eu parei justamente porque eu não tenho muita necessidade , e acabei de me lembrar que sou surdo “falso” a marcela que disse isso . ou é surdo ou não é não existe meio termo .abcs

    • Uma vez, estava na frente da Prefeitura aqui de Campinas, esperando o ônibus, e fui abordada por uma moça, dizendo que era de uma ONG (ou algo do tipo), que faz a tradução LIBRAS/ português para surdos que só usam LIBRAS e que precisam ir ao médico, por exemplo.

      Achei super bacana, pena não ter pego o nome da entidade…

  • Paula,

    Sabe aquela pesquisa rápida para realizarmos um encontro entre os leitores do blog?

    Podíamos realizar um encontro deste, para aproveitarmos ouvir idéias, sugestões, comentários relacionados à acessibilidade… E quem sabe, montar uma proposta de lei reforçando/acresentando sobre a acessibilidade para surdos oralizados, e questionando outras, como por exemplo, quando que terá vigência aquela lei que inclui as pessoas com deficiência auditiva na isenção do IPI de veículos.

    Temos que fazer barulho em SP e DF! Pq é muito mais fácil de acontecer, quando se torna obrigatória (na força da lei)…

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