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PAULA PFEIFER
Eu nasci ouvindo e comecei a perder a audição na infância. O diagnóstico correto de surdez bilateral progressiva só chegou aos 16 anos, quando já estava no grau severo. Foi então que comecei a usar aparelhos auditivos.

Até 2013, eu não conseguia mais ouvir música, atender um telefonema ou compreender a voz humana. A prisão do silêncio me sufocava, e eu sentia muito medo de sair dela. Mas, depois que permiti que a tecnologia revolucionasse a minha vida, pude me tornar uma ativista da surdez, e ajudar milhares de pessoas a sair dessa prisão. Foi a melhor coisa que já fiz na vida.

Em 2019, venci o Facebook Community Leadership Program e tive acesso a um fundo de 1 milhão de dólares para criar e executar o projeto Surdos Que Ouvem, que levou informação de qualidade a milhões de pessoas em todo o Brasil, América Latina e Portugal. Milhares dessas pessoas se tornaram surdos que ouvem.

Lidero a maior comunidade voltada a pessoas com algum grau de surdez que são usuárias de tecnologias auditivas no Brasil – somos mais de 15.100 pessoas num grupo fechado no Facebook. Crio conteúdo sobre surdez, aparelhos auditivos e implante coclear há uma década. Escrevi dois livros – Crônicas da Surdez e Novas Crônicas da Surdez – e ambos já foram traduzidos para o inglês e o espanhol. Sou casada com Dr. Luciano Moreira, otorrinolaringologista.

Já dei palestras no Google, Facebook, Avon, Women of Tomorrow, WPP Stream, TEDx Talks e em inúmeras outras empresas sobre surdez e tecnologia, e milhares de pessoas acompanham meu trabalho. Ser um Surdo Que Ouve é uma realidade para milhões de pessoas no mundo inteiro, e espalhar esse conhecimento é fundamental.

DR. LUCIANO MOREIRA

Meu interesse pela audição vem muito antes de eu ouvir falar em implante coclear ou reabilitação auditiva. O ano era 1992 e eu estava no segundo ano da faculdade de medicina. Sendo amante da música e sem mais interesses específicos dentro da área médica, os mistérios sonoros me direcionaram para a otorrinolaringologia. Foi assim que o fascínio pela audição se transformou no trabalho que venho exercendo nos últimos 23 anos.

Terminei minha graduação em medicina na Universidade Federal de Juiz de Fora em 1997 e a residência médica em Otorrinolaringologia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) em 2000, tendo no mesmo ano obtido o título de Especialista em Otorrinolaringologia pela então Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia. Fui bolsista em Cirurgia do Ouvido e da Surdez da Fundação Georges Portmmann (Bordeaux, França) entre 2000 a 2001. E foi lá que acompanhei meus primeiros implantes cocleares.

O trabalho junto com Paula e o Surdos Que Ouvem me ajudou a abrir uma nova frente de atuação na minha missão, que antes eu cumpria apenas no consultório e nas salas de cirurgia: levar sons e audição a todos que precisam!

#surdosqueouvem
Surdos Que Ouvem nasceu no início de 2017, quando precisei decidir o título do meu TEDx Talks. Desde então, já perdi as contas de quantas vezes ouvi: “Como assim surdos que ouvem? Surdos não ouvem!”. A expressão se mostrou precisa e certeira. Instiga a curiosidade das pessoas que não conhecem o assunto e faz com que queiram ouvir a resposta para essa pergunta recorrente. Dessa forma, disseminamos informação, combatemos fake news e quebramos tabus e preconceitos a respeito de pessoas com qualquer grau de deficiência auditiva.
Em 2018, quando venci o Facebook Community Leadership Program (um programa global de liderança do Facebook com mais de 6500 inscritos no mundo inteiro) pela América Latina, recebi a missão de criar e executar um projeto em prol da nossa comunidade. E foi assim que Surdos Que Ouvem se transformou num grande projeto, que foi executado de janeiro de 2019 a junho de 2020 e teve as seguintes iniciativas:
  • Campanha de vídeos: milhões de pessoas no Brasil e no mundo assistiram os 12 vídeos da campanha que contou histórias de vida de surdos que ouvem.
  • Conexões Sonoras: eventos 100% acessíveis a surdos (com legendas em tempo real, aro magnético e intérprete de Libras) que levam informação de qualidade através de talk-shows com renomados profissionais da saúde auditiva, palestras, depoimentos. Em Porto Alegre, tivemos um público de 500 pessoas, e mais de 1.135 pessoas compareceram a um Conexões Sonoras em 2019.
  • Identificação e treinamento de novas lideranças: identificamos e treinamos novos líderes na comunidade Surdos Que Ouvem, para que se tornem agentes criativos e replicadores das nossas iniciativas pelos quatro cantos do Brasil
  • Curso Para Pais de Surdos Que Ouvem: criamos um curso online com experts em surdez (otorrino, fonoaudiólogas, psicóloga, assistente social, mãe de surdos que ouvem e Paula Pfeifer) para compartilhar informação de altíssima qualidade sobre reabilitação auditiva precoce.
#surdosqueouvem se transformou num intenso movimento, atingindo um número incontável de pessoas nas redes sociais e recebendo muita atenção da mídia. A representatividade, o senso de comunidade e de pertencimento faz com que, todos os dias, possamos dar as boas-vindas a novos membros, ajudar pessoas a saírem do armário da surdez e a descobrirem tudo o que a tecnologia, a medicina e a fonoaudiologia são capazes de fazer, hoje, por uma pessoa surda. A surdez é invisível, nós não!
Estamos agora em uma nova fase: nos tornamos um social business. Nosso foco são infoprodutos: cursos online e e-books. Em 2021, retomaremos nossos eventos presenciais, adicionando Workshops de um e dois dias ao nosso portfólio.
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