Histórias dos Leitores Implante Coclear

Do aparelho auditivo para o implante coclear: a história da Elizabete

Meu nome é Elizabete, tenho 39 anos e sou natural de Cataguases/MG. Sou funcionária pública, meu cargo é Auxiliar de Secretaria de uma escola. Essa escola é do distrito de Cataguases, tem dez anos que estou na Escola de Sereno.

Obrigada Paula por me ceder mais uma vez um espaço aqui pra contar a minha segunda parte da minha história. A minha primeira parte da história, que foi publicado no dia 17/08/2015 no Crônicas da Surdez, é sobre os meus Aparelhos Auditivos. Hoje estou escrevendo novamente, mas agora é sobre o meu Implante Coclear.

Como tudo começou

Minha mãe percebeu que eu tinha algum problema aos 4 anos de idade. Fiz um exame de audiometria, e ai confirmaram a minha surdez moderada. Comecei a usar Aparelhos Auditivos aos 18 anos, já estava no Ensino Médio. Minha vida escolar foi em escola normal, com as pessoas ouvintes, tendo algumas vezes, dificuldades na aprendizagem, sempre fui uma boa aluna. Algumas pessoas duvidaram da minha capacidade. Hoje tenho Graduação e Pós Graduação.  

Gostei muito de usar os Aparelhos Auditivos, me ajudaram muito. Mas com o tempo, em 2015, comecei a ter problemas com eles, porque o som estava muito abafado, obtive sérias crises de dores de ouvido e estava dando muita infecção.

Eu ia no meu Otorrino, fazia tratamento, melhorava e as dores voltavam de novo. Voltava no Otorrino novamente, então ele me recomendou usar o Implante. Colocar Implante, que era a solução, então ele fez uma carta para entregar Hospital Dr. Evandro Ribeiro (Juiz de Fora), onde recebi os Aparelhos Auditivos e faço tratamento desde 2013, através do SUS. Eu logo aceitei e corri atrás. Entreguei a carta ao meu Fonoaudiólogo  e amigo Dr. Fernando Cesar Rodrigues de Souza, assim passei a ser candidata ao implante, e esperei 1 ano.

Dos aparelhos para o implante coclear

Em Junho/2016 me chamaram no hospital, a partir daí comecei as consultas e fazer mais e mais exames.

A minha cirurgia foi marcada no dia 11 de agosto de 2016. Nesse dia me internei no Hospital Dr. Evandro Ribeiro, a equipe médica e enfermagem são excelentes. A estrutura do hospital também é excelente.

Quando foi a tarde a enfermeira veio me chamar para a minha tão sonhada cirurgia, o dia mais esperado de todos os dias, um grande presente de Deus. A minha cirurgia durou 4 horas. Ao acordar já no quarto, primeira coisa que eu fiz é apalpando até que percebi que estava com uma faixa e fiquei muito feliz. Foi no lado direito. A cirurgia foi tranquila.

O único sintoma que eu senti foi fraqueza, pois foram quase 10 horas sem comer e sem beber água e também estava muito inchada devido à cirurgia e medicamentos, são sintomas normais do pós cirúrgico. A enfermeira trouxe uma alimentação deliciosa pra mim, depois fui dormir muito feliz.

No dia seguinte comecei a senti muita dor de cabeça, sentia a faixa que estava muito apertada. Reclamei muito da dor, mas ante de ir embora para casa, a enfermeira tirou a faixa que foi um alívio tão grande e a dor passou.

Nisso, recebi uma visita muito especial do meu Fonoaudiólogo. Logo recebi alta do médico para ir casa, sentido nenhum sintomas, a recuperação em casa é muito rápida.

Ao sair do hospital tive que viajar duas horas de carro, pois não podia mexer a cabeça, que poderia causar mais desconforto e eu tive todo cuidado de ficar firme. Em casa repouso absoluto, segui os cuidados no decorrer da semana, não mexer a cabeça, cuidado para não bater a cabeça, deitar somente no lado esquerdo (não operado). Fiquei somente 15 dias de atestado, pois não queria entrar de INSS. Ao voltar ao trabalho com os pontos ainda, o cuidado era dobrado.

Aí chegou o dia de voltar ao hospital para tirar os pontos. Ao tirar os pontos, a enfermeira fala que tinha uma parte estava aberta, levei um susto na hora, mas aí ela me acalmou, diz pra mim continuar colocando os curativos, que vão fechar sozinho. Mas vim pra casa preocupada, mas o tempo foi se fechando.

A minha ativação foi no dia 06 de outubro de 2016, foi simplesmente maravilhoso. Melhor do que eu esperava. Ouvia o barulho no andar de cima. Meu Deus foi maravilhoso. Agora realizo  Fonoterapia com a minha  Fonoaudióloga e amiga Dra. Roberta Esposito Itz.

Agora aguardo ansiosamente a segunda cirurgia, no lado esquerdo. Estou muito feliz poder usar esta tecnologia maravilhosa que me trouxe muitos benefícios e qualidade de vida, fico imaginando nos dois ouvidos como será. Não importa quanto tempo eu vou esperar, o que vale é a minha persistência e minha força de vontade.

Foi a melhor coisa que aconteceu em minha vida. O Implante está me ajudando muito, pois com ele, consigo escutar e entender os sons, palavras e frases sem a leitura labial.  Já faz parte da minha vida, porque sem ele eu não sou essa pessoa quem eu sou hoje. Melhorei mais ainda a minha independência pessoal e profissional. Não vivo sem ele, amo demais!!! Cada dia me surpreendendo com sons. E chego mais longe e acredito nisso!

Nunca desista dos seus sonhos. O Caminho é longo, mas a vitória é certa. O verbo “Desistir” não existe no meu vocabulário. Nunca é tarde para recomeçar.

Agradeço imensamente meus pais, minha família, meus amigos, os meus fonoaudiólogos, meu otorrino e todas suas equipes e tantas pessoas que passaram em minha vida. Agradeço muito a Deus e você também Paula.

Aquelas pessoas que estão indicadas a fazer, aproveitem a oportunidade de usar, porque o mundo é cheio de sons maravilhosos! 🙂

Paula, eu amo o Crônicas da Surdez, e te agradeço por trazer a oportunidade de falar um pouquinho da minha história pela segunda vez. Acho o blog excelente pois tira muitas dúvidas de quem está precisando de ajuda e também uma oportunidade de conhecer histórias diferentes e de ver que as lutas foram vencidas. É muito importante saber que existem pessoas que endentem e passam pelo mesmo que nós.

“Vocês que são pais, filhos, parentes, família, amigos ou colegas de deficientes auditivos tenham paciência e também não deixem no silêncio. E a vocês que estão mesmo mundo que eu, lutem por seus direitos e sejam felizes”.

35 amaram.

Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 36 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

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