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Nucleus 7 da Cochelar: minha experiência de uso bilateral

A cada novo processador lançado pela marca de implante coclear que usamos, nossos olhinhos reviram de vontade, não é mesmo? Meu primeiro IC foi o Nucleus 5 – sou usuária da Cochlear. Como amei o N5 e fui feliz com ele! Afinal, foi ele que me trouxe de volta ao mundo dos sons. Lembro até hoje como demorei mais de mês para ter coragem de usar uma bateria recarregável, de tanto medo que eu tinha de mexer errado e quebrar alguma coisa…

Em abril de 2015, após dois anos de uso, fiz o upgrade para o Nucleus 6. Relatei minha experiência de uso em vários posts. O início foi tenso, porque minha primeira impressão a respeito do Scan foi de que estava ouvindo menos – típico de usuário de AASI que passa do aparelho analógico para o digital, sabe?

Uma das audiometrias mais lindas que já tive foi logo no início do uso do Nucleus 6: cheguei a 5dB na frequência de 6.000Hz. Imaginem o que isso significa na vida de uma surda profunda! 🙂

Nucleus 7

Comecei a pensar em como seria fazer upgrade para o Nucleus 7 dentro de um vagão de metrô no Rio de Janeiro. Eu tinha esquecido meu PhoneClip em casa e não tinha como ouvir música, e estava morrendo de vontade. Fiquei olhando ao redor e TODAS as pessoas naquele vagão estavam de fones de ouvido, a maioria sem fio.

Aí veio o estalo: se não dependesse de acessório nenhum, seria perfeito. Teria a liberdade de depender apenas do meu iPhone – e quem é que esquece de carregar o celular ou colocá-lo na bolsa, hein?

O implante coclear é um casamento, e nós usuários ficamos ansiosos esperando as próximas versões dos nossos ‘maridos’! Durante uma conversa com a Patrícia Mastrorocco, da Cochlear Brasil, veio a oferta: “Que tal levar um Nucleus 7 na sua viagem aos EUA e ver se você gosta?

Viajante Biônica

Seriam três semanas nos Estados Unidos, começando com quatro dias sozinha em NY, duas semanas com a família e depois uma semana entre Atlanta e Califórnia a trabalho. Como se já não bastasse toda a empolgação pela viagem e pelos desafios que viriam pela frente, mais um fator de excitação: viajar com o último modelo lançado de processador de som da marca que eu implantei! YAY. De vez em quando o universo realmente conspira a nosso favor! 🙂

 

A primeira impressão

Saí da Sonora com a conectividade entre Nucleus 7 e iPhone feita, mas esqueci totalmente disso. A primeira impressão veio em forma de susto, quando entrei num Uber e fui mexer no Instagram. Foi ‘ploft‘ e todo o som dos Stories veio direto para o meu cérebro, o que me deixou com um sorrisão, porque deve ter sido a primeira vez na vida em que assisti Stories no Instagram com som.

Aí a minha ficha caiu: nunca aproveitei o que a conectividade do Nucleus 6 tinha para oferecer porque não me adaptei a andar emparelhada com um acessório por aí, e não sou o tipo de usuário que lembra de pôr mais uma coisa para carregar na tomada toda noite! Quanto mais simples e com menos dependência de outro equipamento, melhor. Streaming direto para o smartphone é uma das coisas do tipo “nunca te vi, sempre te amei“.

As novidades do Nucleus 7

Made for iPhone

Essa é a novidade campeã, ainda mais para mim que uso Apple há anos. O Nucleus 7 conecta com os equipamentos da Apple sem a necessidade de nenhum acessório, ou seja, diretamente! Lendo este post da Lak aprendi que desde 2014 os iPhones possuem uma tecnologia Bluetooth chamada “áudio de baixa energia” que melhora a conexão com aparelhos auditivos, gastando o mínimo possível de bateria.

Realmente não notei diferença na duração da bateria do celular em função do streaming. E olha que desde que comecei a usar o N7 mudei meu perfil de usuária: agora faço chamadas de FaceTime, ouço áudios, ouço música no Spotify e vejo todos os vídeos com som, todos os dias. Meu estímulo auditivo ficou infinitamente maior e minhas experiências no dia-a-dia, mais agradáveis. Perdi as contas das vezes em que cheguei na academia e percebi que ou tinha esquecido o PhoneClip, ou ele estava descarregado, por exemplo.

Forward Focus

Tenho a sorte de ter um excelente resultado com o implante coclear bilateral mas, ainda assim, alguns ambientes de escuta difícil me deixam com as calças na mão. Numa visita ao Google, me deparei com uma mesa em formato de onda cheia de gente falando ao mesmo tempo, dentro de um refeitório barulhento.

Disfarçadamente ativei meu Forward Focus pelo Nucleus Smart app, o barulho atrás de mim sumiu e as vozes entraram que era uma beleza! O engraçado foi quando meu anfitrião me olhou e disse: “Paula você pode falar mais alto? Não estou te ouvindo!“. Tipo, a pessoa esquece que o Forward Focus é só dela, os ouvintes não possuem anulador de ruído! Rrsrsrsrs!

O Forward Focus permite que a gente tenha conversas cara-a-cara anulando o ruído que vem de trás, o que ajuda demais em restaurantes e em qualquer lugar barulhento no qual você queira conversar com quem está à sua frente! E não precisa de mapa novo nem nada do tipo, apenas ativar com um toque no app!

Ouvir ao vivo

Essa opção, a primeira vez que vi, não prestei muita atenção. Depois é que fui me ligar que ela pode me transformar numa espiã quando eu bem entender! Leia mais sobre isso no site da Apple.

Tamanho e leveza

Os milímetros a menos me fizeram sentir na pele a diferença em termos de leveza. Minha orelha é troncha (palavras do meu marido otorrino!) e eu precisava ajeitar o N6 na orelha infinitas vezes durante o dia. Já o Nucleus 7 só ajeito quando o Lucas dá um puxão sem querer enquanto está no meu colo e o tira do lugar. Encaixou tão bem que parece que foi feito sob medida.

Ímã

O modo como o íma enrosca-desenrosca da antena e a sua espessura fizeram uma diferença absurda para mim. É outra vida! Uso íma de força 2 e gosto de dar uma leve enroscadinha só para que ele não caia da antena, porque gosto de usar bem frouxo. O Nucleus 7 me permite fazer isso, e seu ímã é finíssimo se comparado ao do N6.

Antena

A antena é muito mais fina se comparada à do N6, e a sensação física que tenho agora é de nem estar com uma antena grudada na cabeça. O design é bem mais anatômico. Se tiver que usar uma única palavra para definir, seria leveza.

Menor consumo de bateria

Quem me conhece e me acompanha sabe que só não uso pilhas se por acaso estiver sem – ainda mais depois do bebê, porque agora parece que meu cérebro deu uma derretida e eu esqueço de tudo! As pilhas que uso antes duravam um dia e meio no meu mapa atual, mas com o Nucleus 7 consegui nada menos do que três dias inteiros de uso, das 7 da manhã até umas 11 da noite. Isso pra mim é inédito! Para os amantes das baterias recarregáveis, a novidade é o carregador USB, que permite que você carregue suas baterias enquanto trabalha no computador, por exemplo.

E o aplicativo?

Algumas pessoas já me perguntaram se era possível mapear o N7 pelo app – peralá que eu é que não quero brincar de fonoaudióloga, rsrsrs! Pelo app eu controlo o volume, mudo de programa, ativo o T-Coil (hello aro magnético que amo), ativo o Forward Focus. Nunca perdi meus processadores, mas isso é super comum com crianças, então a Cochlear colocou um GPS nele que permite que você encontre o N7 perdido.

Mini Microfone 2+

Ele tem alcance de até 25 metros em linha reta sem obstáculos, e possui conectividade com Sistema FM, Tele-Coil (aro magnético) e cabo de áudio. A distância ideal do MiniMic 2+ da boca da pessoa que estiver falando para ele (no caso de estar em sala de aula ou numa palestra, por exemplo) é entre 10cm e 40cm. São 3 horas até a carga completa, com até 11 horas de uso.

No meu caso, o momento em que ele é mais útil para mim é durante vôos de avião, porque o N7 não conecta diretamente com o sistema de entretenimento da aeronave. Aí, basta conectar o cabo de áudio no MiniMic 2+. Assim, ele mandará o áudio da TV para os implantes. Pronto!

Aqua+

Serve para entrar na água usando o N7. A vantagem em comparação ao Aqua+ do N6 é que você pode usar dentro d’água com o mesmo ímã que usa normalmente no dia-a-dia, sem necessidade de um ímã especial.

E o mapa?

Estou usando o mesmo mapa que usava no Nucleus 6. Minha fono apenas passou ele para o Nucleus 7. Daqui um tempo vou tentar um mapa novo, mas minha política é “em time que está ganhando não se mexe quando se tem um bebê em casa“, rsrsrs.

A volta pra casa

Quando cheguei dos Estados Unidos, surpresa: chamada de capa + página no jornal O Globo contando sobre o Facebook Community Leadership Program, com o N7 sendo a estrela da foto!!

 

Usando o Nucleus 7 no Facebook

Imaginem estar numa reunião de trabalho com mais de 100 pessoas na qual foi pedido encarecidamente que ninguém mexesse no celular. Obedeci. Mas, quando chegou notificação de mensagem de áudio pelo WhatsApp, dei disfarçadamente o comando para a Siri e ouvi o áudio direto nos N7’s sem que ninguém na sala desconfiasse que eu estava fazendo isso.

Aliás, que problema maravilhoso que o N7 resolveu! Afinal, quem nunca recebeu um áudio numa situação em que ouvi-lo seria impossível ou descabido, e ficou se coçando de vontade e curiosidade para saber o conteúdo da mensagem.  Esse problema não existe mais na minha vida! E essa funcionalidade me fez virar alocka dos áudios. Enquanto alguns dizem “manda nudes“, eu digo “manda áudios“.

Imaginem poder ter uma reunião por FaceTime (chamada de vídeo) dentro de um café super barulhento apenas com o iPhone na sua frente, ouvindo tudo o que a pessoa diz com clareza e zero barulho? Enquanto escrevo esse post, fiz isso durante uma hora, com meu mentor do programa do Facebook. Quando a reunião acabou e voltei para o barulho, fiquei numa vibe “como é que vou trabalhar no computador com esse barulhão?“, e desliguei os IC’s. Afinal, às vezes o maior dos luxos é o silêncio!

Imaginem atender uma ligação telefônica no meio de um lobby de hotel com pelo menos 40 pessoas falando, som alto de música de fundo, gente aos berros no telefone e todos os outros barulhos imagináveis! Impossível, hein? Que nada. Com o N7 bati altos papos com o Luciano em pleno lobby, ouvindo só a voz dele em meio a todo esse pandemônio sonoro. Fizemos muitas chamadas de FaceTime assim, também. O mais engraçado era a cara das pessoas me olhando, já que não saía som do iPhone que elas pudessem ouvir e eu também não estava com os fones de ouvido da Apple, hahaha!

Todos os dias, quando eu explicava para alguém tudo o que meus implantes cocleares são capazes de fazer, recebia de volta olhos arregalados e expressões de surpresa! Ninguém acredita nessa tecnologia toda porque, convenhamos, é praticamente um superpoder. O que o N7 me permite fazer, nenhum ouvinte na face da Terra consegue com sua audição natural.

Let’s change the world

Esses são os meus colegas Residentes no FCLP, cada um representando um continente. O Crônicas da Surdez representa a América Latina. Noah representa a África, Latasha representa a América do Norte, Adhunika representa a Ásia e Christian, a Europa. Essas fotos foram tiradas pelo fotógrafo pessoal do Mark Zuckerberg! 🙂

Eu adoro a ideia de mudar o mundo uma orelha por vez, através da conscientização sobre o que a tecnologia é capaz de fazer por uma pessoa com deficiência auditiva. A maioria absoluta dos casos de surdez podem se beneficiar das tecnologias existentes hoje, sendo o implante coclear uma delas.

A cereja do bolo seria achar um app de babá eletrônica que me avisasse pelo iPhone que o Lucas está chorando lá do berço. Alguém conhece algum??

Ah, e quem tiver alguma dúvida sobre o N7, pode me escrever que tentarei ajudar com o maior prazer! E aqueles que já forem usuários, deixem suas impressões sobre ele nos comentários. Seguirei dando novidades das minhas descobertas com eles nas redes sociais – Instagram, Fanpage e Grupo do Crônicas da Surdez no Facebook. 😉

No Brasil, você encontra o Nucleus 7 na Politec Saúde.

34 amaram.

Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 36 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

3 Comentários

  • Oi Paula amei as novidades meu filho Mateus tem 9 anos usa o n5 e estamos fazendo o upgrade para o n7 estamos muito ansiosos.

  • Oi Paula, eu também estou adorando o meu processador Nucleus 7!
    Sobre as viagens de avião, você já experimentou instalar o aplicativo Go Go Entertainment no seu celular e assistir, pelo sistema de WI-FI do avião (de algumas Companhias Aéreas), os filmes sugeridos? O streaming vai direto para o celular e o áudio, direto para o Nucleus 7 e não há a necessidade de utilizar, nesse caso, o Mini Mic 2+. Aliás, quero também informar que o processador Nucleus 7 é compatível com o sistema Android, embora a configuração seja um pouco diferente.
    O Nucleus 7 veio para realizar todos os nossos sonhos, como surdos profundos! E pensar que a minha jornada auditiva começou com o processador EsPrit 3G, há 13 anos! 😉

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