Nucleus 6

O earhook do Nucleus 6

Meu início com o Nucleus 5 foi difícil porque ele não parava quieto atrás da minha orelha. Caía o tempo todo, o que me fez apelar para a fita de peruca (aqui tem post sobre isso). Toda vez que eu tentava mudar o earhook (o ganchinho que segura o implante coclear na orelha) acabava quebrando o mesmo, o que me fez criar uma verdadeira fobia de tentar fazer isso. O plástico era muito rígido, por isso, bastava fazer uma força errada para rachar e quebrar.

Todos os usuários de N5 que eu conheço também já quebraram earhooks assim. E como tinha mesmo problemas para manter o IC quieto no lugar, queria alternar entre earhook pequeno e médio, mas aí precisava esperar até estar com uma fono para fazer a mudança. Vontade zero de sair quebrando peças do implante, né? Lembro de estar no aniversário de um amigo implantado uma vez, e não sei porque mas ele queria trocar o earhook do N5 dele e…não tinha coragem, pois também já havia quebrado vários. Aí pediu para algum corajoso que se dispusesse a fazer isso e, quando surgiu o cidadão…ele quebrou o earhook tentando. Acredito que todo usuário de N5 já tenha passado por essa novela alguma vez.

Quando vi com meus próprios olhos pela primeira vez um Nucleus 6, num congresso mundial de implante coclear na Alemanha ano passado, a primeira coisa que me chamou a atenção foi o novo earhook. Feito de um plástico que parece um silicone, gostoso de tocar, maleável.

 

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O earhook do Nucleus 6 é feito para não quebrar. O encaixe é completamente diferente e 100% funcional. E o material do qual ele é feito resolveu outro problema que tinha com os ganchos do N5: não sinto mais coceira. A melhor parte, logicamente, é que ele segura beeeem melhor meu IC atrás da minha orelha. Nem lembro mais a última vez em que usei fita de peruca.

Se quero desmontar meu N6 (preciso fazer isso para usar o Aqua+, por exmplo) não sinto mais medo ou receio: apenas puxo o earhook para baixo e ele desencaixa. Acabou o pavor, acabou a tensão! Quem já estraçalhou earhooks de N5 com certeza me entende. 🙂

Essa é uma das funcionalidades que mais adoro no Nucleus 6, porque além de me dar conforto também me dá segurança. Acho ótimo saber que não há mais possibilidade de quebrar um ganchinho. Esse modelo novo foi um verdadeiro grito de liberdade, e acredito que inclusive tenha sido para os pais de crianças usuárias de IC que também morriam de medo de quebrar essa peça no N5…

13 amaram.

Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 36 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

2 Comentários

  • Bom, vou relatar minha experiência. Quando entrei na faculdade não tinha descoberto a surdez ainda, então usava o bom e velho Littmann classic II. Com o diagnóstico da surdez e o refinamento das minhas técnicas de semiologia, percebi que minha grande dificuldade era na verdade auscultar murmurio vesicular (coração e PA eu ausculto tranquilamente com o estetoscópio tradicional). Como aconteceu com a Tais, procurei opções mas nada me agradava. Encontrei o que queria nos estetoscópios eletrônicos da Littmann. São ótimos!!! Amplificam até 24x o som e são no modelo tradicional. Fácil de utilizar e ainda filtra ruídos. Da até pra usar por cima do AASI, mas qdo fico em dúvida do que ausculto prefiro retirar os AASI e auscultar sem eles do que aumentar demais o volume. Ele é tão bom que meus colegas de internato até o pegam emprestado qdo ficam com dúvida na ausculta. A qualidadd do som é sensacional! Recomendo.

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