Crônicas da Surdez Deficiência Auditiva

Um desabafo: a surdez também me entristece

Foto: Shutterstock

Sempre busquei fazer do Crônicas da Surdez um espaço no qual não fosse permitido que a gente desabasse se lamentando. E esses dias fiquei pensando nesse assunto. Percebi que nunca escrevi um post-lamentação, e pode ser que, em função disso, às vezes eu passe a impressão errada.

Não sou nenhum robô sem sentimentos que não se afeta com a deficiência auditiva. Muito pelo contrário. Às vezes (e não são poucas hein) o fato de não ouvir me enerva num grau tão tremendo que, pra não estourar a cabeça, desligo os AASI e me refugio no silêncio.

Não passo 24 horas por dia pensando nesse assunto, não tenho vontade nem paciência de ‘viver’ a deficiência auditiva (tem coisa mais chata do que gente que SÓ fala nisso) e vivo um dia de cada vez. Só que, de vez em quando, parece que a vida vem e me dá um soco na cara como se quisesse me mandar um recadinho. “Você não escuta!!”.

Tristezas

Há algo que me entristece horrores, e quem também possui deficiência auditiva progressiva vai se identificar comigo. É a perda gradual e quase imperceptível da minha capacidade de ouvir muitas coisas que no passado eu ouvia sem esforço. Quando estou ao lado de um aspirador lembro que até alguns anos atrás o som daquilo (isso sem usar AASI) me deixava louca. Hoje, sem aparelho auditivo, um aspirador de pó e uma parede estão na mesma categoria silenciosa pra mim.

Desesperador mesmo é ir ‘perdendo’ as vozes das pessoas que amo. Embora meu cérebro me engane enquanto faço leitura labial com aquela memória auditiva ‘fantasma’, sem AASI hoje nem mesmo a voz do meu irmão ouço mais. Pensar nesse fato é algo que evito com toda a força possível fazer porque, convenhamos, é muito deprimente.

E há também aquela sensação de um certo distanciamento das pessoas que, antigamente, eram iguais a mim. Sinto como se quem ouve tivesse virado um ET –  já não vivenciamos as mesmas coisas. É difícil encontrar pessoas com as quais eu queira estar, e cada vez mais me sinto confortável com aquelas que já me conhecem há milênios. Vou perdendo bastante a paciência de ficar explicando as 1001 diferenças que tenho com qualquer pessoa nova. Solidão ligou e mandou lembranças…

Me recuso a afundar

Acho que desenvolvi um mecanismo de defesa louco, porque automaticamente me proíbo de afundar. E isso é algo que quem convive com a deficiência auditiva tem que cuidar, prestar atenção – afinal, é facílimo se render para a melancolia e o desatino emocional que vêm junto com o silêncio.

Tenho tanto caminho a trilhar ainda…não faço nem idéia de quanto tempo mais meus aparelhos auditivos vão me ajudar. Depois disso vou ter que passar pela saga do implante coclear, duas cirurgias (vou querer bilateral, claaaro), adaptação a um novo modo de ouvir. Tanta coisa!! Por isso acho mais saudável deixar a tristeza passageira de lado e focar no agora, no hoje. Ficar antecipando desgraça não dá, né gente?

A surdez é solitária

Não conheço experiência mais solitária do que a surdez. É realmente fácil entrar em depressão e construir um muro das lamentações. E é bizarro perceber que é uma vivência TÃO eu-comigo-mesma que nem adianta tentar chorar as pitangas para as pessoas próximas: elas ouvem e não fazem a mínima idéia do que é ser privado disso.

Por isso que gosto de puxar meu foco sempre pro lado contrário. Posso não ouvir mais $#@*& nenhuma hoje em dia com minhas ricas orelhinhas, mas GRAÇAS A DEUS pela tecnologia que me traz de volta ao mundo dos sons. Só não sente falta quem nunca esteve nele; só considera a falta de audição uma mera ‘diferença cultural’ quem nunca teve o prazer de usufruir desse sentido.

95 amaram.

Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 36 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

40 Comentários

  • Boa noite.
    Descobri a pouco menos de 5 anos que tenho perca auditiva e que já está no grau SEVERO.
    confesso que ñ Tô acreditando ainda. Só consigo chorar

  • Oi Paula! Eu entendo perfeitamente como é isto! Eu sei que devemos nos relevar, aceitar os desafios e seguir em frente, mas temos também o nosso lado triste, afinal somos seres humanos. Como surda oralizada (uso aparelhos nos 2 ouvidos) sou também portadora de Sindrome de Usher (surdez e problemas de visão: retinose pigmentar) também não é nada fácil encarar estes 2 problema, mas procuro curtir o presente e não permitir entristecer. A tristeza aparece sim, é normal, mas não devemos deixar ela nos dominar… senão ela toma conta de nossa vida! Desabafar é bom, procure fazer mais vezes. Isto é experiência! Fica com Deus!

  • Nasci surda. Por esse motivo, tenho dificuldades em socializar com as pessoas, principalmente com desconhecidos. Essas dificuldades me fazem mal, tão mal que fico me questionando: “Por que eu?” “Por que eu nasci assim?” A cada dia tento o máximo possível que esse tipo de mentalidade desapareça, mas sempre tem algo ou alguém que indiretamente faz cutucar esse mal.

    • Oi, F. Eu também nasci surda, não entendo de libras e sou oralizada desde que me entendo por gente. O que posso dizer para te animar , sou professora da área de sáude e bem estar, sem brincadeira, cada boca é um mundo que preciso adaptar rapidamente, logo vejo que melhorei muito a minha fala devido a minha profissão e o meu contato com as pessoas, pois amo o contato, nos faz sentir de certa forma próxima do normal. Eu não permito que a tristeza e as dificuldades irritantes tome conta de mim, pois para mim, não é legal sentir para baixo para contagiar os outros, sei que as vezes cansa e permito ter um tempo só meu para amar e apreciar o silêncio. Resumindo amo estar em contato e amo estar em silêncio. É um equilibrio e tanto!

  • Tenho 10% de audição do meu ouvido direito devido a uma queda de cavalo, mas o outro escuta 100%, e as vezes eu sinto a falta dos meus 90%, por exemplo, quando to na cama com meu marido e ele brincando vem cuxixar alguma coisa no meu ouvido, e eu digo amor, esse não escuta lembra… Não me imagino sem poder ouvir a voz do meu marido, nem da minha mãezinha e muito menos o choro da minha filha, acho que enlouqueceria ou entraria em depressão profunda, tenho inúmeros amigos que não escutam e tiveram a audiçao perdida aos poucos e quando os via não sabia nunca como falar com eles ou como agir mas com tempo me habituava porque eles diziam sempre “Tu tem que agir normalmente dárica, eu sou só surda, nao sou retardada” hehehehe e aquilo se tornava motivo de brincadeira, mas até hj esqueço-me e quando eles tão longe eu os chamo porque me esqueço que ele nao me ouvem, nunca tinha vindo aqui, dificilmente vou em blogs, porque raramente tem algo de interessante ou de bonito pra ler, mas o teu blog me tocou muito, principalmente esse post… Acho muita força escrever essas coisas! Parabens pelo blog! ^^

  • Olá!!! Sou amante de novas histórias e a sua me emocionou e fortaleceu!! Não tenho problemas auditivos, a não ser uma simples otite, mas muitas vezes me pego sofrendo por problemas pequenos e sem muita relevância e aí você me diz que é “mais saudável deixar a tristeza passageira de lado e focar no agora, no hoje”. Era exatamente isso o que eu precisava ouvir, não que eu não soubesse, eu só não lembrava mais!!! Nos esquecemos de viver a vida com alegria, apesar de tudo! (mudando de assunto) Creio sim que Deus tem a cura (pra todas as doenças), e muitas vezes Ele usa a ciência e o médico como seus instrumentos! Que Deus te abençoe e muito obrigada!!

  • Olha, respeito a religião e as crenças das pessoas. Agora, ficar imaginando que “Deus” irá fazer você voltar a ouvir é perda de tempo. Acredito no Homem e na ciência e é ela hoje que nos possibilita ouvir, através de AASI e IC. Por isso, aconselho essas pessoas a procurarem um bom fono e correrem atrás.

    • Minha mãe fica querendo me levar para igreja dizendo que lá posso voltar a escutar normalmente como escutava antes. Quando escuto isso eu começo a rir. kkkkkkkkkkkkkk.

    • Olá, Erika. Embora estejamos em 2017, só li agora a crônica e os comentários. Estou com vc. Não podemos e não devemos colocar tudo nas mãos de Deus. Og Mandino, através dos seus livros, diz – Deus faz seus milagres através dos homens! – E vamos entender bem isso, isto é, o q está por traz das letras… As leis naturais estão aí … Abraço.

  • Olá, tudo bem?
    Comecei a perder a audição há uns três anos devido a um problema que tive no ouvido. Hoje tenho uma perda severa em um ouvido, e moderada no outro. Ainda consigo me comunicar muito bem, nas circunstâncias de estar olhando para a pessoa, e quando necessário, utilizo leitura labial. Não considero meu problema grave ainda, mas minhas audiometrias, e minha frustração fizeram meu médico indicar os aparelhos auditivos. Estou pesquisando sobre assunto e acabei encontrando seu blog (aliás estou me deliciando com suas postagens, pois temos o mesmo problema, mesmo que em graus diferentes. Me identifiquei muito). Gostaria de saber qual marca de aparelho você usa, ou qual você indicaria. Gostaria que você me enviasse seu e-mail para conversarmos, pois como eu disse, faz pouco tempo que isso aconteceu comigo, e ainda não me sinto muito confortável com isso. Às vezes as pessoas não entendem, ou não acreditam. Muito obrigada. Beijos

  • Bom dia a todos!
    Paula,me chamo Michelle,tenho 31 anos,e tambem estou no mundo dos DA desde aos 18 anos devido a uma doença chamada otosclerose coclear que tambem faz com que a perda da audição seja progressiva.No meu caso,a perda foi rapida em pouco anos ja estou om perda de95 db no ouvido esquerdo e 85db no direito.Me dou bem e entendo as palavras so com o aparelho direito e por temosia e preconceito,quando fui colocar o aparelho esquerdo ja nao estava ouvindo nem com ele mas,por medo acabei colocando pra pelo o menos deixar o pouquinho das celulas ciliadas ativas.
    O medo do futruro tambem vem ao meu encontro,penso como sera daqui alguns anos nao poder ouvir meu filho me chamando de mamame.Li seu depoimento,e estou aqui na minha casa agora sozinha chorando,em saber que o futuro que nos espera muitas das vezes é desesperador.Nao penso em IC porque acho uma coisa nao muito agradavel,ate as pessoas ao me redor se acustumar em ver aquilo na sua cabeça e ficarem comentando ai meu Deus,nao sei se aguentaria!
    Tenho uma esperança maior que é a minha fé em Deus e sei que o melhor dele ainda esta por vir nao so pra mim mas pra vc Paula que com carinho,coloca informaçoes,e faz com que conheçamos pessoas assim como nos.Deus vai fazer o melhor por nos creio na cura,no milagre e ainda acredito um dia voltar escrever aqui o milgare de Deus na minha vida.
    Gostaria de manter contato e se tiver alguem que possua otosclerose que me escreva para trocarmos informaçoes.michellemenonca2008@hotmail.com
    ABraços;
    Michelle

  • Ao ler esse desabafo de Paula, e alguns comentários, me veio à mente, a lembrança de quando tudo começou, há 13 anos atrás.

    A perda foi drástica para mim, pois foram nos dois ouvidos, um seguido do outro, numa rapidez que pensei que iria enlouquecer.

    Chorei absurdamente quando 6 meses depois, recebi o comunicado de que eu estava sendo aposentada por invalidez, me sentia mesmo uma inútil, aos 41 anos, depois de ter trabalhado 23, parecia que eu estava recebendo uma sentença de condenação.

    Foram meses de desespero, de entrega à solidão, meses de depressão, em busca de recuperação sem sucesso, desenganada por 12 médicos, que não me deram nenhuma perspectiva de voltar a ouvir, nem mesmo com o IC, depois de ter usado aparelho e q só serviu tão poucos meses, meses esses que ainda me permitiram ouvir as vozes dos meus filhos, Aline, com 12 e Allyson com 10 em 17 de junho de 1999; a voz do meu querido pai q se foi da minha vida, em janeiro de 2000, tão logo depois da perda da minha audição, mas a perda dele, se tornou a maior perda da minha vida há 13 anos, quando ainda na minha depressão, no começo de todo o silêncio, eu ainda conseguia ouvir os seus conselhos, baixinho, mesmo com o aparelho, mas ouvia um pouquinho, era meu amigão, eu sempre falo dele como diz a música de RC “meu querido, meu velho, meu amigo”, um paizão, que ainda colocava no colo, os seus filhos já adultos, e eu nos meus 41 anos vivi isso com ele e sinto uma imensa saudade de tudo o que vivemos, e da sua voz, nesse mês de dezembro, então, a saudade se torna ainda maior, pois dia 04 ele faria 87 anos.

    Às vezes a dor, de todas as saudades, se torna tão imensa, que fecho os olhos e mentalizo as vozes, como quem ainda acha que um dia vai poder viver novamente a alegria de ouví-las.

    Uma voz que fiquei sem saber como ficou, foi a do meu filho, que hoje está com 23 anos, e que há 13 anos atrás, era a de um menino.

    Parece que de menina não muda, né? não sei, não lembro, na minha mente, a dela continua a voz de uma menina.

    Viver um dia de cada vez, tem sido um aprendizado, mas ao longo destes anos de silêncio, não tem sido tão fácil, mas todos os dias, vendo tantos tipos de tragédias nas vidas das famílias, tem me feito refletir, que precisamos vencer essa luta em tentar superar para tentar ajudar tantos que precisam de tantas maneiras.

    Todos nós vivemos momentos de tristezas, e vivemos também os momentos de alegrias.

    Apesar de alguns pesares, vou tentando ser feliz do meu jeito!!!

    Nesse cantinho aqui, posso dividir com vocês um pouquinho de todas as minha histórias, com seus altos e baixos, com vitórias e perdas; neste Dezembro tive sabores de alegrias; meses atrás, uma perda dolorida, que somente Deus, sabe como compensá-la, através do seu precioso conforto!

    As nossas alegrias, buscadas em Deus, nos ajuda e fortalece, passamos por escaladas difíceis nessa vida, mas não estamos sós para sofrê-las sozinhos; “Deus é nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia” Salmos 46.1

  • Sempre tive vergonha deste problema, mas agora estou tentando correr atrás dos meus direitos, è preciso coragem, fé e acima de tudo acreditar que somos normais.

  • Minha filha amada , quando soubemos deste problema com o dr pedro cóser, juro meu mundo desabou.
    o desespero tomou conta de mim, o próprio dr pedro me cacalmou muito, como lembro .
    falei com deus e ate pedi uma troca, me leva e da minha audição para minha filha paula,inúmeras vezes pedi isso paulinha.

    mas o tempo foi passando e hoje vejo como aprendi contigo, quantos amigos teus ajudastes, e olha que eles nem tem problemas, mas tu estavas ali com eles, ouvindo dando palavra conforto.
    tu és tão especial que não tenho palavras.
    só tenho orgulho de ti uma moça linda, boneca, trabalhadora, inteligente, e com tanta gente que te ama.
    no teu blog quanta satisfação de ler depoimentos de pessoas de todas as classes, quantos tu ajudas !
    e deus te recompensa sempre , e olha que o melhor tá chegando.
    te amo mais que o mundo . mamis.

  • fikei muito comovida com seu texto..me identifico cm sto pq antes eu conseguia falar cm pessoas que hoje nao falam comigo pq nao tem paciencia de repetir varias vzs a msma coisa,entao as vzs eu prefiro a solidão ao virar piada qndo entendo algo errado e respondo coisas do tipo nada haver. x(

  • Oi Paula,

    essa é uma situação que todos os surdos passam, faz parte do aprendizado este distanciamento das pessoas e suas falas.

    Volta e meia fico olhando duas ou mais pessoas conversando normalmente, e fico pensando em como elas conseguem… enquanto tenho que me esforçar para compreender as mais simples palavras.

    Como bem colocaste, nos recusamos a dar o braço a torcer e não nos deixamos abater, sempre desviamos o foco para outras coisas para estarmos sempre ativos e não cair em lamentações.

    Apesar de tudo mantemos o otimismo e o bom humor.

    Abraços!

  • Oi,

    É bem assim mesmo.

    Me considero feliz, resolvido e tudo o mais, e sem ficar me lamentando por ter D.A., mas o que aflige um pouco nas vezes que paramos para pensar na maionese do futuro é a certeza (ou quase, mas aí contamos com o avanço da medicina, hehe) de que aos poucos as vozes das pessoas de quem gostamos viverão apenas em nossa memória auditiva.
    Tenho uma filha de 3 anos que me dá orgulho de vê-la crescendo, se desenvolvendo e de ouvi-la falando tanta coisa nova. Eu não quero abrir mão disso mesmo quando ela tiver seus 30 anos. Então que a nossa audição permaneça para todo o sempre enquanto durar. Hehehe

    No fim, acredito que o som do “eu te amo” mudo pode ser substituído por um abraço forte e acolhedor.

    Abs.,

  • Nunca me identifiquei tanto com um post… realmente, todo surdo é um ‘solitário’ por excelência, e não há como dizer o contrário. Mesmo com todo o aparato disponível, há momentos em que a surdez ‘grita’ e nos tornamos conscientes de que ela sempre existirá… Resta-nos ter serenidade pra transpor esse obstáculo que aumenta aos poucos, usando os recursos que podemos – AASI, IC, o que seja. Estou contigo, também tenho esses sentimentos Às vezes…
    Beijo!

  • Minha querida Paula e demais companheiros(as) de luta! Li este teu post muito emocionada e chorei ao ler a luta das pessoas que aqui tb escreveram. Veja, Paula e cia., sou implantada e não tive medo, em nenhum momento, da cirurgia ou do “depois”. Foi um sonho realizado, porque até hoje, é difícil eu aceitar ser surda. Então, com o implante, eu ouço e fico mais feliz. Dia 1º faz 10 meses que foi ativado o implante. E aproveito a oportunidade para dizer a todos que têm receio de fazer esta cirurgia, sei lá os motivos, que, se puderem, entrem na fila, e façam. No meu caso, nenhum AASI serviria, pq a perda auditiva foi total, por ototoxicidade. Então, fiquei totalmente surda por quase 3 anos e agradeço a possibilidade de ter feito o implante, porque eu lembro do dia em que foi ativado e eu comecei a ouvir e chorei mt de alegria. As vozes das pessoas são diferentes daquelas que a nossa memória auditiva lembra, mas não faz mal. O importante é OUVIR! Abraços fortes a todos! Janise

    • Janise e pessoal com IC:

      Como é ser implantada? Vc volta a ouvir naturalmente, como antes?
      Já ouvi falar maravilhas e horrores do IC.
      Uma colega que é sinalizada, e que ama ( como ela diz) ser surda, falou que o IC deixa o surdo “louco”, pela confusão de sons.
      É verdade que a adaptação é muito complicada?
      Abçs;

      • Daniela a filha da minha prima é implantada, desde criança.O Ic qdo feito bem novo o sucesso e resultado são bem melhores.Já adulto cada um se ajusta de um jeito.Mas nunca vi ninguém ficar doido.rs
        A Lak tem um blog, ela e muitos lá são implantados.La que achei várias informações.Bj
        http://desculpenaoouvi.laklobato.com

      • Não existe pra mim coisa pior do que ser deficiente auditiva depois de ouvir durante tantos anos. Na verdade, estou tentando aceitar esta minha condição, mas não é fácil! A partir do momento em que é ativado o processador do implante, vc ouve e isso é mt emocionante. Não entendi este negócio de dizer que o IC deixa o surdo louco. Na minha opinião, louco é quem não quer ouvir. Não existe esta confusão de sons, não. Um forte abraço.

  • Todo mundo tem o seus problemas, não só os deficientes, mas também as pessoas “normais” têm problemas que podem chegar a atrapalhar a vida. A minha mãe sempre me dizia isso, acho que é uma pura verdade! Tem gente que tem depressão, que fica triste por se achar feia, por ter tirado notas ruins, que tem problemas com a família, ou até doenças graves!

    Eu imagino que deve ser doloroso pra uma pessoa perceber que está perdendo a audição. Não passo por isso porque a minha surdez é completamente profunda e sempre esteve no mesmo patamar desde que era bebê, ou seja, não é progressiva. Para mim é como se a surdez fizesse parte de mim e nada muda, aí não tenho a sensação de perda. E por ser muito bem adaptada consigo fazer quase de tudo como todo mundo no cotidiano.

    Mas nós somos humanos, podemos ter os momentos em que estamos tristes, mas não pode durar para sempre né? Temos de ser fortes e a vida tem que continuar de alguma forma. Podemos chorar num dia, mas demos de levantar a cabeça no outro dia, tenho certeza que isso acontece com todo mundo!

    E eu te parabenizo por você ter exposto o seu “eu” para nós os leitores, tenho certeza que muita gente vai se identificar com você e não se sentirão sozinhos ou únicos no mundo!

    • Eu moro na Georgia…

      Nao tenha medo nao……nao deixe o medo impedi la de fazer tantas coisas boas …..
      Apenas seja comunicativa: ee so dizer que o english e sua segunda lingua e vc tem problemas auditivos…prontooooo irao te tratar como princesa …

      se quiser pode entrar em contato por email

      beijao .

  • Isto foi realmente forte, mas falou a minha lingua e tamtem a de muitos me indentifiquei com tudo não so com o texto da Paula mas tambem ao da maioria dos comentarios isto mexeu comigo.O pior de tudo é tentar imaginar o futuro como será…Mas beijão pra todos e fequem bem que Deus esteje conosco.

  • Eu queria poder dizer qualquer coisa para que você se sentisse melhor, mas não sei o que dizer, e fico com medo de que meu filho tambem se sinta assim, mas o fato de ele ter nascido assim, me faz pensar realmente que sente falta quem já teve. Por isso não quero que ele perca oque ele já conseguiu. Abraços e força, você é 10!

  • Oi Paula

    TE ENTENDO 100 % …..Olha so …tbem estou nesse barco e muitas vezes nao sou compreensiva .
    Mas como muitos aqui sou muito grata por ter achado seu blog que me faz “UP” e me faz rir da nossas pequenas falhas ….por isso nos indentificamos . Por favor continue …Nao tem ideia o bem que esta fazendo para muita gente ….

    Eu moro nos USA …imagina o esforco que tenho que fazer….primeiro tenho que explicar que ingles ee minha segunda lingua ( tenho o sutaque paulistano entao vou carregar pra sempre o ingles latino comigo rsrsr ) e segundo tenho deficiencia auditiva ….(speak slowwwwwly plixxxxxxxxx )….rsrsrs ….pois ee a vida nao ee um mar de rosas …..fico cmom vc as vezes ..mais to lutando ….

    Pensei em vc outro dia quando estava no aviao …..uma hora o som nao estava funcionando para todos ..mais consegui fazer a leitura labial ….e alguns passageiros ao lado brigando com o sono porque nao conseguiam dormir pelo barulho interno e externo do aviao ….chato mais eu dormir como um anjo…..a gente leva uma vantagem as vezes neh ……

    O que vc sente nao ee bem uma tristeza …ee um desabafo …..tbem sou assim !!

    Fique bem beijaooo

  • Oi, Paula poxa senti saudade de voce aqui…e confesso que estava esperando um post assim…Pois o que voce relata é praticamente boa parte da população brasileira que passa por esses anseios, medos e antecipação de angustia…Sabe aquela frase” Fácil falar..o difícil é ser EU”…Enquanto lia seu post venho em minhas memorias todos os momentos de medo e antecipação de angustia…a raiva das pessoas que não me entendia o odio e magoa que tinha de mim mesma por não ouvir as pessoas…é tantos sentimentos em um dia… Que todos os dias eu simulava em minha imaginação um buraco no chão .. :).
    Mais como voce disse viver um dia apos o outro.
    é o que venho fazendo, e não permito diminuir-me ou me desvalorizar por motivo algum e ser DA não é doença e nem berração é ser “Especial”.
    Se termos o privilergio de ouvir com uma parcela bem pequena de audição imagina quem passa por situações piores…Tenho certeza que essas pessoas tambem tem suas angustias e medo. E mesmo assim tambem tem sua superação de vida.

    Só agradeço a Deus por mais um dia de Vida nessa Terra maravilhosa e abençoa-me.

    Que todos tenham suas vidas Abençoadas e cheias de Vitórias e conquista.

    Abraços bem forte para todos.

  • Sou DA, desde que me entendo por gente. Minha def progrediu lentamente e sempre penso como vai ser daqui uns anos.
    Muitas vezes na qual não ouço, a irritação vem e as pessoas ao meu redor não compreendem o motivo que fiquei irritado. Não é simplesmente por não ter ouvido, como algumas pessoas acham, até mesmo pq elas repetirão aquilo que eu não ouvi. Mas é a tristeza de não ter ouvido, o futuro que me espera. Quando isto ocorre, simplesmente desligo o aparelho auditivo e me sinto um robo lunático na qual estou em meu mundo único em que ninguém vai conseguir se comunicar comigo… é a forma que me alivio, me extravaso na raiva, é quase um choro dentro de mim, interno, oculto, que ninguém vai perceber ou entender.
    É triste. Mas é a nossa realidade, fazer o que?

  • Paula, achei bom você mostrar seu outro lado, já que vemos mais o da shitara(heroína do desenho ThunderCats) oncinhas,Hoooo!.hehehe.

    Somos humanos, você e outros blogs mostram-nos como viver mesmo com a surdez, que ela não nos impede de várias coisas como pensamos,tanto aqueles que perdem audição tarde e ouvintes.Mas…
    ela tem limites sim, a dependência existe, resolver coisas pelo telefone, pedindo alguém para ligar, já que não tem Acessibilidade no Brasil, e a solidão essa é a mais difícil de vencer.
    Não gosto do silêncio,meu aparelho esta na Assistência técnica e eu estou em “stdnervos”.Rsrs
    Vi que preciso de sons não importa como.

    Estou revendo a série Switched at Birth, na Sony(que dubla tudo),mas essa tem Legenda, será bom para nós e para muita gente ter informação.A série é ótima.

    Temos dias bons em maus.E é como você disse só quem tem entende, e é um dia de cada vez.Tento pensar e focar sempre nessa frase:

    “Existem coisas melhores adiante do que qualquer outra que deixamos para trás.”
    (C. S. Lewis)
    [Gosto desse autor, pois ele escreveu um livro sobre sofrimento não tenho passado nada, depois passou por uma crise terrível escreveu outro dizendo agora entendo e posso falar com propriedade.]

    Bjo

    • Legal vc ter citado o C.S. Lewis. Li dele “As Crônicas de Narnia” e me apaixonei.

      É reconfortante ter esse blog.Há um tempo atrás não conhecia ninguém que passasse pelo mesmo que eu…

  • Paula,

    me identifiquei muito com seu post. Assim como a sua, minha perda auditiva também é progressiva, e sei que um dia os AASI não suprirão mais a minha perda, e será o momento de fazer o IC.

    Tem horas que afundo? Ah, tem! Principalmente quando tenho os ataques de tontura que acompanham a queda de audição. Mas aí enxugo as lágrimas e sigo em frente. Felizmente, tenho uma “rede de proteção” fantástica, que entende as minhas angústias e me ajuda a vencê-las, me ampara quando quero chutar tudo pro alto.

    Não deixo a DA me privar de conhecer novas pessoas. Mas abro o jogo: elas vão ter que ter um pouco de paciência comigo, principalmente no começo. Se elas quiserem continuar, é por conta e risco delas rs. Se não quiserem, azar o delas!

    E é bem como você coloca, um dia de cada vez, afinal, quem sabe o dia de amanhã?

  • Paula
    Sempre leio o crônicas, mas desta vez me identifiquei muito com seu texto e percebi que não estou sozinha nesta batalha de lutar todos os dias, 24 horas por dia, em todos os momentos, com o fato de não conseguir ouvir, mesmo com os AASI, às vezes parece que falam outra língua comigo e tento o tempo todo adivinhar (sem sucesso)o que dizem. Melhor silenciar, fingir que está distraída ou distante e isso acaba te isolando das pessoas. Estou a caminho do IC, tenho medo, mas também esperança…esperança em poder voltar a ouvir a voz de meus filhos, o som de uma música e de poder quem sabe, participar de uma conversa entre amigos.

  • Paula, eu chorei ao ler esse texto.
    Lhe conheço pelo blog. E confesso que muitas vezes eu já pensei em como vc é forte. Nunca li uma linha do crônicas em que vc retrata a surdez de forma negativa.
    Nunca me identifiquei tanto com a leitura como qdo leio seus textos. Vc sempre dá um up e mostra que quem é surdo pode sim, ter uma vida normal… vc escreve muito sobre aceitação…problema que todos nós passamos em menor ou maior grau. Eu entendo esse blog como um conforto a todos nós. Somos gratos a vc.
    Minha perda começou em 2005. Escutava normalmente antes. Então, o choque de deixar de ouvir sons que antes ouvíamos normalmente é devastador.
    Estou há 7 anos com depressão…tentando aceitar isso.
    Sem nenhuma resposta dos médicos…sem saber o que eu tenho.
    Isso que vc escreveu de viver 1 dia de cada vez é fundamental para pessoas na nossa condição. Temos que deixar de sofrer por antecipação.
    Estamos juntos nessa. É sempre bom podermos conversar sobre isso honestamente.
    Abraços =)

  • Um dia de cada vez! é assim que a gente vai vivendo.
    Você não está sozinha neste sentimento. Eu me identifico com esta situação toda, e tenho medo de o IC não se possível.
    às vezes eu fico perguntando o motivo disso…
    Um abraço!

  • Paula, entendo exatamente o que você sente, vivo o mesmo problema e também tenho meus momentos de tristeza e medo do futuro.
    Assisto o vídeo do meu casamento, dos primeiros aniversários da minha filha e me vejo ouvindo tudo sem aparelhos auditivos e hoje como você, não escuto mais nada sem eles.
    No meu caso ainda tenho o medo de que a progressão da doença calcifique minhas cócleas e impeça o IC quando for necessário, mas procuro não pensar nisso.
    Sempre me mantive informada sobre o IC e procurei um médico este ano para acompanhar o estado de calcificação para tentar não perder o momento limite para a colocação do implante e para minha surpresa em poucos meses a mesma doença se manifestou na minha filha com uma progressão fora do padrão e em menos de 6 meses ela já está implantada, ou seja não podemos prever o futuro, então o melhor é mesmo viver o presente e curtir o que a tecnologia nos proporciona.
    Gostei de ler o desabafo, vejo que não estou sozinha e sei que são só momentos, na maior parte do tempo até esquecemos da perda auditiva não é?
    Um abraço!

  • Fique tranquila, Paula!!! 😉 De vez em quando, é bom desabafar sim… pois a sociedade tem “mania” de achar que quem tem deficiência não tem sentimentos relacionados a como lidar com ela. A sociedade vive criando o mito do “modelo, exemplo de superação, forte”, etc. Como se quem é deficiente fosse um robozinho insensível. 😛 Como qualquer indivíduo, quem tem deficiência tem sonhos, frustrações, talentos a serem desenvolvidos… e que frequentemente podem ser “atrapalhados” pela limitação física ou sensorial. 🙁

    Mas, apesar de tudo o que você sente, lembre-se que você é uma pessoa de sucesso e que conquistou muitas coisas que muita gente da sua idade e SEM deficiência não alcançou!!!! 😉 Pense bem: você já tem curso superior, trabalha em um emprego público (sonho de muitos!!!), viaja, escreve MUITO bem (afinal, a tarefa de manter DOIS blogs não é para qualquer um, rerrerré!), é expert em moda e maquiagem… enfim, tem diversos talentos que merecem, sim, serem destacados!!! E que o seu problema de audição, embora lhe cause tristeza em certos momentos, seja apenas um detalhe que não ofuscará todos os seus outros talentos!!!

    Sucesso, garota!!! 😀
    Abraços,
    Débora

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