O impacto da SURDEZ na criança: como afeta seu desenvolvimento?
Vamos direto ao ponto: a surdez, por si só, não é o que causa atrasos no desenvolvimento da criança. O verdadeiro vilão dessa história é a falta de acesso à linguagem.
O cérebro precisa de combustível para se desenvolver, e esse combustível é a linguagem. É por isso que sempre bato na tecla da tecnologia e da intervenção rápida. A adaptação precoce de aparelhos auditivos ou implantes cocleares, somada a um ambiente rico em estímulos, é o que garante que a criança tenha as mesmas oportunidades de crescimento que qualquer outra.
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O impacto da surdez no desenvolvimento da criança
A realidade é dura: mais de 90% das crianças com surdez nascem em famílias ouvintes que nunca tiveram contato com esse universo. “Cair de paraquedas” nessa situação é mais comum do que você imagina.
O perigo mora aí: pais que não conhecem os sinais da perda auditiva podem demorar a buscar um médico otorrino especialista em surdez. Esse atraso gera barreiras de comunicação dentro de casa e reduz drasticamente a entrada de linguagem no cérebro da criança bem na fase em que ela mais precisa. E é essa falta de interação nos primeiros anos que coloca em risco o crescimento cognitivo e o senso de pertencimento.
Como a falta de audição (e linguagem) impacta a mente e a emoção
Quando a criança não tem acesso ao som e à linguagem, as consequências aparecem em várias áreas. E não é porque ela “nasceu assim”, mas porque foi privada de acesso.
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Habilidades cognitivas e sociais: Crianças surdas não têm déficit cognitivo de nascença! O que acontece é que, sem ouvir e falar bem, elas perdem as sutilezas das interações sociais. Isso afeta a chamada Teoria da Mente (a capacidade de entender que o outro pensa e sente diferente de nós) e a Função executiva do cérebro (atenção, controle de impulsos e planejamento). O resultado? Dificuldade de fazer amigos, problemas na escola e comportamento impulsivo.
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Saúde mental e autoestima: Muita gente acha que a baixa autoestima vem do uso do aparelho auditivo. Mito! A autoestima despenca quando a comunicação falha. Se a criança não consegue se expressar ou entender o mundo, ela tem dificuldade em regular emoções e criar laços. O bem-estar emocional está diretamente ligado a uma linguagem bem desenvolvida.
O papel decisivo do Fonoaudiólogo e da família da criança surda
Aqui entra a virada de chave. O fonoaudiólogo é o parceiro estratégico nessa jornada. Ele não está lá apenas para ajustar o aparelho auditivo e o implante coclear, mas para garantir a plena reabilitação auditiva.
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Intervenção precoce: Tecnologia de ponta (AASI/IC) para ontem! O objetivo é minimizar qualquer risco de atraso.
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Empoderamento: Os pais precisam sair do papel de espectadores. O fonoaudiólogo deve empoderar a família e trabalhar junto com a escola e outras famílias de crianças rudas.
Tudo está conectado. Atraso na linguagem leva a dificuldades de aprendizado, que levam a problemas sociais, que afetam a saúde mental. Não espere o tempo passar. A surdez não define o futuro do seu filho, mas a qualidade e a rapidez da reabilitação auditiva que você oferece a ele, sim.

