Crônicas da Surdez

Tratamento diferenciado para surdos sinalizados nas provas de redação de vestibular: eu NÃO concordo

Um link que encontrei no Facebook me chamou a atenção e fiquei de olhos arregalados ao ler o conteúdo da notícia. Dêem uma olhada, e notem as besteiras que foram ditas e, o pior, como sempre colocaram todos os surdos dentro do mesmo saco. Fico impressionada de ver como os surdos sinalizados fazem questão de continuar tentando que a imprensa acredite que surdos oralizados não existem. A Sô Ramires é rápida e já fez um post e deixou um comentário lá na matéria!

“Pelo menos 22 alunos com deficiência auditiva que vão disputar o vestibular este ano estão preocupados com a correção da prova de redação durante o processo seletivo. Os candidatos se sentem prejudicados nesta modalidade da prova, pois a escrita dos surdos é diferente dos demais candidatos que não possuem deficência auditiva.

Para alguns surdos, o ideal seria que, ao invés da redação escrita, as Instituições de ensino superior aplicassem uma prova oral, mas dentro da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Outros candidatos sugerem que a redação seja corrigida por um profissional que tenha formação na Língua de Sinais, para compreender a escrita dos surdos. Na redação, os surdos não usam conectivos e os verbos sempre são escritos no infinitivo. Nem sempre fica definida na escrita a distinção por gênero.

Sobre a estrutura da Libras, a pedagoga Rejane Lima ressalta que não pode ter como base a Língua Portuguesa, uma vez que a gramática é diferenciada e independente da língua oral. “A ordem dos sinais na construção de um enunciado obedece regras próprias que refletem a forma do surdo processar suas ideias, com base em sua percepção visual-espacial da realidade”, diz.

Nas escolas

Para a professora Sônia Teixeira, esta preocupação dos candidatos com deficiência reflete um problema que não se restringe à época do vestibular, e sim em como as escolas regulares estão tratando os alunos com necessidades especiais. “A escola regular não consegue dar conta da inclusão destes alunos. Há poucos profissionais com formação para os surdos, por exemplo”, aponta a professora.

O candidato Rodrigo Duarte de Queiroz, 29 anos, é um dos surdos preocupados com a redação. Ele vai disputar uma vaga para o curso de Licenciatura em Letras – Libras, oferecido pela Universidade do Estado do Pará (Uepa), mas vê dificuldades nesta modalidade que podem prejudicar qualquer candidato com deficiência auditiva, uma vez que a escrita de quem não consegue ouvir é diferente.

“A prova de múltipla escolha a gente entende, mas ao invés de termos de escrever a redação deveria ter um intérprete para traduzir (uma espécie de redação oral)”, disse Rodrigo, que, depois de formado, pretende fazer concurso público.

Somente na Uepa, 103 candidatos com algum tipo de necessidade especial se inscreveram para os processos seletivos deste ano, sendo que 88 farão as provas em Belém.

Sobre a preocupação dos vestibulandos com deficência física, a Uepa informou que 63 técnicos especializados, lotados na própria instituição, irão acompanhar os candidatos durante a realização da prova.

Em relação aos candidatos surdos ou de baixa audição, a Uepa esclareceu que eles serão acompanhados por intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras) ou por ledores que poderão elucidar o conteúdo das provas, em caso de dúvidas. Sobre a correção da prova, a Uepa não comunicou se haverá algum tratamento diferenciado para os alunos com necessidade especial.

Em resposta a inquietação destes vestibulandos, o Centro de Processos Seletivos (Ceps) da Universidade Federal do Pará (UFPA) explicou que no processo de correção das provas do vestibular neste ano não há tratamento diferenciado aos portadores de necessidades especiais, uma vez que apenas a segunda fase é elaborada pela insituição e nela não há prova de redação, nem questões subjetivas – a redação aplicada na 1ª Fase que é a do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).”

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Porque eu não concordo com tratamento diferenciado nas provas de redação (seja em vestibular, concurso público, etc)??

Em primeiro lugar, porque penso que qualquer cidadão brasileiro, seja surdo ou ouvinte, tem o dever de saber ler e escrever. Um surdo sinalizado tem todo o direito de não querer falar, mas tem também o dever de dominar a modalidade escrita da língua do país onde vive. Uma pessoa incapaz de ler e escrever e eternamente dependente de intérprete para interagir com outras pessoas está fadada a que? Vai conseguir algum trabalho fora da comunidade surda? Fiquei tentando lembrar de profissões que não exijam conhecimento da língua portuguesa e não consegui.

O fato de surdos sinalizados não quererem fazer uma prova de redação ou quererem tratamento diferenciado evidencia de forma gritante a falência do sistema educacional do qual fazem parte. Em qualquer universidade, nos dias de hoje, é basicamente pré-requisito que o aluno saiba também (no mínimo), um pouco de inglês e espanhol. Não conseguir ler e escrever em português e querer cursar uma faculdade parece, no mínimo, bizarro. E na hora de escrever o trabalho de conclusão de curso, como será? Alguém vai escrever pelo aluno e fica tudo por isso mesmo?

Já questionei alguns educadores de surdos sobre o fato de surdos sinalizados não dominarem o português escrito e acabo sempre surpresa com o argumento principal, que diz respeito à capacidade econômica da família.

Não acho nem um pouco justo com as pessoas que passaram a vida inteira ralando na escola (com deficiência auditiva ou não, e vamos deixar claro que surdos oralizados também ‘apanham’ bastante no colégio, pois parece que a vida escolar é simples e fácil para nós) e se esforçando para superar barreiras e limitações. Nós não temos e nunca tivemos tratamento diferenciado. Se comunicar de uma forma diferente é uma coisa, querer que o mundo inteiro se adapte a você são outros quinhentos. Helen Keller está aí para provar que até mesmo um surdocego pode ser fluente na modalidade escrita da língua do seu país.

Só o que vejo são pedidos de tratamento diferenciado, e jamais me deparei com algum projeto que queira tornar os surdos sinalizados fluentes em português escrito. Isso não faz sentido.

Por último, acho muito irresponsável da parte de qualquer jornalista que se preze escrever que “a escrita dos surdos é diferente“, “candidatos surdos ou de baixa audição devem ser acompanhados por intérprete de LIBRAS“. Aqui estou eu, que tenho surdez severa, redigindo esse texto, assim como milhares de outros surdos oralizados brasileiros. Matérias que generalizam a surdez prejudicam demais pessoas como nós. Não quero ter que passar a minha vida inteira explicando que surdos oralizados não usam LIBRAS, não precisam de intérprete e dominam o português e também outras línguas em sua modalidade escrita e falada.

19 amaram.

Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 36 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

57 Comentários

  • Sou ouvinte. Assim fluente em português espero!!! Na minha turma de engenharia um de meus colegas era Surdo. Não falava nem uma palavra, porém ainda assim ele era um dos melhores alunos da sala. Todos queriam estudar com ele. Manipula os números e a Engenharia como Ninguém. Seu português escrito é muito bom, mas é possível notar aqui e ali os sinais que qualquer um que se aventure no uso de uma segunda lingua conhece bem. Em varias conversas com sua tradutora presente a iéia que eu tenho na mente é que para um surdo falar é como eu cantar. Impossível para mim. Para a vasta maioria dos falantes também. Impor falar a um surdo é querer que todos sejam cantores. Do lado de cá isto sim me parece absurdo.

    Exigir que todos sejam Sinatra é “estranho”.

    Tenho uma sobrinha também surda. Não falo Libras, nossa técnica é um bloco de notas, e posso dizer que é ótimo prara mim e fica o registro para ela depois.
    Qual é o meu ponto aqui, visto do lado de fora:

    Não pressionem o surdo para que ele seja super-herói.
    Fazer uma boa redação não é rivalizar com Machado de Assis.
    Paula parabéns você é ótima. Com certeza acima de todas as médias, super.
    Mas é normal ser surdo também, e escrever diferente. Qual o problema disso. Estamos perdendo Engenheiros, Médicos, enfim todo um universo de profissionais com suas visões singulares, por causa do que?????? O método de avaliação tem que ser diferente sim, diferente é bom. Contribui ainda mais.

  • Eu acho muito complicado julgar isto. Não acho que falar da parte financeira seja balela. Uma criança que nasce surda numa família com uma situação financeira boa, ela terá acesso a ótimas profissionais, e todo o amparo educacional. Uma criança surda que nasce numa família humilde não terá estes privilégios, os tratamentos são caros, terá que depender do governo. Uma sessão de fono pelo SUS por exemplo são 30 minutos 1 vez por semana, e algumas vezes compartilhada com outras crianças. E tem outro detalhe, a evolução de uma criança não são necessariamente iguais. O meu filho é implantado desde os 2 anos, faz fono desde os 5 meses, tem pscicopedagoga, tem 9 anos, mas a escrita dele ainda é horrível, escreve como um surdo não implantado. Já levei ele na Neuropediatra para ver se há algum problema, e nada. Não é preguiça de aprender, não é falta de oportunidade, é uma condição.

  • Concordo plenamente Paulinha, onde já se viu? Eu mesmo não ouço e minha estratégia é SEMPRE sentar na frente para tentar entender, Às vezes as fiscais andam para lá e para cá e realmente não dá pra prestar atenção, mas as regras são tão as “mesmas”, nem precisa de muito.
    Sobre a questão de não escrever o Português direitinho é bem estranho mesmo, é como se quisessem ser coitadinhos. Deveriam transformar a visão dessa deficiência numa coisa bacana, fazer as pessoas olharem de modo normal, e não afastar mais e mais as pessoas.

  • Claro que cada um tem sua posição sobre este assunto, eu sou filha de surdos, criada por uma surda, participo da associação da minha cidade, e com esta participação ganhei um conhecimento maior sobre este fato. um surdo nao saber o portugues corretamente não quer dizer que seja desinteresse dele ou falta de vontade em se capacitar, é claro que alguns podem se virar muito melhor que outros, mas como por exemplo aqui onde moro há falta de chances para que eles possam aprimorizar seu portugues, porque uma pessoa que nunca ouviu, não tem chances de ouvir, tentar se comunicar como ouvisse é completamente impossivel, a percepção deles é totalmente diferente de nós que ouvimos, ou dos que ouvem pouco, se onde um surdo mora não tem uma escola bilingue e muito menos profissionais aptos a ajudarem, eles estão sim limitados de econhecimento, creio que seria muito mais facil nos ouvintes compreender isso, porque ao inves de falar o que se passa com eles nunca tevemos um dia de surdo, ser surdo pra quem ouve não é facil, porque não enfrentamos dificuldades diarias com nossa comunicação.
    Nossa primeira lingua é o portugues, ouvimos ele desde pequenos, mesmo sendo com dificuldade, aprendemos pronuncia correta atraves dos sons, mas quando nao temos auxilio do som? Somente dos gestos que não tem verbos de ligação e nem essas ”extensões” do portugues, creio que assim a facilidade do aprendizado do portugues seja um pouco mais complicado, existem diferenças grandes em oralizados e sinalizados.

  • Surdos oralizados não devem ter interprete de Libras e nem vídeo conferencia, isso é jeito assim! Mas surdos sinalizados devem ter somente vídeo conferencia porque é a primeira língua deles. Pra que você não respeita nada para argumentar isso? Pense bem, cadê seu respeito para falar???

  • Caros Colegas,

    Boa Tarde, Poxa não dá pra ver tudo comentários, Problema é Língua Portuguesa logico precisa LP mas problema é barreira como concurso principalmente até também Vestibular em letras Libras ou outros cursos, Surdos sinalização mais do que LP por que surdos perfeito próprio a cultura Surda. Eu formei de Pedagogo e Letras Libras até Especialização em Libras, Breve Mestrado. Eu passei concurso publico Municipal de Natal, Sou professor de Libras Ensino L1 para Surdo. Então agora to Universidade como professor. Então Ouvinte bem LP mais fácil mas surdos é difícil mas nós precisamos aprender LP claro q sim, Te espero, respeito a lei de Libras oficialização da Comunidade Surda,

    Atenciosamente,

    José Arnor
    Prof, Presidente

  • Olá Paula e todos que postaram ou leram a matéria!!

    Sou surdo bem oralizado, fluente em português, inglês (parado) e Libras. Não me importo com os estereótipos dentro da causa da surdez, mas é importante observar que há deferenças de identidade surda ou da pessoa com deficiência auditiva. Obviamente, me aceito somente como surdo ou pessoa com deficiência auditiva. Não me interfere em nada.

    Eu quero destacar sobre o post do Gui Chazan (19/03), concordando plenamente da colocação dele. Lembrando que o texto colocado pela Paula me provocou a escrever aqui.

    A questão dos surdos ‘sinalizados’ falarem que o argumento principal seja a capacidade econômica da família, está totalmente equivocada. E outra colocação também me fez enxergar que o LER e ESCREVER o português seja o dever de qualquer cidadão, também está equivocado.

    O LER e ESCREVER não é dever do cidadão, e sim direito dele. Como o direito é previsto na constituição, a educação brasileira investiu muito para garantir o ensino de Ler e Escrever nas escolas, mas deixou de lado a adaptação necessária para cada deficiência, onde o meio social e educacional há barreiras arquitetônicas, ambientais e atitudinais. Os surdos ‘sinalizados’ sabem que o Português escrito é importantíssimo para ter acesso em todos os espaços. Alguns surdos ‘sinalizados’ e até mesmo ‘oralizados’ que não tiveram o bom atendimento e acesso ao português pela falta de capacitação da escola e dos professores para a abordagem com os alunos surdos. O argumento correto é a falta de bom acesso de português, devido a falta ou precária de uso de Libras, como a língua de instrução, conforme previsto na Lei Federal 10.436.

    Por isso, eu acompanhei com toda cautela e atenção aguçada com esta causa da surdez e fico lisonjeado pela luta dos surdos ‘sinalizados’ pela importância da Libras nos espaços escolares e universitários. Os surdos ‘sinalizados’ compreendem a vontade dos surdos ‘oralizados’, mas eles aceitam e respeitam os ‘oralizados’. Por exemplo, eu aprendi como abordar com os surdos ‘sinalizados’ e sou bastante fluente em Libras, eles sabem que sou, como não precisa citar, surdo ‘oralizado’. Isso se tornou a coisa mais natural e sem pressão.

    Pra finalizar, hoje em dia, depois de muitos estudos, leituras de publicações e questionamentos, posso afirmar que eu defendo a Libras, como instrumento linguístico e cultural dos surdos ‘sinalizados’, seja o meio garantido nas provas de todas as categorias. O ensino de português é muito mal aplicado para os surdos ‘sinalizados’, prejudicando a sua inserção social e educacional, que gerou a necessidade de garantir a sua primeira língua de instrução, a Libras.

    Gde abraço.

  • Concordo com o Gilson.
    Sou psicóloga, Trabalho com surdos, meu dia-a-dia é com surdos oralizados e surdos sinalizados o dia todo. Não concordo que seja absurdo que o surdo sinalizado seja obrigado a saber ler e escrever a língua de seu país, considerando a língua portuguesa. Não sei se todos sabem, mas a Libras é legalmente considerada a segunda língua oficial brasileira. Vamos falar da realidade do nosso país, num contexto geral. É difícil imaginar que nos dias de hoje temos pessoas analfabetas, é difícil imaginar que, com tantos recursos tecnológicos, muitas pessoas não tem acesso a informação. Mas sabemos que isto acontece. Se já é complicado um “ouvinte” que nasce e vive em situação de vulnerabilidade ter melhores condições de vida, imagina aqueles que ficam privados de informações, que não ouvem e não falam, que vem de uma família sem recursos, que não tem dinheiro para investir em tratamento, e que até hoje vivem segregados. Sim..a segregação ainda existe!!
    É muito bonito falar, quando não se tem o problema!
    Por mais que muitos surdos oralizados tenham deixado comentário aqui, enfatizando suas capacidades, eu queria ver se fosse diferente….se fossem todos surdos profundos, sem a fala, se pensariam da mesma forma. Eu trabalho com pessoas com diversos tipos de perda, diversos níveis de escolaridade, e assim como tem aqueles que não sabem nada do português, somente a Libras, tenho amigos que possuem pós-doutorado, são professores, grandes profissionais, que sabem a Libras e o português perfeitamente!
    O mais estranho pra mim é ver vocês defendendo os direitos de quem é surdo, mas vocês mesmo excluindo os surdos! Se vocês se sentem excluídos, mostrem como deve ser, e não façam o mesmo, excluindo outras pessoas! Na hora de aproveitar dos seus direitos, porque são surdos, vocês todos querem…mas na hora de reconhecer os diferentes tipos de deficiência auditiva, vocês mesmos lidam com a exclusão….aí falar que é culpa do governo…da educação brasileira…..será?????
    Nossa..estou constrangida do comentário que diz a palavra “bizarro”….bizarro mesmo é alguém não saber lidar com as diferenças…

  • Olá pessoal, legal tudo que disseram. Também acho que todos devem aprender o portugues. Mas, nem todo surdo pode falar. O meu filho é implantado a 8 anos, ele estuda em escola regular com ouvintes e tem uma professora de reforço em casa que é faz LIBRAS/Portugues com o meu filho. Mas, por instabilidade da musculatura peri-oral ele não fala. Então, temos que ter o recurso dos sinais.Então, só para lembrar que nem todo o surdo pode falar. Os textos ficam um pouco difíceis quando você não consegue ouvir o que fala. Então, penso que deva ter uma certa coerência na correção de alguns textos dos surdos que não são oralizados. Pensem!
    Abraços.
    Gilson

  • Você só não diz em seu texto se nasceu com esta deficiencia ou se foi adquirida em deteminada idade de sua vida. Diz aí?

  • Boa noite!

    Não li os comentários, porque não quero ofender com surdos oralizados. Por que vocês acham que surdos sinalizados incapazes?! AFFF
    Sou surdo sinalizado e tenho fluente de escrever em português, daii?! Como desde pequeno não estudava nada, que só tinha 10 anos e aprendi falar lingua de sinais. Aqui no Brasil não existe “Primeiro Mundo”, é pior todos os brasileiros não sabem ler nem escrever nada. Viuuuuuuuu

    Viva o Terceiro mundo! haha

    Fui

  • Post muito bom, só isso? Pra mim, é super ótimo! Ou seja TOTAL!
    Meus parabens!

    Fiquei um bocado grande quando li o seu post e os comentários! Tem toda razão!

  • Paula, achei excelente seu post pois é realmente a situação complicada ao mesmo tempo delicada sobre surdos e sua educação escolar. Não podemos jogar a culpa sobre as escolas e a falta de profissionais, na família, etc mas não concordo em generalizar os surdos. Assim não dá mesmo.
    Vejam o meu caso seguinte: sou surda oralizada, tenho boa fluência em português mas também sou usuária de Libras e por cima, professora de Libras!
    O que quero dizer é que não existe limites para surdos, independemente de sua ” categoria”. Afinal que todos os surdos devem exercitar o seu aprendizado em qualquer língua, principalmente na língua escirta, de seu país onde você vive.
    Perfeito o exemplo sobre a Helen Keller , pois foi o nosso modelo de superação mesmo. Fez muito bem em citar-lo.
    Bem , atualmente na área de Letras/Libras, já iniciaram o processo de TCC ou defesa de monografia adaptado para Libras, e também já ocorreu no curso de mestrado. Pois acompanhei de perto esses processos. Porém, sempre vou achar que devemos ter a obrigação de aprender a língua portuguesa e sua escrita. Pois sempre vai fazer parte dos nossos estudos, do hábito de ler revistas e jornais, e da rotina do dia a dia como buscar informações sobre endereço. Como descartar-la? Acho que deveriam oferecer opções na hora da inscrição da prova. Para mim, falta um bom argumento sobre a necessidade de adaptação das provas de redação e outros.

    Concordo com as palavras também do Diogo Madeira.
    Paula, continue firme no seu propósito com seu blog.

    Abraços!

  • Comentando de Novo!!!
    Os comentários, na sua maioria; salientam que o problema é falta de conhecimento sobre “tipos” de deficiencia auditiva. Que ninguém quer saber ou que nunca é divulgado.
    Só há uma maneira de fazer acontecer a informação!! É POSTAR estes comentários aqui mas TAMBÉM onde foi veiculada a notícia!!
    Quando postamos aqui, postamos para o “nosso clube”. É claro que gosto de ler o blog da Paula “Cronicas da Surdez”. SE é a vontade maior levar conhecimento para a turma que não é deficiente auditiva, Temos de fazer barulho TAMBÉM fora daqui. Já “pedi” para o São Google me avisar sobre QUALQUER notícia com conteudo “deficiente auditivo”. E todo dia tem alguma nota sobre o tema. Não perco UMA oportunidade de postar, SE PERMITIDO; algum comentário que ilumine o nosso caminho.
    Fica o palpite e [ ]’s

  • Paulinha, olá! Este assunto é importante demais… No Fórum do Implante Coclear, o FIC, da Yahoo, houve um tipo debate sobre isso. Porque a fono de uma criança sugeriu à sua mãe que fizesse com que o filho aprendesse LIBRAS. E aí ela perguntou para a comunidade, o que achava desta proposta.
    Fui contrária à opinião da fono, e expus que a língua portuguesa é difícil, mas necessária para o contato com outras pessoas e não aconselhava uma outra linguagem para a criança para que ela não se confundisse. Se os pais da criança fossem surdos, talvez haveria necessidade para tal, mas sendo os pais ouvintes, discordo plenamente. Além do mais, é uma criança bastante esperta e que também já fez o IC. Quanto aos seus posicionamentos, só posso concordar e acrescentar que a língua portuguesa é muito importante e acredito que os surdos que só utilizam LIBRAS, acabam se isolando mais do mundo, e só se integrando à comunidade de sinalizados. Abraços.

  • Paula. Esse teu blog é espetacular. Parabéns, continue assim expressando tuas opiniões e sentimentos com toda essa energia.
    Virei tei leitor.
    Fredi

  • Oi Paula! Adoro seus posts e este não foi exceção! Concordo com tudo o que você disse! Tenho perda bilateral moderada a severa, uso aparelhos e a leitura é como um bálsamo! O que seria de mim sem os livros e filmes legendados? Também falo/escrevo/leio em inglês e muitos americanos já me perguntaram quanto tempo morei nos EUA e se admiram quando digo que nunca morei fora do Brasil. Por isso me causa espanto saber que os sinalizados não se interessam em aprender a ler/escrever o nosso idioma. Aprender é sempre um desafio…

    • Ines,
      Concordo contigo sobre o quanto aprender é um baita desafio que move a vida da gente!!!
      Todos os dias a gente ouve um som novo ou sei lá, quer aprender MAIS inglês/espanhol, etc, isso é tão gostoso e recompensador que não consigo compreender como alguém pode passar a vida sabendo apenas UMA língua.
      Bjos,

  • Eu não consigo entender como uma pessoa que se comunica através da linguagem de sinais consegue interagir de forma plena com as outras pessoas. Se eles conseguem trabalhar, estudar etc num grupo de pessoas que não são surdas ou são oralizados isso significa que são os outros (a maioria, diga-se de passagem) que tem que usar sinais pra se comunicar com eles. Eu não conseguiria me comunicar com uma pessoa usando LIBRAS, eu nao conheço LIBRAS.

  • Paulinha, me inscrevi para um concurso e marquei que iria concorrer às vagas de deficiente (banca CESGRANRIO). Ao enviar o laudo médico, encaminhei um pedido, de próprio punho, pedindo autorização para utilizar os aparelhos auditivos modelo X durante a prova, visto que determinado item do edital proibia o uso de aparelhos eletrônicos. Eles deferiram meu pedido :). Entrei na sala de prova normalmente, usando os aparelhos, um fiscal deu uma olhada rápida e foi tranquilo.
    Em outro concurso, este da banca FCC, enviei só o laudo e nao fiz o pedido para utilizar aparelhos auditivos. nem esquentei a cabeça, no dia da prova ia tirar e ninguém perceberia. Para minha surpresa, a banca ligou para minha casa e eu não estava, e perguntaram à minha mãe se eu me comunico por LIBRAS e precisaria de um intérprete. Ela disse que não, que eu me comunico bem. A banca disse então que eu teria um assento reservado na frente para a leitura labial de possíveis comunicações dos fiscais em sala. Minha mãe nem lembrou de comentar dos aparelhos, pedir para usar durante a prova, mas nem esquentei. Só o fato deles terem entendido que nem todo surdo se comunica por LIBRAS considero um PROGRESSO!!!!
    O que eu sugiro, e é o que eu farei nos próximos concursos, é pedir às bancas que tenha uma opção ‘Utiliza aparelhos auditivos’ no formulário de inscrição, onde já tem ‘LIBRAS’, ‘Acessibilidade – cadeirantes’, ‘Mãe amamentando’, ‘Braile’, ‘baixa visão – uso de lente de aumento’. Assim, o surdo oralizado, que não marcar LIBRAS, fará a prova utilizando os aparelhos e será diferenciado daqueles se se comunicam por sinais, sem passar por esses transtornos 😉

    • Torcendo que tu passe nos concursos!!!!
      Sabe que os concursos que fiz (3 até hoje), nunca fui de AASI pra não me desconcentrar?
      Mas o próximo que fizer com certeza vou com eles, porque no ultimo me concentrei tanto com o silencio que quase esqueci de fazer a redação!
      Rsrsrsrs
      bjossss

  • Oi Paula, acho muito bacana a sua luta pelos direitos dos surdos oralizados, mas vc generaliza demais ao falar dos surdos sinalizadores. Como se todos vivessem suas vidas em função de terem um intérprete ou não para estar com eles.
    Conheço muitos surdos sinalizadores e todos trabalham, saem, estudam…e sem ajuda de intérprete.
    Não quero parecer grossa, pelo contrário, gosto muito dos seus posts, mas, vou repetir o que eu já disse em outro comentário, você devia conhecer mais os surdos sinalizadores e a vida deles.
    Quando vc fala sobre eles, a impressão que passa é de que não conhece nenhum! Ou julga todos pelos poucos que conhece…
    Falo isso pq blogs têm muito poder de divulgação e vc pode passar uma impressão errada sobre os sinalizadores para MUITA gente, mesmo se for sem uma intenção ruim.
    Além disso, não são todos os sinalizadores que não sabem o português escrito.
    Seria bom se você modalizasse mais o seu discurso…

    • Oi Ana,
      Entendo o que tu quis dizer, mas será que tu consegue entender meu lado também?
      E muito chato ver associações e federações de surdos usando a imprensa para mascarar a existência dos surdos oralizados, e generalizações tipo a desta matéria, que diz que a escrita dos surdos e diferente, me afeta e afeta a todos aqueles iguais a mim.
      Voce já leu blogs e sites de surdos sinalizados? Eu já, e nunca encontrei nada lá que sequer mencionasse a nossa existência. O próprio site da Feneis e a prova viva disso.
      Os sinalizadores que dominam o Portugues escrito sao bilingües, e sou fervorosa defensora do bilinguismo porque ele da independência para que a pessoa transite pelos dois mundos sem precisar de nenhuma “muleta”!
      E preciso perguntar: os seus amigos surdos sinalizadores que trabalham, estudam, etc, como voce comentou, eles fazem isso fora da comunidade surda? Se sim, estão convidados para dividirem suas experiências de vida aqui no CS se desejarem.
      Bjo,

      • Paula, que bom que você entendeu o que eu quis dizer.
        Como disse, acho a sua iniciativa em criar o blog e lutar pelos direitos de vocês muito importante para todos os surdos oralizados.
        O que eu percebo é que muita gente ainda não sabe muito sobre os surdos (oralizados ou sinalizadores). Por isso eles pensam que são todos iguais, que nenhum surdo fala, que todos sabem fazer leitura labial ou que todos usam uma língua de sinais universal… Ainda falta muita informação!
        Talvez, com a criação da Lei Federal 10436/2002, que reconheceu a Libras como língua oficial do Brasil, os surdos sinalizadores passaram a ser mais vistos/comentados… o que pode ter ajudado na divulgação da ideia de que todos os surdos sinalizam, não sei! Pode ser uma hipótese.
        Conheço sinalizadores que trabalham fora da cultura surda, vou tentar entrar em contato com algum e te falo, ok?
        Beijo

    • Ana,
      não vejo nos posts da paula uma generalização entre os surdos sinalizados. O que vejo é a sociedade generalizando os surdos, acreditando que todos os surdos são mudos. Quantas vezes, ao conhecer alguém, ao saber que sou surda, me perguntaram “você fala?”, “sim, eu converso normalmente – eu respondo”, “você conhece a língua dos sinais”, “não, não conheço”. e muita gente fica sem entender, como se fôssemos uma “categoria de gente especial que possui uma deficiência invisível”.
      Quem generaliza é a imprensa. Seja por falta de informação, ou preguiça de detalhar os fatos, somos todos “farinha do mesmo saco”.

      • Juliana, concordo com você! As pessoas ainda precisam de muita informação! Mas acho que falta interesse da parte delas em procurar conhecer…Infelizmente!

  • Vai o que postei lá no Onda Jovem
    >>Esta notícia mais desinforma do que informa!. Se o processo seletivo EXIGE o português não há desculpas. Será necessário saber o léxico português!!. Não há motivos para o candidato deficiente auditivo não estudar e saber esta línguagem. NADA impede um usuário de lInguagem LIBRAS saber
    OUTRA LINGUAGEM. No caso a exigida no edital. Escola é para isto. Estudar, aprender e ensinar.<<

  • Vai o que postei lá no Onda Jovem (da matéria focada)
    Esta notícia mais desinforma do que informa!. Se o processo seletivo EXIGE o português não há desculpas. Será necessário saber o léxico português!!. Não há motivos para o candidato deficiente auditivo não estudar e saber esta línguagem. NADA impede um usuário de lInguagem LIBRAS saber
    OUTRA LINGUAGEM. No caso a exigida no edital. Escola é para isto. Estudar, aprender e ensinar.

  • Gostei do seu post, Paula. Porque fala a verdade. O fato revela o que há em relação a quem aprecia o Português. Temos que esclarecer que há surdos que dominem o Português, o que os surdos opostos tentam ‘ocultar’ da mídia. No meu caso, eu não falo, mas escrevo, ou seja, toda vez que eu falo que a Língua Portuguesa coloca o surdo em condições de se socializar, por exemplo, conseguir um bom emprego. E faço das palavras do nosso camarada Guilherme as minhas. Tenho a satisfação de dizer que sou o frequentador assíduo deste blog tão caprichoso, embora eu seja surdo bilíngue (Libras e Português escrito).

  • Paula,

    É muito certo o que você falou sobre diferenciar os surdos oralizadores dos surdos sinalizadores, toda a sociedade precisa conhecer, saber diferenciar e respeitar ambos, não sei se você concorda com o termo deficiênte auditivo, que está no dec 5626, que diferencia melhor ambos.
    Mas você entra em contradição em não compreender e ser contra o direito dos sinalizadores de usarem sua língua de sinais nos vários espaços sociais, inclusive nas redações e provas de vestibular.
    Nesse momento de dizer o que é melhor para os surdos você julga tanto os oralizadores quanto os sinalizadores como se fossem iguais. Quando na verdade eles são diferentes e o que é bom para uns é ruim para o outros.
    Você acha certo obrigar um surdo oralizador a utilizar apenas Libras, proibindo que ele use o Português, imagine se o vestibular fosse apenas em Libras? Você acha certo um surdo sinalizado achar “bizarro” o fato de que um surdo oralizador mesmo com a perda auditiva oralize em vez de sinalizar?
    São questões de escolha e de culturas diferentes, e dos direitos humanos linguísticos de cada um devem ser respeitados. Não se pode ser etnocêntrico, achar que o que é correto e bom para si, é correto para o outro.
    Se você é uma surda oralizadora, lute pelo direito ao implante coclear, ao tratamento fonoaudiológico, e estratégias de acessibilidade para outros surdos oralizadores, isso é legítimo e deve ser respeitado, apesar de eu não concordar que isso seja apropriado à área de educação e sim à area de saúde dos surdos, eu respeito.
    Mas não vá de encontro às demandas dos surdos sinalizadores, só porque eles não são iguais a você. Você mesmo disse que os surdos são diferentes entre si, então como julgar suas demandas da mesma forma?

    • André,
      Eu acho sim bizarro que alguém queira frequentar um ambiente acadêmico sem saber ler ou escrever e sendo totalmente dependente de um intérprete.
      Entendo a tua posição, afinal, és intérprete e trabalha com isso.
      E não entendo porque os próprios intérpretes não incentivam os surdos sinalizadores a aprender a ler e escrever – isso vai deixar o mundo ao alcance deles de uma maneira muito mais fácil, rápida e eficaz do que não sabendo ler nem escrever.
      Peço desculpas pela sinceridade, mas a DIFERENÇA não justifica que alguém não domine a modalidade escrita da língua do país onde vive, e esse discurso não me parece nem um pouco libertador para um surdo usuário de LIBRAS.

      Surdos são diferentes entre si, mas todos precisam enfrentar o mundo real, a vida profissional, a vida acadêmica. E o mínimo que se espera de um adulto é o domínio do português escrito. Ou você vai me dizer que se tivesse um filho surdo não gostaria que o mesmo fosse fluente em portugues escrito para ampliar todas as suas possibilidades de independência na vida?

      abraço,

      • Oi Paula,
        hoje entrei no seu blog pela primeira vez e a minha primeira impressão é que você acha injusto da forma como os surdos “sinalizados” vivem como tal. É claro que você tem todo o direito de expressar o que você pensa, mas não tem o direito de julgar algo que você não conhece muito bem, o que você tem feito é pré- CONCEITO. O que você tem que fazer é conhecer o conceito dos surdos “sinalizados”. Por que estou dizendo isso? Porque achei pesado algumas coisas que você opina sobre surdos “sinalizados” como ser totalmente dependente de intérprete, não saber ler e escrever. Como assim? Sou surda “sinalizada”, aluna de uma universidade e necessito de intérprete. Isso significa que não sei ler, escrever e nem falar? Muito pelo contrário, eu tenho capacidade de ler, escrever e falar regular, mas não posso dizer que falo perfeitamente e maravilhosamente. Necessito de intérprete pois há muita limitação na sala de aula como professor falando na direção oposto, articulação péssima dele ao falar, não ouvir perguntas de alunos sentados atrás de você e entre muitos outros.

        O que você tem que saber é que nem todos os surdos sinalizados são iguais e têm história diferente. Posso dizer o mesmo para surdos oralizados. Tenho uns amigos que são surdos oralizados e utilizam LIBRAS, também amigos surdos sinalizados que falam.

        Apesar de tudo isso, gostei da sua ideia de que “surdos” tem seus dois tipos: os que fazem parte do mundo que utilizam LIBRAS e os que fazem parte do mundo da fala. Acho justo a sua luta por mostrar a existência desses tipos. Entendo como deve ser ruim para vocês, surdos oralizados, ao deparar com imprensas utilizando o termo “surdez” para aqueles que sinalizam. Eu me sentiria indignada se o tal termo se referisse a surdos oralizados.

        Espero que você possa entender os meus argumentos e compartilhá-los comigo.

        Um beijo.

        • Oi Raissa,
          Voce e surda bilingüe, porque tem um Portugues escrito perfeito.
          Pergunto: a sua primeira língua foi a Libras ou o Portugues? Voce estudou em escola especial?
          Qual curso vc esta cursando na faculdade?
          Bjos,

          • Oii,
            posso ser surda sinalizada e bilíngue também.
            A minha comunicação inicial era de total, isto é, sinalizar, falar, escrever ao mesmo tempo, mas acredito que a minha primeira língua foi de Libras, pois tive que aprender esta primeiro para poder aprender português com mais facilidade depois.
            Cresci numa escola comum, só no final do colegial pedi interprete. Estou cursando psicologia.
            Beijos.

  • Concordo plenamente e já deixo um abraço à Sô e Paula.
    Estou trabalhando com imprensa e acho que isso precisa ser mostrado, Paula seria interessante levantarmos pesquisa sobre as legendas ainda na mídia; como o caso do Youtube e o teatro com audiodescrição.
    Sô, vc bem que podia enviar uma nota ou algum vídeo documentário para uma matéria jornalística.
    Quero enviar algo para a pauta daqui, de onde trabalho (Record) e posso sugerir vcs? Como podemos fazer isso? Planejar alguma coisa para destacar essa realidade sem parecermos agressivos?

    Fico no aguardo! Bjs! Taís.

  • Paula, concordo contigo sobre a obrigação de um brasileiro saber ler e escrever português. A maioria dos sinalizados que conheço (são poucos por enquanto) são da área de educação, professores de LIBRAS, mas tem aqueles com profissões diferentes.

    Atuam mais na área de teatro, circo, cinema e fotografia, na área visual, que nem sempre precisa de escrita para se destacar, fazendo uso do ditado “a imagem vale mais que mil palavras”.

    Quanto ao vestibular e escrita, sim, o ensino é precário. Existe a proposta de bilinguismo nas escolas especiais, visando a fluência no português escrito. Essa ideia de bilinguismo é boa, mas acredito que só surtiria efeito se o português escrito realmente fosse cobrado. Fazer o vestibular em LIBRAS vai contra a ideia, desestimula mesmo.

    Quanto ao TCC, entendi que o aluno sinaliza ou escreve como pode, tendo o auxílio de um intérprete para tornar o português (mais) legível.

    A falta de domínio de português escrito devido ao aspecto econômico da família não é uma surpresa, infelizmente. Muitas vezes os pais se veem diante do dilema de trazer comida para casa ou ajudar na educação do filho. A falta de apoio familiar – imprescindível! – e escolar – ensino público com turmas enormes e falta de infraestrutura – tem como resultado o relato que tu recebeceste dos educadores de surdos.

    Não é justo, mas é o que acontece.

  • Triste isso… tratamento especial e diferenciado é perpetuar a discriminação!
    Mas enfim, você sabe Paula que concordo com tudo o que você escreveu, e só um arremate bem sacaninha: se eles sabem que vão sofrer os 4 anos de faculdade porque querem então entrar? Não seria mais simples aprender língua portuguesa e fazer a faculdade sem aperto?!?!?! Ao invés de viverem a implorar mão na cabecinha… ah! vão ser independentes pelo amor de Deus!
    Força de vontade é tudo! affffeeeeeeeee

    • O único motivo que me passa pela cabeça para que um surdo saiba unica e exclusivamente lingua de sinais e viver unica e exclusivamente dentro da comunidade surda.
      Com um mundão tão vasto e globalizado como o de hoje à nossa espera, não me parece produtivo que o cidadão não domine a modalidade escrita do país onde vive.
      Enfim…
      Bjos Deni!

  • Paula, concordo perfeitamente com você.
    A minha primeira impressão é que os surdos sinalizados não sabem o que estão fazendo com a nossa amada língua portuguesa: estão MATANDO sem piedade, nem dó esse português tão maravilhoso, tão belo, que merece ser entendido de melhor forma. Até hoje eu penso em que os surdos sinalizados são muuuito irônicos e pensam que vão obter tais benefícios! LERDO engano deles. Eles não podem desprezar o português escrito e lido! Para que limitar isso? Para criar MAIS barreiras? Para criar MAIS desentendimentos? Para criar uma MINORIA deste tipo destes surdos, longe da sociedade???
    ***Aos senhores surdos sinalizados: Não, senhores, não põem expectativas de “fugir” dos professores de português!! E nem pensem em pedir compreensão. Nem falem nisso. O português é para ser praticado e ponto final. Tenha boa vontade de aprender e usar o BOM português! Têm os porfessores de português para isso! A nossa língua portuguesa agradece!***
    Acho legal a questão de usar outra língua estrangeira para entender, ler, escrever, falar.
    Os surdos oralizados, SIM, existem.
    Eu não preciso de libras. Uso esse português tão incrível, rico, sim, para ler escrever e falar.
    Abraços, Paula.

    • Simone,
      Eu não acho prático que a pessoa não saiba escrever/ler em português.
      Imagina na hora de ir ao banco, ao cartório, ao médico, na farmácia… como é que faz?
      A vida prática se torna muito complicada.
      Quem tem $$$ pra andar com um intérprete pra cima e pra baixo 24 hs por dia?
      Bjos,

  • Oi Paula! Estou cursando Letras e temos uma cadeira de Educação Especial, estamos debatendo justamente a a percepção do deficiente e da deficiência. Posso colocar este post no nosso forum de debates?

  • Concordo com cada letra e cada pontuação do seu texto, Paula, bem como com o comentário feito pela Sô Ramires. E citar a Helen Keller foi como fazer um gol de costas! Muito bom MESMO. Toda vez que fico sabendo de alguma coisa que acaba beneficiando somente os surdos sinalizados (e excluindo os oralizados), fico extremamente triste e decepcionado. As pessoas acham que, por sermos oralizados e sabermos escrever bem, as coisas são mais fáceis e que os sinalizados são os que mais precisam de ajuda. Discordo plenamente… A dificuldade é a mesma, o que muda é a força de vontade para aprender a ler e a escrever.

    Abraços.

  • Concordo plenamente com tudo que disseste!
    Acredito que mesmo sendo sinalizados, todas as pessoas devem saber ao menos escrever na lingua do nosso país.
    Penso que colocar todos os diferentes tipos de surdos no mesmo saco e achar que todos nós temos o mesmo tipo de necessidades é absurdo!

    Se eu fosse fazer uma prova de vstibular e informar que tenho surdez moderada a severa e me arranjarem um intérprete de LIBRAS eu não vou utilizá-lo. Não sei nada de lingua de sinais e graças a Deus eu escrevo bem o Português e até arranho em Inglês e Espanhol, tudo isso porque sempre usei essa modalidade de escrita durante toda a minha vida.

    Não concordo com o fato dos sinalizados terem uma escrita diferente, por ser diferente a sua forma de comunicação, penso que dessa forma eles são desprezados do restante da nossa sociedade, e reduz e muito a possibilidade deles de crescer fora da comunidade surda e ganhar o respeito e a compreensão/aceitação do mundo ouvinte. Afinal as pessoas temem e tem preconceitos sobre o que não conhecem.

    Continuamos a nossa luta!

      • DIFERENÇA SOCIAL ENTRE DUAS PESSOAS:
        situações corriqueiras na sociedade em que vivemos, onde – devido a grande desigualdade social – algumas camadas da sociedade precisam lutar muito para conquistar o que algumas poucas pessoas já possuem de berço( saude auditivo, familiar em boa condicao economica), nadando contra toda uma corrente contrária que as empurra para permanecerem no mesmo lugar.
        Eu deficiente auditivo vitima do trabalho infantil (com 10 anos de idade ), vitima de bullies por falar diferente..*batata quenta na boca*,….Hoje tenho extrema dificuldade de entender a lingua portuguesa….nao consigo passar com concurso devido a defasagem …..Entao a pessoa com deficiente era tratada como o incapaz o retardado…..Portanto nao temos mesmo nivel de intelectual, Tudo muito recente que estamos hoje tendo acessos as politicas sociais ainda em fragilidade principalmente aos PCD, tivemos um grande avancos, mas temos muitos ainda a avancar…….ASSIM sou formado em servico social (PRESENCIAL)Pos graduado em servico social, licenciatura Historia…..trabalho numa ONG, percebo a dificuldade da insercao das pessoas nos diversos espacos ocupacionais……

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