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Surdos Oralizados: nós existimos, muito prazer!!

surdos oralizados

Você já precisou explicar para alguém quem são os surdos oralizados e se viu diante de um par de olhos arregalados e uma expressão de ponto de interrogação? Numa discussão num grupo de fonoaudiologia no Facebook, uma fonoaudióloga me deixou o seguinte comentário:

Achei muito bom, pois em um comentário – infeliz ao meu ver – uma professora de Libras disse que surdo que é surdo, não necessita de prótese, apenas de Libras! 

Quantos surdos oralizados há no mundo?

Comece por esse post: Quantos surdos há no mundo? Ele mostra os dados oficiais do IBGE e da OMS sobre surdez, lançados em 2021. 1,5 bilhão de pessoas no mundo têm algum grau de perda auditiva, e apenas a ínfima minoria desta população possui surdez profunda. Isso significa que há mais de um bilhão de surdos oralizados no mundo.

Números globais da surdez da Organização Mundial de Saúde divulgados em 2021 no Relatório Mundial da Audição.

10 Fake news sobre surdos e surdez

    1. a maioria dos surdos usa Libras
    2. a maioria dos surdos é analfabeta
    3. surdo é só quem não ouve nada e usa Libras
    4. a maioria dos surdos faz parte da cultura surda
    5. surdez é coisa de velho
    6. todo surdo é mudo
    7. surdo não pode-deve falar
    8. todo surdo “tem que” aprender Libras
    9. todo surdo estuda em escola especial
    10. todo surdo precisa de intérprete para poder se comunicar

 

Surdos Oralizados: quem são?

São indivíduos com algum grau de surdez que lêem lábios, que falam (ou seja, se comunicam oralmente), que dominam o português escrito (e até outras línguas) e que usam (ou não) a próteses auditivas para voltar a ouvir.

A surdez tem graus: leve, moderado, severo e profundo. Nem todo tipo e grau de surdez é considerado como deficiência auditiva pela lei brasileira. Isso precisa ficar bem claro porque dá margem a muita confusão.

Em qualquer grau de surdez estamos falando de uma pessoa surda (ou com perda auditiva, para aqueles que acham a palavra surdo “pesada” porque ainda não reconheceram o seu próprio capacitismo) mas nem todas as pessoas com surdez têm deficiência auditiva. E surdos podem ser oralizados, sinalizados ou bilíngues. Eu diria até que faltam os surdos poliglotas que se comunicam em várias línguas (e entre elas pode estar, ou não, uma língua de sinais).

Eu, por exemplo, tenho surdez bilateral profunda, usei aparelhos auditivos por muitos anos e hoje uso dois implantes cocleares, com os quais escuto tudo o que escutava antes de ficar completamente surda. E eu não deixei e nunca vou deixar de ser surda, pois não existe cura para a surdez.

Não utilizo Língua de Sinais porque nunca precisei dela para me comunicar, já que sou uma surda oralizada. Estudei em escola normal a vida inteira e fiz faculdade graças ao fato de ser oralizada. Até hoje me vejo com falta de acessibilidade nas mais variadas situações porque, no Brasil, as pessoas insistem, em pleno 2022, a ligar surdez com a obrigatoriedade da pessoa saber Libras ou de não falar, não ouvir e não conseguir se comunicar…

Guarde suas generalizações baratas e infundadas para si mesmo. Todo o meu respeito por quem exalta as diferenças, e todo o meu desprezo por quem finge que elas não existem. A diversidade da surdez existe, quer você goste dela ou não.

A maioria dos surdos no Brasil NÃO usa Libras

Duvida? Veja o gráfico divulgado pelo IBGE em 2021 com os resultados da Pesquisa Nacional em Saúde.

Fingir que os surdos oralizados não são a maioria da população com surdez no nosso país tem apenas UM objetivo: dinheiro. A maior parte das verbas públicas destinadas à surdez é direcionada aos surdos sinalizados, e muita gente ficaria desapontada se o governo passasse a lidar com DADOS e NÚMEROS REAIS na hora de alocar recursos e fazer políticas públicas para surdos. Fique esperto. O buraco é bem mais embaixo do que o velho papinho de identidade e cultura, que é engolido apenas por quem não conhece os dados e a diversidade da surdez.

Respeito pelos surdos oralizados

É a chave da questão. Fala-se tanto de diferenças, mas na hora de respeitar aquele que tem a mesma deficiência mas se comunica de outra forma, o respeito desaparece. Surdo que é surdo…não escuta, ou escuta mal. E se comunica como bem entender, não como você acha que ele “deve”.

Pregar a filosofia da surdez como uma DIFERENÇA e não respeitar os seus iguais que são diferentes no modo de se comunicar é ser hipócrita e intolerante. Pessoalmente, já cansei de ouvir besteiras e grosserias como “você não é surda de verdade”, “você se submeteu ao ouvintismo (!!!)”, “você não aceita” e a papagaiada toda que quem é surdo oralizado conhece muito bem. Vai ser difícil achar um surdo oralizado que ridiculariza um surdo sinalizado mas, infelizmente, o contrário acontece muito.

Menos ideologias, mais comunicação (e liberdade)

O modo que eu escolhi para me comunicar não é melhor ou pior do que o modo que um surdo sinalizado escolheu. Nem que eu precise repetir um bilhão de vezes: existe diversidade dentro da surdez, existem surdos oralizados E sinalizados, existem aparelhos auditivos e implantes cocleares, existe a opção de ouvir!! Cada um faz o que bem entende da própria vida. Não existe jeito ‘certo’ de ser surdo e ninguém é ‘dono’ da surdez ou dita as regras sobre a população surda em lugar nenhum.

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