A Siemens me convidou pra testar o Pure Carat 501 e é lógico que aceitei no ato. Desde que fiquei sabendo desse lançamento me coçava de vontade de conhecer. Em primeiro lugar, porque o Pure Carat tem mais potência que o Pure, ou seja, o ganho auditivo é maior. Além disso, ele tem funcionalidades como…
SpeechFocus: Microfone directional, com possibilidade de captar o som que vem de trás.
Número de canais: Dependendo do modelo, o número de canais varia. O 101 tem 6 canais, o 301 tem 8 canais, o 501 tem 12 canais e o 701 tem 16 canais.
Microfone direcional: Microfone directional automático multi-canal adaptativo, que reduzem o ruído externo para que o usuário possa focar no interlocutor.
Mudança de cor da caixa: A caixa do aparelho pode ser trocada facilmente. O paciente pode escolher a cor que preferir. As cores disponíveis são bege, branco, prata e preto.
FeedbackStopper: Este recurso evita a ocorrência da microfonia.
SoundBrilliance: É um programa específico para ouvir música, estende a faixa de audibilidade até 12KHZ. Disponível nas versões 501 e 701.
E2e wireless 2.0: Sincronização binaural, os aparelhos comunicam-se entre si.
TruEar: Facilita a localização sonora, ajudando o cérebro a identificar de onde está vindo o som.
SoundSmoothing: Redutor de ruídos transientes como bater de pratos, talheres, etc.
miniTek e Tek: Conectividade com TEK ou miniTEk, permitindo a comunicação dos aparelhos com outros sistemas de áudio.
Gerenciador de ruído e fala: garante a audibilidade da fala e a redução do ruído ambiental.
Redutor de ruído de vento: esse não precisa de explicação!
SoundLearning: sistema de aprendizado que aprende as preferências do usuário e ajusta o aparelho automaticamente.
eCharger: é compatível com carregador de pilhas, e o eCharger também tem a função de desumidificar o aparelho.
ProPocket e ePen: controles remotos comuns para mudança de programa e de volume.
PRIMEIRAS IMPRESSÕES
Como sempre me acontece, o primeiro molde me machucou. Nesse caso, é porque o fiozinho que liga a caixa que fica atrás da orelha com o receptor que fica dentro da orelha está curto demais. Por isso que vivo dizendo para quem compra seus primeiros AASI: é preciso paciência. Muita paciência. Acho que uma pessoa em um milhão sai do consultório 100% satisfeita. Aparelho auditivo não é óculos, que você coloca e ploft, problema resolvido. Longe disso! Acho que em 10 dias o fio mais comprido fica pronto. Espero que esse não me machuque, senão serão mais 10 dias de espera até vir outro.
A primeira coisa que notei foi o quanto eu estava ouvindo melhor a minha própria voz!! Bem mais alta e muito mais clara.
Quando entrei no carro ao sair do consultório, fui tentar colocar meus óculos de sol, mas desisti. Como o fio está super curto, o aparelho e os óculos ficam disputando um espaço que as minhas orelhas não têm! Rsrsrsrs!! Aliás, alguém tem algum truque para usar retroauricular com óculos ao mesmo tempo??? Além disso abri um sorrisão ao ouvir o pisca-pisca. “Tic tic tic tic tic“, bem alto. Coisa que há muito tempo não ouvia. Fiquei faceira!
Ao chegar em casa, notei que o barulho horroroso do vento do ventilador simplesmente tinha sumido. Como assim??? Com o intracanal, ao chegar perto do ventilador, a sensação (por causa do barulho) era de que eu estava no meio de um furacão. Já o Pure tem essa função que reduz o ruído do vento, e reduz muito!! Agora escuto um sonzinho agradável vindo do ventilador. Isso significa que vou gostar de passear com o Pure Carat na praia!
Também notei que a TV estava mais alta do que de costume, mesmo continuando no mesmo volume. Fiquei bem feliz!!! A voz da minha mãe estava mais alta também, e eu ouvi barulhos que não ouvia, tipo a água pingando na pia do banheiro e lavadora de roupas funcionando de longe.
No trabalho, a primeira coisa que percebi foi que o ar-condicionado estava mais alto, mas nada irritante!! E os sons do teclado….bem, agora entendi porque me chamam de espancadora de teclados!!
No segundo dia de uso, meu cérebro estava tão animado por tantos sonzinhos novos que me deu vontade de cozinhar, só pra ficar ouvindo o som da comida sendo feita. Fiz um risoto de shiitake, funghi, alho assado e alecrim e curti cada momento: do chiado da cebola sendo refogada ao som da água sendo absorvida pelo arroz. Só quem não escuta é capaz de entender uma emoção dessas.
Enquanto escrevo esse post, é meu sétimo dia de uso, e tenho me sentido como um bebê a cada ‘novo’ som que escuto. São sons que eu já conhecia de outros Carnavais, mas que já não faziam mais parte do meu dia-a-dia – o sentimento é de reencontro, tipo “nossa, vocês ainda estão por aqui!“. Sinto como se eu tivesse um mundo todo a ser descoberto outra vez, e é uma sensação boa, de entusiasmo e felicidade. Já deu pra notar que estou super entusiasmada por estar ouvindo mais e melhor, né?? Torço para que caia uma chuva logo para ver se escuto o som da chuva com eles!!!!
PS: A Siemens não autoriza divulgação de preços, pois é um produto médico que requer avaliação prévia e não é adequado para todo mundo. Cada revenda pratica seu próprio preço, mas acredito que esteja na faixa dos R$10.000 por aparelho. É preciso pesquisar os preços de todas as revendas próximas à sua cidade, ver qual tem o melhor preço, negociar um desconto e aí sim fechar negócio!!
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Categorías: Aparelhos Auditivos, Novidades, Tecnologia
Meu amigo Francisco Rocha, que já tinha me mandado fotos do hearing loop disponível nos supermercados de Londres, dessa vez, enviou ótimas fotos do metrô londrino.
Em cada estação há um “Help Point“, que é uma central de ajuda. Ela tem alarme de incêndio, botão para pedir ajuda e informações e…HEARING LOOP! Como não amar essa acessibilidade??
Em maio vou fazer uma viagem de um mês para a Europa e pretendo fazer um registro detalhado de todos os locais nos quais eu encontrar hearing loop disponível – assim fica mais fácil de mostrar no Brasil para as autoridades que acessibilidade é rápida e simples, e não requer todo o lero lero e os anos de ‘discussão’ que rolam aqui.
Quem estiver no exterior e tiver o registro de locais com hearing loop, tira uma foto e me manda pra publicar no Crônicas!
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Categorías: Tecnologia, Viagem
E aí, quem já ficou preso no elevador?? Eu não, mas esses dias fiquei pensando como seria. Mesmo os elevadores mais modernos têm…um telefone para pedir socorro. Às vezes também tem o número do telefone da manutenção, mas é quase sempre um número comercial/residencial e não um celular – digamos que um deficiente auditivo que fique trancado no elevador esteja com o seu celular, ele pode mandar um SMS pedindo ajuda.
A pergunta é: como seria um elevador acessível para quem não ouve?
No meu prédio, o elevador é antigo, não tem sequer um telefone, apenas um botãozinho vermelho. Sei que nos mais modernos pode haver um circuito de TV, mas quando falta luz…já era!!
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Categorías: Crônicas da Surdez
É uma mistura dos dois e venceu um concurso importante de design. Vou traduzir o texto abaixo, que fala sobre ele em inglês:
SoundsGood é um aparelho auditivo para mulheres especificamente desenhado para parecer um brinco chique. Funciona de um jeito interessante: dependendo do tom da voz da pessoa que fala, o brinco exibe as ondas sonoras transformando-as em sinais coloridos. As diferentes cores intuitivamente indicam se você está falando muito estridente, suave ou de modo adequado.
SoundsGood is a hearing aid for women specifically designed to look like a classy earring. The device works in a very interesting way; depending upon the voice pitch of the speaker the earring displays graphic sound waves in colored signals. Different colors intuitively indicate if you are speaking too shrill, soft or appropriately for the user. I love the way technology is woven into an everyday object, so that the lady using the device is comfortable wearing the aid.
**É um protótipo, não vai ser fabricado. Na vida real, não funcionaria, por vários motivos. Primeiro, porque não parece em nada um brinco chique (hehehehe, achei breguérrimo); segundo, porque quando a mulher fala e sorri, as chances de que ele caia são enormes; terceiro, porque o aparelho indicar pro meu interlocutor que minha voz está estridente ou afins não é algo que me interesse. Enfim, o designer podia ter pedido uma consultoria básica para algum deficiente auditivo antes!
Pra ver os 20 melhores do Red Dot Awards, clique aqui. Tem muita coisa louca!!!
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Categorías: Novidades
A BBC lançou recentemente um documentário que parece muito interessante. Chama-se Deaf Teens, Hearing World (adolescentes surdos, mundo ouvinte). Infelizmente, só é possível assistir caso você esteja na Inglaterra – se houver algum ninja da computação por aqui nos diga como burlar o sistema, rsrsrs. Enfim, ele acompanha o dia-a-dia de cinco adolescentes surdos: Christianah (que está no último ano numa escola de surdos na qual é proibido sinalizar), Meghan (que acabou de fazer um implante coclear), Sara (surda sinalizada), Jake (que é gêmeo idêntico de um ouvinte) e Asher (namorado da Sara).
Li uma entrevista com a diretora, Claire Braden, na qual ela conta que resolveu produzir esse documentário pois o seu pai está ficando surdo. Desde então, as pessoas passaram a supor que ele é um tonto, o que causou curiosidade nela sobre como seria a vida de adolescentes que não escutam. É claro que, como toda novata no assunto, ela se diz maravilhada com a identidade surda. Fiquei desejando profundamente que um dia alguém faça um documentário que mostre como são as vidas, as vozes, os rostos, os desejos e obstáculos enfrentados pelos surdos oralizados.
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Categorías: Filmes, Novidades
Li aqui a respeito de uma tecnologia nova chamada Vpad que chegou ao país e que gerou muita discussão em grupos de surdos oralizados no Facebook em função do preço caríssimo e da manutenção, ainda mais cara. Trata-se de um serviço de intermediação por vídeo com intérprete de Libras. Assim, o surdo sinalizado pode pedir um táxi, uma pizza, um remédio da farmácia, etc. Para um surdo oralizado, não tem serventia.
O aparelho, que é um tablet, está em promoção de R$1.800 (!!!!!) por R$999,00. Além disso, para poder usar o serviço, deve-se comprar créditos para acessar a central de intérpretes, que NÃO funciona 24 horas por dia. A compra do Vpad está condicionada à uma assinatura de 12 meses. E a pessoa que adquirir o serviço ainda precisa ter internet com wi-fi de ótima velocidade em casa.
Os preços:
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+ R$30,00 |
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+ R$60,00 |
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+ R$120,00 |
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+ R$185,00 |
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+ R$270,00 |
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+ R$350,00 |
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+ R$400,00 |
O que mais me desagradou foi o fato de que, além desses preços altos, se você comprar uma assinatura mensal, os minutos que sobrarem não podem ser usados no mês seguinte. Qual a lógica? Ao que parece, este produto está focado num público consumidor de alto poder aquisitivo.
Fui pesquisar o assunto mais a fundo e encontrei o iLibras. O plano mensal custa R$18,90, valor muito acessível para qualquer pessoa. Some-se a isto o fato de que hoje todos nós temos um celular e/ou computador. Você acessa a central através do chat, de SMS ou de um email e eles fazem o que você precisa: marcam consulta médica, chamam táxi, avisam seu chefe que você não vai poder ir trabalhar, etc. Por esse preço simbólico (mas que para muitas pessoas já é alto) o deficiente auditivo que mora sozinho pode ficar sozinho em casa tranquilamente, pois, se precisar de ajuda, terá. Mandei email para eles perguntando se o serviço é 24hs e se também há a opção de intérprete de Libras no atendimento via chat – assim que me responderem, publico aqui. Achei o site pouco explicativo, tive dúvidas que poderiam ser facilmente sanadas se todas as informações a respeito do produto estivessem visíveis e explícitas de forma sucinta, sem que eu precisasse fazer um cadastro e mandar um email.
Resposta do iLibras (rapidíssima, por sinal!):
“O iLIBRAS funciona de segunda a sábado das 8h às 22h. A empresa está crescendo, em breve aumentaremos nossa equipe e começaremos a atender todos os dias, 24 horas. Como citado no post, a tecnologia para ter atendimento via videochamada com intérpretes de LIBRAS é cara e o acesso à banda larga no Brasil ainda é instável, estamos desenvolvendo pesquisas e realizando testes, para então termos esse tipo de atendimento. Quanto ao preço, vale ressaltar que pagando o valor mensal de R$18,90 o uso é ilimitado. Esperamos ter sanado suas dúvidas e agradecemos pela divulgação e apontamentos das falhas do serviço, estamos tentando melhorar sempre.”
Ao que parece, a primeira tecnologia foi criada visando os surdos que não dominam o português escrito – os que dominam não vão se importar de enviar um SMS, email ou acessar um chat por poucos minutos. Não venham me falar em ‘cultura surda’ numa hora dessas porque não me convence como motivo para comprar tecnologia cara. Na verdade, não vejo sentido em nenhuma tecnologia assistiva que diz querer facilitar a vida de um grupo de pessoas com deficiência e não contempla toda a gama de diversidade existente dentro dessa deficiência. No caso da surdez, existem surdos que dominam o português falado e escrito e surdos que não dominam e usam Libras: qual a dificuldade de se criar uma tecnologia que ajude ambos ao mesmo tempo, que seja barata e, assim, efetivamente acessível??? Segregação quando se trata de acessibilidade NÃO DÁ. Convenhamos!
Tenho um iPad, da Apple, e ele possui uma tecnologia chamada FaceTime, de vídeochamada sem delay. É grátis – com o inconveniente de que você só consegue se comunicar por ela com pessoas que também tenham iPad, iPod Touch ou iPhone. O iPad custa, no Brasil, em torno de R$1600 (em 12x sem juros no site da Apple), e tem uma infinidade de Apps que podem ser baixadas para facilitar muito a vida de quem tem deficiência auditiva. Exemplos: a app da Infraero (que mostra as mudanças de vôos e horários e portões de embarque de todos os aeroportos brasileiros em tempo real), o Dictation Dragon (você fala e aparece na tela do iPad escrito tudo o que você escreveu),etc.
Acessibilidade, para mim, NÃO PODE SER CARA. Imaginem como uma pessoa que gostaria de adquirir um serviço/tecnologia que facilitaria muito a sua vida se sente ao perceber que não poderá pagar por ele!
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Categorías: Crônicas da Surdez, Tecnologia
Segunda-feira de Carnaval, e resolvi encarar um Carrefour, acompanhada de uma tia-avó que tem quase 70 anos. Eu NUNCA entro em filas especiais, seja em banco, supermercado, repartição pública ou onde for. Mesmo que a lei me conceda esse direito, nunca me importei de esperar mais tempo numa fila ‘normal’.
Aí, na primeira vez que resolvo entrar numa fila especial, olha só o que me acontece. Minha tia me pediu pra esperar na fila enquanto ela ia buscar algo que tinha esquecido de colocar no carrinho. Bastou ela sair, que duas senhoras se plantaram na minha frente com ar de deboche e num tom de voz irônico e falando aos berros para que todo mundo visse e me hostilizasse junto, disseram: “Ué, a fila especial é aqui?”
Eu: “É, mas o fim da fila é lá atrás!” (a fila não era em linha reta e bem confusa, por sinal)
Elas: “Mas então o que é que tu tá fazendo aqui minha filha? Tu tá grávida por acaso?” (gritando)
Eu tenho sangue frio, e vivo comentando que meu sonho de consumo é xingar alguém que merece ser xingado exatamente no momento em que isso deve ser feito. Só pra variar, não consegui. Minha educação sempre fala mais alto.
Eu: “Não senhora, não estou grávida. Eu tenho deficiência auditiva (apontando pros AASI) e estou também acompanhando uma senhora de 70 anos!”.
As duas me olharam com um misto de vergonha e cara de nojo, deram as costas e foram embora. Quem estava bem perto quase começou a cavar um buraco de vergonha alheia. E eu fiquei com cara de tacho pensando que perdi a chance de rodar a baiana em público e dar uma aula de civilidade para duas senhoras mal educadas e grossas que não precisavam ter dado o tal showzinho. Fiquei tão sem graça que saí da fila, fui até o caixa e perguntei se a fila era somente para pessoas com deficiência física, mas ela disse que não, era para pessoas com QUALQUER DEFICIÊNCIA. Voltei pro meu lugar, esperei até ser atendida e fui embora.
Quando cheguei em casa, consultei a legislação e, realmente, eu tinha pleno direito de usar a fila especial. Aí fiquei me perguntando porque nunca tinha feito isso, e cheguei à conclusão de que acabo sentindo pena de quem está em situação pior ali de pé e abro mão. Foi então que me liguei que essa atitude é errada. Não existe deficiência pior ou melhor, o que existe é a mentalidade de que precisamos sentir pena do deficiente. E nós mesmos, que somos pessoas com deficiência, fazemos exatamente isso – basta perguntar a qualquer DA porque ele abre mão desse direito. E porque? Porque a surdez é a deficiência invisível, aquela que ninguém nota, aquela difícil de ser explicada (especialmente se você é surdo oralizado ou não usa aparelhos auditivos), aquela que não causa pena aos olhos de quem vê. Entre pagar o mico que paguei hoje e ir direto pra fila normal sem ser importunado, todo mundo prefere a segunda opção.
Tomei uma decisão. Vou entrar em filas especiais daqui para a frente quando bem entender, vou parar com essa atitude de agir como se alguém com deficiência auditiva não merecesse estar nessa fila e vou aproveitar para dar uma aula de civilidade toda vez que algum idiota me cutucar me perguntando porque diabos estou ali já que não sou idosa, não estou grávida e ele também não vê qual é a minha deficiência. Pessoas com alguma má formação que não seja visível a olho nu passam pelo mesmo que nós. Imagine a cena de alguém assim estar nessa situação e ter que perguntar pra senhorinha: “A senhora quer que eu tire o sapato pra comprovar a minha deficiência?”. É dose!!!
Por último, acho que aquela placa que sinaliza a fila especial é errada. Ela tem uma figura de um idoso, de um cadeirante e de uma grávida em 99% dos casos. E ainda diz “idosos, deficientes e gestantes”. Aí as pessoas olham para as figuras e ficam achando que só tem direito a estar ali o deficiente que for cadeirante. Aí você percebe que o imaginário coletivo acha que surdos, cegos, etc não saem de casa, não vão ao banco, ao mercado, blablabla. Devem ficar escondidos numa caverna ou coisa do tipo!
Me pergunto: será que os gerentes de mercados, bancos, etc, estão preparados para lidar com eventuais barracos (nem todo mundo tem sangue frio como eu) e conhecem a legislação na ponta da língua para defender aquele que está sendo atacado injustamente?? No fim das contas, realmente me desagrada ter que ficar dando satisfações a respeito da minha vida e da minha deficiência para estranhos que eu nunca vi na vida, num lugar público, sendo julgada de antemão por gente que eu não conheço e que não tem nada a ver com o fato de eu estar numa fila especial.
Quem já passou por isso e como agiu?
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Categorías: Crônicas da Surdez
No post “Um encontro em Buenos Aires“, o Paulo deixou um comentário falando sobre uma universidade americana chamada California State University of Northridge e sobre um curso de leitura labial em Londres. Me entusiasmei na hora!!! Na verdade, meu sonho é passar uns meses fora do país fazendo algum curso – de idiomas, coolhunting, lipreading, sei lá. O que me entusiasma é a oportunidade de viver uma língua diferente 24 horas por dia.
Porém, sempre esbarro no fato de não ter companhia para fazer isso. Já viajei sozinha pra Europa e América Latina, e por mais deliciosas que tenham sido as minhas viagens solo, ainda prefiro companhia. Na hora de sair pra jantar, de tirar uma foto, de dividir com outro ser humano uma pequena epifania, faz muita diferença.
Por isso, pergunto: quais são os cursos que vocês gostariam de fazer no exterior se pudessem, e porque? Alguém sabe de bolsas às quais podemos nos candidatar e algo do tipo?? Quem tem a intenção de passar um tempinho morando no exterior e está à procura de companhia para dividir a aventura e as despesas? Ah, e vale dizer quem está procurando companhia para fazer uma viagem curta (15 dias ou 1 mês) para fora também. Se todo mundo contar seus planos e sonhos aqui nos comentários, aposto como alguns de nós vão encontrar o que/quem estão procurando!!!
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Categorías: Crônicas da Surdez
Quem nunca viveu uma situação em que precisou explicar para alguém que era surdo oralizado e se viu diante de um par de olhos arregalados e uma expressão de ponto de interrogação?
A figura acima (executada pela Lak Lobato) mostra bem como as pessoas nos enxergam. Porém, cá entre nós, isso pouco importa – o objetivo da criação dessa figura foi mostrar com bom humor as diferentes visões que as pessoas têm de nós. O que interessa é como nós mesmos nos vemos. Os outros são…os outros! Quem se importa com eles não faz outra coisa da vida e vive com a auto-estima abalada. Não é verdade??
Compartilhei essa imagem num grupo de discussões de fonoaudiologia no Facebook, e uma fonoaudióloga me deixou o seguinte comentário: “Achei muito bom, pois em um comentário – infeliz ao meu ver – uma professora de Libras disse que surdo que é surdo, não necessita de prótese, apenas de Libras! Affff!“.
Tenho calafrios quando me deparo com os fanáticos da língua de sinais e seus simpatizantes. Professores não devem seguir algum código de ética? Essa professora citada pela fono certamente não sabe o que é isso. É uma pena! Os fanáticos prestam um desserviço à sociedade, pois tentam menosprezar pessoas que têm a mesma deficiência que eles, mas que se comunicam de outro modo. Importante salientar a diferença entre o fanático e o entusiasta: o fanático se considera um ser superior detentor de toda a razão na face da Terra; já o entusiasta apenas vibra com as suas escolhas de vida sem tentar impô-las a ninguém. Pode vir o Papa me dizer que sou menos surda que um surdo sinalizado, que quero ver ele provar essa barbaridade. Querer diminuir alguém que não ouve mas que quer ouvir e que coloca a tecnologia a serviço da sua qualidade de vida é muita pobreza de espírito. É muita falta de intelecto. E uma tremenda falta de respeito.
Respeito, minha gente! É a chave da questão. Fala-se tanto de diferenças, mas na hora de respeitar aquele que tem a mesma deficiência mas se comunica de outra forma, o respeito desaparece. Surdo que é surdo…não escuta, ou escuta mal. E se comunica como bem entender. Fico chateada de pensar na quantidade de crianças surdas que jamais terão liberdade de escolha e de pensamento por terem educadores deste naipe, que as fazem acreditar que devem servir à Língua de Sinais acima de tudo. Eu não faço da minha oralidade uma CAUSA e não tenho tempo nem paciência com quem faz da Língua de Sinais uma causa. Cada um na sua, pelo amor de Deus!!! Pregar a filosofia da surdez como uma DIFERENÇA e não respeitar os seus iguais que são diferentes no modo de se comunicar não tem cabimento.
Eu não estou interessada em ideologias, mas sim em me comunicar. E o modo que eu escolhi para isso não é melhor ou pior do que o modo que um surdo sinalizado escolheu. Vamos parar com essa atitude vergonhosa de disseminar mentiras para a opinião pública. Nem que eu precise repetir um bilhão de vezes: existe diversidade dentro da surdez, existem surdos oralizados E sinalizados, existem aparelhos auditivos e implantes cocleares, existe a opção de ouvir!! Generalizações baratas não são bem-vindas!! Todo o meu respeito por quem exalta as diferenças, e todo o meu desprezo por quem finge que elas não existem.
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Categorías: Crônicas da Surdez
Eu vivo reclamando sobre a falta de acessibilidade de bancos e operadoras de cartão de crédito no que tange aos deficientes auditivos. Tenho calafrios com o papinho do “0800 para deficientes auditivos e da fala”, que é a maior falcatrua de todos os tempos. Me irrito demais pela recusa das instituições financeiras de facilitar a nossa vida e nos atender por email e ter um chat 24horas-7 dias por semana à disposição. Isso é acessibilidade. O resto é conversinha pra boi dormir. Quem simplifica o óbvio tem todo o meu apoio e admiração!!
Por isso, quero dividir com vocês uma boa surpresa que tive antes de viajar. Eu tinha um cartão American Express que não usava há milênios – e antes que me perguntem porque manter um cartão que você não usa, já aviso que ele não tem anuidade nem taxas de manutenção, olha só! Enfurecida com aquele perrengue clássico pelo qual eu passo antes de toda viagem (ter que pedir pra minha mãe ligar pros malditos 0800, fingir que é a minha ilustre pessoa, avisar da viagem para que não bloqueiem meus cartões no exterior) decidi dar uma investigada básica no Amex. Como? Fui testar o chat que eles disponibilizam no site para resolver problemas.
Confesso que esperava um atendimento ruim e desculpas fuleiras como “para esta solicitação, você deve ligar para o 0800“. Mas não. Aconteceu exatamente o contrário. A pessoa que me atendeu no chat foi 100% eficiente. Atendeu a todas as minhas solicitações (mudança de endereço, de telefone, aumento de limite, pedido de seguro-viagem) sem apelar para nenhum tipo de burocracia idiota. Sabe quando a coisa flui? Quando a experiência que tem tudo para ser um desastre dá certo? Me apaixonei, e como resultado, desde então deixei meus Visa e Mastercard de lado e só uso meu American Express. Acabei descobrindo, inclusive, que o programa Membership Rewards do Amex deixa os sistemas de ‘recompensa’ dos meus outros cartões no chinelo, e já me associei. Raciocinem comigo: não pago anuidade nem taxas para ter o cartão, posso resolver qualquer pepino num chat e meus gastos valem mais no programa de recompensas deles do que em qualquer outro!! Porque é mesmo que eu não usava meu Amex antes? De burra. Ponto!
O chat ainda não é 24horas. Está disponível de segunda à sexta-feira das 8h às 22h e aos sábados das 8h às 16h. Só por isso não é perfeito. Quero deixar registrado o meu reconhecimento à acessibilidade para surdos oralizados que o Amex proporciona aos seus clientes. Iniciativa louvável e MUITO eficaz. Parabéns!!!
Fica a dica para quem está de saco cheio com a sua operadora de cartão de crédito da era dinossáurica, como eu estava!
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Categorías: Crônicas da Surdez, Novidades
Recebi uma dica que penso que pode ser do interesse de todos que lêem o Crônicas da Surdez.
“Oi Paula, parabéns pelo blog. Leio com frequência, pois sou pai da Bia, linda menina, que tem perda profunda devido à síndrome do aqueduto vestibular alargado. Usamos o desumidificador de sílica gel para proteger o aparelho auditivo. Mas recentemente decidi pesquisar a razão deste produto ser tão caro; pelo menos nos locais onde costumo(ava) comprar, o preço varia de R$45 a R$63. Descobri que a sílica gel é reutilizável, basta aquecer as bolinhas por 20 a 30 minutos em uma panela, até retornarem à cor original, e também descobri que o que pago por um pote, é o preço de um 1,5 quilos. Comprei na http://www.cacaumidade.com.br/, mas devem haver outras, com certeza.
É como eu sempre digo: quem lida com uma deficiência como a surdez, cujas próteses e acessórios são tão dispendiosos, precisa se informar, correr atrás – e não apenas aceitar UM orçamento, UM preço, de UM lugar.
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Categorías: Novidades
Atenção pessoal: assinem essa petição, pois isso nos afeta diretamente. A TV por assinatura e suas séries legendadas sempre me salvaram e me ajudaram muito a reforçar meu vocabulário de inglês e a aprender a ler lábios em inglês. Pensar que daqui pra frente todas as séries serão dubladas me dá calafrios e uma tristeza sem tamanho. Vamos lutar para ter opção!!!
“Quando você compra ou aluga um DVD ou Blu-ray, é possível escolher se vai assistir ao conteúdo com áudio original e legendas ou dublado em português. É um recurso simples, democrático, acessível e independente da preferência pessoal do espectador. Infelizmente, o mesmo não ocorre na TV por assinatura brasileira. Desde 2007, diversos canais fechados passaram a investir em conteúdo dublado (ignorando a parcela de assinantes com deficiência auditiva, diga-se), sobrepondo-o em cima do original legendado, muitas vezes da noite para o dia e sem conferir a opção de escolha. Poucos hoje oferecem legendas e a tendência por oferecer o áudio dublado por padrão hoje é dominante. Pautados em pesquisas de mercado como esta do Instituto DataFolha, que indicam a preferência pela dublagem por uma relativa maioria (afinal, pouquíssimos são consultados), canais de TV investem na imposição da dublagem de atrações que costumavam ser exibidas com áudio original e legendas. Você, consumidor, foi consultado pela sua operadora sobre essas mudanças?
Questão Técnica
Assim como ocorre no exemplo do DVD ou Blu-ray, a maioria das operadoras de TV por assinatura estão tecnicamente preparadas para oferecer todas as opções para o assinante, seja para aquele que prefere assistir filmes e séries com áudio original e legendas, ou para os que preferem dublado. “Tecnicamente disponibilizamos isso para todos, basta o programador mandar. Se os canais nos mandam a legenda e dois áudios, estamos prontos para oferecer as opções em 100% dos canais”, declarou o gerente de marketing da NET, Alessando Maluf, em entrevista ao Jornal do Comércio. Isso tanto é verdade que canais dos grupos Tele Cine e HBO, por exemplo, já disponibilizam todas as faixas para seus assinantes, que precisa apenas selecioná-los no controle remoto. Mas por que esse, então, não é o padrão?
Questão Financeira
Nem todos os canais estão dispostos a incorrer nos custos necessários para a implantação desta tecnologia. Alexandre Annenberg, presidente-executivo da ABTA disse que “isso envolve custos adicionais que não são triviais, pois passa a ocupar faixas diferentes da capacidade de transmissão. Se você simultaneamente estiver transmitindo dois filmes, um dublado e um legendado, ocupa um espaço que tem um custo, obviamente”. Ele ainda complementa que “Na medida em que a TV por assinatura recentemente começou a receber uma marcha significativa de assinantes de classe C, percebemos que isso passou a ser uma exigência dessa classe que se sente, digamos assim, mais confortável com programação dublada. A partir daí, para atender a esse contingente expressivo, nós passamos a investir também na dublagem de filmes e séries”. Vergonhoso com o assinante e com o consumidor.
É curioso notar, contudo, que de acordo com dados da Anatel, a TV por assinatura no Brasil teve um crescimento estrondoso, de mais de 30%, com uma base superior a 12 milhões de assinaturas. Ora, tamanho crescimento reflete diretamente no faturamento de canais e empresas, razão pela qual o argumento “falta dinheiro” é absolutamente refutável. Falta interesse e, principalmente, respeito com você assinante que paga caro para ter um produto incompleto e discriminatório. Por isso, o Ligado em Série, alinhado com a Sociedade dos Blogs de Séries inicia aqui o movimento “DUBLADO SEM OPÇÃO, NÃO!”, pelo nosso direito de escolha de áudio original e legendas ou dublagem na TV paga.
O Que Fazer?
Nesta campanha, organizamos uma Petição Pública para ser assinada por todos aqueles que querem ter a prerrogativa de escolha na hora de assistir TV. As assinaturas serão coletadas pelos organizadores do movimento, impressas e encaminhadas anexadas a ofícios impressos dirigidos às principais operadoras de TV, aos canais infratores e à ABTA – Associação Brasileira de TV por Assinatura, que representa o lobby dos principais canais.
Mas você também pode se fazer ouvir. Abaixo estão listados todos os canais de filmes e séries que não disponibilizam a opção ao seu assinante, bem como seus principais meios de comunicação em redes sociais para fazermos barulho! Mandem mensagens no Facebook, twittem e exijam que a opção de áudio seja disponibilizada a todos! Siga também os perfis dos blogs parceiros, que organizarão manifestações online à favor do direito de escolha! Nós não vamos cansar até modificar este panorama! Ajude, compartilhe a petição e faça-se ouvir!
- Exibe quase toda a programação dublada, sem opção de áudio original e legendas.
- Exibe quase toda a programação dublada, sem opção de áudio original e legendas.
- Exibe apenas algumas atrações com opção de escolha de áudio e legendas; a maioria da programação é dublada, com opção apenas de SAP.
- Exibe séries apenas dubladas em alguns horários e planeja a estreia de novas séries dubladas ao longo de 2012, sem opção de escolha de áudio original e legendas; Maior parte do conteúdo é legendado por padrão, ainda.
- Exibe séries apenas dubladas em alguns horários e planeja a estreia de novas séries dubladas ao longo de 2012, sem opção de escolha de áudio original e legendas; Maior parte do conteúdo é legendado por padrão, ainda.
- Exibe séries apenas dubladas em alguns horários e planeja a estreia de novas séries dubladas ao longo de 2012, sem opção de escolha de áudio original e legendas; Maior parte do conteúdo é legendado por padrão, ainda.
- Exibe algumas séries dubladas, apenas com opção de SAP, bem como algumas atrações legendadas por padrão.
Canais de Filmes Infratores
- Exibe filmes dublados e opção de áudio apenas em SAP, sem legendas.
- Exibe filmes dublados e opção de áudio apenas em SAP, sem legendas.
MGM: Contato
- Exibe filmes dublados e opção de áudio apenas em SAP, sem legendas.
- Exibe filmes e séries dublados, sem opção de SAP em vários casos e sem legendas.
- Exibe filmes e séries somente dublados.”
A fonte é http://www.ligadoemserie.com.br/2012/02/dubladosemopcaonao/ – ajudem a divulgar isso o máximo possível essa ação, gente!!
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Categorías: Crônicas da Surdez, Notícias
Recebi um email que é um alerta para todos os que pretendem comprar aparelhos auditivos. Muito cuidado, muita atenção. Comprem somente de revendedores autorizados (basta procurar no site da marca, no caso da Siemens, as informações estão em www.siemens.com.br/audiologia). Jamais se paga um AASI à vista como a leitora abaixo fez: qual é a garantia de que você irá mesmo receber o produto?? Existem muitos picaretas e gente sem caráter operando nesse meio. Do mesmo modo que somos criteriosos na hora de comprar um carro, por exemplo, temos que ser quando compramos próteses auditivas. Por se tratar de um assunto delicado para quem está recém recebendo a notícia de que precisa usar AASI, esses picaretas tiram proveito disso e aplicam golpes absurdos.
“Oi Paula…
Adorei ler os seus textos, me interessa bastante!
Estou comprando dois aparelhos auditivos da Siemens, tenho perda profunda nos dois ouvidos. Quero saber se vc conhece o sr. “X” que fica na Barra da Tijuca, pois estou desconfiada de que ele está me passando pra trás. Já paguei à vista dois aparelhos auditivos por causa da promoção que vi na revista “O Globo” (quem comprasse o par, o segundo aparelho teria 50%, aproveitei o preço e paguei á vista). Foram encomendados os dois aparelhos micro-canal.
Levou 25 dias pra chegar. Diz ele que chegaria antes de 15 dias, marcou na terça feira, quando foi o dia, tentei ligar antes de ir, falei com a secretária dele, não sabia se era pra eu ir, ficou de dar retorno, fiquei esperando por uma hora, liguei de novo, e pediu pra eu esperar mais um pouco. Resolvi ir no escritório dele, e o sr.”X” não estava lá, liguei na mesma hora pra ele no escritório dele, disse que estava no centro, e atendendo cliente e que não deu tempo, e combinou de vir na minha casa às 17 horas e nada de ele comparecer. Liguei brava, e ele sempre dando desculpas, marcou outro dia pra eu ir no escritório. Fui no outro dia, a fono e o sr.”X” estavam me esperando.
Veio a fono me atender, fez audiometria e disse que os aparelhos micro-canal não vieram, pois lá em São Paulo falaram que aquele micro canal não era adequado para mim. Vieram dois aparelhos que parecem o mini retroauricular com o fio fino. Reclamei que aquele seriam mais caros, e disseram que não e aquele mini retro é mais caro que o micro canal. Experimentei os dois, estavam baixos, não tinha como aumentar mais. O ganho dele vai até 45 decibéis e reclamei que eu precisava de 90 decibéis, por isto que os aparelhos estavam fracos e não eram adequados para mim.
Fiquei com muita raiva! E disse que eu tinha que usar o retroauricular, sendo que não é mais moderno que os outros e ficaria mais caro também que os outros? Eu acho que ele nem encomendou os aparelhos, e que aqueles que estavam lá, eram dos clientes dele, fez isto só pra me enrolar mais. Vou fazer ele devolver o dinheiro, perdi a confiança nele e nem a fonoaudióloga foi sincera comigo. Por favor, me ajuda, se você conhece ele e se ele já fez com você também ou fez com os outros clientes, me diga com urgência. Obrigada!”
A caráter informativo, eu repasso para a Siemens todo e qualquer email com reclamações sobre revendas que chega até a mim em função do Crônicas da Surdez. No caso acima, fui informada de que o sr.”X” não é mais revendedor Siemens no Rio de Janeiro.
Abaixo, alguns conselhos que dou quando as pessoas vêm me perguntar sobre o que devem saber antes de comprar aparelhos auditivos!
Se alguém quiser complementar os conselhos, por favor, o faça nos comentários. E quem já tiver passado por esse tipo de situação, compartilhe os detalhes conosco.
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Categorías: Crônicas da Surdez
Vocês sabem que meu sonho é conhecer ao vivo e a cores todo mundo que faz parte dessa turma grande de leitores/amigos do Crônicas da Surdez, né? Melhor do que descobrir no mundo virtual pessoas que passam pelas mesmas experiências de vida que nós, só mesmo trazendo isso pro mundo real.
Em Buenos Aires, tive o prazer de conhecer uma pessoa muito especial: a Estephânia. A Esteph (íntima) é surda bilíngue, e mora na capital argentina, onde cursa faculdade – aliás o curso dela é sensacional, Restauração de Bens Culturais e Arte. Marcamos num restaurante chamado Il Ballo de Mattone, e eu peguei um taxista truqueiro que me levou lá pro outro lado da cidade, sendo que o restaurante ficava bem pertinho do hotel. Me atrasei, e quando cheguei, a Esteph estava sentada numa mesa esperando. Mas o lugar era meio kitsch (eu que escolhi, #shameonme) e, pior, totalmente escuro. Vamos combinar: é desesperador pra quem não escuta conversar no escuro!!! Decidimos mudar pra outro italiano ao lado, muito bem iluminado e mais agradável do que a minha primeira escolha. Ufa!!!
Ficamos umas quatro horas conversando – a Esteph fala muuuito bem!! Foi tão legal!! Dois dias antes, assisti em Buenos Aires no canal Sony Spin, pela primeira vez, o seriado Switched at Birth e amei! Escutar em inglês e ler as legendas em espanhol é bem divertido, e eu já estava ansiosa pelo próximo capítulo. A Esteph explicou que por lá passava soment nas segundas-feiras, e bem tarde da noite (na outra segunda fiz aquele esforço pra ficar acordada, mas acabei dormindo uns dez minutos depois que começou, rsrsrs). Como ela foi viajar no dia seguinte, acabamos nos encontrando apenas uma vez, e foi incrível. Já tenho uma nova amiga que vou rever todas as vezes que voltar à Argentina! \o/
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Categorías: Crônicas da Surdez, Viagem
Primeiro, vocês precisam ler o depoimento que a Rafa, mãe do Tom, deu para a Lak, lá no Desculpe Não Ouvi – reproduzido aqui com a autorização da dona Lak!
“No dia 03 de agosto de 2005 eu e Wagner descobrimos que estávamos grávidos. Desde o início, eu sabia que seria mãe de um menino e a primeira coisa que comprei foi uma chupeta azul. Logo no início, aos 2 meses comecei a ter muitos problemas e uma hiperemese gravídica me deixou imensamente debilitada. Vômitos excessivos, mal estar e desmaios me consumiam. Logo veio a primeira internação, depois a segunda e na terceira…
Precisei de um especialista, que acreditava que eu não suportaria levar a gravidez adiante, já que estava muito fraca e seria quase impossível que o bebê resistisse. Depois de 18 dias sem comer ou beber, o médico decidiu fazer um último ultrassom e avisou a minha mãe que provavelmente o feto já não deveria estar vivo. Para surpresa de todos, o ultrassom constatou que Antonio Pedro estava ótimo, apesar do meu estado.
Nesta fase precisei de muitos remédios, os dias foram muito difíceis mas nós resistimos. Com quase 4 meses de gestação comecei a me recuperar e até os 9 meses tudo correu perfeitamente. A cada exame com resultado normal, o coração se enchia de alívio. Estávamos ótimos! Fiz repouso para que ele não decidisse nascer antes do tempo e, no dia 22 de março de 2006 no Rio de Janeiro chegou nosso príncipe, Antonio Pedro.
Antonio Pedro nasceu lindo, com 3kg e APGAR 9*! Com o passar do tempo, ele se desenvolvia perfeitamente e nunca notamos nada de diferente. Sempre foi muito atento. O olhar fixo em tudo sempre impressionava a todos. Em 2010 saímos da Barra da Tijuca (Rio de Janeiro, RJ) e nos mudamos para Três Rios, no interior do Estado. A partir daí, começamos a perceber algo diferente. O volume da TV sempre muito alto e uma certa desatenção começaram a me deixar preocupada. Resolvi marcar uma consulta com um otorrino, acreditando que poderia ser algo relacionado à sinusite ou à natação, mas no fundo, eu sentia que tinha algo além.
Na primeira consulta, o médico disse que minha preocupação era coisa de mãe e que meu filho era surdo de ocasião! Senti-me uma completa idiota! Saí do consultório sentindo que eu não devia acreditar naquilo e procurei outro profissional. O segundo médico fez duas timpanometrias que acusaram uma baixa na audição e então veio a indicação de um BERA que não foi aceito pelo pediatra já que o TOM (é assim que o chamamos) não tinha indicação de surdez já que falava perfeitamente e já ia completar 5 anos! Fomos encaminhados a um neurologista, que também discordou da realização do BERA. Fiquei desesperada! Não sabia mais a quem recorrer…
Foi então que encontrei na rua, a Fga. Fernanda Avelino, fonoaudióloga e amiga do meu irmão. Expliquei o que estava acontecendo, falei do meu desespero. A essa altura, ele mesmo se queixava e dizia que não ouvia. Fga. Fernanda se propôs a nos ajudar e fazer uma audiometria no Tom. Ela foi maravilhosa e nos deu todo apoio! Marcado o exame, começaram a surgir as dúvidas e o medo de dar alguma coisa errada no resultado. Quando fomos para a audiometria, não precisou de muito tempo para o motivo do meu medo se tornar realidade! O resultado estava nos olhos da Dra Fernanda! Para a surpresa de todos, Tom não ouvia praticamente nada! Era dono de uma perda auditiva bilateral severa irreversível causada pela má formação dos nervos auditivos, provavelmente ocasionada pelos problemas da minha gravidez. Estava explicado porque ele sempre foi tão atento e porque olhava fixamente para as pessoas enquanto elas falavam! Ele fazia leitura labial!
Confesso que me senti anestesiada. Queria chorar, gritar, culpar alguém. A inicial da notícia foi dolorosa e todos sofremos! Meu marido tentou ser forte, para que eu não fraquejasse. Minha mãe chorou muito, meu pai custou a acreditar nos resultados e por isso ainda buscamos mais 3 opiniões diferentes que, na verdade, foram todas iguais! A indicação era protetizar o Tom com aparelhinhos auditivos. Mais uma vez veio o medo. Tudo que eu conseguia pensar era como seria o futuro do meu filho e o medo do preconceito me apavorava!
Ao mesmo tempo, eu queria que ele ouvisse logo, tudo, muito rápido. Senti culpa por não ter percebido antes e, ao mesmo tempo. tentava me absolver dessa culpa pensando em como eu poderia perceber se ele falava e sempre imaginamos que surdos não falam! Uma força gigantesca me invadiu e eu saí pesquisando tudo sobre o assunto para enteder e saber o que seria da vida do meu filho e tudo que seria o melhor pra ele. Da descoberta, a consulta inicial para os molde até a colocação se passaram 2 meses e 12 dias, que pareceram os mais longos dias do mundo! Conversamos muito com ele! Explicamos tudo com muita calma e cuidado para que ele entendesse que aquilo era uma coisa muito importante pra vidinha dele e para a nossa! O apoio dos meus pais e do meu irmão foi maravilhoso. Isso me deu muita força!
Enfim o grande dia chegou! Fomos para Juiz de Fora encontrar a Fga Cristina Assis, um anjo que apareceu na nossa vida! Levamos filmadora, máquina fotográfica, tudo! Queríamos registrar cada detalhe! A colocação dos aparelhos nos trouxe uma mudança imensamente apaixonante e imediata! Costumo dizer que hoje ouvimos junto com ele pois cada descoberta sonora vira uma grande festa pra todos nós. A primeira coisa que ele ouviu foi um passarinho piando!
Hoje já temos uma lista de descobertas deliciosas! Coisas que antes ele nunca havia ouvido! Barulhinho da água descendo pelo ralo do banheiro, o vento, palmas (ele não sabia que palmas faziam barulho!!) bater os pés no chão, os sinos da igreja, a buzina dos carros, o estalar dos dedos…. O “toc toc” de bater na porta… Hoje nada é mais lindo e importante do que a audição do meu filho! O medo não existe mais! Preconceito nem pensar! Não existe preconceito se o meu filho é feliz! Somos apaixonados e muito orgulhosos do nosso pequeno “Eficiente” auditivo”.
Nosso príncipe é lindo e muito especial! Entrou na escolinha, uma escola bilíngüe (português/inglês) com 1 ano e 8 meses e hoje, já está sendo alfabetizado! Toca bateria, faz inglês no CCAA, jiu jitsu e ginástica olímpica. Ama música, skate e livros! Ele ama os aparelhinhos, curte cada momento! Não gosta de estar sem eles em nenhum momento e para dormir é um sufoco, pois ele não gosta de tirar! Preciso esperar pegar no sono! Ele diz que tem super poderes! Nosso pequeno contrariou as estatísticas! Um surdinho que fala e enche muita gente de curiosidade! Sou imensamente grata a Deus por me dar a oportunidade de ser mãe de um filho tão especial! Agradeço a Fga. Fernanda Avelino, Dr. Luiz Alberto Barbosa, Fga. Cris Assis, Fga. Marcela Pinheiro e Dr. Alfredo Bastos, nosso pediatra, pelo carinho, pelo apoio e cuidado de sempre. Todos foram essenciais nesta nova caminhada. Desejo toda sorte do mundo as mamães e seus filhos! Sejam felizes e orgulhosas, pois fomos escolhidas para compartilharmos de dias lindos com muitas conquistas sonoras e vitórias de nossos pequenos! Fomos escolhidas para o Amor!”
Como o título do post bem diz, eu acredito que as mães de crianças (e bebês, adolescentes e adultos) com deficiência auditiva são anjos. Pela paciência, pela dedicação, pelo esforço, pela cumplicidade, pelo companheirismo. Especialmente aquelas mães que entendem que quem efetivamente vive a surdez é a criança, e não ela. As mães podem nos dar ferramentas para que possamos ser 100% independentes na vida e seguir os caminhos que tivermos vontade – mas elas não podem sofrer por nós, afinal, perda de tempo e deficiência sensorial não combinam. Abaixo, a Rafa gentilmente respondeu a algumas perguntas minhas. Confiram!
O que você diria para os pais que desconfiam que há algo de errado com seu filho pequeno, mas ouvem do médico que “ele é desatento”, “é só uma surdez temporária” e afins?
Essa foi a primeira coisa que ouvi quando procurei um especialista! Ouvi que o Tom era desatento, surdo de ocasião, que isso era coisa de criança e principalmente coisa de mãe! Para muitos pais ouvir de um médico que o filho é desatento muitas vezes é um alívio. Infelizmente muitos preferem essa falsa sensação de alívio do que ter a certeza que o filho precisa realmente de ajuda para ouvir. Mas, nada é mais importante que a qualidade de vida e a felicidade de um filho, portanto ao sinal de qulquer dificuldade e desantenção procurem um médico (otorrino) e um fonoaudiólogo. Façam os exames e ouçam outras opiniões. Não se deve aceitar um único diagnóstico qdo existe dúvida!
No nosso caso, o que que nos chamou a atenção inicialmente foi a altura excessiva do volume da tv, a falta de resposta quando o chamávamos de longe ou estávamos de costas pra ele . Se o volume da tv não estivesse muito alto ele dizia não ouvir.
Levamos uma vida totalmente normal! Ele é totalmente oralizado, fala perfeitamente e fazemos questão de deixar ele à vontade nas escolhas dele. Faço questão de que ele esteja sempre integrado em várias atividades. Esse é o segredo.
Quando descobrimos que o Tom teria que usar os AASi minha maior preocupação era de como isso seria recebido pelos professores e coleguinhas. Ele já estava no Jardim III e eu tive muito medo do preconceito que ele pudesse sofrer ! Hoje costumo dizer que tivemos muita sorte ! Acho que pelo Tom ser muito popular isso ficou mais fácil! Todos receberam a notícia muito abertamente! A coordenação da escola foi imensamente atenciosa conosco,os amiguinhos e os pais curtiram a novidade junto com ele e a professora já se prontificou a usar o sistema FM para auxiliar o Tom na alfabetização!Isso tudo numa escola regular! O Tom é o único com problemas auditivos na escola!
Necessidade nenhuma! O Tom não faz idéia do que são LIBRAS! Não sou contra mas ele realmente não precisa delas! Se mais tarde ele tiver a curiosidade de aprender não me oponho! Acredito que se essa curiosidade surgir com certeza será para ajudar o próximo mas não que ele vá se comunicar através dela. Ele é totalmente oralizado,inclusive faz inglês no CCAA.
Acredito que limitar a felicidade de uma criança com DA é uma grande injustiça , assim como acho injusto muitas separações que são feitas. Por isso deixo um recado aos pais que ainda sentem medo de mostrar seus filhos com DA ao mundo! Sejam felizes ! Mostrem ao mundo que seus filhos são pessoas capazes de viver, aprender, sonhar e realizar muitas coisas! Eu costumo dizer que não existe PRECONCEITO se meu filho é feliz! Curto e vibro com cada conquista! Ensino meu filho a conviver e respeitar as diferenças e espero que um dia o mundo tbm seja assim!
Bjs sonoros a todos!!”
PS: queridos amigos e amigas leitores(as) do Crônicas da Surdez!! Quem tiver algum relato interessante/diferente a respeito da sua surdez/deficiência auditiva, não hesite em me enviar. Estou sempre à procura de histórias que possam inspirar a todos nós. Se você é médico, fonoaudiólogo, mãe, pai, irmão, cônjuge de alguém que não escuta, também pode (e o melhor, deve!!) enviar a sua história. Não hesite em entrar em contato. Compartilhar a sua história pode ser de GRANDE ajuda para alguém que está atrás da tela do PC e precisa ler as palavras que você escreveu.
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Categorías: Posts dos Leitores
Por causa do meu outro blog, o Sweetest Person, acabei ficando craque em comprinhas internacionais pela internet. Meu site favorito para isso é o ASOS. As coisas vêm da Inglaterra, o frete é grátis e é muuuito raro que a Receita Federal pegue os pacotes inferiores a 50 dólares. Navegando lá esses dias, me deparei com uns acessórios bem diferentes para as orelhas e pensei: taí um jeito legal de brincar com os aparelhos auditivos de um jeito fashion!
Esse custa U$18,18 e tem frete grátis.
Esse custa U$14,54 e tem frete grátis.
Esse também custa U$14,54 – pra mim é o mais legal de todos!!
Por último, o mais discretinho, também na faixa dos U$18.
PS: não me aguentei e comprei o da asa preta com o pingente!!!
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Categorías: Novidades
A Siemens mais uma vez sai na frente com o lançamento do Pure Carat 501! É um aparelho RIC (receptor no canal) com 4 potências de receptor, inclusive para perdas severa/profunda. Além de contar com a BestSound Technology, o Pure Carat é recarregável e compatível com todos os acessórios Siemens (controle remoto, TEK e miniTek). Possui bobina telefônica com a possibilidade de autophone, outro recurso que pode facilitar a vida do usuário na hora de atender o telefone. E ainda tem mais! O Pure Carat vem com gerador de som integrado e pode ser utilizado no Programa Siemens de suporte ao paciente com zumbido! Enfim, um aparelho completo!
O lançamento oficial no Brasil e hoje, dia 18/01. Eu já sabia dessa novidade há alguns meses, mas nunca pensei que esse dia fosse chegar. Esse AASI e tao moderno e completo que acho que, para supera-lo, só se a Siemens criar um que converse com a gente e também leve o cachorro para passear. Rsrsrsrs!!
Quem tem perda auditiva severa/profunda quase sempre fica só desejando esses top lançamentos, porque, no geral, atendem ate a perda moderada. Eu estou felicíssima por saber que ele me ajuda, e e claro que vou fazer um test drive – o som de um aparelho auditivo Pure e o som mais próximo a audição natural que já escutei na vida, palavra de quem ouvia bem quando criança e tem uma vasta memória auditiva!
E como tenho zumbido altíssimo e incessante nos dois ouvidos desde que sai da barriga da minha mae (já estou mais do que adaptada e acostumada, mas e super chato) nem preciso comentar o quanto fiquei curiosa com esse gerador de som integrado!
Ah, antes que eu me esqueca! Algumas pessoas preferem atender o telefone pela bobina telefônica. Quando o aparelho está na bobina, ele recebe o som por indução magnética e não pelo microfone. O Pure Carat, além da bobina, tem a função autophone, ou seja, o aparelho entra automaticamente no T quando aproximamos o telefone do ouvido. Outro recurso é utilizar o neck loop em ambientes preparados para transmitir o som por indução magnética, como alguns teatros, etc. Aí e so usar a bobina T do aparelho mais o colar de indução magnética.
E um aparelho versátil, que atende basicamente todos os tipos de perda, tem compatibilidade com diversos acessórios e tem bobina telefônica. E, para quem se preocupa com discricao, ele e quase invisível, mesmo com todos esses recursos!
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Categorías: Novidades
Baixei na App Store a app Accela Study, que custou U$19,99. São mais de 2.800 palavras que você ouve primeiro em inglês e depois, em espanhol (ou vice-versa). O legal é ouvir sem olhar o iPad porque assim seu cérebro se obriga a ‘pensar’ e a tentar entender o que você ouviu.
Sem falar que é uma delícia ficar treinando o ouvido em dois idiomas distintos ao mesmo tempo e observar as nunces dos sotaques.
Comigo acontece assim: escuto em inglês e não entendo de cara, mas assim que escuto em espanhol penso “ah, claaaro!”. Gosto mais do espanhol porque a pronúncia é mais aberta e fácil de entender.
Outra opção legal é ouvir uma palavra em inglês (ou espanhol) e ter que escolher entre quatro opções escritas na outra língua o que você ouviu. Super treinamento auditivo, especialmente para aqueles que têm um conhecimento básico/médico de ambas as línguas.
Fica a dica! Também dá pra baixar no iPod Touch.
PS: se alguém já faz isso por favor me deixe a dica de qual App usa, ok? Eu gostaria de encontrar uma com várias frases e conversação em vez de só palavras, mas ainda não achei.
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Categorías: Tecnologia
Olhem o email que recebi do Matheus:
“Olá Paula mais uma vez quero te dar os parabéns pelo site sempre acompanho as atualizações dele,li seu comentário sobre o natal e me fez lembrar de uma coisa que aconteceu esses dias comigo, estou tirando carta e essa semana comecei a fazer aula pratica de carro e peguei um Palio zero bala pra dirigir! Que ótimo né? Eu também achei isso só não imaginava que o motor fosse tão silencioso que não escuto nada e não tem conta giros. O primeiro dia foi muio ruim, aí o jeito foi pedir pra fono aumentar o volume do meu aparelho (que não é lá aquelas coisas mas quebra um galho) que estava abaixo do necessário. Agora dá pra escutar um pequeno ruído do motor mas aguentar aquele barulho irritante do ar condicionado está sendo muito estressante! Podia pelo menos ter pedido um carro com contagiros ! Aí a instrutora fala pra mim “ah mas não é recomendado olhar em contagiros pra trocar de marcha”. Mas será que nunca pensaram na possibilidade de alguem que não escuta direito ter que dirigir sem escutar o motor e sem saber se o carro está pedindo marcha ou pedindo redução? Claro que não né, só quem não escuta bem pensaria nessa possibilidade.”
Depois, recebi esse da Anna:
“Paula, você disse que dirige, como foi a auto-escola? Pergunto porque ano que vem terei que tirar carteira e estou tensa pensando nas aulas práticas!! Imagina o instrutor falando e eu necas de entender as instruções? Ele explicava antes de você fazer, ou você conseguia entender direitinho mesmo tendo que olhar pra frente? (comigo isso não rolará não). Me dá uma luz?”
Vou contar como foi quando resolvi tirar carteira de motorista. Eu devia ter uns 21 anos. É lógico que a minha primeira preocupação foi imaginar como seriam minhas aulas práticas. Peguei uma instrutora bem compreensiva e expliquei pra ela que não escutava bem e que precisaríamos de alguns ajustes pra coisa funcionar. Ouvir e entender as orientações dela de “dobra à direita”, “dobra à esquerda”, “estaciona” e “pára o carro” estava fora de cogitação. Numa boa, deficiente auditivo é incapaz de dirigir e conversar ao mesmo tempo, não dá. Pra resolver o problema, combinamos que ela faria sinais com a mão bem perto da direção me ‘dizendo’ com eles o que eu deveria fazer. E deu super certo!!! Foi simples, prático e tranquilo. Tirando o fato de que eu era péssima (apagava o carro umas 10x por aula, no mínimo) não tive problemas. No dia da prova prática, expliquei para o examinador e pedi que ele fizesse o mesmo que minha instrutora fazia, e foi tranquilíssimo. Para minha surpresa, até passei na prova! Hahahahaha!!
Mão dobrada pra esquerda: dobre à esquerda!
Mão dobrada pra direita: dobre à direita!
Palma da mão pra cima: pare o carro.
Palma da mão fechada: estacione!
Era assim que a gente se entendia nas aulas. Claro que quando ela sinalizava pra dobrar, eu sabia que poderia dobrar lá na próxima rua. É preciso ter cuidado pra não causar acidentes, né? Quem não gostou da idéia pode pedir pro instrutor providenciar cartões de instrução, aí ele coloca perto da direção, você olha e entende. Dá na mesma.
Como eu escrevi no post anterior, acho complicado dirigir se nem com os aparelhos auditivos você não escutar nadinha. Se esse fosse o meu caso, penso que abriria mão de dirigir. Mas sei que existem muitas pessoas nessa situação que dirigem muito bem, obrigada.
E aí, quem topa contar como foram as suas aulas de direção pra inspirar quem está a um passo de entrar pra auto-escola??
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Categorías: Crônicas da Surdez
Ontem passei por uma situação ‘daquelas’. Pela manhã, minha vó e minha dinda me pediram carona. Enquando a vó buscava o jornal lá na frente do prédio, eu e minha tia fomos tirar o carro da garagem. Não vi nem ouvi nada de diferente mas, assim que chegamos no portão da garagem, minha tia falou: “Que horror esse barulho, parece que o carro vai explodir!“. E eu pensando: “Mas que barulho?“.
Saímos da garagem e minha vó entrou no carrro. Assim que abriu a porta já falou: “Meu Deus, que barulho horroroso. O que é isso?“. Eu não estava percebendo barulho nenhum. A ficha só caiu quando vi o câmbio (é assim que chama? rsrsrs) tremendo todo. Putz!!
Quando esse tipo de coisa acontece fico assustada. Dou graças a Deus por estar sempre acompanhada de alguém nesses momentos mas, e se um belo dia estiver sozinha?? Se elas não estivessem junto, eu continuaria dirigindo sem perceber o barulho até o carro explodir? Dirijo há anos numa boa, sempre de aparelhos auditivos – até porque minha carteira de habilitação diz “uso obrigatório de otofone ou prótese auditiva“. O DETRAN podia atualizar o repertório porque otofone é de matar né? Mas voltando ao assunto, esse singelo acontecimento me fez tirar o cavalinho da chuva. Numa viagem de carro recente para o Uruguai, fiquei pensando que seria legal fazer uma viagem de carro sozinha contornando toda a América Latina – e fiquei mega empolgada com essa idéia por vários dias. Só esqueci de pensar nos perigos que eu correria em função da deficiência auditiva, e também que, em caso de acidentes ou problemas no carro, eu estaria ferrada.
No trânsito, na grande maioria das vezes, escuto a sirene das ambulâncias que vêm na minha direção por trás. Entretanto, em várias ocasiões não escutei, e me deparei com a ambulância atrás de mim desesperada pedindo passagem (a descarga de adrenalina causada pelo susto e a tremedeira posterior são de arrepiar os cabelos).
A verdade é que dirigir requer SIM muuuita atenção auditiva do condutor. Perceber barulhos no veículo, ouvir sirenes, ouvir buzinas, apitos dos guardinhas, enfim, uma série de sons que, se não forem ouvidos, podem colocar em risco não só a nossa vida, mas a vida de outras pessoas também. Acho esse assunto meio tenso. Se os aparelhos auditivos não me trouxessem de volta ao mundo dos sons, acho que abriria mão de dirigir. Não concordo que apenas com a visão a pessoa esteja 100% segura no trânsito enquanto dirige. Até porque, num determinado momento, a gente relaxa e não fica cuidando os espelhos do carro a cada 5 ou 10 segundos e faz isso só quando necessário.
Termino este post perguntando: como são as experiências de vocês no trânsito? Alguém aqui que não escuta e não usa AASI/IC dirige?
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