Nucleus 6

Minha funcionalidade preferida do Nucleus 6: SmartSound iQ

Muitos usuários do Nucleus 5 vêm me perguntar sobre o Nucleus 6 e quais são as diferenças entre um e outo. São muitas as funcionalidades do Nucleus 6, mas se precisasse falar apaixonadamente sobre apenas uma, com certeza seria a tecnologia SmartSound iQ. Já contei aqui que meu início com o N6 não foi fácil, pois eu estava acostumada ao som do N5 e de imediato tive a sensação de estar ouvindo menos – hoje, quando coloco no mapa do N5 por curiosidade às vezes, não aguento nem cinco segundos. Meu cérebro já se apaixonou pelo SmartSound iQ e precisa dele para me dar uma experiência auditiva confortável.

Nosso mundo é feito de uma variada gama de sons e muitos deles podem ser difíceis para nós que temos dificuldades auditivas. O que esta tecnologia faz é manejar os sons de vários ambientes difíceis (ou não, cada caso é um caso) para que o usuário tenha maior inteligibilidade de fala em cada um deles sem precisar pensar – e sem precisar apertar botões ou procurar o controle remoto.

Captura de tela inteira 29032015 182410.bmp

 

SmartSound iQ e Scan são, tecnicamente, a mesma coisa. É bem divertido, além de ser incrivelmente útil. O controle remoto do N6 nos mostra direitinho em que ambiente nós estamos, pois será para essa situação que ele irá programar os sons que ouviremos. É tecnologia de ponta, eu fico besta com o que o Scan é capaz de fazer. Os ambientes que o Scan capta e faz a adaptação sonora para o nosso conforto são os seguintes…

 

AMBIENTE DE FALA NO RUÍDO: Os dois microfones trabalham juntos para focar nos sons que vêm de uma direção em particular, fazendo com que a voz da pessoa que fala com você fique bem mais alta. Ao mesmo tempo, eles bloqueiam os sons vindos de outras direções – como outras vozes e o barulhão ao redor. Programando com a fono dá inclusive para melhorar a clareza da voz e o nível de barulho que fica confortável para o usuário. Em termos práticos, quando vou num restaurante o barulhão ao redor fica baixinho e a voz da pessoa falando comigo fica alta e inteligível. Se estiver com o Mini Mic então, é a perfeição.

Captura de tela inteira 09062015 160600.bmp

 

AMBIENTE DE RUÍDO: Serve para ouvir confortavelmente em ambientes muito ruidosos, como a rua, por exemplo. Lembro que a primeira vez que saí na rua usando o Scan achei tão estranho – a rua estava, digamos, suave!! Os microfones suprimem todos os barulhos chatos e constantes que não precisamos ouvir, como ônibus passando, britadeira, carros em alta velocidade, buzinas, etc.

Captura de tela inteira 09062015 160604.bmp

 

AMBIENTE DE FALA: Os microfones se ajustam para captar sons vindos de todas as direções. Esse programa serve para conversações em ambientes relativamente silenciosos. O que eu percebo com ele é que é mais fácil de entender a fala humana, o som chega mais claro.

Captura de tela inteira 09062015 160608.bmp

 

AMBIENTE DE SILÊNCIO: Serve para apreciar sons suaves, sons da natureza e vozes sussurradas em ambientes silenciosos. Nesse programa ele aumenta os sons suaves, fazendo-os ficar super perceptíveis. Barulho de passarinho, por exemplo, fica altíssimo. Foi com ele que levei um susto um dia ouvindo o vento, pois ouvi exatamente igual a quando ouvia com minha audição natural.

Captura de tela inteira 09062015 160611.bmp

AMBIENTE COM VENTO: Serve para ouvir confortavelmente em ambientes com vento. Quem usa IC ou AASI sabe como é chato estar com eles num ambiente em que venta…A barulheira do vento nos microfones é muito chata, para não dizer insuportável. Esse programa acaba com isso. Pensem só: os ouvintes não têm esse poder. A gente já pode estar literalmente no olho do furacão…sem ouvir o furacão! Hahahaha!

Captura de tela inteira 09062015 160614.bmp

 

MÚSICA: O objetivo aqui é entender a letra das músicas que ouvimos. E funciona!

 

Captura de tela inteira 09062015 160616.bmp

 

Resumindo, essa tecnologia toda serve para maximizar a nossa performance auditiva. E o melhor: de modo automático. Desde que virei usuária do Scan/SmartSound iQ, nunca mais precisei apertar um botão, aumentar volume, pensar qual é o melhor programa para mim naquele momento. Isso me deu uma liberdade que nunca pensei ser possível como usuária de implante coclear. Além de hands free com a tecnologia wireless ele também é brain free – nem as mãos nem o cérebro precisam trabalhar em prol dos nossos ouvidos. 🙂

1981796_614585021949198_8340537135512967394_n

 

 

Eu acho isso tudo o máximo! Mais algum usuário de Nucleus 6 por aqui para dividir experiências auditivas? Queria muito a opinião de outro heavy user de Nucleus 5 que também tenha feito o upgrade para o Nucleus 6. Alguém se habilita??

34 amaram.

Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 36 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

1 Comentário

  • Paula, Parabéns pelo Blog!!!
    Meu nome é Adriana,tenho 44anos, sou arquiteta com pós graduação em Gestão Ambiental e também em Gestão de Projetos e Obras.
    Minha deficiência é bilateral condutiva de grau leve no OE e moderado no OD,sendo também progressiva.
    Sempre levei uma vida “normal”, estudei em escolas “normais” tendo apenas o cuidado de sentar nas bancas da frente, mais próximas dos professores. Mas como faço uso de leitura labial, com frequência perdia algo do que estava sendo dito,bastava o professor circular pela sala.
    Conheci seu blog recentemente, mas nem lembro como! Só sei que adorei e a cada dia me identifico mais com as histórias. Vejo minha própria história ao ler seu depoimento sobre sua deficiência.
    Relutei durante muito tempo quanto ao uso de aparelhos, porém de uns tempos para cá começei a observar minha dificuldade em acompanhar as conversas, e o pior, profissionalmente estava me sentindo insegura quando tinha que participar de reuniões. É desagradável ficar pedindo para repetirem o que foi dito e dependendo da reunião, é impossível!!!
    No meu caso a leitura labial ainda me coloca em uma situação desagradável visto que no campo da psicologia, pessoas que não conversam olhando nos olhos de seus interlocutores, são pessoas pouco confiáveis, que o que estão falando não é verdade…
    Resumindo, fui atrás dos aparelhos e no início de maio/2015 começei a usá-los, ou seja, estou em fase de adaptação.
    Ler as postagens do seu blog ajuda no processo de aceitação da deficiência e também de adaptação dos aparelhos.
    Que seu blog e seus livros continuem a ajudar muitos deficientes e também as pessoas “normais” a entenderem a dificuldade pela qual passamos.
    Parabéns e Boa sorte!!!

Deixe seu comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.