Site icon Crônicas da Surdez – Surdos Que Ouvem – por Paula Pfeifer

O que é hiperacusia: relato de quem convive com isso

hiperacusia

Hiperacusia é uma tolerância colapsada ao som que torna virtualmente impossível as pessoas que sofrem desta doença perseguirem uma vida normal.

Consegue imaginar o som de um beijo causar dor e um zumbido crônico para o resto da vida? Pois isso é hiperacusia.

Uma condição ainda mal compreendida

Trata-se de uma condição ainda pouco estudada. Na maioria dos casos, ela é causada pelo excesso de barulho, o qual provoca um dano no nervo auditivo. Assim, o nervo perde a capacidade de lidar com o barulho.

As pessoas ouvem tudo muito mais alto. Por causa disso, sentem uma dor excruciante nos ouvidos, que, dependendo da intensidade do barulho, demora dias a passar.

Esse barulho também provoca zumbidos crônicos que vão aumentando com o dia a dia… Imagine que você está na rua. Nela, passa um carro, e o carro buzina.

Então você sente dor, ouve um zumbido, e desse modo perde a audição pelo resto da vida a vida.

Difícil de explicar e de compreender. Por exemplo, uma criança gritando é sentida como uma agulha furando o seu ouvido, e essa sensação permanece por dias.

Dificuldades trazidas pela hiperacusia

Cientistas afirmam que o mecanismo dessa dor é similar a ter uma ferida na pele. Se alguém encosta nela, você sente dor. No caso da hiperacusia, a dor é provocada pelo barulho, mas ninguém consegue controlar o barulho.

Sons como pessoas a falar alto, cães a latir, portas fechando, sons de talheres e de pratos causam todos esses sintomas. Por conseguinte, as pessoas com essa condição acabam por se isolar (o pior efeito da hiperacusia é o isolamento social). Afinal, quando tentam conviver no dia a dia, acabam ficando piores para sempre.

Existem muitos casos conhecidos em que pessoas em estados severos de sensibilidade ao som acabam se suicidando. Artigos interessantes no Buzz Feed e no The New York Times sobre a condição relatam casos reais.

Outro grave problema é falta de ajuda medica, porque os médicos otorrinos não estudam nos seus internatos sobre hiperacusia, mal diagnosticando os pacientes e dando conselhos errados que acabam por surtir efeitos negativos e piorar a doença.

Todos estão expostos ao aumento do barulho

Devido à evolução tecnológica do mundo, este está muito mais barulhento.

A Organização Mundial de Saúde estima que 30% da juventude mundial esteja em risco de perda de audição, tinnitus e hiperacusia por causa do extremo uso de smartphones, brinquedos barulhentos, telemóveis, aparelhos de música, idas a locais como concertos, festivais e discotecas.

Antigamente, esta era uma condição que acometia os mais velhos que tinham certo tipo de profissões com muita exposição ao barulho, músicos, trabalhadores de fabrica, militares.

Hoje em dia, como o mundo está muito mais barulhento, existem cada vez mais casos de pessoas com 20 anos que têm essa condição, a qual lhes vai impedir de viver normalmente para sempre.

Frederico Oliveira – Fundador da Associação Portuguesa de Tinnitus e Hiperacusia, cuja missão é criar sensibilização especialmente da hiperacusia.

E por último

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