Histórias dos Leitores Implante Coclear MED-EL Publicidade

Redescobrindo a música com meu implante coclear

Minha perda auditiva

Meu nome é Sheila, tenho 32 anos e sou implantada bilateral. Nasci em Aracaju, mas moro em São Paulo há muitos anos. Sou enfermeira e concluí meu mestrado e doutorado ano passado, pesquisando ao longo desses anos sobre a experiência de crianças e adultos usuários de implante coclear.

Eu perdi a audição totalmente aos 13 anos de idade, devido a uma meningite meningocócica. Na época, fiquei 5 meses sem ouvir nada, apenas lendo lábios. Foi um período bem difícil porque tive que deixar de fazer várias coisas e minha vida virou de cabeça para baixo. Testei diversos aparelhos, passei em vários médicos e realizei muitos exames, mas nada servia para mim. E foi então que descobrimos o implante coclear, e aí tudo mudou. Eu consegui resgatar minha vida de volta. Há 18 anos eu recebi meu primeiro implante e após 10 anos implantei o outro ouvido também. E essa foi a melhor decisão que já tomei na minha vida.

 Não escutar música

Sem ouvir, tive que interromper as aulas de música e de inglês, parei de cantar – porque fiquei muito desafinada – e de ir a concertos. Coisas simples e que eu amava fazer se tornaram impossíveis. Até tentei cantar no coral por um tempo, lendo os lábios do regente e dublando, mas não era a mesma coisa. Foi então que decidi parar de cantar, de tocar e isso foi um dos maiores ônus que a surdez me trouxe.

Depois que fiquei surda, a primeira vez que vi meus irmãos tocando piano e violino e estudando idiomas, foi algo que me marcou muito e nunca consegui esquecer. Isso porque, na minha cabeça, eu nunca mais poderia fazer aquilo de novo. E aquele foi um dia que chorei muito. Porque a música está presente em quase tudo… nos filmes, desenhos, teatro, concertos,  lojas,  shows, festas, no carro, na mente… A vida sem a música é triste.

Importância da música na minha vida

A música sempre fez parte de mim. Desde pequena adorava cantar na igreja, ir aos ensaios do coral, ouvir meus cantores preferidos. Meus pais me colocaram no conservatório musical onde tive minhas primeiras aulas de teclado e piano, e isso foi algo que sempre amei fazer.

As primeiras semanas após a ativação

A primeira vez que escutei uma música depois de implantada foi emocionante. Embora no começo o som fosse distorcido e robotizado, a sensação de escutar aquelas melodias e ritmos foi incrível. Com o tempo meu cérebro foi acostumando e desenvolvendo essa habilidade de novo. E a cada dia que passava, escutar música se tornava cada vez melhor e o som muito parecido como quando ouvia. Entender a letra de músicas que eu já conhecia antes de perder a audição é mais fácil. Quando eu não conheço, eu geralmente pego a letra da música e vou lendo e acompanhando enquanto ela toca. Depois meu cérebro já consegue dar conta sozinho. Eu vejo que é uma questão de treino.

A música hoje

Hoje eu tenho uma vida muito parecida com a de antes. Adoro assistir concertos, óperas, ir em shows dos meus cantores favoritos. Ouvir a trilha sonora dos trailers e dos filmes é sensacional! Eu não tive oportunidade de retomar as aulas de piano ainda por falta de tempo, mas sempre que vou para casa dos meus pais, eu não resisto sentar e tocar algumas canções. Eu amo.

Comecei a fazer aulas de flauta transversal faz pouco tempo, porque é um instrumento que acho lindo e gosto muito da sonoridade. Vamos ver daqui a alguns meses como me saio, rsrsrs.

Implante coclear bilateral

Eu fiz meu segundo implante 10 anos depois do primeiro. Há 20 anos não se falava em implante bilateral. Mas assim que tive a oportunidade, decidi tentar. Se eu soubesse o quão melhor iria ficar, eu teria feito logo em seguida. Ouvir bilateralmente melhorou muito meu dia-a-dia. Ficou mais fácil ouvir uma conversa em grupo, em locais mais barulhentos… Se eu estou realizando um procedimento ou atendendo um paciente no trabalho e acaba a bateria de um lado, eu continuo ouvindo do outro. Ajuda a achar de onde vem o som mais rápido, e também caso um lado quebre, eu posso ouvir com o outro enquanto ele é consertado. Me dá mais segurança e tranquilidade.

Outra coisa que mudou muito, mas muito mesmo, foi quando ouvi música usando o implante coclear nos dois ouvidos. É difícil explicar, mas é uma sensação muito boa. É como se eu sentisse a música mais intensamente, preenchida, fluindo dentro de mim com uma energia intensa sabe?! É como se com um implante eu só ouvisse e com os dois eu sentisse ela aqui dentro.

 

Escolhendo o implante MED-EL

O implante coclear é uma tecnologia que veio dar vida a muitas pessoas como eu. São quase duas décadas usando esse recurso e eu e minha família estamos muito satisfeitos com os resultados. É muito bom poder aproveitar cada processador que é lançado.

Essa compatibilidade do chip interno com os novos processadores que a MEDEL desenvolve é algo que para mim é muito importante, porque não preciso ter que passar por outra cirurgia e posso usufruir das novas funções e acessórios.

As capinhas a prova d’água, as baterias recarregáveis, as funções de conectividade melhoraram bastante nossa qualidade de vida também.

Já usei vários modelos de processadores, o tipo caixa CIS PRO+, o TEMPO+ e os Opus 1 e 2. A mudança do aparelho de caixa para o modelo retroauricular foi espetacular. Me deu liberdade para usar qualquer roupa  sem ter que usar o processador preso no corpo, e também diminui muito os custos com a compra do fio longo que era mais fácil de  dar mal contato. O design dos processadores novos também sempre surpreendem, cada vez menores, mais modernos e práticos de manusear.

Agora estou usando o RONDO, que de todos os modelos que já usei é o que mais gosto. Esse processador de peça única é muito fácil de manusear, facilitou o uso dos óculos porque ele não está atrás da orelha. Eu simplesmente amo o design dele e essa sensação de parecer não estar usando aparelho. Estou super ansiosa para testar o novo RONDO 2. Espero que chegue logo no Brasil.

CANTANDO

PIANO

FLAUTA

 

23 amaram.

Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 36 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

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