Crônicas da Surdez

Você é fonoaudiólogo? Ou otorrino?

Sei que, além das pessoas com deficiência auditiva, grande parte dos leitores deste blog são fonoaudiólogos e otorrinolaringologistas. Nem imagino como seja tentar ajudar pessoas que vêem e ouvem o mundo de maneira tão distinta. Esse post é um singelo pedido para que vocês dividam conosco suas impressões e dificuldades.

“Qual foi a experiência mais memorável, tocante ou difícil que você já vivenciou trabalhando com pessoas surdas?”

Quem quiser colaborar, pode enviar seu depoimento para sweetestpersonblog@gmail.com . Publicarei à medida em que for recebendo os emails! 🙂

Assim como nós não nos importamos de dividir nossas experiências aqui no Crônicas, esperamos que vocês façam o mesmo. Será inspirador, educativo e enriquecedor conhecer o ponto de vista de vocês, profissionais da saúde.

2 amaram.

Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 36 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

8 Comentários

  • Olá! Inicialmente peço desculpas por fugir um pouco do tema, mas na qualidade de pessoa desnorteada gostaria de perguntar se voce poderia me indicar um profissional de fonoaudiologia realmente de peso. Tenho uma sobrinha de 9 anos com uma gagueira leve e em anos de sessões aqui em Belo Horizonte ela não apresenta nenhum progresso.Assim gostaria de consultar pessoas renomadas em qualquer estado, em qualquer data, com qualquer valor pois preciso muito de uma indicação de alguém realmente que tenha know how e sucesso.
    Indepedente de retorno agradeço ,desde já, a atenção.
    Att, Alessandra

  • Olá, estou pensando em prestar vestibular para fonoaudiologia e, pelo que li, adorei o curso, mas andei pesquisando e vi que ainda é um curso desvalorizado. Então, devido a isso, tem gente que diz faça, outros dizem que não e fico com dúvidas sobre isso. Essa área, após a formação, é valorizada? e quanto é em édia o salário de um fonoaudiologo?
    Obrigaada

  • Oi.
    Meu nome é Renato, sou da Paraiba.
    Vou começar o curso de fonoaudiologia em agosto na ufpb,
    e gostaria que vocês comentacem um pouco sobre a profição.
    Já pesquisei de tudo sobre a profição, mas quero saber a opinião de que já estar na área.

    • Olá Renato, tudo bom?

      Então, o fonoaudiólogo faz muuuuuitas coisas. Pode atuar na área de linguagem, auxiliando crianças a falarem/escreverem melhor ou auxiliando adultos que adquiriram distúrbios na linguagem, seja por avc, por traumatismo craniano, ou outro fator desencadeante. Pode também atuar em conjunto com dentistas, realizando terapia miofuncional de modo a evitar as recidivas. Pode também atuar nas disfonias, auxiliando as pessoas que adquirem patologias vocais (nodulos, cistos, paralisia das pregas vocais, etc) ou auxiliando na prevenção e na fluencia, principalmente na area de voz profissional. Além disso, o fono pode atuar na área da audiologia, seja realizando exames, seja indicando e ajustando proteses auditivas, ou até mesmo realizando a chamada reabilitação auditiva. Existe também a possibilidade de auxiliar pessoas com disturbios do equilibrio (sim, o fono pode fazer reabilitação vestibular!), dificuldades de deglutição (disfagias). São tantas áreas que o fono pode atuar. Atualmente, além da clínica, pesquisa e docencia, o fono também pode atuar em hospitais, tanto com adultos, quanto também em maternidades, estimulando as funções de sucção do bebê e fazendo o teste da orelhinha. O fono ainda pode auxiliar no planejamento pedagogico, na área chamada fonoaudiologia escolar. O objetivo é otimizar a aprendizagem dos alunos.

      Tantas coisas… Mas, o que eu acho importante mesmo, é que aquele que quer fazer a área de Fonoaudiologia deve ter, no mínimo, dois pilares:

      1 – Deve gostar de ajudar o outro, porque Fonoaudiologia envolve entrega e dedicação. Somos, antes de tudo, terapeutas da comunicação. E como terapeutas, precisamos gostar de escutar o outro e querer ajudá-lo ao máximo.

      2 – Como terapeutas, devemos gostar de acompanhar a evoluação do indivíduo. Mesmo a audiologia, tida como uma das áreas mais objetivas da fono e que não inclui tantas sessões seguidas (em alguns casos fazemos os exames, mas não o acompanhamos por muito tempo). é preciso que o fonoaudiólogo tenha a escuta terapêutica – de identificar o que causou tal problema, de ter paciências ao fazer os ajustes nos aparelhos auditivos sempre que necessário. E em alguns casos é preciso fazer terapia mesmo, a partir da reabilitação auditiva.

      Tenha isso em mente e boa sorte! Qualquer ajuda estou aqui!

  • Olá,

    meu nome é Detian Almeida, sou Fonoaudióloga, de Salvador -BA.

    Vários casos incríveis acontecem. Imagina alguém falando. “Eu não sabia que meus netos faziam tanto barulho… E escutar o barulho deles é tão bom!”

    É comum o paciente chegar calado, principalmente quando é idoso, e, após uso de aparelho, sair falando pelos cotovelos rindo! Teve uma idosa que falou: agora eu ganhei asas para voar.

    Outra paciente saiu do banheiro maravilhada com o som do xixi no vaso. Imagine o que é isso!

    Estes pacientes me ensinam a dar valor nas pequenas coisas da vida: o barulho dos netos, o xixi batendo no vaso, uma boa risada…

    Todos me ensinam algo, e agradeço a Deus por ser fonoaudióloga, pois me pergunto quem ajuda quem: sou eu que estou ajudando, ou são eles que me ensinam a viver? Para mim acontece os dois.

    Teve um paciente, criança – de 7 anos, que precisaria começar a utilizar o aparelho. Mas ele não queria usar – achava feio – para ele, até pela idade, precisaria de ser um mini-retroauicular – que fica bem visível na orelhinha dele.

    O que me surpreendeu foi o fato de a criança ter aceitado muito bem o AASI, afinal, ele passou a ouvir. O caso dele não foi daqueles de colocar o aparelho e acabou. Precisou de um tempo, de paciência, para se adaptar. E ele teve. Ele ficou tão feliz que, quando os colegas perguntavam – o que é isso? – ele dizia – “é aparelho, é para me fazer ouvir melhor”. Assim, de maneira natural. A família dizia que, quando a avó colocava o perfume nele, ele tampava as orelhas e dizia – cuidado para não molhar meu aparelho!- Foi A CRIANÇA que ensinou a família que usar aparelho não é motivo de vergonha. A família olhava com ele com pena, por que ele estava escutando, mas todo mundo via que ele é deficiente auditivo. E ele, na sua grandeza de criança, ensinou, inclusive para mim, que usar aparelhos auditivos não tem nada de vergonhoso. Foi uma lição que ficou bem marcante! E ai de quem pegue nos aparelhos dele sem cuidado!

  • Olá, sou fonoaudióloga e atendo prótese auditiva há 07anos.
    Resido e trabalho em Florianópolis, mas atendo quinzenalmente as cidades de Rio do Sul, Ituporanga e Tijucas. Trabalho com a marca Unitron Conect- canadense, da empresa Microsom. Conheci seu blog, por indicação de uma paciente jovem, linda, inteligente, usuária de prótese há aproximadamente 08 meses. Estou à disposição para contribuir com seu blog!
    Parabéns pela sua iniciativa, Abraço
    Francielly

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