Histórias dos Leitores

As mães de crianças com deficiência auditiva são anjos: conheçam a Beatriz e a Gabi

GaBea

 

“Olá Paula,

Descobri seu blog por acaso, há uns seis meses, fazendo buscas por legislação relacionada a acessibilidade. Sou mãe da Gabriela, que tem 8 anos, e usa aparelhos auditivos desde os 5. Nossa história foi bem difícil, até chegarmos ao diagnóstico, e depois de começar a ler um pouco do seu blog minhas dúvidas só aumentaram.

Bom, vou tentar resumi-la para quem sabe poder ajudar outras pessoas: quando a Gabi nasceu, não fiz o teste da orelhinha. Mas acho que isso já está resolvido, porque parece que o teste é feito pelo SUS em quase todo o Brasil. Mas a Gabi cresceu e falou na idade certa, mas assistia à televisão sempre de perto. E quando via a filmes novos, nunca entendia, sempre pedia para repetir o que haviam dito. Nada muito preocupante até esse momento.

Só uma pontinha de preocupação. Eu morava no Rio de Janeiro e minha família em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Então, quando eu vim visitá-los uma vez, minha mãe me perguntou porque eu não fazia uma audiometria para ver se estava tudo bem com ela. Fiz. Deu tudo normal. Ela não se conformou. Em outra visita, levou a Gabi. De novo, normal. Depois me mudei para Campo Grande, quando ela já tinha 4 anos, e aí a preocupação e a dúvida já haviam aumentado, mas os exames se mostravam normais, e o pediatra falava que eu estava me preocupando à toa, que ela ouvia bem, falava bem, mas ela já não entendia o que eu falava quando estávamos no carro: eu dirigindo e ela atrás.

Até que em 20 de dezembro de 2009, ela ficou super gripada, e não ouviu mais nada!!! Perdeu a audição!!! Podia chamar, gritar, bater a porta: nada!!! Para piorar: nessa data, não há médico nenhum atendendo. Nenhum especialista atende na semana do Natal. Para minha surpresa, ninguém percebeu que a Gabi não estava ouvindo na noite de Natal. Na época, eu imaginei que ela fingia que ouvia e sempre respondia qualquer coisa relacionada ao Papai Noel. Hoje eu sei que ela já sabia fazer leitura labial, e respondia coerentemente.

No dia 12 de janeiro de 2010 conseguimos a primeira consulta com o otorrino. Ele nos encaminhou para a audiometria e concluiu que era uma perda condutiva (secreção do nariz foi para o ouvido): a solução era uma cirurgia para colocar um dreno que ficaria por 6 meses no tímpano da Gabi e pronto. Ao sair da cirurgia, ela já estaria ouvindo normalmente!!! Ufaaa!!! Que alívio!!!! Era tudo que eu queria ouvir!!! Marcada e feita a cirurgia: quando ele veio dar alta, comentou que não tinha mais secreção no ouvido da Gabriela como era esperado, mas mesmo assim ele colocou o dreno. E ela provavelmente já estava ouvindo bem antes da cirurgia.

Fomos para casa, mas não notei diferença, apesar de não querer aceitar isso. Depois de dois meses, o dreno saiu sozinho, na minha mão, depois do banho. Voltei ao médico e disse que a Gabriela continuava sem ouvir e entreguei o dreno pra ele.

Ela estava gripada novamente. Fiz o Bera. Audiometria antes da cirurgia, depois da cirurgia. Nova audiometria: mesmo diagnóstico. Perda condutiva. Nova cirurgia. Agora com um dreno maior. Vai ficar por um ano. Outra anestesia geral, em uma criança de 5 anos. Aí, já estava com dificuldades na escola, ninguém queria brincar com ela (na verdade ela pedia para brincar e não ouvia a resposta), já estava depressiva…

Até levei as audiometrias para outro otorrino, e ele me disse que pelos exames, o caso era de cirurgia mesmo. Então resolvi aceitar. Novamente, ao sair da sala de cirurgia, o médico disse: não havia tanta secreção como eu esperava, mas coloquei o dreno mesmo assim. Em uma semana, o dreno que era para ficar um ano, caiu na minha mão. Voltei ao médico. Ele não sabia o que fazer. Pediu um outro exame, tomografia, para uma terceira cirurgia e aí eu resolvi que era hora de mudar de médico.

Levei todos os exames. Ele não quis ver nenhum. Disse que era para refazer todos com o fonoaudiólogo em que ele confia (e eu também). Fiz. Diagnóstico: perda neuro sensorial e condutiva (quando está gripada). Solução: aparelho. Foi um grande alívio e uma grande revolta ao mesmo tempo. Porque minha filha passou um ano com diagnóstico errado, passou por duas cirurgias desnecessárias, e eu não poderia fazer nada com aquela situação.

Mas quando ela colocou o aparelho pela primeira vez: ouvia a própria respiração!!! Ouvia o barulho do xixi, que não conhecia!!! O barulho de pisar na folha seca!!! O barulho do sino tocar!!! Da buzina do carro!!! Da chuva!!! Foram muitas descobertas!!! E lendo o blog descubro os desafios que ela tem e terá pela frente!!! Fico feliz por todos vocês!!!

Gostaria de saber um monte de coisas, mas duas são mais importantes agora: Paula, você disse que adora ouvir sua voz com o IC. É diferente o som do AASI? a Gabi me disse que o sonho dela era saber como as pessoas ouvem e eu disse que eu gostaria de saber como ela ouve com o aparelho. O som é robotizado?

Outra dúvida minha: como o blog tem enorme alcance, gostaria de saber se alguém com DA tem alguma experiência com o método de ensino montessoriano. A escola da Gabi se dizia inclusiva, mas este ano foi de grandes dificuldades para nós. Vou tirá-la de lá. Estou em busca de escolas, e a fono dela me disse hj que o montessori seria um grande desafio, mesmo depois da alfabetização, porque eles usam um método pelo som que é difícil para quem tem perda auditiva. Gostaria de saber se alguém já teve alguma experiência.

E também agradecer à Paula por este espaço maravilhoso, e dizer que estou ansiosa à espera do meu “Crônicas” que já deve estar chegando esta semana!!!”

** Resposta: Beatriz, eu não conheço esse método, mas acho ótima idéia você providenciar um Sistema FM para ela usar nas aulas já que ela se dá bem com os AASI. O SUS fornece gratuitamente, tem post sobre isso. E sobre o som da voz, sim, é diferente o som do AASI e do IC, mas tens que levar em conta que eu já estava na surdez profunda. Isso significa que, com o AASI, eu ouvia a minha voz de um jeito diferente do IC, já que, para quem é surdo profundo, o IC é capaz de levar a limiares auditivos mais normais do que um AASI conseguiria. Eu não achei robotizado não, e acho que posso dizer isso afinal, um dia, há muito tempo, já tive a audição de uma pessoa normal. Beijos!!!

73 amaram.

Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 36 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

26 Comentários

  • Gente vamos criar um grupo no WhatsApp de mães e pais de crianças com DA… Vamos nos ajudar… O meu (31) 992632094
    Sou mãe de uma boneca de 4 anos com perda moderada e severa! Descoberta recente… Adaptação em curso!!! Bjos no coração de todos vcs

  • Ola! Tambem estava a procura de um lugar como esse, para ler a respeito, ver que sempre existe uma luz no fim do túnel. Sou mãe do Bernardo com 2anos e 3 meses e meu filho apresenta atraso no desenvolvimento da fala, um atraso bem significativo. Assim que bercebemos começamos a maratona, moramos no interior do RS e conseguir médicos especialistas fica mais difícil. Pra ter idéia meu filho foi até diagnosticado como autista eu e meu marido ficamos chocados e revoltados. Não nos conformando, procuramos um acompanhamento pra ele com uma psicologa, que através de uma avaliação descartou a possibilidade do nosso filho ter a síndfome. Esse tipo de médico deveria ter o diploma extinto, fazer um diagnóstico depois de 30minutos de consulta. Depois de alguns exames recomendados por uma medica Otorrino, descobrimos que o Bernardo teve perda auditiva por conta de otites recorrentes e disfunção do canal por onde a secreção deveria sair, neste caso se instalando no ouvido médio. Colocamos o dreninho e agora correr atras, estímulos será a base do tratamento. Por conta disso a interação social foi prejudicada, a fala muito mais…ainda não ouvi a palavra mãe! Mas tenho fé que logo tudo se alcamará. Força e fé para todas as mães e pais desse blog!!!

  • Bruna,

    Obrigada pelos conselhos carinhosos. Matriculei a Gabi no Montessori depois de conversar com a Maíra e com a mãe dela (que encontrei aqui também), e a sua história me dá mais confiança de que fiz a escolha certa.

    Beijos e parabéns pelas suas conquistas!!!

  • Ah, esqueci de comentar sobre a professora… Lute! Bote a boca no trombone, seus melhores aliados são os coordenadores pedagógicos e os diretores! A professora é que está errada, precisa receber uma advertência por parte de seus superiores 😉 fora q vc tb pode conversar sobre a adaptação da sala para o uso do sistema FM, o sobrinho da minha fono, que tem sete anos, é implantado desde os 6 meses e estuda na escola q estudei, fez isso e o rendimento dele foi bem melhor do que com o microfone no pescoço da professora!!!

  • Beatriz, sou deficiente auditiva neurossensorial bilateral – de moderada a severa quando criança, e hoje de severa a profunda. Estudei tanto em escola regular (até a quarta série) quanto em uma escola que tem uma proposta pedagógica parecida com a Montessori, onde estudei do 5 ano até o fim do Ensino Médio. Graças a Deus não tive problemas de adaptação em nenhuma das duas escolas, pois peguei professoras excelentíssimas na minha vida escolar, mas devo dizer que minha segunda escola foi bem melhor. Tive muito mais oportunidades e, como são grupos pequenos e a minha escola tb era pequena, foi muito melhor, tive apoio de toda a equipe pedagógica, os professores mostraram-se abertos e receptivos. Além disso, como valorizam o ritmo individual de desenvolvimento, foi mais tranquilo. Fiz pré-vestibular por apenas duas semanas em uma outra escola, mas, apesar dos donos e diretores do colégio conhecerem a mim, foi extremamente difícil o rendimento nas aulas.
    Fora isso, acredito muito mais na proposta do Montessori do que no “ensino regular”, creio que seria excelente para que sua filha pudesse aprender o necessário de uma forma mais lúdica e interessante.
    Beijos, que Deus dê sabedoria a você e sua família e que a pequena Gabi vença todas as barreiras e conquiste o mundo!

  • Muito bom, cada comentário,relato,texto, indicação é uma injeção de ânimo em nós, mães de crianças com D.A, no início de cada descobertas e batalhas, que são muitas diga-se de passagem tudo parece tão complicado, nos sentimos tão inseguras, sem chão…é um caminhar constante, busca de novas tecnologias, novos métodos pedagógicos, a melhor e mais adequada forma de acompanhamento, periodicidade, manutenção de aparelhos…é um mundo cheio de dúvidas mas que os resultados são inesquecíveis e gratificantes. Alguma indicação de fono em Florianópolis/SC.

  • Paula,

    Obrigada pela resposta imediata. Vc realmente é um exemplo para todos e uma sementinha que distribui esperança.
    Parabéns pela força, pela coragem e por esse blog lindo!!!
    Beijos,
    Ana Caroline Rocha

  • Sergio,
    Moro no Rio e gostaria de indicação de médico e fono no Rio. Se puder me passar agradeço (carolsrocha@hotmail.com). Tive indicação de aparelho auditivo no ouvido esquerdo, mas não me adaptei. O primeiro aparelho me deixava com muita enxaqueca e nervosa com a amplificação dos sons, tudo me incomodava e em uma segunda tentativa a fono me disse que era melhor não tentar o aparelho porque na verdade no meu caso apenas ampliaria o som, mas não traria mais nitidez para que eu pudesse entender as palavras. Tive perda auditiva em função de um colesteatoma.
    Obrigada,
    Ana Caroline Rocha

  • Beatriz vc contando as história da sua filhinha é como se eu estivesse vivendo minha história outra vez. Fiquei muito feliz em saber que ela está vencendo a barreira do silêncio.

    Um grande beijo!

  • Olá Beatriz,

    Sou surda bilateral, neuro-sensorial severa e profunda. Moro em Três Lagoas/MS. Recentemente adquiri dois AASI pelo SUS e passei pela triagem pela Universidade Dom Bosco, onde fui super bem atendida e meus AASI são são o melhores que tive até hoje. Já que você mora em Campo Grande/MS, poderia cadastrar sua filha e logo logo será atendida.
    Um grande beijo na Gabi que já desde pequena se mostrou guerreira.

    • Olá Glauce,

      Já fui a UCDB, a Gabi inclusive já recebeu um par de aparelhos do SUS pela UCDB, mas eles não são compatíveis com o FM que ela tem, por isso não pode usá-los diariamente, só quando o dela não está funcionando bem.

      Parece que em breve a UCDB vai também fornecer sistema FM, mas por enquanto ainda não conseguiram. Estamos esperando.

      Obrigada pela dica e tudo de bom pra vc!!!

  • Gostaria de dizer que eu estudei e fui alfabetizada pelo método montessoriano em Brasília. Sou surda, bilateral, neuro-sensorial severa a profunda. Estou disposta a conversar sobre como foi esse método para mim. Sou tão apaixonada que pus meu filho, ouvinte, em uma escola montessoriana (aqui no Rio).
    Meu e-mail é mblenzi@gmail.com .

    beijinhos

  • “Meldels!!”

    Beatriz, dá uma vontade danada de “ferrar” (levar na justiça) a escola, professor, médico, fonoaudiólogo e afins, digo, estes que você citou no seu depoimento que a meu ver são incompetentes!! e claro, excluo aqueles que a gente descobre que são nossos anjos da guarda.

    Tenho a mesma surdez da Gabi (que fofura de menina!)e gosto mais do tom Grave onde me interajo melhor. Nascí surda, porém, sem infecção nos ouvidos. Ai!! meu coração partiu só de pensar em tantas cirurgias que esta lindeza fez…ô sofrimento a troco do nada gente!

    Lendo sobre FM, pena que não tinha isso na minha época e o porquê não fiz faculdade por sentir insegurança. Fiz o Ensino Médio (nunca tomei bomba), lendo movimento labial, em colégios particulares aberto ao público. Hoje sou funcionária pública federal (Serpro-Receita Federal).
    Dito isto sobre a minha função, por amor e apoio dos meus pais em especial minha mãe, quero que você Beatriz, acredite na força da Gabi (faça ela acreditar nela e saber que a surdez é uma obra de Deus). E vejo também que, pelo jeito dela, irá longe!

    A Força, a Fé, a Coragem e o Acreditar, movem montanhas!

    Beijos neste rostinho fofo desta menina e outro prá você!

    • Alda,

      Eu realmente estou pensando em levar a escola para justiça porque eu queria colocar a Gabi na turma da manhã, que tem menos aluno, e neste horários as crianças estão menos agitadas, mas a diretora disse para a Gabi que de manhã não tem vaga para ela (aluna de inclusão), porque já tem um down e uma altista ela teria que ficar a tarde mesmo, acredita?

      Eu sei que há uma lei que garante que nenhuma escola pode se negar a matricular uma criança em função de sua deficiência, e por isso como a escola só não quer deixar a Gabi estudar de manhã por comodismo, vou tentar uma prova com a diretora para poder levar a justiça.

      Já fui a outra escola e ouvi a mesma alegação: “vou verificar se já não temos nenhum aluno de inclusão pq temos experiência de que para se fazer um trabalho de qualidade é preciso limitar em um aluno por sala”!!!

      Para a escola é muito mais fácil se dizer inclusiva e aceitar um aluno por sala!!! Dá menos trabalho!!! Mas se a Gabi tem direito e não está sendo respeitado, vou sim a justiça brigar por isso.

      Não quero mais ficar naquela escola, mas quero quer aprendam que não podem excluir as pessoas em função de sua deficiência!!!

      Que belo exemplo o seu: servidora do Serpro!!! Parabéns!!! Só com leitura labial!!! Como diz a Gabi, “trabalhou bastante”!!! Parabéns mesmo!!! Vc merece!!!

      Ainda dá tempo de fazer faculdade!!! Agora, os concursos têm cotas para deficientes!!!

      Beijos e obrigada pelo apoio, carinho e exemplo!!!

  • Olá queridos,

    tenho um filho de 4 anos que nasceu com surdez profunda bilateral, usa o AASI desde os 4 meses e está implantado unilateralmente à 1 ano e 2 meses. Realmente a questão escolar é mais difícil, todas as vezes que me reúno com mães de deficientes sempre levantamos a dificuldade em encontrar uma boa escola.
    Beatriz pela minha experiência o mais importante na escola não é a estrutura e nem o método é a boa vontade das pessoas que irão receber sua filha. Boa vontade é tudo, se a escola está disposta a trabalhar em conjunto, a ajudar no desenvolvimento da criança em parceria com os pais, pode ter certeza que essa é a escola certa pra sua filha. Esse ano coloquei o meu filho em uma escola “maravilhosaaaaaaa”, depois de muita procura e de muitas visitas. Eles são completamente envolvidos com o Antônio. Nós moramos em Brasília e o meu filho faz fono no CEALL, lugar excelente, e lá eles promovem palestras para os professores sobre alfabetização de deficientes, como lidar com deficientes em sala de aula, e todas as vezes a direção da escola libera as professoras dele para irem às palestras. As turmas são pequenas, meu filho fica no integral, são 5 crianças de manhã e 7 à tarde, elas me mandam o conteúdo que será trabalhado em sala quinzenalmente para que eu possa trabalhar o mesmo conteúdo em casa e na fono, tudo que eu preciso elas me ajudam, e me dão toda liberdade de chegar lá todos os dias e conversar com as professoras e funcionários da escola. Então a dica que eu te dou é que procure uma escola que esteja disposta a ajudá-la no desenvolvimento da sua filha e seja uma mãe pentelha, dessas que todo dia pergunta pra professora o que eles fizeram, qual a música que andam cantando na escola, sobre o que andam falando e leve o conteúdo da escola pra casa.

    • Olá Camila,

      Que sonho!!! Grupo de mães de crianças com DA? Pena que moro em Campo Grande e não em Brasília!!!

      Que escola maravilhosaaaa mesmo!!! Liberam professores para palestras sobre alfabetização de alunos com deficiência? Realmente, a estrutura de Brasília é muito melhor que aqui em Campo Grande.

      Concordo com vc: quando a escola “veste a camisa”, as dificuldades são superadas juntos, a parceria e confiança ficam estabelecidas.

      Mas, como eu disse, aqui na minha cidade, as escolas que se dizem inclusivas limitam o número de alunos de inclusão por sala de aula.

      Assim, fico com poucas opções!!! Imagino que eles tenham medo do desconhecido ou seja puro preconceito, ou ainda não queiram sair da zona de conforto mesmo, pq aluno de inclusão realmente requer mais atenção.

      Obrigada pelo apoio,
      Beijos, sucesso para vc e o seu pequeno!!!

  • Beatriz, como faço para entrar em contato com você?! Gostaria de trocar algumas ideias! Tenho perda auditiva bilateral neurossensorial e faço uso de aparelho auditivo desde os 4 anos de idade. Tive ótima adaptação aos aparelhinhos e não vivo sem! No ensino médio minha mãe comprou o FM e foi um fator muito importante no meu aprendizado. Abraços, Mariana.

  • Beatriz, sua história é exemplar e a maior lição é, realmente, não se conformar nunca! Médicos e fonoaudiólogos são humanos e falíveis, e sempre é bom ter varias opiniões. Minha surdez chegou já na idade adulta, por isso não tenho muito o que dizer sobre crianças, mas algumas “dicas” de quem passa pelo problema: Primeiro: desconfie! Em 15 anos de surdez passei por 6 otorrinos, 4 lugares diferentes de audiometria e 3 revendas de aparelho, até me sentir confiante. Segundo: Audiometria é o exame mais impreciso da medicina! Muitos examinadores inexperientes só sabem “o que está no manual”.Se você quiser, peça para a Paula te passar meu e-mail, moro no Rio e posso te passar algumas indicações. Terceiro: seja cara-de-pau! Aprendi a ter tolerância zero com quem fala “pra dentro”, de cabeça baixa ou olhando para o lado. Em casa, no trabalho, e até mesmo com desconhecidos, sempre falo de forma educada mas firme: “Por favor fale claro e olhando para mim, senão não vamos nos entender”. Se eu fosse você, daria uma “dura” na coordenação da escola, para exigir que os professores falem claro, com boa dicção e sempre olhando para a turma (no caso, para a Gabi na primeira carteira). Não é favor nenhum, é o mínimo que se espera de quem trabalha com educação. Se sua filha já faz leitura labial e tem a fala preservada, uma escola comum só precisa de boa vontade para acolhê-la (não é a opinião de especialista, é a opinião de quem tem surdez e tem dois filhos que não são surdos mas tiveram outros problemas com escolas). Boa sorte e obrigado por compartilhar sua história conosco.

    • Gostei de tudo o que falou para ela. Parabéns. Posso concluir que você tem uma certa preocupação pelas pessoas. Deus te abençoe sempre.

    • Sérgio,

      Eu acho que fui até “dura” demais com a escola!!! Me revoltei mesmo quando soube que a professora não estava usando o FM no pescoço!!!

      Considerei um absurdo!!! Tanto que a psicóloga da Gabi foi conversar com a diretora e me voltou me aconselhando a mudar de posição com relação a escola, que eu tenho que ver a escola como minha parceira, e não já chegar atacando…

      Mas não posso ser parceira de quem não se dá o trabalho de dar o direito de a minha filha ouvir!!!

      Assim, resolvi buscar outra “parceria”!!!

      Obrigada pelas dicas!!!

  • Paula,

    Comprei o FM para a Gabi no ano passado, e foi maravilhoso. Como a sala dela tem 21 alunos, e é barulhenta, ela tinha bastante dificuldade de ouvir bem a professora.

    Foi a diretora quem indicou o FM, que a Gabi havia testado por uma semana, quando a fono que vendeu o AASI emprestou o sistema FM.

    Depois que começou a usar, tirou 6 notas 10 nas provas!!! Passou do decimo primeiro lugar na sala para o quinto entre os alunos. Enfim, todas as crianças em idade escolar, na minha opinião, precisam ter acesso ao FM.

    No entanto, este ano, a professora da Gabi não ‘gosta’ de nada no pescoço dela, e não contribuiu muito… Em alguns dias, não quis usar o FM, e chegou a perguntar para a Gabi se ela queria ouvi-la dar bronca nos alunos la do fundo da sala, ou se poderia deixar o FM em cima da mesa mesmo… (isto é, o FM estava ficando sobre a mesa durante a aula)

    Mas o FM é sim uma ótima ferramenta de acesso na escola!!! Obrigada pela dica!!!

    Bjs

  • Minha filha tem 4 anos e tem perda auditiva moderada, usa aparelho há cerca de uns 4 meses, depois de muitos exames. Ela tem problemas com acúmulo de secreção no ouvido, já esteve pra colocar o dreno várias vezes, mas devido ao fato do dreno sair logo e os riscos da cirurgia,
    não pusemos. Graças a Deus encontramos um otorrino que conseguiu enfim controlar o problema que muitos não tinham conseguido com outros medicamentos. E não precisou por o dreno. Já há alguns meses o ouvido dela está limpo. Na escola noto muita dificuldade por que elas realmente não sabem lidar.Eu vivo um problema parecido com o seu. Bj

    • Mirta,

      Como disse a Paula, talvez o FM seja um ótimo instrumento para a sua filha!!!

      A Gabi fala que não consegue ouvir bem as amigas (perde socialização), o que ela resolve fazendo leitura labial, mas ganha ouvindo bem a professora e também diminuem os ruídos, que eu acho que incomodam muito.

      A Gabi estava reclamando de dor de cabeça, chegava cansada da escola, desanimada.

      Acho que o barulho da sala, e ainda o esforço necessário para fazer leitura labial da professora durante a aula toda exigiam muito dela!!!

      Depois do FM, ela é outra criança!!! Chega em casa cheia de energia!!!

      A Mariana, que já usou o FM na escola, e comentou aqui tb, pode ajudar nisso!!!

      Bjs e tudo de bom pra vc e sua filha!!!

Deixe seu comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.