Deficiência Auditiva Otorrinolaringologia Post de colaborador convidado

Tipos de surdez: condutiva, neurossensorial e mista

Convidei a Dra. Marina Faioli para escrever esse post 🙂

Muito se fala em surdez, mas você sabia que existem tipos diferentes de perda auditiva? Isso mesmo, a surdez não se resume apenas aos graus de perda (leve, moderada, severa e profunda) mas também ao tipo, são elas neurossensorial, condutiva e mista. É sobre estes que irei explicar agora.

Antes disso, irei explicar brevemente o funcionamento normal do sistema auditivo, para que entendam onde o sistema falha e o que ele causa de prejuízo na audição.

Tipos de perda auditiva

O som entra na orelha externa (conduto auditivo), faz vibrar a membrana timpânica e esta vibração é transmitida para os três ossículos da audição ( martelo, bigorna e estribo), que então, transmitem o estímulo para cóclea, o principal órgão auditivo.

A cóclea, por sua vez, transforma a energia mecânica do som em energia elétrica, e transmite o estímulo para o nervo coclear, que irá levar a informação até o cérebro. E o som é compreendido! Alterações neste trajeto, levam à surdez, que pode ser condutiva, neurossensorial ou mista.

O que é surdez condutiva?

Uma surdez condutiva é uma alteração mecânica, isto significa que a transmissão do som está sendo impedida de continuar sua progressão. A surdez condutiva pode ser causada por algum tipo de barreira na entrada do ouvido, por exemplo: excesso de cera, osteoma, exostose, corpo estranho no conduto auditivo externo. Alterações na membrana timpânica também podem diminuir ou impedir sua vibração, causando uma surdez condutiva, como por exemplo na perfuração da membrana timpânica e na timpanosclerose.

Doenças da orelha média também podem impedir a boa condução do som até a cóclea, tais como: otite média aguda, otite média serosa, otite média crônica, otosclerose e até mesmo alguns tipos de tumores. Estas alterações, são barreiras para a transmissão do som, por isso são chamadas de perda auditiva condutiva, pois todas elas de alguma forma, impedem a boa condução do som até o principal órgão auditivo, a cóclea.

O que é perda auditiva neurossensorial?

Neste tipo de surdez, o som é conduzido corretamente pelo conduto auditivo externo, tímpano e pelos ossículos da audição. O som chega até a cóclea, porém não é processado adequadamente e o estímulo não chega como deveria no nervo auditivo. Neste caso, o problema se localiza na cóclea. Exemplos: presbiacusia (perda da audição relacionada à idade), PAIR- perda auditiva induzida pelo ruído (música alta, exposição ocupacional, máquinas…), medicamentos ototóxicos, perda súbita idiopática, infecções virais e bacterianas (ex. meningite), malformações congênitas, doenças auto-imunes, metabólicas, doenças genéticas.

Em outros casos, o som é corretamente processado pela cóclea, mas não é bem transmitido pelo nervo auditivo até o cérebro. Neste caso, o problema se encontra no nervo auditivo, é o que chamamos de doenças retrococleares, onde a alteração se encontra entre a cóclea e o cérebro. Exemplos: ausência de nervo auditivo, tumores do nervo auditivo, doenças neurológicas.

O que é surdez mista?

A surdez mista é a combinação da perda auditiva condutiva com a neurossensorial. Nestes casos, a alteração está presente simultaneamente tanto na orelha externa e/ou média (alteração na condução do som), quanto na orelha interna (alteração neurossensorial).

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Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 38 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

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