Crônicas da Surdez

Teste da Orelhinha: você é contra ou a favor?

Acho que a pergunta nem precisava ser feita, né? Saúde é saúde. Qual pai ou mãe não vai querer fazer o Teste do Pezinho ou o Teste da Orelhinha no seu bebê recém nascido? Nunca me passou pela cabeça a possibilidade de alguém ser contra o Teste de Orelhinha. Até que encontrei este vídeo, feito por um surdo sinalizado. O teste é obrigatório por lei desde 02/08/2010.

Segundo o Guia do Bebê :

“Um dos sentidos mais importantes para o desenvolvimento completo da criança é a audição. O bebê já escuta desde bem pequeno, antes mesmo de ser erguido pelo doutor em sua apresentação ao mundo. Isso acontece a partir do quinto mês de gestação, onde o bebê ouve os sons do corpo da mamãe e sua voz. É através da audição e da experiência que as crianças têm com os sons ainda na barriga da mãe que se inicia o desenvolvimento da linguagem. Qualquer perda na capacidade auditiva, mesmo que pequena, impede a criança de receber adequadamente as informações sonoras que são essenciais para a aquisição da linguagem. Bom, depois dessas informações fica mais fácil saber a importância do Teste da Orelhinha, ou Triagem Auditiva Neonatal, que é realizado já no segundo ou terceiro dia de vida do bebê. Ao contrário do nome parecido com o teste do pezinho, no Teste da Orelhinha não é preciso fazer um furinho na orelha do bebê (ainda bem). Esse exame consiste na colocação de um fone acoplado a um computador na orelha do bebê que emite sons de fraca intensidade e recolhe as respostas que a orelha interna do bebê produz. O exame logo ao nascer é imprescindível para todos os bebês, principalmente àqueles que nascem com algum tipo de problema auditivo. Estudos indicam que um bebê que tenha um diagnóstico e intervenção fonoaudiológica até os seis meses de idade pode desenvolver linguagem muito próxima a de uma criança ouvinte. O grande problema é que a maioria dos diagnósticos de perda auditiva em crianças acontece muito tardiamente, com três ou quatro anos, quando o prejuízo no desenvolvimento emocional, cognitivo, social e de linguagem da criança está seriamente comprometido.”

 

No vídeo abaixo, que é uma parte do documentário americano Som e Fúria (foi exibido no GNT) vemos um contraponto muito interessante. Hoje em dia, a surdez não é mais um ‘jogo de azar’, ou seja, a tecnologia permite que bebês surdos façam o implante coclear e passem a ouvir, ou usem aparelhos auditivos (cada caso é um caso). E ter um implante coclear ou usar aparelhos NÃO FAZ DE NINGUÉM MENOS SURDO. No momento em que você desliga, que a pilha acaba ou ele dá problema, você está de volta ao silêncio. A criança pode transitar nos dois mundos: o do som (ouvinte) e do silêncio (surdos). Porque privar uma criança da audição se ela pode tê-la? Esse argumento usado pela ‘comunidade surda’ de que é preciso dar continuidade à Língua de Sinais não é válido, ao meu ver. A vida de bebês não deve se prestar a esse propósito que é do interesse apenas de adultos surdos sinalizados.

O que vocês pensam a respeito disso? Particularmente, fiquei assustada com esse lobby contra o Teste da Orelhinha que a ‘comunidade surda’ tem feito com força. Me parece um enorme retrocesso. Audição é saúde, sim! Mesmo que não seja perfeita como a de um ouvinte sem nenhum problema auditivo. Mesmo que seja possível somente através da tecnologia. Se não fosse, não seria considerada um sentido.

Concordo que os pais de bebês surdos devem receber TODAS as informações a respeito de suas opções – implante coclear, aparelhos auditivos, Língua de Sinais. A escolha é deles. E quando um bebê faz implante coclear ou usa AASI, ele não deixa de ser surdo e, quando crescer, se assim desejar, pode parar de usá-los e viver apenas no ‘mundo surdo’. Penso que os pais devem dar SIM a opção de ouvir ao seu filho.

Essa problemática ‘cultural’ se dá apenas na deficiência surdez. Nunca vi um cego ser contra outro cego utilizar a tecnologia para recuperar a visão, se puder e desejar. Nunca vi um deficiente físico ser contra outro deficiente físico se empenhar em ter seus movimentos de volta.

Uma criança surda tem direito de ter a opção de transitar nos dois mundos: o dos ouvintes e o dos surdos. A escolha de permanecer em apenas um deles deve ser única e exclusivamente dela, quando tiver idade para tomar essa decisão.

1 pessoa amou.

Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 36 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

37 Comentários

  • Diante do comentário acima, só gostaria de dizer que é fundamental o “TESTE DA ORELHINHA” para evitar todo um atraso na compreensão, fala e escrita da criança.

    AINDA BEM que, hoje, é OBRIGATÓRIO por Lei, pois muitas famílias evitavam fazer o exame por preconceito ou medo mesmo de ter um filho surdo.

    Ter uma limitação não é nenhum de mérito (pior é não buscar orientação e permanecer restringido a uma condição) e aos pais que “escolhem” para os seus filhos a linguagem oral ao invés de libras não pense que desconheçam a “libras”. Apenas querem dar uma oportunidade ao seus filhos de ouvirem e se expressarem com a língua natural de todo cidadão e para que que fiquem o mais independente possível (com qualidade de vida) e não dependam de ninguém após o falecimento de seus pais. Afinal, não somos eternos.

    Pensamos à frente disto tudo. FAMÍLIA é pai, mãe e irmãos. Nós é que estamos ali pra ajudar e caminharmos juntos até não precisar mais. O resto, é o resto.

    O pátrio poder, AINDA É POR LEI, dos pais em decidir o que é melhor para seu filho e tenha certeza que a equipe medica que acompanha a família prima pela QUALIDADE DE VIDA (EM OUTROS CASOS, SALVAR VIDAS)do SER HUMANO, conforme juramento feito na faculdade e tem muita sensibilidade ao chegar uma criança que tem começo de fala, embora se expresse por libras de conversar bem conversado com os pais desta criança sobre o uso de próteses auditivas, visando dar qualidade de vida.

    Não é fácil o caminho da oralização assim como não o é caminho através da LIBRAS. Preconceito existe independente de ser oralizado (usuário de BAHA, AASI, implante coclear, etc.) ou não (usuário de libras) ou bilíngue.

    Só gostaria de deixar registrado aqui o que penso como mãe de uma menino lindo bi-implantado que ama ouvir e falar.

    Beijinhos Paula da Dine, mãe do Maurícyo.

  • Estamos com o Programa Ciranda Auditiva aprovado pela FACEPE e com apoio das Universidades Federal de Pernambuco – UFPE, Federal Rural de Pernambuco- UFRPE e Universidade de Pernambuco – UPE.
    Temos objetivos na Educação e na Saúde e gostaria de compartilhar com vocês o pedido de apoio, divulgação e engajamento nesta campanha que pode ser Nacional.

    1. PROJETO DE LOCALIZAÇÃO DA CRIANÇA COM SURDEZ: Identificar no banco de dados das Unidades de Saúde as famílias com crianças com falha do Teste da Orelhinha enquanto triagem e do Bera como resultado definitivo;
    1. PROJETO DE CRIAÇÃO DE REDE DE APOIO FAMILIAR E ORIENTAÇÃO VISUOGESTUAL ÁS FAMÍLIAS COM CRIANÇA SURDA: Para que insiram no cotidiano familiar a educomunicação visuogestual e a Libras como L1;
    2. PROJETO DE PRODUÇÃO DE MATERIAL DE DIVULGAÇÃO: Produzir e difundir material informativo, educacional e formativo por diferentes meios com temas sobre a acessibilidade e inclusão das pessoas com deficiência auditiva para a população em geral;
    2. PROJETO DE QUALIFICAÇÃO DOS SERVIÇOS DE SAÚDE EM LIBRAS : Capacitar as equipes de saúde (Médicos, Enfermeiros, Assistentes Sociais, Psicólogos, Dentistas, Fisioterapeutas, Terapeutas Ocupacionais, Nutricionistas, Doulas) em Libras para lidar com a comunicação, orientação e acompanhamento da mulher, da criança e da família com surdez;
    3. PROJETO DE INSERÇÃO DA LIBRAS NOS CENTROS DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL DA SAÚDE: Sugerir aos centros formadores de profissionais da saúde (Enfermagem superior e técnico, Medicina, Psicologia, Serviço Social, Odontologia, Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Nutricionistas, etc.) a inserção da Libras como tema importante para a formação de profissionais inclusivos;
    meu whatsapp – 81 996346672
    Luiz Albérico

  • Nossa Paula eu fiquei chocada com o conteúdo dos vídeos, respeito a opinião das pessoas, mas como esses pais podem pensar assim, nós devemos dar a oportunidade para que todas as crianças possam aproveitar a vida da melhor forma e ter o direito de ouvir, meu Deus se existe essa possibilidade pq tirar esse direito do seu filho, se barrarem o teste da orelhinha a criança vai demorar mais pra ser diagnosticada, como foi o caso da minha filha q só descobri q ela tinha perda auditiva com 3 anos e corri atrás do q pude pra poder corrigir o tempo perdido, hoje ela usa aparelho auditivo e fala perfeitamente, e eu tb sou totalmente a favor do teste, dos avanços da medicina e do uso de tecnologias como melhoria de qualidade de vida, afinal é um direito de todos, fiquei muito triste de saber q nem todos pensem assim.

  • Sabem o que eu acho de mais importante tanto no Crônicas como no DNO (da Lak)? Onível do debate. Talvez em outro lugar a discussão desabasse para o xingamento mas aqui passa pela reflexão…

    Bom, na minha família temos três primas surdas (trigêmeas) e cada uma seguiu um caminho diferente: uma é sinalizada, duas são oralizadas e, dessas, uma está com o IC. As três foram alfabetizadas em português e o desenvolvimento linguístico (inicialmente com LIBRAS) delas só foi possível graças ao teste da orelhinha, que nem era obrigatório na época. Se não tivessem feito o exame, provavelmente sua surdez só tivesse sido verificada bem mais tarde e a janela dessa plasticidade neural tivesse sido perdida.

    Claro que a família toda de ouvintes fica realmente perdida com a consolidação do diagnóstico e não sabe muito bem que caminho tomar (aconteceu conosco) mas hoje vemos que não interessa que caminho os responsáveis pela criança vão seguir mas que se deve fornecer a ela, o mais rapidamente possível, uma forma de comunicação. Se essa será adequada , é uma questão técnica, cada caso é único. Uma família de ouvintes talvez se sinta mais confortável com a oralização (com ou sem aparelho ou implante), uma família inserida na comunidade surda, por sua vez, com a sinalização. A imposição de quaisquer dessas situações é que é absurda. Os vídeos não são exatamente sobre o tema, mas negar o teste da orelhinha (ou do pezinho, por exemplo) é negar o desenvolvimento de uma vida.

  • Assisti a esse documentário outro dia e tive opiniões divergentes. Por um lado, acredito que, no caso de ambos os pais serem surdos, estes provavelmente têm medo de que seus filhos, caso passem a ouvir, se afastem deles.

    Além disso, obviamente eles se sentem completos e não veem porque seus filhos devam ser “alterados”, quando já são perfeitos.

    De fato, se a gente for pensar dessa forma, eles estão corretíssimos. Se conseguiram superar todas as dificuldades, se integraram à sociedade, trabalham, criaram família, são membros atuantes da comunidade, não há argumento possível para que eles queiram que seus filhos sejam diferentes deles.

    Eles são capazes de passar adiante sua experiência de vida, tudo o que aprenderam durante a infância e juventude.

    Caso seus filhos passem a ser ouvintes, os pais acabam se sentindo em uma posição difícil onde muitas de suas experiências e ensinamentos não servirão aos seus filhos, além de sentirem medo da rejeição.

    Claro que são medos sem justificativa, mas pais vivem em uma realidade de medos sem justificativa, não importa se são deficientes auditivos ou não.

    Por outro lado, ao assistir ao documentário, também entendi o lado dos pais que queriam que seu filho fizesse o implante. Os pais são ouvintes, apesar de virem de famílias de deficientes auditivos.

    Conhecem os dois mundos, e entendem as dificuldades que seu filho enfrentará, o que pode ser diminuído com a cirurgia.

    Lembro que a avó do bebê diz que tem medo que o menino, ao crescer, se afaste dela. É ainda aquele medo da exclusão.

    A avó, assim como outros membros da comunidade, se sente segura naquele grupo. Acabam formando um grupo fechado, literalmente com linguagem e cultura próprias.

    Realizar a cirurgia, segundo ela, fará com que um membro da comunidade seja privado de se integrar completamente nela.

    Enfim, a discussão vai muito além da questão auditiva.

    • Claudia,

      bem interessante o que você colocou. O adulto, o responsável tem medo (nem vou entrar é ou não infundado) de que o filho se faste dele, ELE se sente seguro em determinado nicho. Eu vi de perto a força da “cultura surda” e sei também que o pai ouvinte sente o filho “roubado” dele quando opta pelos sinais como o pai surdo teme que o filho se mude para sempre para o mundo “dos sons”. Os mais complexo é que esses mundos vivem juntos, não há como separá-los e eu discordo um pouco da máxima “teu direito acaba quando começa o meu” porque, justamente, que eles se interpõem. Eu tenho direito de querer meu filho dentro da cultura surda mas ele tem direito a usufruir da tecnologia para ouvir, se desejar; e mais, outras pessoas têm direito de querer outros caminhos para seus filhos também. Um não diminui e, absolutamente, não elimina o outro. Diversidade é a chave, tolerância é o caminho, né?

  • Já faz um tempinho que conheço este blog, mas nunca comentei.
    Tenho perda auditiva profunda bilateral, de origem genética, ou seja, nasci surdo. No entanto, embora também tenha pais surdos, desenvolvi a oralização e, mais tarde, comecei a ter mais contato com a Libras.
    Primeiramente, quanto ao vídeo em questão, não vi, em nenhum momento, qualquer manifestação contra o teste da orelhinha. A reclamação feita no vídeo, embora em alguns momentos injustificada e desproporcional, é que os profissionais de saúde quase sempre orientam aos pais (muitas vezes totalmente ignorantes sobre o assunto) que o implante coclear é a melhor solução para que a criança consiga se desenvolver e se integre à sociedade. Com certeza, a criança implantada cedo consegue desenvolver muito mais a área do cérebro reservada à memória auditiva, do que, digamos, uma criança que usa AASI. No entanto, é possível que a criança não consiga se adaptar ao IC, mas isso não quer dizer que a criança crescerá segregada, alienada da sociedade, pois é possível desenvolver os meios de comunicação (seja por fala, por Libras) mesmo sem o IC. Eu, modéstia à parte, sou um exemplo: consegui desenvolver a fala sem IC e não me adaptei ao AASI quando criança, mas devo isso graças às frequentes visitas à fonoaudiológa (que estava mais preocupada em desenvolver a minha linguagem do que fazer com que eu escutasse). É claro que meu “sotaque de surdo” é forte, mas consigo fazer com que as pessoas me entendam. Claro que entendo que sou exceção. E também tive uma família que pôde me ajudar nesse processo, o que não ocorre com a maioria (por falta de $ e de estímulo familiar).
    Infelizmente, no Brasil, a maioria das escolas (pelo menos em São Paulo) que tentam alfabetizar os alunos usando como principal meio a Libras são muito fracas, mas isso já é assunto para outro post. Nos EUA, a impressão que tenho é que muitos surdos sinalizados conseguem desenvolver melhor a capacidade de se expressar e escrever bem na sua língua natal (reitero, impressão).
    Engraçado que estive fuçando o Youtube e acabei encontrando um vídeo de uma moça surda sinalizada dos EUA que faz uma pesquisa sobre os IC e não consegue achar quaisquer estatísticas sobre a porcentagem de sucesso da operação. O engraçado é que, no fim, o vídeo perde certa credibilidade por se basear na Wikipedia para embasar que os IC tem baixa probabilidade de dar certo, sendo sabido que a Wikipedia é open source, ou seja, qualquer um pode ir na página e editar a informação ali contida para adicionar fatos errôneos e eivados de opiniões. O link pro vídeo, se quiserem ver: http://www.youtube.com/watch?v=1yCm7rokDao
    Acho que, na realidade, o maior problema é a falta de informações corretas, como já salientado no post anterior, muitos costumam generalizar os surdos, colocando-os no mesmo saco. Devemos lembrar que, antes de sermos surdos, somos seres humanos. E cada humano é diferente. O “resultado final” vai depender unicamente de como a pessoa se desenvolve, seja com IC, com AASI, Libras, oralização, etc. Nem todos os ouvintes sabem escrever bem português, ter uma dicção boa, etc. Depende muito da capacidade e do esforço próprio.
    Última coisa: a surdez não é preto no branco. Se você é surdo, você é igual a qualquer outro surdo. Mas todos nós também somos diferentes entre si. No seu caso, Paula, creio que você tem um bom ganho auditivo usando AASI, o que não é o meu caso. Uma pessoa que perde a audição aos 10 meses de idade, por exemplo, já pode ter desenvolvido um pouco a memória auditiva, e ter um ganho muito maior com a AASI do que uma pessoa que nasce surda, mesmo que a audiometria acuse que ambos tenham o mesmo grau de perda auditiva.
    Um beijo.

  • Ah! Paula, tem um vídeo muito interessante sobre o trabalho de uma artista plástica, surda, que usa a sensação visual e o movimento que a vibração sonora provocar para fazer seu “experimentos” artisticos.
    É interessante a forma como ela experimenta o mundo sonoro mesmo não ouvindo. Fica a dica: http://www.nowness.com/tag/christine%20sun%20kim
    bjus

  • Paula, acho importantíssimo que o deficiente auditivo possa ter a escolha da comunicação através de LIBRAS, acredito que ajude no processo de aceitação e somado a leitura labial, aos recursos tecnólogicos disponíveis (AASI, IC, FM) ajuda no processo linguístico e na comunicação.
    Mas privar um recém nascido de fazer Teste da Orelhinha é muito radical, uma vez que os pais devem conduzir seus filhos da melhor maneira para que estes no futuro possam ter opções de escolha.
    Como Ana Pennella falou é apenas uma triagem, mas que vai permitir detectar aqueles que precisam de avaliações auditivas para investigar a perda auditiva, e posteriormente virão as escolhas e condutas para potencializar o desenvolvimento linguístico e social desta criança.
    Então, sou a favor da luta para que a “cultura” do surdo sinalizado não se extingua, mas acho sem proposito atacar o Teste da orelhina!
    Bjus

  • Eu sou deficiente auditiva desde bebê, minha mãe percebeu apenas com quatro anos. Mas apesar que minha perda auditiva é profunda e severa, eu uso apenas aparelho auditivo sem implante coclear. No começo usei aqueles aparelhos enormes que incomodavam as orelhas e tinha dificuldade de ouvir, era uma sensação de ouvir um som falhado. Mesmo assim minha mãe tentou me ensinar a fala sem ouvir, apenas usando os lábios e da vibração ou onda causada pelo som. Foi díficil no começo, mas minha mãe nunca me colocou em comunidade surda e nunca conheci um surdo ou deficiente auditivo e por essa razão nunca participei a comunidade surda por não ser útil e tinha que focar a fala. Foram anos da minha familia que me corrigia quando eu falava errado.
    Eu escuto o som, mas não compreendo. Tentar ouvir as pessoas parece um jogo: decifra-me ou te devoro. E essa razão me apeguei às aulas de exatas e criei meu mundo onde eram só números e me ralava em português e inglês, me limitava à biologia, ciência e história por querer decorar fórmulas do que textos. Eu tenho que ensinar aos que vivem no redor que entender e ouvir é diferente, que podem falar alto ou baixo, mas se você tem uma ótima articulação com as bocas e parar de desviar quando falam com certeza vou entender o que você diz, muita vezes confundo frases que as pessoas não dão pausas e parecem que tornam apenas uma palavra.
    A vida inteira eu achei que problema era comigo só porque sou surda. Mas com o tempo estava enganada, pois a verdade é que as pessoas não sabem a graça da vida: compreender, aprender, falar, ouvir e esperar. Tem péssimo aprendizado e hábitos horríveis como: não saber conversar sem ficar parado, não usar pausa corretamente, falar rápido, gírias e abreviações toscas na hora de falar (Por exemplo: Você = cê). Aí a culpa não é da minha deficiencia auditiva, tenho tentar compreender eles né?
    Quando as pessoas vê que uso aparelho auditivo e tentam comunicar comigo usando libras ou falando se converso somente por libras. Díficil explicar para eles que não sei nada de libras e ficam questionando o porquê nunca ter feito a maravilhosa comunidade surda.
    Quando leio nesse blog sinto que não sou deficiente auditiva e que apenas uso aparelho. Só tenho dificuldade nos cursinhos, tv sem legenda, escola. Mas sei usar telefones e celulares e ouvir TV com fone de ouvido sem problemas (apesar que a tecnologia só permite que a pessoa só escute fone de ouvido sem que outros escutem).

    Eu acho totalmente egoísmo isso de comunidade surda, acho que mesmo com dificuldade todos podem superar mesmo em desvantagem. Ninguém deve ficar isolado, todos devem viver da maneira que querem. Pois de vida só temos uma, por isso permitam escolha para todos.

    PS. Seus aparelhos auditivos tem três modo? Meu aparelho tem três modo que é ouvir normalmente, ouvir eletronicos e ouvir dois ao mesmo tempo.

  • Paulinha, sou totalmente a favor do teste da orelhinha. Como vc sabe, fiquei surda com quase 54 anos (hoje tenho 56). E sofro muito por isso, porque fiquei muito sozinha, meus amigos se afastaram, eu mando e-mails e recebo poucas respostas, enfim, estou, felizmente, nos preparativos para o implante coclear. Neste mês passarei pela cirurgiã, após o anestesista ter dado o aval para a anestesia geral necessária para o implante. Aí, terei que aguardar, mas o caminho já está aberto para o implante!!! Assisti ao vídeo da família surda e fiquei pasma… Discordo da forma de pensar desta família, ouvir é necessário e bom, sim!”Cultura Surda”, que absurdo! um forte abraço a todos.

  • Vídeo absurdo. Campanha absurda. Mentalidade absurda.
    Vale a denúncia a todos os órgãos oficiais, a todas as listas, a todos os contatos e redes.
    Vale negativar o vídeo. Vale divulgar como absurdo.

    Vale a vida!

  • Sou mãe de um menino surdo oralizado e na tentativa de pensar e olhar além do meu próprio umbigo, troco idéias e convivo com mães de crianças que têm outros tipos de deficiências (autistas, Down e com paralisia cerebral).
    E o que mais me chama a atenção nesses grupos é que de maneira absolutamente diferente das mães radicais de surdos sinalizados, que se dizem defensoras da “Cultura Surda”, elas não só lutam pelos direitos de seus filhos, como acompanham de perto e torcem para cada inovação tecnológica ou da medicina. As mães do “Movimento Orgulho Autista” estão acompanhando de perto as pesquisas genéticas que buscam a cura para alguns tipos de autismo; as mães cujas crianças são paraplégicas, estão ansiosas pelo projeto que está sendo desenvolvido por cientistas de ponta em Natal-RN, em que prevê que uma criança paralítica andará pela 1a. vez e dará o chute de abertura da Copa do Mundo no Brasil, através de um novo tipo de prótese.
    Quando falo para essas mães que em relação à surdez, tudo é diferente e que há pais contrários a evoluções tecnológicas e da medicina para seus filhos surdos, eles ficam completamente surpresos e me perguntam: Mas, por que ? Tento responder que é em defesa de uma luta histórica quanto aos direitos dos surdos e de uma preocupação com a continuidade da LIBRAS, etc… Mas, depois de tentar explicar o inexplicável, ouvi de uma mãe, cuja filha tem paralisia cerebral e não anda : – “Que estranho…Se eu soubesse que há alguma nova técnica da medicina, em que amputando as minhas próprias pernas, eu poderia ver algum dia, minha filha andar, eu faria isso, só pra ver sua alegria e ter a consciência tranquila de que fiz tudo o que estava ao meu alcance. E você me diz que que há pais que acham melhor lutar por uma ideologia do que proporcionar novas possibilidades aos filhos ? ”
    Sinceramente, não soube como responder ao questionamento dessa mãe…

    Leida

  • Ei Paula, não li todos os comentários aqui, mas concordo com os que li, que isso é uma “auto-guetização” desses surdos que pensam assim. Até entendo a vontade de defender a cultura e a linguem de Libras, mas mesmo assim, não justifica. Também concordo que os pais devem ter todas as informações possíveis, e optar pelo que julgam ser melhor para seus filhos.

    Sou ouvinte e não tenho contato com surdos nem com a linguagem de Libras, mas achei bem caricato o vídeo do Germano, como se fosse alguém fazendo tentando imitar um surdo usando a Libras.

    Beijos

  • Se eu tivesse um filho, eu claro que não iria querer que ele fosse surdo também, mesmo que eu goste de ser surda. É eu penso que ele seria uma pessoa diferente de mim e não sei se ele poderia se adaptar da mesma forma que eu, já que varia muito de acordo com a personalidade e capacidade das crianças.
    E se eu descobrir a surdez da criança de forma tardia? Seria mais complicado, pois teria de me apressar para não perder mais o tempo que poderia ser investido na alfabetização precoce e terapia. Então eu acho fundamental o teste da orelhinha, porque assim que eu soubesse da surdez poderia saber mais como ajudar da melhor forma, planejar a terapia para cada fase da idade. Estimular desde cedo para que a criança possa aproveitar a vida de forma normal! Mesmo que eu não tenha me adaptado aos aparelhos, quem sabe a criança consiga se adaptar?

    Devemos dar a oportunidade para que todas as crianças possam aproveitar a vida da melhor forma e ter o direito de viverem soltas no mundo, sem serem isoladas em grupinhos!

  • A respeito sobre o vídeo:
    Velho! Vou ser MUITO sincera! Esse vídeo me deixou c-h-o-c-a-d-a! Tudo bem que a decisão é da filha, mas eu acho que na minha opinião, os pais não devem pressionar a filha pra ‘viver’ na cultura surda. Hj eu acho muito importante ter duas opções pra sempre que é ouvir e não ouvir. Eu sou super agradecida pelo meus pais e Deus por ouvir, não me arrependo de nada. Mas hj eu prefiro não fazer o implante coclear, eu estou muito bem com meus aparelhos. Se os pais dela não querem que ela faça implante, pq não coloca pra ela usar o aparelho pra poder ela ouvir? Se a criança queria mesmo ouvir, segundo a avó dela.

  • Affe um absurdo isso. Se barrarem o teste da orelhinha, a criança vai demorar mais pra ser diagnosticada, independente do fato de ela se tornas oralizada ou sinalizada, o não saber da surdez atrapalha as duas coisas, porque os pais (a menos que já sejam surdos e ensinem a LIBRAS já de cara) vão demorar pra saber, demorar pra aprender, e quando a criança estiver na idade de aprender a se comunicar ela não conseguir, porque não vai saber nem LIBRAS e nem Oralizar.
    Já o segundo video, juro que dá vontade de dar um soco na cara desses surdos alienados e loucos. Eu fico fula da vida quando vejo esse tipo de coisa, até estou procurando o documentário completo pra assistir, porque é ridiculo isso. Cada um tem liberdade de escolher o que quiser, não vejo motivos pra barrar isso, não vejo motivos pra se meterem na decisão dos pais. Povo ignorante, tão ignorante que chega a ser indecente.

  • vejo este desenvolvimento linguistico no mauricyo todos os dias ANNA PENNELLA o mauricyo fez com 1 ano o primeiro implante e o segundo com dois anos de idade hoje tem quase tres anos…..e acho sinceramente que não tem nada a ver com ter ou não identidade surda…o que acho é que ele terá qualidade de vida e mesmo que fale nasalizado ou sei lá de que jeito pra mim está muito bom…(o que acho que não vai acontecer pois ele fala igual a bebê que está começando a falar e como eu estou sempre estimulando já pegou muitos trejeitos meus da fala é muito legal!) pois estou proporcionando a ele qualidade de vida… acho que tto libras como implante coclear o caminho é penoso.. nenhum é mais facil ou menos dificil….so que compete aos pais escolherem qual caminho melhor pro seu filho…eu sempre digo: o mauricyo é surdo não é porque usa o implante coclear que não será. e quando ele perguntar é melhor sempre ser verdadeira a resposta e se ele perguntar sobre as libras vou lhe perguntar se ficou satisfveito ou não com o que eu escolhi para ele..se ele disser que preferia aprender libras isto é com ele. mas minha parte como zeladora da integridade fisica dele eu fiz.

  • TESTE DA ORELHINHA É FUNDAMENTAL!!!

    Como é duro viver num pais que não preza pela educação e pela informação!
    Como médica, ORL, que trabalha com isso ha 20 anos (!!!) sinto-me na obrigação de informar…..
    Aqueles que puderem , acessem o site do GATANU (www.gatanu.org) porque inclusive fornece dados estatisticos sobre surdez.
    A deficiência auditiva é a doença mais freqüente encontrada no período neonatal, quando comparada a outras patologias.
    3 em cada 1000 nascimentos tem problemas auditivos (contra 0,1 em cada 1000 nascimentos tem alguma das doenças avaliadas pelo teste do pezinho).
    Quando se trata de crianças “de risco” (problemas na gestação, problemas no parto, criança ficou em UTI, entre outros vários…) 3 para cada 100 (CEM) nascidos tem ou desenvolvera problema auditivo.
    Com os estudos realizados em genética humana, hoje em dia sabemos que existem MAIS DE 100 GENES RELACIONADOS A PERDA AUDITIVA JÁ CATALOGADOS, na maior parte DOENÇAS GENÉTICAS NÃO SINDROMICAS, ou seja, é um bebe que nasce aparentemente normal, porém com perda auditiva de caráter genético. Importante ressaltar que podemos ter pais ouvintes e crianças com perda auditiva, por herança recessiva (maiores detalhes a quem possa interessar: http://hereditaryhearingloss.org ), mas esta é uma outra aula…
    Portanto, surdez é um problema de saúde pública pela sua prevalencia na população.
    O que poucas pessoas sabem é que QUANDO A PERDA AUDITIVA É DESCOBERTA PRECOCEMENTE E A INTERVENÇÃO (TRATAMENTO) OCORRE ATÉ OS 6 MESES DE VIDA, a criança, INDEPENDENTE DO GRAU DE PERDA AUDITIVA , apresentará DESENVOLVIMENTO LINGUISTICO NORMAL! Quem afirma isto é a PHD Dra. Christine Yoshinaga- Itano, Professor of Audiology do depto. de “Speech, Language and Hearing Sciences” da Universidade do Colorado. Recomendo que leiam seu trabalhos na integra!
    Ao longo de mais de 20 anos de pesquisa, a Dra Christine COMPROVOU que, quando a descoberta da perda auditiva é precoce (e ela friza a importancia da idade da criança para diagnostico e intervenção – até os 6 meses de vida) a criança tem desenvolvimento linguistico e cognitivo normal. Isto porque nosso codigo linguistico é baseado nos sons que escutamos, nosso cerebro “grava”, para depois evocar e repetir. Este processo todo é complexo, e é em tenra idade que nossa PLASTICIDADE NEURAL é maior, a capacidade do nosso cérebro se ADAPTAR a uma “condição diferente” é superior aquela quando nossa maturidade neurologica é alcançada – e esta maturidade neurologica se dá ENTRE OS 18 E 24 MESES de vida.
    Ou seja, aquela velha historia de “vamos deixar a criança crescer mais um pouco” para investigar perda auditiva NÃO EXISTE MAIS! É UM ABSURDO!
    O TESTE DA ORELHINHA É UM TESTE DE TRIAGEM, ou seja, ele “separa” quais crianças temos que investigar perda auditiva das que não precisam. É um exame INDOLOR E BARATO! Nos casos de Recem Natos “de risco” é OBRIGATORIO TAMBÉM A REALIZAÇÃO DO PEATE (mas esta é também uma outra aula…)
    Espero que tenha esclarecido alguma coisa….
    Precisando, podemos marcar umas “aulas” rsrs
    Bjks a todos!

    • Anna, valeu pelas informações adicionais sobre o teste da orelhinha. Eu já tinha escrito a respeito no meu blog e coluna (meu blog é parceiro deste, mas focado no Implante Coclear e eu também assino uma coluna de acessibilidade e informação sobre surdos oralizados e tecnologias de apoio auditivo) e, apesar de já ter escrito sobre o teste, ainda me faltava alguns esclarecimentos que você fez agora.
      Na próxima vez que abordar o tema, citarei este seu comentário, com autoria, claro, se você me permitir.
      Obrigada,

      • Com certeza, pode citá-lo a vontade!! Acho muito importante esta divulgação! Ainda há muita falta de informação e, infelizmente, apesar de já fazermos “Teste da Orelhinha” ha cerca de 11 anos aqui onde trabalho, ainda encontramos casos de crianças que chegam com “atraso da fala” aos 3 – 4 anos de idade, e que nunca fizeram uma única avaliação audiológica! Temos que mudar!
        Pode contar comigo!
        Bjks!

  • Sou totalmente a favor do teste da orelhinha.
    A criança deve ser examinada e deve ter o tratamento / correção adequado. Não só a criança, mas os pais de surdos também devem ter uma atenção especial.
    Fiquei muito triste com o vídeo ao saber que há pais que privam seus filhos de ouvirem só porque eles também não ouvem. Taí a importância de um psicólogo, não para convencê-los de que o implante é a solução ideal, mas que a criança irá amá-los independente de ser surda sinalizada ou oralizada.

  • Hoje, nossos posts se complementam. Como já disse bem a Geraldine, o limite encerra-se onde começa a liberdade de escolha do outro. Quando esse limite começa a ser ultrapassado, a situação passa a ser crítica.
    O teste da orelhinha, como já escrevi, não serve meramente de ponte para o Implante Coclear, ele serve para a surdez ser detectada cedo e a comunicação da criança ser estimulada de alguma forma (via prótese, via fonoterapia, via IC, via lingua de sinais). Sem isso, só saberão que a criança é surda quando ela já tiver perdido tempo crítico de neuroplasticidade, que pode ser usado para o aprendizado da comunicação pela via que for.
    Querer impor o ponto de vista da maneira errada só prejudica de todas as formas!
    Beijos

  • Ao meu ver , o teste da orelhinha é questão de utilidade publica, visando justamente dar a criança uma maior percentagem de ‘qualidade de vida’.

    Não tenho nada contra os surdos sinalizados, mas é preciso que eles saibam que o direito deles tem limites, como qualquer cidadão … e o limite do direito do surdos sinalizados encerra-se justamente onde começa o direito do próximo, aqui no caso o NASCITURO e não compete a eles quererem limitar o direito de cada cidadão brasileiro que paga seus impostos ‘igualmente’ a eles e que tenha nascido surdo OU escolher o que é melhor ou pior para um surdo.

    Ainda, não cabe a eles decidir o futuro de uma criança surda ou deficiente auditiva… se o Estado é dotado de direitos e obrigações para com seus cidadãos e muitas vezes tem limites na criação de normas que regulam a vida da sociedade inclusive dos pais, etc. com menos razão compete aos surdos sinalizados ‘se meterem’ em seara que somente compete ao Estado e aos que detém patrio poder…. todos temos obrigações, deveres e direitos e estes sofrem limites.

    Vivemos numa DEMOCRACIA e acaso haja afronta a esta é passível de dano moral e material a quem se achar lesado.

    Pois pela nossa Carta Magna é DIREITO DE TODOS A SAUDE E O DIREITO DE IR E VIR; liberdade de pensamento, entre muitos outros direitos, que embora muitos pensem que não passa de letra fria da Lei sem uso, estão muito enganados….Isto tudo é passível de correção via judicial, o que muitos não sabem é como fazer para conquistar seus direitos.

  • Sou totalmente a favor do teste,sáude é saúde.

    Deus não se agrada disso,a surdez esta ai, assim como várias deficiências nesse mundo.Deus capacita as pessoas e da sabedoria para o ser humano lidar com cada uma, no caso a LIBRAS, a Oralização para quem consegue, o IC para quem pode.Tdo isso foi permitido por ELE, foram ferramentas para se comunicar. Mas o maior ensinamento de Deus foi Amar uns aos outros, nisso entra o respeito ao ser humano,respeitando a escolha de cda um.
    “Aprendi a respeitar as idéias alheias, a deter-me diante do segredo de cada consciência, a compreender antes de discutir, a discutir antes de condenar.” (Norberto Bobbio)

  • Paula

    Não vou comentar sobre a opinião dos outros. Só digo que não compactuo com o vídeo e espero não ser jogado em Auschwitz, Guantánamo ou Alcatraz por pensar assim.

    Como tu sabes, eu tenho perda auditiva bilateral profunda, logo eu sou [escreva aqui a minha condição física, ao seu gosto, cor, sabor e religião ou sua sua classificação preferida]. Sem meu aparelho auditivo, não escuto NADA.

    Enquanto eu viver e existir tecnologia para OUVIR, vou usufruí-la plenamente. E digo mais: tenho uma preocupação constante para/com meus (futuros) filhos. Minha opção, como responsável por eles, será a de dar a eles a chance de ouvir. Minha preocupação ainda é saber se EU ouvirei eles. Quero muito ouvir eles me chamarem, seja através de um choro ou proferindo palavras.

    O dia que eles tiverem condições de pensar por si só e optar por outro tipo de comunicação, bem… aí é com eles. Mas enquanto pai, enquanto responsável pela saúde deles, a decisão é minha.

    Respondendo à tua pergunta:

    SIM, Sou totalmente a favor do teste, dos avanços da medicina e do uso de tecnologias como melhoria de qualidade de vida.

  • Paula, vou repetir um paragrafo que deixei nos comments da Lak:

    “…lembro que nós vivemos em um país regido pela democracia e liberdade de escolha. Se a evolução tecnológica e médica possibilita melhorar a qualidade de vida das pessoas, por que deveria ser diferente com os surdos? Dada a liberdade de escolher, consequentemente o respeito deve vir junto.”

    E sendo um pouquinho sacana, espero que a nova geração dos surdos implantados desde bebês provem ao mundo que é possível sim ouvir, mesmo que com ajuda tecnológica, e não, não estou desrespeitando os atuais que não façam uso de AASI, IC e oralização. Apenas que abram os olhos para a maravilha das tecnologias médicas e lembrem-se que se hoje conseguem se comunicar via msn, é por uma evolução tecnológica, logo deveriam ficar felizes com os avanços que por ventrua vão surgindo na medicina!

    Quem me dera se o teste da orelhinha tivesse quando eu nasci, eu saberia com certeza hoje se sou surda de nascença ou perdi em seguida…

    Bjos, Deni

  • E outro detalhe à margem: é a língua de sinais que existe para servir aos surdos ou os surdos que devem existir servir e dar continuidade à cultura surda e à língua de sinais?
    Auto-guetização é uma das coisas mais erradas que eu acho que um grupo pode fazer a si mesmo. E, afinal de contas, toda a luta contra o preconceito não é por integração? E mais: negar tratamento às criancinhas só pra que elas possam servir a uma cultura é delírio de poder faraônico! É quase como amputar-lhes um pedaço só pra que a “causa” possa continuar existindo…

  • Perfeito juntar o vídeo da campanha contra teste da orelhinha e o episódio de ficção.
    Decidi mandar cópia desse vídeo para o Min da Saúde, Conselho Federal de Fonoaudiologia, Centrinho, Mara Gabrilli e outras pessoas envolvidas em acessibilidade. É caso de saúde pública!
    Abraços.

Deixe seu comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.