Deficiência Auditiva Histórias dos Leitores

Deficiência auditiva X falar no telefone

Foto: Shutterstock

Ah, o telefone. Se quem ouve já não é muito fã dele nos dias de hoje, imagina quem não ouve direito. Particularmente, acho uma perda de tempo e $$ ficar batendo papo no telefone, especialmente quando se trata de trabalho. Pô, manda um email, um SMS, chama no MSN, não tem mistério.

Quando comecei a trabalhar, em 2002, já cheguei avisando: “não falo no telefone e ponto final“. Nunca vi sentido algum em tentar me ‘obrigar’ a fazer algo que está, sim, além das minhas possibilidades. Não tive problemas a esse respeito no trabalho, pelo contrário, ninguém jamais me pediu para ‘fazer um esforço’ – e também, se pedissem, tenho até medo da resposta que eu daria.

Acho que pedir para um funcionário com deficiência auditiva para ‘fazer um esforço’ e  falar no telefone é o mesmo que pedir para um funcionário que usa muletas a ‘fazer um esforço’ e dar um jeitinho de subir as escadas!

Infelizmente, sei quem nem todas as pessoas que lêem este blog têm a mesma sorte nos seus respectivos empregos. O que noto, em muitos casos, é um misto de vergonha com medo de conversar com a chefia e expor a situação.

Se não houvessem maneiras de contornar esse ‘lapso de comunicação’…mas hoje em dia, são muitos os modos de se comunicar com alguém além do telefone. Leiam o caso abaixo e manifestem-se nos comentários, por favor!

 

Depoimento de um leitor

“Meu nome é Ricardo, tenho 25 anos e moro em São Paulo. Já sou leitor do Crônicas há alguns meses e sempre gosto muito das coisas que leio aqui, mas só hoje acabei tomando a decisão de te escrever para que você conheça mais um de seus leitores.

Eu comecei a ter uma perda auditiva nos dois ouvidos quando tinha cerca de 14 anos, ou seja, quando todas as coisas interessantes da fase de pré-adolescência estavam começando a acontecer. Nenhum dos médicos que fui soube me dizer com 100% de certeza qual foi a razão desta perda. Existem mais casos na família, uns dizem que pode ser sequela de uma meningite que tive aos 6 anos e um médico, o meu preferido, me disse que a causa da perda só poderia ser descoberta post mortem, através de uma autópsia.

Gentilmente, agradeci o tempo dele e prometi que a primeira coisa que faria antes de começar a usufruir da vida boa do paraíso e da eternidade seria voltar ao seu consultório para uma consulta e esperada definição do diagnóstico pendente. Aí eu vou ficar show!! rsrsrs…

Embora tente levar tudo isso com bom humor (do tipo que responde com voz de lobo mau “É para te ouvir melhor minha netinha“, toda vez que uma criança pergunta o que são essas coisinhas nos meus ouvidos), tenho que ser sincero ao dizer que ainda sofro muito com isso em silêncio. Claro, que existem um monte coisas ao meu favor, como a possibilidade de ter aparelhos auditivos, apoio dos amigos e da família e a chance de tentar levar uma vida o mais normal possível.

Infelizmente, quando eu li o post sobre o advogado, acabei me dando conta que realmente talvez a parte mais díficil de tudo isso seja em relação à vida profissional. A cobrança que recebemos na nossa vida profissional acaba tornando as coisas muito difíceis às vezes e isso é o que têm mais me machucado ultimamente.

Sou formado em Administração de Empresas e estou concluindo meu MBA em Gestão. Falo Inglês e Espanhol fluentemente e há quase 5 anos trabalho em área de suporte do departamento comercial em empresas de tecnologia da informação.

Gosto de ser o mais independente possível para fazer de tudo e também já me aventurei em ir sozinho para os EUA e a Europa para estudar ou passear, mesmo com minha perda no melhor estilo audiometria com turbina de avião, rsrs.

Por trabalhar em multinacionais, estou sempre conversando em inglês ou espanhol por email, mas existe um problema enorme nos momentos de ter que conversar por telefone. Por causa da minha perda, aos anos fui virando expert em leitura labial, então, preciso juntar o que chega do som com essa leitura labial para poder entender as pessoas. Assim, você já imagina como deve ser difícil conseguir entender um gringo nervoso no telefone falando em espanhol ou inglês e você sem conseguir entender muita coisa.

Uma vez, li em um livro escrito pelo ator Michael J. Fox (que possui mal de Parkinson) que a justificativa dele para parar de gravar uma série de TV logo após a descoberta da doença era a de que ele era uma pessoa com mal de Parkinson interpretando uma pessoa que não tinha mal de Parkinson. Isso ficou na minha cabeça, porque realmente não há como eu ter esta perda auditiva e sair aí pelo mundo como se fosse um ouvinte normal.

Depois de um tempo de negação, de fossa de cortar os pulsos e de vontade de abrir um buraco e de se esconder dentro, acho que acabei aprendendo que realmente se quiser ser feliz nos anos que me restam da minha vida, terei que aceitar minha condição e fazer o melhor que posso com o que tenho.

Por isso que o post do advogado me chamou a atenção: realmente não sei até quando conseguirei ser cobrado para falar em Inglês e Espanhol ao telefone, já que é algo que já não consigo fazer direito, embora me sinta totalmente capaz para fazer outras atividades com responsabilidade, organização e perfeição.

Em algum tempo, para mudar isso, quero ir para outro emprego e me adaptar melhor a essa minha “nova situação”, já que é algo que me sinto cada vez menos capaz de fazer. Acho uma porcaria levar a vida, achando que poderia ser muito mais feliz, mas que não me arrisco por medo. Medo de ficar desempregado, medo do julgamento das pessoas, medo de se sentir inferior, etc.

Mas, o que eu quero com todo esse Lusíadas que escrevi para você (tadinha, maior tempão para ler isso, né?)? Quero dizer obrigado por ter criado este site e ter colocado tanta coisa interessante aqui. A perda auditiva sempre faz a gente se sentir sozinho no mundo, até o momento que encontramos pessoas como a gente, que passam pelas mesmas dificuldades e que mesmo involuntariamente ajudam as outras com suas experiências, situações engraçadas e de adaptação.”

E aí pessoal? Como é com vocês no trabalho? Que conselhos vocês têm para dar para o R.?

51 amaram.

Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 36 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

57 Comentários

  • Oi, bom dia. Algumas considerações: Ricardo, ultimamente venho fazendo de tudo pra ler posts a respeito do tema. Creio entender um pouco a dificuldade pela qual passas inclusive relativo ao telefone porque para mim falar no bendito aparelhinho é um sacrilégio, mas a minha veio mais tarde. Tenho 31 anos e, com 28 comecei a manifestar problemas auditivos os quais derivaram do trabalho (excesso de horas trabalhando com fones nos ouvidos em volume muito elevado no emprego que tinha de degravação); para tal perda auditiva que, com o passar dos anos foi se intensificando e em 2017 chegou a média a severa no ouvido esquerdo e no direito de leve a moderada (certamente perda neuro-sensorial), a empresa em que eu trabalhava não tomou quaisquer medidas, nem mesmo audiometrias anuais para averiguar como eu e outros colegas estavam (todas as audiometrias que fiz foram custeadas por mim). O despreparo em nosso país é incrível, ainda mais se eu considerar o fato de que sou cega e de que, hoje em dia não saio às ruas sem intérprete para poder compreender o que os outros dizem já que leitura labial no meu caso é impossível que eu faça, porque ruídos externos dificultam muito a minha compreensão do que as pessoas falam (o menor ruído já torna praticamente impossível a comunicação sem eu dizer o famoso “repete que eu não entendi”). Ainda estou na fase da vergonha, do luto, do sentir que as pessoas vão reclamar, do me esconder e não sair… Tentando equilibrar isso até mesmo com terapia porque com nove anos já perdi a visão devido à prematuridade e, agora, por um emprego que tive comecei a perda auditiva (o mais engraçado é que o perito judicial que me avaliou colocou no laudo dele que minha perda auditiva não teve nada a ver com o trabalho, mas sim com minha condição de prematura de 24 semanas; a coincidência é que só de três anos para cá é que comecei a perder a audição, não é, que coisa…), mas enfim… Entendo bem o que quer dizer com não compreender falas ao telefone, porque eu preciso de alguém sempre para me auxiliar nisso porque infelizmente, por enquanto meu otorrino não quis me colocar aparelho porque quer determinar se continuo perdendo a audição mesmo depois de ter parado de trabalhar (ele determinou meu afastamento permanente da função). Agora estou noutra briga com o INSS porque eles teimam em me devolver ao mercado de trabalho, sendo que estou ficando surda e já sou cega, mas é um pequeno detalhe, não é. A pergunta que fica é: se empresas não têm o menor preparo para empregar alguém que tem uma deficiência, imagina se vai ter para empregar alguém com duas necessidades especiais? O pior disso tudo são as quotas colocadas obrigando as empresas a te dar trabalho, e o sem dedo ou sem braço (especialmente o sem dedo), é o preferido e não quem realmente tem uma necessidade especial que, de fato o faça merecedor da tal vaga. A nossa dificuldade também passa pela vergonha em não entender o que os outros falam, eu chego a pedir desculpas como se a culpa realmente fosse minha… (Ainda estou iniciando as leituras por aqui, acho que vão me ajudar muito mesmo).

  • Oi pessoal,estou precisando de sugestão ou ajuda,sou homem de 70 anos,aposentado,ganho salario completo as minhas despesas trabalhando como vendedor, uso tel. fixo da empresa o qual ja comprei no comercio dois aparelhos de tel. indicado para deficientes auditivos mas não adiantou nada.
    Nossa tem dia parece k vou ter um infarto pois o meu cliente ja não tem mais paciencia comigo.
    De 6 á 7anos ganhei um aparelho auricular só do lado direito, ja usado , de tanto consertar ja esta sem recursso,entrei com um pedido no SUS e me foi prometido de um a dois anos p/receber novos aparelhos
    Alguem sabe de um bom aparelho de tel. para surdo que possa resolver o meu problema? Obrigado

  • Oi Bom nem sei por onde começar pois encontrei uma historia muito parecida com a minha, perdi por conta da meningite mais sou muito boa de percepção auditiva por conta da musica , canto e toco estudei em conservatório, sou estudante de fonoaudiologia,bom tenho dificuldades de ouvir as vezes mas a minha maior dificuldade e no telefone, muito complicado me manda fazer qualquer esforço menos falar no telefone … mas como estudante de fono sei que isso é normal mas tem pessoas que muitas das vezes não compreende.. mas enfim que bom encontrar uma história parecida com a minha…

  • olá pessoal estou conhecendo o blog agora estava a procura de aparelho telefonico para deficiente e acabei vindo aqui,achei muito bom o depoimento do Ricardo,acho que ele deve falar com seus superiores sim,eu tive vários problemas também,discriminação etc.até que mudei de emprego e no meu novo emprego já falei logo no inicio que tinha dificuldade para falar ao telefone apesar de usar aparelho com bobina porém as vezes não fúnciona bem,só que meu ramo agóra o forte é o telefone eu tenho dificuldades de entender o cliente no telefone que sempre quer a informação no momento que liga e é por isso que estou a procura de aparelho telefõnico para esse fim se alguem tiver experiênçia sobre esse assunto me falem por favor eu agradeço.
    obrigado a todos.

    Silvio

  • olá pessoal, tenho 39 anos e tenho perda auditiva bilateral, fui perdendo na adolescência, e não tem recuperação, O meu trabalho é tranquilo, todo mundo respeita a minha deficiência,, as pessoas vem até a mim p/ conversar, ou passam e-mails. Mas Ricardo, o diálogo é a melhor forma de resolver. É difícil, as vezes nos sentimos por baixo (eu pelo menos) Mas deficiência não pode prejudicar, temos inteligência e somos capazes de fazer o nosso serviço tão bem como os outros.

  • Oi Ricardo, meu problema é bem parecido com o seu, mas eu só começei a perder por volta dos 30 anos, nem sei se é genético, tem um primo distante que tb. é meio surdo, sei lá. A minha perda é devida a otosclerose, mas enfim nem era sobre isso que eu ia falar, era sobre o problema do telefone x serviço, eu sou funcionária pública e falo bem pouco no telefone. A bem da verdade, nem qdo ouvia bem gostava de falar no telefone. Me desviei do assunto de novo. Vc tem que conversar com seus superiores, Pq dependendo da forma e da insistência deles, pode ser caracterizado assédio moral. Dá uma pesquisada. Até.

  • Pessoas,

    Não é somente os deficientes auditivos que tem dificuldades em ouvir, já trabalhei em empresas que me limitaram só porque sou DA, e ao deparar com chefes que são ouvintes e que estão escutando mal no telefone, eu falo que eles tbm tem problemas em se comunicar por telefone e ai, eles ficam sem graça.
    Eu escuto sim, com esforço, e para ouvir bem, é necessário bastante treino sintonizando o rádio de notícias. No começo foi difícil, mas periodicamente, treinando o ouvindo sem o uso de leitura labial ajuda bastante.
    É assim que conquistamos a nossa tão sonhada independência.
    Claro, cada um de nós deveremos conhecer as nossas possibilidades e limitações, transpondo barreiras.
    Vamos a luta!!!
    Deus abençoe a todos surdos oralizados!

  • Olá Ines,moro em Mairiporã,São Paulo. Estou louca para fazer um curso na área,tudo que eu sei ,aprendi na prática,mas o salário não muda,parece que vou fazer o IC,tudo que quero é não ter de depender de libras para falar.Voçe conhece quem fez? estou querendo saber os resultados pós operatórios.Abraços colega.

  • Eu visitei o blog ontem e voltei hoje pq achei muito interessante as coisas que li. Não tenho deficiência, mas isso não impede que eu me revolte junto com vocês pela falta de preparo (em maior ou menor nível) que todas as empresas do nosso pais tem para lidar com o diferente (esse é um termo aceito?).

    Eu não me sinto a pessoa mais adequada para dar conselho pelo simples fato de não passar por isso, mas mesmo assim vou dar a minha opinião, rs. Ricardo, eu acho que o melhor a fazer é jogar limpo e falar a verdade: você tem perda auditiva. Isso não o torna um profissional incapaz de forma alguma (pelo menos pra mim). Acho que a boa é fazer que nem a Paula aqui do Cronicas chegar dizendo que não trabalha com telefone. Ponto.
    Falar é fácil né… É preciso uma boa dose de confiança pra fazer isso. E como você, Ricardo, parece um profissional qualificado e competente o suficiente acho que poderia fazer isso. O que não falta hoje em dia são alternativas para o telefone. 😉

  • Ola pessoal meu nome é Mary tenho 33 anos sou de Belo Horizonte tenho perda auditiva Profunda é o diagnostico que o utimo medico me passou apesar de eu ouvir muita cosa falar ao telefone logico que se a ligacão estiver perfeita sem ruidos e xiados ouço perfeitamente ouço os carro passando na rua ouço a moto do meu namorado chegando em casa ouço o son de um violão ouço muita coisa pra este diagnostico.Sei que tenho perda auditiva e o meu problema maior é em entender falas e televisão mas não acredito que minha perda seja profunda e tambem ainda n aseitei a minha perda e não uso o aparelho pois oque eu tenho n é indicado para minha perda ele é intra canal então n uso mas é muito dificil o dia a dia e preciso urgente comprar um.Sei que não é sobre o assunto a cima mas sera que alguem ai pode me informar quanto custa um aparelho auditivo da siemens com a tecnologia Bluetooth? Bejus carinhosos e qualquer dia passo aqui pra contar a minha historias para todos ainda é meio dificil falar no assunto mas os depoimentos de pessoas que estão na mesma situação que a minha estão me ajudando muito inter pessoas…

    • OLÁ Mary tudo bem,também sou um deficiente auditivo,tenho perda severa e uso aparelho intracanal não é siemens porém digital e é bom também só tenho dificuldades de falar aos telefones fixos poeque algúns tem a audição muito baixa já no celular é melhor,acho que voçê tem que procurar um otorrino e ele te indica qual o aparelho ideal quanto ao preço na internet tem várias lója que fornecem os preços ok.

      abraços…

      • Ola Silvio, eu ja uso o meu aparelho um pouco mais de um ano, so do lado esquerdo,pois o lado direito o aparelho não consegue me ajudar então so uso um, ganhei um par do Naida da marca Phonak do SUS e ele é muito bom me ajuda muitissimo, estou guardando o outro que não uso porq morro de medo de ficar sem kkkkkk, mas antes de usar escultava muita coisa sem eles, agora qndo tiro não escuto nadinha, o medico ja me perguntou se ja não quero começar a olhar se sou apta ao implante pois o SUS tambem faz,disse pra ele que ainda precisava de um tempo mais agora acho que vou corre atras, á agora ele é o indicado pela minha perda, obrigada e valeu.

  • comigo também acontece a mesma coisa, mas não chego a atender o telefone mesmo que seja o chefe (embora jah tenha atendido e passado por sufoco. eles podem até estar pensando que eu esteja querendo me livrar disso, pois só falo em celular que tem volume mais alto. bom, é ótimo que você tenha uma conversa franca com o chefe, isso vai resolver e depois espere o que ela vai resolver dizer pra vocÊ!

  • Oi Ricardo,estou ficando totalmente surda.Eu ouvi várias vezes este mesmo comentário,que só depois de morta que “saberei o motivo”,o fato é que não sou cobrada no trabalho por não falar ao telefone,mas como auxiliar de contabilidade já perdi muitas oportunidades. Sonho com um aparelho em que eu possa falar normalmente e ler o que eu não estou entendendo simultaneamente, a tecnologia esta avançada mas nunca pensam na gente,eu falo e quero continuar fazendo as mesmas coisas de antes de ficar surda. ABRAÇO

    • Oi Gisele! Somos duas da área contábil! Você mora aonde? Sou do Rio e na empresa estamos contratando uma auxiliar de contabilidade.

  • Ricardo,

    Acho que a questão é abrir o jogo com os chefes mesmo!! Eu me recordo exatamente do dia em que parei de atender telefones no trabalho: um chileno com sotaque forte e um português muito mal falado tentava me passar uma correção de um texto que estava em uma revista que seria impressa logo em seguida. Não entendi nada que ele falou e entrei em pânico por causa da responsabilidade.

    Engoli o orgulho, sentei com a minha chefe e expliquei com toda gentileza: não entendi nada que o fulano disse, ligue para ele, pergunte novamente, e daqui pra frente não atendo mais telefones.

    Então quando comecei no meu atual emprego, nem dei chances de algo do tipo acontecer, já fui avisando. Hoje não atendo telefones em nenhuma hipótese. Tem email para quê?? Tem gente que só liga pra falar “mandei email”. Quando algum desavisado ou novato grita meu nome e aponta para o telefone, eu simplesmente respondo: “não atendo”. Inclusive isso gerou uma mudança no meu ambiente de trabalho, as pessoas pararam de gritar umas com as outras, chamando-as a distância. Hoje elas vão até a mesa da pessoa. Tudo por minha causa.

    Podemos mudar a vida das pessoas que nos rodeiam!
    Abraços e continue firme!!!!!

  • Em uma das entrevistas, a moça tinha me perguntado se eu podia ouvir pelo telefone e respondi que não por ser surda. Hello??? Por este motivo, não fui chamada. Gosh!

    Depois disto, no trampo o qual conquistei a colega me perguntou se conseguia falar e ouvir pelo telefone e respondi pacientemente que não e ela fez cara emburrada, só porque ela se enchia o saco de tanto atender o telefone toda hora e todos os santos dias! Não tenho esta culpa, ué?! (Ainda bem que sou imune a ter as orelhas vermelhas e dodói! rsrsrs)

  • Oi, Ricardo!

    Tudo bom?

    Você disse que perdeu a sua audição aos 14 anos, certo? Mas assim perda auditiva profunda, de repente? Ou ouvia bem baixo, no começo, e depois de um tempinho, “acabou” o som para você ouvir?

    Me lembro de uma família que tinha alguns parentes que perderam a audição devido à genética, este caso não é nada parecido com o seu?

    Se quiser, add meu e-mail para o contato: belcriszac@gmail.com

    Abraços,

    Isabel ^_^

    • Olá Isabel! O problema que tenho é genético. Avó, tios, meu pai e alguns primos, assim como minha irmã também. No nosso caso, a perda acontece depois da adolescência e vai aumentando com o passar da idade, fazer o que?

      • Me perdoe, mas quem escreveu acima foi você, Ricardo? Está escrito “Ines” no nickname. Estou um pouco confusa. rsrs

          • Ah, bom! Risos!!

            E eu nasci surda devido à rubéola que a minha mãe tinha pego no hospital onde trabalhava como enfermeira, mas agradeço a Deus por não nascer cega ou mental. =)

            Beijinhos

  • Ricardo,

    Você está se sentindo desconfortável com a situação, na melhor das hipóteses é não pedir demissão e sim a empresa precisa arcar com meios de se adaptar a sua deficiência. Engraçado como muitas empresas precisam preencher as tais das “cotas” e não oferecem as mínimas condições ou assistência necessária aos PcDs desenvolver suas atividades.

    Abraços,

    Juliana

  • O que eu fiz no meu atual trabalho, desde o início, foi avisar aos colegas da minha limitação. E quando mudei de setor, fiz o mesmo. Até tinham me dado um telefone para eu pôr na minha mesa, mas falei que não adiantaria nada e o devolvi. E vida que segue, recebo recados pela secretária numa boa e qualquer coisa que precisem me mandam e-mail ou falam pelo mensageiro interno.

    Se no trabalho você sofrer pressões para usar o telefone, se sujeitando a estresse, frustrações e outros, em primeiro lugar cabe um papo reto com a chefia e, se ainda assim não adiantar, o negócio é a via judicial e pedir as contas, pois isto é assédio moral e nenhum emprego vale este assédio que cause problemas ao deficiente. Ainda mais depois que o próprio deu ciência da limitação à empresa (por vias formais, de preferência).

    • Kkkkkkkkkkkk!!! Antes de vc dizer isso, eu pensava quando vi esta foto: Ué?! Mulher com seu nome de Eduardo? Será que é sua mãe? Ou esposa? Ou uma homenagem à alguém especial? >.<

  • Olá pessoal sou analista de Suporte na area de Tecnologia da informação tenho 32 anos e aos 4 anos de idade tive minigite e como sequela sou deficiente auditivo bilateral com perda severa a profunda e uso aparelho auditivo intracanal da siemens , esses e outros modelo de aparelho tem e2e wireless (ajustes sincronizados entre os dois aparelhos de forma automática); e em conjunto com o TEK (controle remoto )voce consegue ouvir direto nos aparelhos auditivo uma ligação telefonica de celular e telefone fixo pelo bluetooth . Mas tem coisas que a gente escuta mas não entende ,é só perguntar novamente rssss.Tem 2 anos que adquiri esses aparelhos é show , valeu o investimento .

  • Ai gente, essa é mesmo um dos problemas mais sérios que passamos! Sou contadora e vocês podem imaginar que uma hora preciso falar ao telefone com fiscais, por exemplo. Acredite alguns departamentos governamentais não liberam email para contato com o contribuinte e nem sempre é possível comparecer pessoalmente. A maioria conhece meu problema mas agem como se fosse problema meu e ponto final. Mas minha pior experiência foi no emprego anterior quando penei por mais de 1 hora em uma ligação com um indiano da empresa em N.York. Eu era nova na empresa e pedia a ele para me mandar um email e ele continuava falando e falando, questionando números e eu já estava quase às lágrimas (não tinha ninguém comigo que falasse inglês). Estava tão apavorada que nem lembrei de desligar na cara dele, rsrs. Desse dia em diante eu não mais atendia as ligações e quando era ele eu simplesmente pedia para avisar que estava em reunião/no banheiro/almoço e que ele me mandasse email. Numa outra vez não tive tanta sorte mas já estava estressada com um outro trabalho e atendi o telefone já dizendo que não entendia nada do que ele falava e que me mandasse um email. E desliguei sumariamente.

  • Telefone/celular: amigo ou inimigo!?!?
    Ontem mesmo conversei com um paciente. Ele experimentou um recurso de bluetooth que transmite o som do celular para os aparelhos auditivos. Adivinhem: ficou aprox. 1 hora conversando ao celular (para quem usava celular prioritariamente com SMS, foi um ótimo resultado!!!!).
    Recomendo! Experimentem!
    O telefone fixo amplificado também pode ajudar.
    Caso nenhum dos recursos trouxer benefício, a boa conversa com os empregadores vai bem.
    Sou fono, tenho perda auditiva, uso aparelhos auditivos e tenho o telefone amplificado (no meu trabalho, é fundamental que eu use o telefone)! 🙂
    BOM DIA PESSOAL!!! 🙂

  • Daniela, que tal procurar orçamentos desses telefone pela internet, imprimir e mostrar os valores. É tão pouco, acho que eles desconhecem o valor. Em São Paulo,tem uma rua e arredores cheias de equipamentos de telefonia, audio, etc e vendem também pela internet.

  • Em todos os lugares que trabalhei, nunca precisei usar o telefone, os meus colegas que atendiam os telefonemas e me mandavam os recados relacionados ao trabalho. E às vezes conversava com a chefe por MSN.

    Mas o meu pesadelo em todos os locais de trabalho era o interfone da portaria do escritório ou prédio (não tinha porteiro!). Nenhum deles tinha câmera. Por causa disso, o meu pai tinha de me dar a carona e tocar o interfone por mim. O pessoal do trabalho chegou a tentar criar um código com a campanhia do interfone, mas eu nunca me convenci disso, preferia a segurança de ter ajuda de um ouvinte com o meu pai para não ficar horas na rua.

  • Há muitos e muitos anos tenho telefone amplificado em casa, tenho campainha adicional amplificada e um amplificador portátil. Em casa não tenho problema porque meu telefone especial aumenta muito mesmo e eu uso junto com aparelho auditivo. No trabalho tinha problemas porque era telefone comum. Mas na época já não fazia trabalho com telefone, era tudo por computador. Quem trabalha e precisa usar telefone poderia testar esses modelos amplificados que junto com AASI funcionam bem. A empresa poderia comprar alguns telefones desses, para uma empresa não são caros. E quem não consegue mesmo usar o telefone deve deixar isso bem claro para a chefia.

    • Como minha empresa insistia na questão do atendimento telefônico, solicitei o telefone com amplificador.
      Estou há um ano esperando.
      Bem, a empresa alega que não tem verba
      Isso é engraçado pois a empresa que eu trabalho, acabou de comprar uma outra empresa do mesmo segmento por quase 600 milhões de reais.
      Então, não tem verba? Hummm obviamente sim, mas não ligam.
      Então porque eu deveria atender? Não atendo mesmo.
      Creio que algumas poucas empresas despendem valores para auxiliar o funcionário com deficiência.

      • Desculpe-me, Daniela.
        Já de sentir uma indignação ao saber de vc que as empresas despendem valores a PcDs.
        Aqui no Brasil, é complicado, MAS não pode ser assim.
        Olha que lá fora (outros países) as empresas procuram facililtar o trabalho das PcDs!! Brasil, Brasil, não pode dar exemplo melhor?!!
        Ahh! Que mudem as perspectivas para tal!?

        • Simone. Concordo: tudo no Brasil é mais complicado e difícil.
          As leis não são cumpridas e a acessibilidade tem que ser cobrada constantemente.
          Percebo que é da personalidade do cidadão brasileiro ( inclusive eu) cair no conformismo.
          Temos que mudar essa mentalidade.

      • Nossa Daniele….não tem verbas??solicitei aqui na minha empresa também….eles compraram no mercado Livre,por r$110,00 (cento e dez reais…..)Acho que até você poderia comprar e usar na empresa…O Aparelho ajuda muito a conversação…..mas eu tenho a dificuldade de ouvi-lo tocar….ele possui um luz que indica que esta tocando,porém,quando foi instalado ao Pabx a luz não funcionou mais….mas como na mesma sala tenho outras colegas…..quando não ouço…elas me dão um toque..rsrrs
        bjs

    • Sô, há anos que tenho telefone amplificado em casa, atendo inclusive meu celular; mas é aquela coisa, vozes familiares e amigas.
      Nunca propus telefone amplificado na empresa, porque bem ou mal vivemos aquela questão: “escuto, mas não entendo”. Como no trabalho envolve responsabilidades, informações corretas, prefiro não correr o risco de não entender ao certo o que foi dito mesmo; me sino mais segura quando estou olhando a pessoa (ou melhor, seus lábios), ou até mesmo lendo o e-mail, a msg…

  • Gente.
    Sei que a postagem pede atenção ao Ricardo, mas quero desabafar uma coisa, pedindo a compreensão de todos!
    Encontro muitas vagas de emprego para PcDs, porém, uma coisa é muuuuuiiitooo chata: aparecem um dos requisitos tais como “atendimento telefônico”, “atender telefone”, “atender tel com PABX”, etc, etc?……….
    Ai, gente, como é dificil encontrar uma boa vaga, especificamente na área administrativa, mas sem exigir o telefone. Justamente o meu inimigo nr. 1! Beleza? Aaaafffffff!
    🙁 Tenho experiência, qualificação e tal. Gostaria de que aqueles que trabalham no RH deêm chance e ainda procurem valorizar mais os surdos. Têm capacidade! Têm cárater! Têm disposição! Só que entendam que é uma limitação e é possível superar as barreiras de comunicação. Falar pessoalmente, e-mail, SMS, MSN, o que for ao alcance à(ao) surda(o)!
    Espero que vocês se sintam na pele como é esse mercado de trabalho para os surdos, já que na maioria das xs, os deficientes físicos já encontram oportunidades com facilidade!!
    Têm que tratar a gente como igual?!

  • Gostei do depoimento do Ricardo e a perseverança nos estudos e trabalho.
    Em relação ao telefone, não tem mistérios, papo franco com a chefia, sempre; pois já pensou se você entende a conversa ao telefone do avesso e dá nhaca lá na frente?!?!
    Nãnnãnãn…

    Eu sempre fui franca nos meus jobs, antes de ser contratada já dizia em alto e bom som: “NÃO ATENDO TELEFONE!” E comunicação sempre ocorria via e-mail e sms.
    Acho que em muitos casos, telefone cria no local de trabalho uma necessidade e urgência que não existe de verdade!

  • Muito bacana o depoimento do Ricardo.
    Vc deve sim falar com a sua chefe. Vc está contratado sobre o regime de cotas? Sabem da sua deficiência?

    No meu trabalho pedem para que eu atenda telefone. Depois de alguns anos agindo como idiota, resolvi NÃO ATENDER mais.

    As pessoas ficaram desconfiadas e para alguns me dou o trabalho de explicar as dificuldades de um ouvinte em atender o telefone. Estou aprendendo a lidar com as desconfianças e a cara feia de alguns pois como falo normalmente, acham que eu não quero atender o telefone por frescura.
    Bem,não me importo mais com o que as pessoas pensam.

  • Para o Ricardo:
    Não dá para falar no telefone para você? Então, comenta isso para o chefe. Um papo franco, como diz a Dani, pode cair bem.
    Na verdade, é mais adequado falar logo à(ao) selecionador no momento da entrevista de emprego essa limitação a falar no telefone.
    Acho admirável da sua parte em fazer estudos, especificamente MBA. Que bom que há surdos que conseguem fazer o “impossível” de alguma forma!
    Parabéns, Ricardo, por ter alcançado tanta coisa.
    Quanto a mim, sou surda, não uso telefone, dependo mesmo de uma pessoa para isso. Até hoje prefiro MSN, SMS, e-mail…!!

  • Pessoal, sou ouvinte e cheguei a este blog através do outro blog da Paulinha. Me interessei porque convivo com um deficiente auditivo no trabalho e queria aprender a conviver melhor com ele.
    Lá no trabalho além desse rapaz da minha equipe há vários outros deficientes auditivos, alguns têm IC e usam aparelho auditivo, mas mesmo assim nenhum nunca foi obrigado a falar no telefone. Usamos muito e-mail e mensagem instantânea. Na assinatura de e-mail dos DA tem aquele símbolo para que quem precise se comunicar saiba que tem que usar meios escritos.
    Todo mundo compreende e ninguém se ofende.
    Acho que o rapaz do relato tem que se impor, ter um papo franco com a chefia. Nos dias de hoje, com tantos recursos, ninguém deve ser obrigado a ir além dos seus limites.

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